São Paulo :: Rolê de bike pelo Minhocão

Foto: Débora Costa e Silva

Há muito tempo venho querendo usar o sistema de aluguel de bicicleta Bike Sampa e nunca tinha rolado. Os motivos da demora são vários e ao mesmo tempo nenhum: é tão fácil, simples e prático que eu mesma não me conformo que só fiz isso agora #shameonme. Mas antes tarde do que nunca né?

A pedalada de estreia foi num dos lugares mais bacanas de passear em São Paulo durante os fins de semana: o Elevado Costa e Silva – vulgo Minhocão. Eu também nunca tinha ido andar por lá quando fica fechado (#shameonme2) e, apesar de ser uma construção que já causou muita polêmica por ser considerada um “desastre urbanístico“, sempre me encantei pela ideia de circular ali em cima e ver a cidade sob uma nova perspectiva. É um visual incrível e o elevado vira uma passarela ótima para correr, andar de skate, patins ou de bicicleta: asfalto lisinho, com pouquíssima inclinação e bastante espaço.

Fiz algumas paradinhas estratégicas durante o passeio, mas é claro que em São Paulo cada esquina pode reservar uma surpresa – e dessa vez não foi diferente. Vejam abaixo como foi o rolê:

 

Ponto Chic :: Ponto de partida

Para ter energia para pedalar, fui almoçar no tradicional Ponto Chic que fica na boca