Paraíba :: Litoral norte

Pôr do sol na Praia do Jacaré é uma das atrações mais famosas da Paraíba. Foto: Débora Costa e Silva

Pôr do sol na Praia do Jacaré é uma das atrações mais famosas da Paraíba. Foto: Débora Costa e Silva

Ao viajar para uma capital do Nordeste, os passeios mais populares geralmente são o city tour básico e uma visita às praias ao norte e ao sul da cidade. Não acho que seja por falta de atrativos do próprio destino, mas é que a capital acaba sendo a porta de entrada para quem quer conhecer um pouco de tudo que o estado oferece. Quando estive em João Pessoa, visitei um pedacinho do litoral sul e do litoral norte e adorei, deu para curtir uma variedade maior de atrações. Claro que muitas outras praias ficaram de fora, mas a vida é assim, temos que fazer escolhas que estejam de acordo com o tempo e a verba disponível rs.

Como já contei no primeiro post sobre a viagem à Paraíba, fechei os passeios com a Luck Receptivo e o que mais gostei foi que eles oferecem experiências exclusivas e diferentes para seus clientes. Aí vão mais detalhes sobre os primeiros passeios:

:: LITORAL NORTE ::

Com duração de um dia, o roteiro tem algumas paradas menores, como o Marco Zero da rodovia Transamazônia (nem descemos do ônibus, o pessoal da excursão fez foto da janela mesmo) e o outlet Meggashop, que vende roupas, acessórios e calçados esportivos. Vamos às principais atrações:

Projeto Tartarugas – praia de Intermares

Praia de Intermares, onde as tartarugas marinhas depositam seus ovos. Foto: Débora Costa e Silva

Praia de Intermares, onde as tartarugas marinhas depositam seus ovos. Foto: Débora Costa e Silva

A primeira parada foi para conhecer o projeto Tartarugas Urbanas – Guajiru, uma ONG que preza pela proteção dos ninhos de tartaruga depositados na praia. Os turistas assistem a uma rápida palestra da bióloga Rita Mascarenhas, diretora do grupo, que explica como funciona o trabalho. Os voluntários protegem os ninhos, ajudam no parto dos filhotes, fazem salvamentos e, claro, lutam pela preservação da praia para que as tartarugas continuem voltando para ter seus filhotes ali em segurança.

Praia em Cabedelo

Praia em Cabedelo, uma das paradas do passeio pelo litoral norte da Paraíba. Foto: Débora Costa e Silva

Praia em Cabedelo, uma das paradas do passeio pelo litoral norte da Paraíba. Foto: Débora Costa e Silva

No município de Cabedelo, fizemos uma longa parada no restaurante Lovina, na praia da Ponta de Campina. A comida e o serviço estavam na média, mas o que chama a atenção é o espaço em si, já que oferece uma boa estrutura para quem vai passar o dia, como banheiros, duchas, lojinhas e amplo espaço em tendas para descanso na sombra. De areia fofa, a praia ali é tranquila, limpa e gostosa para caminhar.

Fortaleza de Santa Catarina

Foto: Débora Costa e Silva

Foto: Débora Costa e Silva

Construída em 1586 em madeira e taipa para proteger a região, a fortaleza fica em uma área elevada de Cabedelo – que significa ponta de areia ou pequeno cabo. Por ter sido refeita mais de cinco vezes, sua estrutura preserva características de diferentes épocas. Além disso, é um local histórico por ter sido palco de lutas contra os invasores holandeses no Nordeste na época do Brasil Colônia. A fortaleza conta com um belíssimo mirante com canhões apontando para o mar, capela, prisão e alojamentos, que abrigam obras de arte e gravuras da época.

Foto: Débora Costa e Silva

Foto: Débora Costa e Silva

Praia do Jacaré + Bolero de Ravel

Um dos programas mais famosos e turísticos da Paraíba é assistir o pôr do sol na Praia do Jacaré, que na verdade não é bem uma praia, e sim o belíssimo rio Paraíba. O nome jacaré também engana. Ao contrário do que a maioria pensa, ali não havia jacarés – apesar de que hoje algumas estátuas do animal decoram a orla e chamam a atenção dos turistas. O nome foi dado porque anos atrás havia uma espécie de hidroporto, onde pousavam aviões menores e quando isso acontecia, formava-se uma onda com a aparência de uma boca aberta, daí a relação com o bicho.

Jurandir do Sax se apresentando no catamarã. Foto: Débora Costa e Silva

Jurandir do Sax se apresentando no catamarã. Foto: Débora Costa e Silva

A grande atração fica por conta do músico conhecido como “Jurandir do Sax“. Há 23 anos, ele executa a música “Bolero de Ravel” durante o pôr do sol e, nos últimos 16 anos, vem promovendo o espetáculo diariamente em uma canoa. Ele já ultrapassou as 5 mil apresentações e continua sendo aguardado por turistas que visitam o local. Fiquei pensando: como será tocar a mesma música todos os dias no mesmo horário? Diz ele que cada apresentação é única e tem sua emoção própria.

Achei bonito vê-lo surgir em seu barquinho no horizonte, em meio às águas iluminadas pelo sol. Por outro lado, me incomodei com toda a encenação que faz parte do pacote: o guia do catamarã anunciando sua chegada pelo microfone, uma batida eletrônica marcando o ritmo da música tocando ao fundo e os turistas se aglomerando para fazer fotos e vídeos. Como toda atração que começa autêntica e ganha popularidade, essa também acabou virando um espetáculo “para turista ver”. Ainda assim recomendo por ser algo tão único, inusitado e, para quem entra no clima e consegue se isolar da muvuca de turistas, emocionante também.

No local há diversas lojinhas que vendem suvenires, roupas, artesanato, doces e comidas típicas. Até julho de 2015, havia também bares e restaurantes no píer, mas eles tiveram que ser fechados e demolidos, pois estavam instalados de forma irregular. Quando estivemos lá, todo o trecho estava passando por reformas.

A história é bastante polêmica e os donos dos bares ficaram revoltados. Bem ou mal, os estabelecimentos eram uma opção para quem quisesse apreciar o pôr do sol com o “Bolero de Ravel” tocando ao fundo enquanto comia um petisco sentado a uma mesa. Se por um lado ficou mais democrático e todos podem curtir a vista do rio gratuitamente, por outro a única opção que sobrou para quem quer um pouco de conforto foi o passeio de catamarã.

No nosso caso, o catamarã já fazia parte do pacote e achei que valeu a pena. Enquanto navegávamos pelo rio, ouvimos do guia as histórias da praia do Jacaré, assistimos a uma violinista tocar músicas típicas e os mais animados se jogaram em uma quadrilha com um casal vestido de Maria Bonita e Lampião que animava o público. O diferencial oferecido pela operadora foi que, ao final da execução do “Bolero de Ravel”, o Jurandir subiu em nossa embarcação e tocou mais algumas músicas. Quem estava no mirante podia ouvir também, graças ao sistema de áudio do artista, mas ainda assim tivemos a chance de vê-lo de perto.

Dicas :: Bagagem de mão

Definir o que levar na bagagem de mão parece a parte mais simples na arrumação das malas, mas dependendo do destino e do tipo de viagem ( com poucas ou várias horas de voo ou de ônibus), o que vai na mochila ou malinha é quase tão importante quanto o que vai parar no bagageiro.

Óbvio que cada um vai criando seus rituais de viagem e tem necessidades específicas, nada deve ser regra. A cada viagem fui adquirindo novos hábitos e cada vez sentindo falta de alguma coisa. Por sorte, também percebi que levava itens completamente desnecessários – ainda bem, senão a mala só ia crescer com o tempo :P. Em um momento totalmente ~blogueira trend~, listei abaixo os itens que são imprescindíveis pra minha bagagem de mão:

Carteira para documentos

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Eu costumava colocar os documentos importantes (passaporte, cartão de milhas, RG, etc) numa pastinha plastificada. Mas acumuladora de tralha que sou, essas pastinhas acabavam cada vez mais cheias de papeizinhos, dinheiro, cartão, ia colocando tudo ali. E aí rasgava ou virava uma zona. Até que um amigo me deu de presente uma carteira com zíper e bolsinhos ideais para esses documentos e melhorou muito o esquema! Principalmente porque ali também cabe…

Bloquinho e caneta

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Depende do tamanho do bloco de notas, mas os menores cabem tranquilamente nessa carteira ou mesmo na bolsa. E são úteis para anotar qualquer coisa que você precisar, inclusive pirações e observações da viagem caso role um momento de tédio durante o voo. Por isso, mais indispensável ainda é andar com uma caneta, até porque é comum termos que preencher algum formulário chegando ou saindo de algum lugar.

Fone de ouvido

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Eu não confio no fones que as companhias aéreas distribuem nos aviões. Ou não encaixam bem na orelha, ou não funcionam, ou as duas opções. Para garantir a trilha sonora da viagem, ou mesmo a sessão pipoca que vai rolar durante o voo, é melhor levar o seu fone 😉

Livro ou revista

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Ansiosa que sou, gosto de garantir algumas distrações para não me entediar durante uma viagem. Por isso sempre levo pelo menos um livro e às vezes alguma revista para ler no ônibus ou durante um voo. Até porque, a bateria do celular pode acabar e me deixar sem música ou pode ser que o sistema de entretenimento a bordo não esteja disponível ou ainda bata um cansaço da programação. Sem contar que é uma delícia ler enquanto estamos na estrada ou nas nuvens, viajamos ainda mais longe.

Kit hidratação: colírio, soro fisiológico e manteiga de cacau

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Após passar alguns voos com a garganta, o nariz, a boca e os olhos secos, comecei a me preparar melhor para as viagens longas de avião. Segundo essa matéria do Todos A Bordo, o nível de umidade dentro de um avião cai para menos de 20%. Para se hidratar, se aliviar e também manter seu organismo funcionando direitinho, a dica é levar sempre que possível colírio, soro fisiológico para pingar no nariz e algum protetor labial. E, claro, beber bastante água, o que nos leva a…

Garrafinha d’água

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Ok, isso talvez seja frescura minha, mas é que eu tenho muita sede, ainda mais em uma situação de secura como essa que acabei de descrever. Para não ter que ficar levantando toda hora para pegar um mísero copo d’água, eu levo uma garrafinha vazia e encho em algum bebedouro dentro da sala de embarque (já que não dá para entrar com líquidos). Já teve vezes que acabei comprando uma garrafinha carérrima em algum café só para garantir – não é o ideal, mas…

Advil – ou qualquer outro remédio que lhe apeteça

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Momento hipocondríaca, mas vai que rola uma dor de cabeça, uma enxaqueca ou até mesmo cólica durante uma viagem? Ah não, prefiro me certificar de que terei uma solução para essas situações – já basta o desconforto de estar apertada na classe econômica encarando horas de voo #classemédiasofre. Então é sempre válido carregar uma cartelinha de Advil ou de algum remédio que te alivie a dor ou o mal estar.

Escova e pasta de dente

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Acho importante levar em viagens longas, mas também nas curtas. Nunca se sabe se vão extraviar sua mala, se a conexão será cancelada, enfim, tudo pode acontecer e é bacana que o hálito esteja fresco, né? Ainda mais se você pegar no sono, nada melhor que escovar os dentes para dar uma acordada e conseguir conversar com os outros sem medo de ser feliz.

Chiclete

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Sim, esse item pode quebrar o galho de quem não colocou o kit escova + pasta de dentes na mochila, mas não só. Chicletes são muito úteis durante viagens de avião para ajudar a desentupir o ouvido principalmente durante pousos e decolagens, quando rola uma mudança brusca da pressão atmosférica e isso prejudica a entrada do ar nas tubas. A recomendação clássica é fazer o movimento de deglutição, o que com um chiclete pode ficar ainda mais fácil. Só não exagerem, já dizia minha mãe que mascar chiclete demais faz um rombo no estômago e dá fome, e aí teremos outro problema.

Carregador do celular

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Todo mundo que tem smartphone sabe que a bateria desses aparelhos não dura nada – principalmente se você tiver um Iphone :-(. Para não deixar o samba morrer e ficar sem música para ouvir, sem acesso a Facebook, Instagram e tudo o mais que for necessário para sua alegria de viver (inclusive ver as horas, importantíssimo durante uma viagem), leve sempre o carregador com o plug junto. Há cada vez mais tomadas disponíveis (e funcionando!) nas salas de embarque e até alguns aviões (maravilhosos <3) que já contam com entrada USB nas poltronas.

Mudinha de roupas

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Como já disse acima, tudo pode acontecer com seu voo e sua mala. E como seguro morreu de velho, não custa muito (só um pouco, eu sei) levar roupinhas extras. Eu não exagero para a mochila não ficar pesada ou volumosa: uma camiseta, roupa íntima e um par de meias estão mais do que suficientes. Se estou indo para um lugar mais frio, óbvio que já carrego junto um cachecol, par de luvas e um gorro. Se estiver indo para um lugar mais quente, levo uma sandália baixa e leve para não fritar de calor. E seja para onde for, faça a temperatura que for, eu sempre levo um bom casaco porque quase sempre passo frio durante os voos.

Extra: maquiagem e câmera fotográfica

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Tem coisas que levo, mas que não acho que sejam universais. Nas minhas viagens sempre ando com uma malinha à parte em que carrego minha máquina fotográfica e lentes. Ultimamente tenho usado pouco, confesso, por preguiça de carregar peso e porque o celular tem dado conta do recado, mas tá sempre comigo :-). Outro item que para mim é importante é a maquiagem. Nada demais, só um batom e uma base para dar um tapa no look na chegada e não ficar com cara de quem fez maratona de séries, ficou com insônia durante o voo etc.

E aí, essa lista tá grande demais pro seu gosto? Ou esqueci de alguma coisa importante? Comenta aí! 😉

Londres :: Primeiras impressões

Londres do alto da London Eye. Foto: Débora Costa e Silva

Londres do alto da London Eye. Foto: Débora Costa e Silva

Há lugares que te conquistam platonicamente, à distância, ao ver uma foto, ouvir uma música, assistir um filme ou ler alguma história. E há lugares que não despertam muito interesse à primeira vista, até que alguma coisa acontece e pá, dá um estalo e te faz ver tudo com outros olhos.

Minha história com Londres foi mais ou menos assim e o “clique” aconteceu de um jeito que jamais iria imaginar. Não foi ao ver o Big Ben, nem os ônibus vermelhos ou o rio Tâmisa: foi quando começou a garoar. Eu jamais imaginei que ia gostar e até chegar a me emocionar com isso, sempre odiei tomar chuva, mas ali, logo na minha primeira noite, sentir aquelas gotinhas finas e ver a cidade iluminada em meio aquela delicada garoa foi especial. Me senti dentro de uma cena clássica.

O clássico dos clássicos: Mind the gap! - Foto: Débora Costa e Silva

O clássico dos clássicos: Mind the gap! – Foto: Débora Costa e Silva

Até conhecer a cidade eu não tinha muito vontade de visitá-la. Penso isso hoje e fico até com vergonha – como pude não me interessar antes? Mas é que achava que os ingleses deviam ser muito arrogantes, não via nenhum glamour na família real e além de tudo, achava que devia ser um lugar frio e cinzento, com um clima meio deprê.

Foi graças à minha amiga Thaíla que fui parar lá. Ia passar as férias na Espanha e acabei incluindo Londres no roteiro para poder visitá-la. Outro empurrão foi a leitura que fazia na época da biografia dos Beatles, o que me fez começar a achar a ideia de ir para a terra deles interessante – apesar de que fora a Abbey Road, não tem muitas outras coisas que remetam ao grupo na cidade.

Vista da estação West Ham, zona leste de Londres. Foto: Débora Costa e Silva

Vista da estação West Ham, zona leste de Londres. Foto: Débora Costa e Silva

Da cena da garoa até o final dos meus 6 dias pela cidade o encanto só cresceu. Visitei as atrações clássicas? Opa, claro: fui ao Tate Modern, vi o Big Ben, passeei na London Eye, fui até a Catedral St. Paul ocupada por manifestantes do Occupy London, tomei café da manhã no Borough Market, conheci a Abbey Road (fiz a foto e vim embora frustrada – “era só isso?”), passei pela Trafagal Square e visitei a National Portrait Gallery.

Folhas típicas do outono tomavam conta da cidade, em outubro de 2011. Foto: Débora Costa e Silva

Folhas típicas do outono tomavam conta da cidade, em outubro de 2011. Foto: Débora Costa e Silva

Mas as coisas que mais me envolveram não estavam nos guias de viagem – como é de se esperar. A atmosfera dos pubs, que recebe desde os bêbados mais loucos até grupos de senhorinhas que se reúnem à tarde; a diversidade de pessoas de todos os cantos do mundo na feirinha da Portobello Road, em Notting Hill – bairro que inspirou o filme com a Julia Roberts e o Hugh Grant, que eu inclusive assisti no avião na ida; a noite que fiquei vagando sem rumo sozinha à beira do rio Tâmisa ouvindo uma cantora que tocava violão na rua; e as belíssimas árvores com folhas alaranjadas, típicas do outono, que deixavam a cidade tão linda – e me emocionaram tal qual a garoa, talvez por ter sido a primeira vez que vivi um outono com a cara da estação.

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Um pedacinho da feirinha da Portobello Road. Foto: Débora Costa e Silva

Uma das surpresas foi o Halloween – não tinha me ligado que estaria lá na data e nem achava que pudesse ser tãaaao legal. Não só pude ver casas e lojas enfeitadas como também me diverti no próprio dia 31 de outubro vendo to-do mun-do (crianças, adultos, idosos) fantasiado no metrô indo ou voltando de alguma festa. Pena não ter me preparado e arrumado uma fantasia, mas ainda bem que isso não me impediu de curtir uma das melhores festas que já fui, na casa de amigos da Thaíla, com gente da Índia, Canadá, África do Sul dançando até altas horas.

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Restaurante em Londres decorados pro Halloween. Foto: Débora Costa e Silva

Acho que não poderia ter escolhido melhor o primeiro lugar da Europa para conhecer. Qualquer destino teria causado um choque, mas o impacto de Londres é ainda maior. Em meio a tantas culturas e em um lugar com símbolos e identidade tão fortes e presentes no nosso imaginário, dá aquela sensação de não só estar viajando, mas de estar no centro do mundo. Eu que amo cidade grande quase não me perdoo por nunca ter tido vontade de ir antes, mas vibro toda vez que penso na sorte que tive ao ir para lá meio sem querer.

A viagem foi tão marcante que acabei contagiando minha irmã Luana com a ideia de ir pra lá. Três anos depois, voltei à terra da rainha na companhia dela durante sua viagem de comemoração de seus 15 anos. Nos próximos posts, contarei um pouco mais sobre os passeios mais bacanas que fiz por lá, da primeira e da segunda vez 😉

Escala cultural :: A Arte de Viajar

30175164Taí um livro de cabeceira para quem gosta de viajar – e de quebra pirar um pouquinho sobre o assunto. “A Arte de Viajar”, do Alain de Botton, é pra ler com lápis e ir grifando, porque tem muitas frases e sacadas legais. Melhor ainda é levar para ler durante uma viagem, de preferência longa, com várias horas de voo ou estrada, para entrar na piração e filosofar junto.

O autor discorre sobre alguns temas relacionados a viagem, contando histórias pessoais e misturando com experiências e escritos de autores e artistas consagrados que também já se debruçaram sobre o assunto. Ao longo do livro vamos descobrindo como algumas vivências na estrada influenciaram a vida e a obra de caras como Van Gogh, Charles Baudelaire, Gustave Flaubert e às vezes acabamos conhecendo outros (como foi o meu caso), como Edward Hopper, Alexander von Humboldt e John Ruskin.

Apesar de ter adorado o livro, confesso que demorei um pouco para engrenar. Não sei se foi o começo, com ritmo mais lento e muito descritivo, que acabou me desmotivando, mas caso isso também aconteça com você, eu garanto que vale a pena persistir. Depois do primeiro capítulo, já nos acostumamos com o estilo do autor e as histórias e os temas apresentados vão ficando mais interessantes.

Um post só não dá conta de tudo que tem de bacana nesse livro – tanto é que no meio da leitura não aguentei e fiz um texto só sobre a relação das obras do Edward Hopper (clique no nome para ler) com viagens. O autor divide os capítulos pelos seguintes assuntos: partida, motivações, paisagem, arte e retorno e há ainda ramificações de cada um deles. Pra facilitar, resolvi separar em tópicos as frases e sacadas mais interessante de cada tema (todas as citações são do próprio Alain de Botton, exceto quando há outro nome indicado):

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Na piscina do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Foto: Débora Costa e Silva

Da expectativa
O autor começa contando como um simples panfleto promocional da ilha de Barbados pode influenciar uma pessoa a viajar – no caso ele próprio. E aí ele filosofa sobre o que esperamos de uma viagem e como a realidade pode frustrar, relacionando suas experiências com o romance “Às avessas”, de J-K Huysmans de 1884, em que o personagem principal divaga sobre esse mesmo assunto, cheio de sarcasmo e pessimismo.

“Se nossas vidas são dominadas pela busca da felicidade, talvez poucas atividades revelem tanto a respeito da dinâmica desse anseio – com toda a sua empolgação e seus paradoxos – quanto o ato de viajar. Ainda que de maneira desarticulada, ele expressa um entendimento de como a vida poderia ser fora das limitações do trabalho e da luta pela sobrevivência. Mas raramente se considera que as viagens apresentem problemas filosóficos – ou seja, questões convidando à reflexão além do nível prático. Somos inundados por recomendações sobre os lugares para onde viajar, mas pouco ouvimos sobre como e por que deveríamos ir”

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Na estrada, voltando do Rio para São Paulo. Foto: Débora Costa e Silva

Dos destinos de viagem
A transição de um lugar para o outro em uma viagem não é um assunto muito explorado por aí e me chamou a atenção ter um capítulo dedicado a isso no livro. O autor mostra seu fascínio por aeroportos e estações de trem, onde observa as pessoas, aviões, trens indo e vindo e divaga sobre deslocamento. Além disso, apresenta escritos do Charles Baudelaire sobre o assunto e analisa obras de Edward Hopper que retratam esses lugares de passagem (postos de estrada, quartos de hotéis etc).

“A vida é um hospital em que cada paciente está obcecado com a ideia de mudar de cama. Este quer sofrer em frente ao radiador, e aquele imagina que melhoraria se estivesse junto à janela. (…) Sempre me parece que estarei bem onde não estou, e essa questão sobre o deslocamento ocupa perenemente minha alma” – Charles Baudelaire

“Há também um prazer psicológico na decolagem, pois a rapidez da ascensão do avião é um símbolo exemplar de transformação. A demonstração de poder pode nos inspirar a imaginar mudanças análogas e decisivas em nossas vidas, a pensar que também poderíamos, um dia, lançar-nos por cima de muito do que hoje pesa sobre nós”

“As viagens são parteiras de pensamentos. Poucos lugares são mais propícios a conversas internas do que um avião, um navio ou um trem em movimento. Existe uma relação quase fantástica entre o que está diante de nossos olhos e os pensamentos que podemos ter: reflexões amplas podem requerer paisagens vastas; novas ideias, novos lugares. Reflexões introspectivas suscetíveis a empacar são auxiliadas pelo fluxo da paisagem”

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Na vila de Tzefat, em Israel. Foto: Débora Costa e Silva

Do exotismo
O que te encanta em um lugar? Se viajar fosse te levar para ver o mesmo que já tem em casa e na sua cidade, talvez não fosse lá tão interessante. É o novo, o diferente, o exótico, muitas vezes, que te marcam em um destino. Neste capítulo, o autor conta de sua viagem para Amsterdã e o que encontrou de diferente em relação a Londres, onde vive, intercalando com as experiências de Gustave Flaubert no Egito.

“Por que se deixar seduzir, em outro país, por algo tão pequeno quanto um portão? Por que se apaixonar por um lugar porque ali circulam bondes e as pessoas raramente usam cortinas em suas casas? Por mais absurdas que possam parecer as intensas reações provocadas por elementos estrangeiros tão pequenos (e calados), o padrão é ao menos conhecido em nossa vida pessoal. Também nela podemos ver-nos vinculando emoções amorosas à maneira como uma pessoa passa manteiga no pão ou nos voltando contra elas por suas preferências em matéria de sapatos. Condenar-nos por essas pequenas atenções é ignorar a riqueza de significados que pode estar contida nos detalhes”

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Viela gracinha em Madri. Foto: Débora Costa e Silva

Da curiosidade
Em uma viagem para Madri, o autor questiona a forma tradicional de explorar um destino turístico, com um guia apontando datas, números e fatos. O que isso nos acrescenta? Com base em um ensaio de Nietzche, ele filosofa sobre o que realmente nos atiça a curiosidade em cada lugar – spoiler: identificar o que se vê com sua vida, seja de forma pessoal ou relacionando com a sua própria cultura.

“Em vez de trazer 1.600 plantas, talvez voltemos de nossas viagens com uma coleção de pensamentos pequenos, despretensiosos, mas ‘enriquecedores da vida'”

“Um dos problemas em viagens é que vemos as coisas no momento errado, antes de termos uma chance de gerar a receptividade necessária e quando novas informações são, portanto, inúteis e fugidias como as contas de colar sem um fio que as prenda”

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Miguel Pereira, no interior do Rio. Foto: Débora Costa e Silva

Do campo e da cidade
Neste capítulo, o autor traz à tona questões sobre a necessidade de estarmos conectados à natureza e de darmos um tempo da vida caótica das cidades. Ele relata sua ida para Lake District, onde nasceu e viveu o poeta William Wordsworth. Ele explora os locais descritos em seus poemas enquanto filosofa sobre o impacto que uma viagem para o campo pode ter em nossas vidas.

“O poeta [William Wordsworth]  propôs que a natureza, que para ele abarcava, entre outros elementos, pássaros, córregos, narcisos e ovelhas, era um corretivo indispensável para os danos psicológicos infligidos pela vida urbana”

“Cenas da natureza têm o poder de nos sugerir certos valores – os carvalhos, dignidade; os pinheiros, resolução; os lagos, calma – e, de maneira discreta, podem agir como inspirações da virtude”

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Salar do Atacama e suas cores durante o pôr do sol. Foto: Débora Costa e Silva

Do sublime
Seguindo a toada do capítulo anterior, o autor continua a divagar sobre como a beleza e a grandeza de algumas paisagens naturais podem nos impactar – mas aqui ele reflete mais sobre a força da natureza do que sobre o choque entre cidade e campo. É sobre contemplar e entender nossa pequenez perante grandes monumentos, seja uma cachoeira, uma geleira, um deserto.

“As paisagens sublimes repetem, em termos solenes, uma lição que a vida cotidiana nos ensina cruelmente: o Universo é mais poderoso do que nós; somos frágeis e transitórios; não temos alternativa senão aceitar limitações à nossa vontade e precisamos nos dobrar a necessidades maiores do que nós mesmos.”

“Essa é a lição inscrita nas pedras do deserto e nas geleiras dos polos de maneira tão grandiosa que podemos voltar dessas paisagens inspirados, não esmagados, pelo que está diante de nós; privilegiados por obedecermos a necessidades tão majestosas. A sensação de assombro pode até evoluir para um desejo de adoração”

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Pôr do sol: campos de trigo próximos de Arles. 1888 – Van Gogh

Da arte que abre os olhos
Um dos capítulos mais bonitos e interessantes é sobre a ida de Van Gogh para a Provença e como este lugar influenciou sua pintura e o que ele viu ali de diferente e de encantador. Há cartas do pintor para familiares que dão pistas de como foi esse processo, além de detalhes da experiência do autor no destino. Uma pena que as imagens do livro são todas em preto e branco.

“Van Gogh, embora apaixonadamente interessado em produzir uma ‘semelhança’, insistia que não seria cuidando das proporções que transmitiria o que era importante no sul [da França]; sua arte envolveria, como ele disse, sarcástico, ao irmão, ‘uma semelhança diferente dos produtos do fotógrafo temente a Deus’. A porção da realidade que o interessava às vezes requeria distorção, omissão e substituição de cores para ser destacada, mas ainda assim era o real – ‘a semelhança’ – que o interessava. Ele estava disposto a sacrificar o realismo ingênuo para alcançar um realismo mais profundo, comportando-se como um poeta que, apesar de menos factual do que um jornalista na descrição de um acontecimento, pode, ainda assim, revelar verdades que não têm lugar na perspectiva literal do outro.”

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Um dos desenhos de John Ruskin

Da posse da beleza
Em tempos em que se fotografa tudo e muito, vale a reflexão desse capítulo sobre esse desejo de captar e guardar tudo de bonito e impactante que vemos. O autor apresenta as ideias de John Ruskin, que defendia o desenho como a melhor forma de registrar alguma cena – mesmo para quem não desenha “bem”. É que ao tentar desenhar, nossa atenção aos detalhes e a contemplação são muito maiores do que se apenas fizermos fotos. Achei sensacional.

“A partir de seu interesse pela beleza e por sua posse, [John] Ruskin chegou a cinco conclusões principais. Primeiro, a beleza resulta de uma variedade complexa de fatores que afetam a mente psicológica e visualmente. Segundo, os seres humanos têm uma tendência inata a reagir à beleza e desejar possuí-la. Terceiro, existem muitas expressões inferiores desse desejo, entre elas o desejo de comprar suvenirs e tapetes, de inscrever o próprio nome em colunas e de tirar fotografias. Quarto, existe apenas uma maneira de se apossar realmente da beleza, que é entendendo-a, tornando-nos conscientes dos fatores (psicológicos e visuais) responsáveis por ela. E, finalmente, a maneira mais eficiente para buscar esse entendimento consciente é pela tentativa de descrever lugares belos através da arte, da escrita ou do desenho, a despeito de termos ou não algum talento para tal”.

“Se o desenho tinha valor mesmo quando praticado por pessoas sem talento, era porque, segundo Ruskin, ele nos ensinava a ver: a reparar, em vez de simplesmente olhar. Nesse processo de recriar com as mãos aquilo que temos diante dos olhos parecemos mover-nos naturalmente de uma posição de observação despreocupada da beleza para outra em que adquirimos uma compreensão profunda de seus elementos constituintes e, portanto, lembranças mais formes dela”

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Minhocão fechado em um domingo, em SP. Foto: Débora Costa e Silva

Do hábito
Para fechar, por meio da obra do francês Xavier de Maistre (“Viagem ao redor do meu quarto”, escrito em 1790), o autor explora o conceito de viajar em seu próprio habitat. Acho que esse é sempre o conselho mais valioso quando se fala sobre viagem: abrir os olhos e explorar sua cidade ou bairro como se estivesse em uma viagem, atento aos detalhes e à beleza de coisas simples.

“(…) a obra de [Xavier] de Maistre emana de uma percepção profunda e sugestiva: o prazer que extraímos das viagens talvez dependa mais do estado de espírito em que viajamos do que do destino. Se pudéssemos aplicar o estado de espírito de quem viaja aos nossos lugares, constataríamos que esses lugares não são menos interessantes do que os desfiladeiros em montanhas altas e as florestas cheias de borboletas da América do Sul (…)”

“Mas o que é o estado de espírito de viajante? Pode-se dizer que a receptividade é sua principal característica. Aproximamo-nos de novos lugares com humildade. Não trazemos ideias rígidas sobre o que é interessante. Causamos irritação aos moradores locais porque paramos em trechos em obras da pista, obstruímos o caminho em ruas estreitas e admiramos o que eles consideram detalhes pequenos e estranhos. Corremos o risco de ser atropelados porque ficamos intrigados com o telhado de um prédio governamental ou com a inscrição de uma parede. Pensamos que um supermercado ou um salão de cabeleireiros é especialmente fascinante. Exploramos de forma interminável a apresentação de um cardápio ou as roupas dos apresentadores do noticiário noturno. Estamos atentos às camadas de história por baixo do presente, tomamos notas e tiramos fotos.”

Thelma & Louise – ou sobre mulheres que viajam sozinhas

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Feminismo, emponderamento, sororidade, #vamosfazerumescândalo, #fightlikeagirl… são tantos termos e hashtags que começaram a pipocar na internet sobre o universo feminino, tantos movimentos, tantas vozes que passaram a ser mais ouvidas, que não há como negar que o girl power (meu termo preferido :P) têm crescido e ganhado cada vez mais força nos últimos anos.

Foi então que finalmente assisti o filme “Thelma & Louise”, o clássico dos clássicos – sim, beirando os 30, uma falha grave mas que acabei de corrigir. É tão maravilhoso e marcante que é até difícil falar sobre. Mas não dá para ter um blog de viagens, ser mulher e não fazer nenhuma menção a ele. Mais do que isso: o momento é oportuno, já que na última semana rolou muita discussão sobre mulheres que viajam sozinhas por conta desse triste episódio das turistas argentinas que foram mortas no Equador. E o mais incrível: foi lançado láaaa em 1991, muito antes do momento feminista que vivemos, décadas depois da queima de sutiãs dos anos 60 e quebra tudo!

Vamos ao filme: “Thelma & Louise” é um road movie dirigido por Ridley Scott e estrelado por Geena Davis e Susan Sarandon – e ainda conta com uma participação especial de Brad Pitt, no início da carreira. A história em si pode não parecer lá muito interessante: duas amigas resolvem passar um fim de semana juntas viajando, acabam cometendo um crime e começam a fugir da polícia – se metendo em altas confusões, como diria a chamada da Sessão da Tarde rs.

Tá, mas não é só isso. É muito mais.  Diz muito sobre ser mulher e o que isso implica nas nossas relações amorosas, profissionais e sociais, na nossa auto-estima e na nossa segurança, pra dizer o mínimo. E como todo bom filme de viagem, tem a combinação de trilha sonora incrível, paisagens inspiradoras e personagens que se libertam ao cair na estrada – e é sobre isso que eu queria falar!

Thelma (Geena Davis) é casada, dona de casa, submissa, faz tudo pelo marido, que a trata mal e não a valoriza. Louise (Susan Sarandon) é garçonete, mais independente e despachada, mas tem um rolo com um cara que volta e meia some por aí. Daí elas resolvem sair para viajar juntas no fim de semana e já aparece um dos problemas: como a Thelma vai pedir ou avisar o marido que vai viajar?

Sem entrar em detalhes ou lançar muitos spoilers para quem ainda não viu (mas vejam, vejam!), elas caem na estrada e na primeira parada já rola a grande treta: em um momento de total descontração e libertação, Thelma dança com um cara em um bar, está lá, se divertindo horrores, até que ele a leva pra fora e tenta transar com ela. Não, ela não está afim, e sim, ele pega pesado e começa a estuprá-la. Até que Louise, que estava em busca da amiga que tinha sumido, tenta salvá-la, mas o cara continua forçando a barra e aí, meus amigos, ela atira nele. Se por um lado você vê isso como um ato heroico, por outro é inegável que elas terão problemas dali pra frente porque o cara morreu e elas decidem fugir e seguir viagem.

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Ao longo do filme elas vão se encrencando cada vez mais durante a fuga e percebendo que será inviável voltar para a cidade e para suas próprias vidas – seja pelo crime, seja pelas transformações que as experiências da viagem foram causando. Ao encarar situações completamente diferentes, elas se redescobrem, se reinventam e se fortalecem. Tem sexo casual, DRs, brigas, mas as personagens também encontram uma na outra apoio e companheirismo – e essa é uma das maiores lições que saquei no filme e estou sacando na vida também com a ajuda do feminismo.

“Mulher não tem amizade, é só competição”, gostam de dizer por aí – e eu mesma já devo ter dito isso algumas vezes, infelizmente. É claro, fomos condicionadas a encarar a outra como a inimiga que pode chamar mais atenção que você e fisgar o teu cara. Porque, né, achar o amor da sua vida é o grande prêmio e ai de alguma biscate que tente roubá-lo. Pô, ter amigas mulheres não devia ser assim e não é se você conseguir enxergar a parceria rica que pode existir entre duas (ou mais) mulheres. Juntas somos mais fortes, sim! E em uma viagem, ter uma amiga como testemunha de tudo o que se está vivendo é maravilhoso.

O caso absurdo das meninas que morreram no Equador e que, mesmo após a morte, não foram poupadas e sim julgadas por estarem “sozinhas” me fez pensar em todas as vezes que deixei de fazer algo mais bacana durante uma viagem por medo de sofrer algum tipo de abuso e violência. Pegar carona, sair à noite sozinha em alguns lugares mais desertos, entrar numa trilha, estar de biquíni (sim, bizarro) e até mesmo decidir fazer uma viagem pode ser mais difícil, dependendo como e para onde. É injusto.

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Quero ser livre para poder experimentar as coisas sem medo, sem sofrer represálias, correndo apenas o risco de viver o desconhecido à vontade e curtir o friozinho na barriga. Seja entre amigas ou não, merecemos ter esse direito. Viajar sozinha é tão incrível, a gente se descobre, aprende a saborear a própria companhia e a se amar.  E é só se amando e fortalecendo a auto-estima que a gente consegue ter forças para superar as dificuldades e combater as injustiças com tudo, sem medo de parecer neurótica, fresca ou louca.

Pra fechar e inspirar, uma das minhas cenas favoritas do filme ❤ e alguns links com textos bacanas sobre mulheres e viagem. E que tenhamos todas um 8 de março cheio de girl power, respeito, parceria e amor.

Para ler mais:

Mas você vai sozinha? – Think Olga

O machismo nosso de cada viagem – Dentro do Mochilão

Sobre viajar sozinha – Delícia de blog

7 motivos para viajar sozinho – Mari Campos

7 relatos de mulheres para te inspirar a viajar sozinha – 360 meridianos

Mulheres viajantes: quebrando horizontes (e paradigmas) – Voopter

Travel Tattoo :: Marcel Melfi

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Marcel é designer, ilustrador e empreendedor: criou a Toonicado, estúdio de arte que faz desenhos personalizados que podem estampar presentes criativos. Apesar de trabalhar com imagens e desenhar todo dia, até há pouco tempo ele ainda não tinha nenhuma tatuagem. Foi só depois de ter feito uma viagem especial para Tailândia que ele se inspirou a marcar na pele essa experiência e fez uma tatuagem de bambu, método pouco convencional no Brasil, mas bastante difundido por lá.

Há um ritual tradicional, o Sak Yant, em que você é tatuado por um monge e não escolhe o que será desenhado, mas hoje em dia há diversos estúdios em que fazem tatuagens assim de forma mais comercial, inclusive para turistas. São utilizadas agulhas um pouco maiores do que as da máquina e elas são conectadas a um graveto de bambu. O processo não envolve máquina e a pressão feita na pele é dada pelo tatuador. Leia mais sobre a tatuagem do Marcel:

Quantas tatuagens você tem? Quando e onde foram feitas?
Tenho somente uma, na parte interna do braço. Eu a fiz em abril de 2015 em Koh Tao, na Tailândia.

Qual o significado dela? Tem relação com viagens que você fez? 
Eu nunca tive vontade de fazer tatuagem, mas em 2014 fiz um mochilão onde viajei por Dubai, Tailândia e terminei na Índia. Fiz essa viagem com um dos meus melhores amigos, e foi daquelas viagens que mudam a maneira de ver as coisas. Passava por uma fase, pré 30 anos, sem grandes expectativas, sem grandes alegrias.

Vi o filme “Her” e numa passagem o personagem fala: “Sinto como se já tivesse vivido todas as emoções que podia experimentar, daqui para frente só sentirei versões menores dessas emoções“. Só que toda essa viagem, principalmente na Tailândia, acenderam alguma coisa aqui dentro. E eu estava feliz como nunca tinha me sentido antes.

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Marquei com esse amigo o retorno para exatamente um ano depois e dessa vez, já fui com a ideia da tatuagem. Lá achamos um lugar onde tatuavam com bamboo, cada um escolheu uma arte e fizemos.

Fiz essa tatuagem para sempre que estiver desanimado, conformado com a rotina, me lembrar que tem algum lugar esperando uma aventura nova. Quanto ao significado real dela, é uma oração budista escrita em Khmer, a língua do Camboja. A Angelina Jolie tem essa mesma tatuagem nas costas.

São símbolos budistas sânscritos, de uma reza tailandesa, que dizem algo como: “Mantenha seus inimigos longe de você. Se você adquirir riquezas faça com que elas continuem sendo sempre suas. Sua beleza será aquela de Apsará. Onde quer que você vá, muitas pessoas irão assistir, servir e proteger, cercando você por todos os lados”.

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Como que foi a sensação? Dói absurdamente?
Como essa é a minha única tatuagem eu não tenho base, mas o Micky [amigo que fez a viagem junto] que tem outras, disse que além de doer mais, o processo é mais lento o que aumenta a dor. A minha durou quase uma hora.

E o lugar onde você fez, era muito tradicional ou é bastante comum fazer esse tipo de tatuagem lá?
Lá na Tailândia você vê um estúdio de tatuagem a cada 5 passos, mas a maioria não tinha desenhos legais, então procuramos na internet algum estúdio que os turistas recomendaram e chegamos em um. Era um estúdio normal com as artes expostas nas paredes. Eu pedi uma sugestão e eles mostraram várias artes e curti bastante essa.

Tem planos de fazer outras? Quais e por que?
Tenho sim, pretendo fazer outras nas viagens que realmente me inspirarem.

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E você, tem alguma tatuagem que tenha sido inspirada por alguma viagem? Conte a sua história também! Mande para papetespelomundo@gmail.com

Veja mais posts da série Travel Tattoo!

João Pessoa :: Hospedagem e preparativos

Orla de João Pessoa na calmaria em plena semana de Réveillon. Foto: Débora Costa e Silva

Orla de João Pessoa na calmaria em plena semana de Réveillon. Foto: Débora Costa e Silva

Viagem de ano novo é aquela história: tem que planejar com meses de antecedência para pagar um preço minimamente razoável e ter tempo livre o suficiente para conseguir escapar do trânsito se for para o litoral. Eu e minha mãe só começamos a agilizar a viagem da virada de 2015 em novembro, já em cima da hora. Nada recomendável, mas felizmente deu tudo certo e conseguimos sair de São Paulo pra curtir o Réveillon.

Queríamos escolher um lugar inédito para nós duas, de preferência em alguma praia do Nordeste. Após algumas pesquisas, acabamos percebendo que os melhores preços, tanto de passagem quanto de hospedagem, eram de João Pessoa – último destino de férias da minha mãe. Como ela voltou apaixonada por lá e topou repetir a dose, achei que seria bacana conhecer a cidade que ela tanto falava bem.

Passagens
Não teve muito mistério: ficamos de olho nos preços e compramos quando achamos que valia a pena, ponto. Mas tenho duas coisas a destacar:

Horário ingrato pelo menos garante um visual incrível do nascer do sol. Foto: Débora Costa e Silva

Horário ingrato pelo menos garante um visual incrível do nascer do sol. Foto: Débora Costa e Silva

1) A ida foi no dia 25 de dezembro às 7h e a volta no dia 1º às 10h. Horários cruéis para quem fica até tarde curtindo a ceia de Natal e a virada do ano, mas os preços são beeeeem mais simpaticos!

2) Fomos de Avianca e, como nas outras viagens, fiquei extremamente satisfeita com a empresa: tem espaço maior entre as poltronas, entretenimento a bordo (séries, filmes, programas etc), entrada USB para carregar o celular (é detalhe, mas faz toda a diferença), atendimento bom, não tivemos atrasos nem outros perrengues e o lanchinho era bem honesto. Podendo escolher, será sempre ela! ❤

Onde ficar
A ideia era ficar em um hotel próximo a praia, mas não tão perto da muvuca. Alguém informou minha mãe que o palco do show do Réveillon seria na praia de Tambaú, um dos pontos centrais das praias de Jampa (eu amei esse apelido da cidade <3). Pensamos em nos hospedar em Cabo Branco, ao sul da orla, só que a maioria dos hotéis da cidade já estavam 100% ocupados. Quase chegamos a desistir da viagem, quando por sorte encontramos no Booking.com disponibilidade no hotel que minha mãe já tinha se hospedado antes. Aliás, dica de ouro: dê sempre uma olhadinha nos sites de hospedagem, porque alguns hotéis oferecem quartos exclusivamente nesses sistemas – como foi o caso – e podem salvar a pátria em situações assim.

Bairro Manaíra

Praia de Manaíra, bem tranquila. Foto: Débora Costa e Silva

Praia de Manaíra, bem tranquila. Foto: Débora Costa e Silva

O Hotel Hardman fica em frente ao mar, no bairro de Manaíra, a 15 minutos a pé de Tambaú, onde fica um grande centro de artesanato, alguns restaurantes, lojas e quiosques na praia, e a 30 minutos de Cabo Branco, onde tem mais barzinhos e agito na praia. Por outro lado, Manaíra é onde ficam dois shoppings, o Manaíra e o Meg, há também opções de restaurantes e uma praia praticamente deserta. Para quem curte a calmaria, é perfeito: há alguns vendedores de água de coco no calçadão e de resto é você, areia e o mar. Já para quem quer ter à disposição guarda-sol, caipirinha, ducha, música, comidinhas etc, não recomendo.

Praia de Manaíra, em João Pessoa. Foto: Débora Costa e Silva

Praia de Manaíra, em João Pessoa. Foto: Débora Costa e Silva

Como queríamos ficar mais afastadas da movimentação, valeu a pena. Não tinha trânsito e nem uma grande quantidade de pessoas na avenida em frente ao hotel – mesmo no dia 31, não achamos que a cidade estava caótica, esperávamos ver algo tipo Guarujá e tava longe disso. E quando queríamos explorar lojas e restaurantes no resto da orla, íamos a pé a maioria das vezes, e na volta, dependendo do cansaço, apelávamos para um táxi – para ter uma ideia, uma corrida de Manaíra até Tambaú custa em torno de R$ 10 e para Cabo Branco R$ 15 no máximo (é tudo muito pertinho).

Hotel Hardman

Piscina do hotel Hardman, com vista para a praia de Manaíra. Foto: Ivani Pavoski

Piscina do hotel Hardman, com vista para a praia de Manaíra. Foto: Ivani Pavoski

O hotel é três estrelas e conta com uma estrutura bem legal: tem piscina, sauna, restaurante, barzinho e academia. O quarto era espaçoso, com camas confortáveis, uma copa (com pia, balcão, armários, mesa com duas cadeiras), além do frigobar, televisão e ar condicionado. O banheiro era pequeno, mas o chuveiro ótimo compensava. No aspecto geral, é perceptível a necessidade de algumas manutenções ou melhorias, mas nada que comprometa a qualidade do hotel.

Quarto do Hardman. Foto: Débora Costa e Silva

Quarto do Hardman. Foto: Débora Costa e Silva

O destaque vai para a gastronomia. Eu geralmente não espero comer incrivelmente bem em um hotel, mas dessa vez comi muito melhor no Hardman do que em muitos outros restaurantes e lanchonetes de João Pessoa. No restaurante deles, o L’Atlantique, já arrasava logo no início do dia com o café da manhã: fartura de pães e frutas, queijos, sucos, café, chá, bolos (deliciosos), além da opção de  comer omelete ou tapioca feitos na hora.

Pratos elaborados e deliciosos! Foto: Divulgação

Pratos elaborados e deliciosos! Foto: Divulgação

No almoço e no jantar, haviam pratos elaborados e bem servidos (como em todos os restaurantes da região), alguns com a apresentação caprichada. O meu prato preferido foi mesmo uma sobremesa de chocolate maravilhosa, a Taça Ganache, doce na medida certa. Ah, e as porções servidas na piscina também eram super gostosas, como espeto de queijo coalho e carne de sol, pescada ao maracujá e finger food de frango.

Passeios
Deixamos para escolher os passeios só quando chegássemos em João Pessoa e lá fechamos um pacote com a Luck Receptivo – que eu já conhecia de quando tinha ido ao Recife e achei os guias bem bons. Fechamos três passeios: praias do litoral norte, praias do litoral sul e o tour pela Roliúde Nordestina, no interior da Paraíba.

Jurandir do Sax se apresenta no catamarã da Lucky Receptivo na Praia do Jacaré. Foto: Débora Costa e Silva

Jurandir do Sax se apresenta no catamarã da Lucky Receptivo na Praia do Jacaré. Foto: Débora Costa e Silva

O atendimento foi super bom, eles tiram dúvidas até pelo Whatsapp, tudo muito prático. Os guias também eram ótimos, todos atenciosos e pacientes, só esperávamos ouvir um pouco mais da história dos lugares. Talvez isso não seja lá muito importante pra alguns – não sei se quem quer ir tomar sol na praia esteja super afim de ouvir história né? – mas queríamos ter aprendido mais sobre a cultura de cada cidade ou atração. Bom, há guias e guias, né? Não tem jeito.

Agora, o que achei super vantajoso foram as atrações exclusivas oferecidas pelo receptivo em alguns passeios. Por exemplo, o “Jurandir do Sax” — músico da região que toca o “Bolero de Ravel” todos os dias durante o pôr do sol em um barquinho na Praia do Jacaré –, ao final de sua apresentação, subiu ao catamarã da Luck para tocar exclusivamente para seus passageiros, que puderam ver o artista de perto.

Bom, só queria dar uma geral sobre a viagem pra depois falar com detalhes de cada passeio nos próximos posts! Vem mais Paraíba por aí \o/

Travel Tattoo :: Daniel Ribeiro

Daniel em Havana, ainda virgem de tatuagens. Foto: Débora Costa e Silva

Daniel em Havana, ainda virgem de tatuagens. Foto: Débora Costa e Silva

O Daniel foi uma das pessoas que me ensinou muito sobre viagens. Poliglota, sempre foi um cara interessado em outras culturas e acho que esse é um dos motivos que fazem ele viajar de forma tão intensa. Ele foi meu companheiro de aventuras em Cuba e foi quem me deu a dica de comprar as papetes que até hoje me acompanham <3.

Já foi para muitos outros cantos, principalmente pelo Brasil: Chapada Diamatina, Chapada dos Veadeiros, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraty, Rio de Janeiro, Minas Gerais… Pra fora já foi pro Equador e Venezuela e continua a dar suas voltas. Estreou um blog no Estadão, o Viagem sem Fim, mas além dos registros de lá, tem os que gravou na pele. Veja algumas das tatuagens que revelam seu amor por viagens.

Texto “Selado”, do Daniel Ribeiro, espalhado pelo corpo em trabalho fotográfico/artístico da Mariana Lacanna

Calma, não é tudo tatuagem! 😛 É um trabalho artístico da Mariana Lacanna, com o texto “Selado”, do Daniel Ribeiro, espalhado pelo corpo

Quantas e quais são as tatuagens que você tem? 
Tenho atualmente sete tatuagens, mas tudo indica que em breve isso vai mudar! Tenho um barco de papel, um anjo meio gótico suave, duas frases (uma em português, outra em árabe), uma roda, dois búzios e um ourobouros (símbolo representado por uma serpente, que morde a própria cauda).

Quando e onde foram feitas? 
Todas foram feitas em São Paulo. O barco e a roda foram feitas pelo Victor Otaviano em 2012. O anjo e a frase do Caetano no ombro foram feitas em 2013, pelo Rafael Horvat. Os búzios e a frase em árabe foram de 2014 pelo Lincoln Silva. A Ouroboros foi feita em 2015 pelo Alessandro do estúdio DaTribbo Tattoo.

São em quais partes do corpo?
O barco fica na costela, o anjo no peito, a frase no ombro. A roda, a ouroboros e os búzios são no braço direito. A frase em árabe é onde o sol não bronzeia.

Barquinho de aquarela nas costelas do Daniel foi a primeira tatuagem.

Barquinho de aquarela nas costelas do Daniel foi a primeira tatuagem.

Qual o significado de cada uma? Tem relação com viagens que você fez? 
O barco foi porque as viagens que mais me fizeram feliz foram para ilhas. Eu sempre tive uma piração com ilhas, acho bem interessante a ideia de estar meio isolado do mundo e de depender de forças alheias à nossa intervenção para sair de lá. Eu já quase perdi um voo porque estava em Alcântara e não tinha maré para chegar em São Luís do Maranhão.

Eu fiquei pensando muito nisso: em como eu não podia fazer absolutamente nada a respeito. Tinha que esperar. As ilhas têm essa coisa de ter que esperar. Eu quis fazer um barco de papel porque gosto de viajar e gosto muito quando é de barco, como as que fiz como repórter de viagem, foram super especiais.

A outra tatuagem relacionada às viagens é a roda que tenho no braço. É a mesma roda que tem na bandeira dos ciganos e tem a ver com a possibilidade do nomadismo, de mudanças. Nos meus 30 anos, já mudei de casa 14 vezes! Não só gosto de viajar, ou seja, das mudanças temporárias, mas também das definitivas. Que, no meu caso, nunca são tão definitivas assim.

Foto: Rodrigo Baroni

A roda no braço, em foto feira durante a viagem pela Argentina e Uruguai. Foto: Rodrigo Baroni

Tem planos de fazer outras? 
Agora quero tatuar uma tartaruga que tinha em um adesivo que trouxe de Galápagos. Foi uma viagem muito especial e eu estava louco para ver as tartarugas gigantes que deram origem ao nome do arquipélago. De novo, as ilhas, tá vendo? Eu ainda não fiz essa porque fiquei na dúvida se fazia uma tartaruga ou um pássaro que vive lá – o píquero de patas azules, que tem os pés azuizinhos.

E você, tem alguma tatuagem que tenha sido inspirada por alguma viagem? Conte a sua história também! Mande para papetespelomundo@gmail.com

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São Paulo :: Uma saudade

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Nossa amada Avenida Paulista a partir da ciclovia ❤ (Foto: Débora Costa e Silva)

Para quem vive em São Paulo, sufocado pela rotina estressante, poluição, metrô lotado, às vezes fica difícil pensar no lado bom daqui. Acho que muita gente cultiva uma relação de amor e ódio com a cidade: tem coisas incríveis e especiais, mas tem o caos também, que esgota e cansa.

Para ver São Paulo sob uma outra perspectiva em seu aniversário de 462 anos, convoquei amigos que viveram aqui e hoje estão em outros lugares do Brasil e do mundo pra dizer o que mais sentem falta da cidade. Confesso que por um momento pensei que ninguém fosse topar por acharem melhor onde vivem hoje – seja pela tranquilidade, qualidade de vida, ou qualquer outro motivo. Besteira minha: não só todos toparam como relataram várias saudades.

Algumas coisas foram praticamente unanimidade: a avenida Paulista, o combo pastel + caldo de cana e a praça Pôr do Sol foram as mais comentadas – junto com a saudade dos amigos e familiares, é claro. Outro ponto bastante destacado foi o clima, principalmente para os que estão no hemisfério norte em pleno inverno. Quem diria, esse tempo louco de São Paulo, com mil estações em um só dia, pode fazer falta!

Bacana mesmo é perceber que não só existe amor em SP, como por SP também! Um grande salve para essa nossa cidade louca, multicultural, gigantesca e surpreendente! Que a cada ano tenha mais espaços públicos, mais cultura nas ruas, mais verde e continue plural em todos os sentidos! ❤

Do que você sente falta de São Paulo?

 

Ricardo em Seul (Arquivo pessoal) e a Praça Roosevelt durante uma festa aberta (Foto: Raphael Tsavkko Garcia)

Ricardo em Seul e, ao lado, a Praça Roosevelt durante uma festa (Fotos: Arquivo pessoal + Raphael Tsavkko Garcia/Creative Commons)

Ricardo Pagliuso, 38 anos, sociólogo
Nascido no interior de São Paulo, viveu na capital por 20 anos. Passou um ano na Alemanha, voltou e, desde agosto de 2015, está em Seul (Coreia do Sul) fazendo pesquisas acadêmicas.

“Difícil dizer. Esta é minha segunda longa temporada longe de São Paulo, mas, como na primeira, tenho a perspectiva de voltar para a cidade que chamo de minha casa. Entre outras dezenas de pequenas e grandes coisas, sinto falta do clima louco de SP (frio no verão, calor no inverno), da “gentileza de estranhos” (como diz a personagem de Tennessee Williams) que se encontra em todo canto da selva metropolitana, da coxinha do BH, do café expresso do Floresta, dos bares da Roosevelt e das festas ao ar livre nas praças, do português com os vários sotaques, de comprar – e comer! – fruta na feira no domingo, de comer PF no boteco, de tomar cerveja na Augusta, dos izakayas da Liberdade. E agora, com o Carnaval batendo à porta, dos bloquinhos pela cidade.”

Natália em um parque em Melbourne e, ao lado, a movimentada Avenida Paulista. (fotos: arquivo pessoal + Artur Luiz)

Natália em um parque em Melbourne e, ao lado, a movimentada Avenida Paulista. (Fotos: arquivo pessoal + Artur Luiz/Creative Commons)

Natália Ballotin Hall, 31 anos, jornalista
De São Bernardo do Campo, mas viveu entre o ABC e a capital quase toda a vida. Está fora do Brasil há cinco anos, sendo os últimos 4 em Melbourne, na Austrália. Saiu para estudar e viver novas experiências – ficou, casou e tem dois filhos

“Pelo fato de estar longe há muito tempo, toda vez que lembro de São Paulo com saudades, tem a ver com os momentos que eu estava com os amigos. Para falar a verdade, eu não consigo pensar em um lugar X (um parque, shopping, restaurante, museu), pois para mim, o que faz o lugar ser especial são as histórias que eu vivi lá. E quando se trata de boas histórias, infelizmente as minhas sempre ocorriam no bar hahaha. Teve uma fase que eu sempre saía para beber  nos bares da Augusta e de vez em quando nos da Paulista, como o Opção e o Charme. Sinto falta dessa região de São Paulo.”

Consta naneve de Montreal (arquivo pessoal) e o bar Mercearia São Pedro (Foto: Facebook do bar)

Consta na neve de Montreal e o bar Mercearia São Pedro (Fotos: arquivo pessoal + Facebook do bar)

Constan Tino, 33 anos, engenheiro e agora estudante de Museologia
Natural de Aracaju (SE), morou em São Paulo por 9 anos e meio. Vive há seis meses em Montreal, no Canadá. Migrou para mudar de área e conhecer novas culturas.

“Sinto MUITA falta de duas coisas: boteco e padoca. E de compartilhar uma garrafa de cerveja de 600 ml, dividir as coisas na mesa do bar, o que não é nada comum por aqui. Eu gostava muito de comer em São Paulo hahaha. Adorava o Aska Lamen na Liberdade, ia muito no Empanadas e no Mercearia São Pedro na Vila Madalena também. Tipo, se eu estivesse no seriado ‘Friends’, esses dois lugares seriam o meu Central Perk. Ah, tem a Casa do Norte no Butantã – eu AMO aquele lugar. Enfim, aqui no Canadá tudo é bonitinho e tal, tem muitos bares e lugares bacanas para ir, mas acho que São Paulo é especial como poucos lugares no mundo.”

Jairo em um passeio em Sydney e o forró do Remelexo, em Pinheiros. Fotos: arquivo pessoal e Ricardo Galvão Fontes/Divulgação

Jairo em um passeio em Sydney e o forró do Remelexo, em Pinheiros. (Fotos: arquivo pessoal e Ricardo Galvão Fontes/Divulgação

Jairo Lacerda, 29 anos, empresário
Natural de São Paulo, mudou para a Austrália há seis anos, sendo 5 deles em Sydney e 1 em Melbourne, onde está hoje. Saiu do Brasil para realizar o sonho de criar sua própria marca de roupas, a COFD.

“Além da saudade da família e dos amigos, de São Paulo eu sinto muita falta da comida, do tempero e do gosto das frutas também. Saudades da minha época de forró, quando ia no Remelexo e no KVA (já fechado), e das baladas Club e Eazy.  Mas a maior saudade acho que é do pastel de frango com caldo de cana que eu comia na feira aos sábados.”

Juliana em frente ao Big Ben, em Londres e, ao lado, a Livraria Cultura, uma de suas paradas obrigatórias na Paulista (fotos: arquivo pessoal e Divulgação)

Juliana em frente ao Big Ben, em Londres e, ao lado, a Livraria Cultura, uma de suas paradas obrigatórias na Paulista (fotos: arquivo pessoal e Divulgação)

Juliana Gabos, 32 anos, desenvolvedora de Software
Atravessou o Atlântico há 2 anos e meio para fixar residência em Londres

“Morando em Londres não é difícil de sentir bastante falta do clima de São Paulo e todo o nosso estilo de vida que deriva dele. Quando morava aí, dava para combinar de fazer praticamente qualquer coisa em qualquer época do ano ou momento do dia. Gostava muito de sair para jantar, por exemplo. São Paulo tem restaurantes sensacionais, ideais para curtir o ar gostoso da noite.

Não são raros os fins de semana em que sinto falta de caminhar na avenida Paulista. É um dos meus lugares favoritos da cidade. É muito gostoso caminhar parando para olhar a feirinha que tem ali perto da Consolação (acho que no shopping Center 3, que espero que ainda esteja lá), dar um pulo na Livraria Cultura, tomar um sorvete ou um açaí (ou até mesmo um chocolate quente) enquanto se passa do lado de construções que marcam a história da cidade. Tenho boas recordações de passeios que fiz com família, amigos ou mesmo sozinha. Quando voltar à cidade para uma visita, tenho que dar uma passada lá de algum jeito! 🙂 Ah, e sinto falta de pizza!!!! São Paulo, pelo menos para mim, ainda tem a melhor pizza do mundo!”

Flávia no seu cantinho especial de São Paulo, a Praça Pôr do Sol (foto: arquivo pessoal)

Flávia no seu cantinho especial de São Paulo, a Praça Pôr do Sol (Foto: arquivo pessoal)

Flávia Fernandes, 31, jornalista
Natural de São Paulo, mora há seis meses na cidade de Abilene, no Texas (EUA), após um ano e meio indo e voltando por causa do namorado, hoje marido.

“Eu sinto falta de muitas coisas. Uma delas é andar na rua, explorar lugares a pé, como os bairros Perdizes, Lapa e a região da Av. Paulista. Eu sinto falta da vida 24 horas e que tem tudo o tempo todo. É impossível ficar entediado. Outra coisa que sinto falta é da diversidade de restaurantes. Dá pra explorar lugares e sabores sempre! Tem meus restaurantes favoritos no momento, que são Comedoria Gonzales (Peruano) e o Mori (Japonês). Outra coisa é o pastel com caldo de cana na feira – isso é delícia sempre! Meus lugares favoritos são a Praça Pôr do Sol e o Parque Vila Lobos. O bairro que amo é a Vila Madalena. Tem arte, bares, restaurantes, lojinhas, tudo.”

A ideia do post fez a Flávia a ir além desse depoimento e a inspirou a gravar um vídeo sobre o assunto para o seu canal no YouTube. Clique aqui para ver, tem ainda mais dicas! 🙂

Nadia e um de seus cantinhos preferidos de Sampa (fotos: arquivo pessoal + Erasmo Altimeri)

Nadia e um de seus cantinhos preferidos de Sampa: o Museu do Ipiranga (fotos: arquivo pessoal + Erasmo Altimeri/Creative Commons)

Nadia Moragas, 30 anos, jornalista
Nasceu em São Paulo e mora há cinco anos na Bahia. Passou por Salvador, Ilha de Itaparica e hoje vive em Porto de Sauípe. A mudança rolou após conhecer o marido, daí resolveu fazer mestrado na terra dele.

 Acho que o mais legal de Sampa é o fato de ser cosmopolita. Diferentes estilos e culturas encontram algum lugar na cidade para chamar de seu. Sinto falta dos parques, principalmente do Museu do Ipiranga (fechado para obras) e do Ibirapuera. Também sinto saudade da vida noturna agitada, com muitos lugares bacanas pra tomar uma cerveja. Adorava o Charme da Paulista e o Opção também. Adoro as feiras de rua, sempre tem uma em algum lugar próximo. Saudade do pastel e caldo de cana. A feira da Praça da República, de domingo, tem muita coisa bacana, roupa, artesanato, pinturas e comidinhas! Também curtia a feira da Benedito Calixto, com antiguidades e itens descolados.”

Amanda na avenida Paulista, durante reforma da ciclovia, e ao lado a Casa das Rosas, onde ela frequentava. (fotos: arquivo pessoal + Felipe Lange Borges)

Amanda na avenida Paulista, durante reforma da ciclovia, e ao lado a Casa das Rosas, onde ela frequentava. (fotos: arquivo pessoal + Felipe Lange Borges/Creative Commons)

Amanda Serra, 27 anos, jornalista
A paulistana está há 4 meses em Dublin, na Irlanda. Mudou para melhorar o inglês e aprender mais sobre si mesma.

“Com certeza o clima de São Paulo (minha cidade) é o que eu mais sinto falta atualmente. Sem falar na comida: aquela coxinha quentinha do Frangó, a pizza da Ritto… O centro velho de São Paulo é outra paixão, mas não há nada tão paulistano como caminhar pela avenida Paulista e se apropriar dela. Era um dos meus programas prediletos aos domingos, agora que ela está fechada para carros deve estar ainda melhor. A homogeneidade das pessoas ao redor, as feiras de artesanatos com roupas descoladas, os variados protestos, os shows dos artistas de rua, as lojinhas dos chineses, a atmosfera cultural, o simples caminhar em meio a tudo isso já fazia a viagem de Pirituba valer a pena. Vivia de olho nas programações gratuitas da Casa das Rosas, do Itaú Cultural e do Centro FIESP. Isso sempre me rendeu belos espetáculos e exposições. Essa é uma boa dica para quem gosta de teatro, exposição, literatura e quer economizar. ”

Munhoz na cozinha do bar O Pico, em Pinheiros, seu preferido em SP (Foto: arquivo pessoal)

Felipe Munhoz, 31 anos, jornalista
Nascido em São Bernardo do Campo, viveu entre o ABC e a capital boa parte da vida. Há 4 anos foi para o Rio de Janeiro. Segundo ele, o universo só mandou uma alternativa de mudança, ele aceitou e iniciou uma nova fase.  

“São Paulo, nos separamos, eu sei, mas vou te contar. Gosto mesmo é de te ‘namorar’ assim, distante. Ainda sinto saudades das nossas quintas dançantes no Teatro Mars. Daquela sensação de liberdade ao te amar dirigindo pela madrugada, com suas curvas desimpedidas, e caçar alguém que topasse levantar uns copos.  Lembra quando não ‘existia’ Vila Madalena? A gente ia, literalmente, de norte a sul, de leste a oeste. Eu sei, a praça do pôr-do-sol é um pedacinho marcante. Nossa, vivemos intensamente o nosso tempo. Tomamos os maiores porres no Pico, da Cardeal. Se quiser comer pastel na Mercearia São Pedro, tudo bem, mas já aviso que sem Xico Sá e Sócrates o lugar deve estar meio sem aura – dizem que até pegou fogo!

Chega de enrolação, vou dizer logo a verdade. Sua graça é nos deixar fugir da moda. Se todo mundo começa ir pra Vila, a gente vai para Augusta ou toma uma no Rossio ou num bar da Tiquatira; se lotam o Belas Artes, é hora de dar um pulo no Centro Cultural; se tem rolezinho gourmet em Moema, a gente vai visitar os amigos em Itaquera, ou em Pirituba, com o maior prazer; se a polícia sitiou a praça do pôr-do-sol, a gente faz música e fogueira no mirante de Santana.

Não posso negar, suas caronas sinceras me encantam. Mas, sinceramente, o nosso amor só existe assim, no campo das saudades. De qualquer forma, fica o meu “abraçaço” e a gratidão por me ajudar a amadurecer com tantas experiências. Meus parabéns, São Paulo.”

Top 10 :: Atitudes para me tornar uma viajante melhor

Pra começar o ano bem, nada como reciclar maus hábitos e aprimorar os que nos fazem bem, né? Pensando nisso, elaborei uma listinha de atitudes para me tornar uma viajante melhor. Eu curto aproveitar a virada para elencar os desejos para o ano seguinte ou até fazer um balanço do que passou. Acho que é terapêutico e ajuda a colocar as ideias e objetivos em ordem.

Coloquei na lista coisas que vivo prometendo que vou fazer – algumas já consegui um bom avanço, outras ainda estou devendo muito, mas acho que muita gente pode se identificar também. Veja aí se tem alguma que você também tá afim de cumprir 😉

1 – Pesquisar e planejar mais

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Eu tenho a mania de “deixar acontecer naturalmente” nas viagens, como diz o clássico pagode. Por um lado é bom, claro, porque fico mais livre, as coisas fluem melhor, o efeito surpresa rola solto e respeito mais minhas vontades, sem ficar muito presa a um cronograma e ficar tensa por causa disso.

Mas esses benefícios vão até a página 2,  porque acabo perdendo muita coisa legal: descubro um restaurante incrível, um cantinho diferente ou uma atração bacana já perto da volta, ou já em casa, ou descubro que precisava fazer reserva ou que o passeio só tem aos sábados e eu volto pra casa na sexta. Umas pataquadas assim, sabe? O desafio é combinar melhor planejamento com dias e horários livres. Ler mais sobre um lugar, mas não tanto a ponto de estragar algumas surpresas. Enfim, um dia eu chego lá!

2 – Economizar antes…

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Old, but gold. Sem dinheiro não dá para viajar e ponto. Por mais que existam hostels, couch surfing e esquemas para mochileiros, é quase impossível cair na estrada sem um mínimo de planejamento financeiro. E isso tem que ficar como um alerta fixo na cabeça de quem não quer deixar de aproveitar férias e feriados. Economizar no cinema, nas compras, nos jantares, em shows, enfim, não tem como você querer fazer uma viagem grande e fodona sem sentir o impacto no seu dia a dia. Questão de prioridades.

3 – … e durante a viagem também!

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É tão óbvio, mas tô eu aqui ainda fazendo a rycah e gastando muitas vezes sem pensar. Pensamentos como “tô de férias” ou “talvez nunca mais tenha uma chance dessas” acabam me levando a endividamentos desnecessários. Às vezes uma boa pesquisa já ajuda a encontrar jeitos mais econômicos de chegar a algum lugar. Paciência também é necessária – só assim para encontrar uma hospedagem mais barata, por exemplo. E as milhas hein? Você já sabe usar? Eu precisava aproveitar melhor os programas de milhagem para fazer valer a pena de verdade.

3 – Compartilhar menos, viver mais

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Em tempos de Face, Insta, Snap, Periscope e sei lá mais quantas outras redes sociais, é quase irresistível postar uma foto do pôr-do-sol, do prato lindo que chegou pro jantar ou dos pés à beira da piscina. Até porque, temos que lidar com posts de gente linda, realizada e arrasando por aí todo dia. Quando chega sua vez de curtir seu auge, bate uma vontade de gritar pro mundo o quanto você está feliz, sim, ué!

Cada um cada um, mas comigo a sensação é que a internet me rapta e demora a me devolver pro mundo real. Eu entro para postar uma foto e de repente, passei meia hora lendo o que todo mundo postou, cliquei num link, abri o link relacionado, já vi um vídeo… e aí o sol já foi embora, o vento bateu e esfriou a água da piscina, enfim, perdi um momento único que não volta mais. Desconectar é super importante e faz toda a diferença em uma viagem, como já refleti neste post sobre Visconde de Mauá.

4 – Fotografar menos, contemplar mais

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A ideia é bem parecida com a do item anterior, até porque quem está mega conectado também deve já cultivar o hábito de fotografar e registrar tudo e muito. Faço aqui meu mea culpa: eu tiro muita foto, mesmo. Sempre foi assim, mesmo antes de ter câmera mais profissa e estudar o negócio. Depois só piorou, entrou o lado perfeccionista de querer fazer a melhor foto, ir clicando, analisando e repetindo sem limites.

Cheguei ao ponto de observar cenas só através da câmera. Isso é péssimo e já venho trabalhando nisso, de refletir sobre uma foto sem o equipamento colado no olho, observar melhor o lugar, me permitir sentir o clima e pensar melhor na foto que quero fazer. Além do “tiro” ser mais certeiro, consigo contemplar mais a beleza e o momento. Já melhorei bem, mas segue na lista para aprimorar ainda mais, porque ainda tô longe. Sem contar que na hora de editar as fotos… ninguém aguenta!

5 – Comprar menos

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Por mais que freeshops e outlets raramente estejam nas minhas prioridades ou pontos de parada, eu adoro uma feirinha de artesanato ou lojinhas temáticas. E sou “a louca” do souvenir, gosto de trazer algo pra casa pra lembrar da viagem. Mas já deu rs. Não vou condenar aqui quem viaja e gasta horas ou até dias indo em busca de um produto ou melhores preços – não faz meu estilo, mas vai do gosto e da disposição de cada um.

Pra mim só não funciona mais aquela coisa de “ter que comprar algo daqui”. Não gostei? Achei caro? O mercado é longe de tudo? O dinheiro está acabando? Não levo e pronto. Há milhares de outras formas de guardar lembranças de uma viagem. O mesmo para lembrancinhas para amigos e família. Nas primeiras viagens, eu ficava tensa e procurando coisas para os outros, não podia faltar pra ninguém, eu sofria. Mas com o tempo foi ficando cara a brincadeira. Se não trombar com algo que seja a cara de uma pessoa, não compro mais. Em 2015 já super coloquei em prática, que continue assim.

6 – Comer e beber menos

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Aquele lema do “eu tô de férias, eu mereço” super se encaixa aqui também. Afinal, como deixar de comer uma pratada de macarrão, pedir sobremesa e beber um vinho incrível quando está em um lugar novo? Faz parte da experiência, eu mesma já disse centenas de vezes. E faz – só não faz parte se acabar de comer em quantidades absurdas e acima do seu padrão, porque “é férias e tudo bem”. Pelo menos não pra mim, pois o resultado depois não compensa e o discurso do “eu mereço” cai por terra. Olho no espelho e não acho que mereço, não. E bate o arrependimento.

O mesmo vale pra bebidas alcoólicas. Quantas manhãs perdidas em viagens eu já não tive por estar de ressaca? Algumas vezes são escolhas, quero curtir mais a noite do que o dia e tudo bem. Mas ainda assim ainda acho que dá para equilibrar melhor. Como? Bebendo menos e me estragando menos para o resto da viagem.

7 – Me arriscar mais

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Viajar é se abrir para o novo, certo? Então não adianta muita coisa ir para um lugar diferente para fazer as mesmas coisas de sempre, né? Mergulhar com cilindro, entrar na cachoeira gelada, voar de asa delta, comer insetos fritos, andar de patins, dançar forró… a lista pode ser infinita se você estiver disposto.

Às vezes nem sabemos o que poderíamos fazer de diferente, afinal sair da zona de conforto não é nada simples, muito menos automático. Mas se aparecer a chance, tente não desperdiçá-la. Pra mim ainda falta me arriscar mais na gastronomia. Sou chata para comer e queria me jogar mais, mas ainda assim tenho tentado experimentar pelo menos alguma coisa nova toda vez.

8 – Entrar no ritmo e na vibe do lugar

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Esse item acho que vale para qualquer viagem para um destino bem diferente, como países asiáticos ou árabes, onde o choque cultural é grande, mas eu pensei no assunto porque acabei de voltar do Nordeste, onde o ritmo das coisas é pelo menos cinco vezes mais lento que o de São Paulo, onde eu moro. E qual a tendência? Ficar puto, impaciente e irritado com tudo: as pessoas andando mais devagar, o prato do restaurante levando mais de uma hora para sair e por aí vai. Ou até entediado!

Bom, geralmente temos duas escolhas: ou a gente passa a viagem toda de mau humor ou entra no clima e relaxa. Eu sempre digo que sair e se desligar de São paulo demora uns bons dias, mas pra voltar é rapidinho. Então que tal aproveitar e desacelerar, tentar entender o novo ritmo, a forma com que as pessoas lidam com as coisas? Isso pode até trazer mudanças no seu dia-a-dia na volta das férias. Pra mim é sempre difícil o primeiro impacto, mas aos poucos vou me desligando e entrando no clima do lugar – e aí depois sofro tudo de novo quando volto pra São Paulo, mas tudo bem rs.

9 – Escrever sobre a viagem

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Quando comecei a viajar a trabalho, escrevia uma espécie de diário de bordo das viagens, tanto para guardar quanto para facilitar para escrever as matérias depois. Com o tempo, fui confiando na memória, gravando áudios, filmando, enfim, encontrei novas formas de registrar os acontecimentos e parei de escrever. E aí, como já se pode imaginar, muita coisa legal se perdeu 😦

Quero ver se retomo isso durante as viagens ou pelo menos escrever assim que voltar, seja pro blog ou num caderninho. O que já fiz algumas vezes foi anotar em tópicos as coisas mais importantes e já ajudou bem a refrescar a memória. Sei que na hora pode dar preguiça, mas no futuro vai ser uma delícia reler e relembrar cada história.

10 – Ser viajante na cidade onde moro

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Esse é o último item, mas para mim o um dos mais importantes. Acho que desde que comecei a fazer mais fotos já incorporei um pouco mais o espírito de turista na minha própria cidade: reparo mais nos detalhes, nos prédios, nos grafites, nas pessoas, nas cenas do dia-a-dia. Encontrar algo novo e inspirador é possível mesmo nessa São Paulo cinzenta – e aposto que em qualquer lugar do mundo.

Mas a meta pra 2016 não é só ficar flanando por aí, não. Quero ir em mais exposições, shows e curtir melhor o lado cultural da cidade, assim como fazemos quando vamos a um destino europeu, por exemplo. Minha lista de monumentos de São Paulo a visitar ainda é imensa, uma vergonha que preciso e vou corrigir esse ano.

E aí, se identificou com algum item? Discordou de alguma coisa? Tem sugestões? Comente aí! Aproveito e desejo a todos um ótimo ano novo, com muitas viagens pela frente ❤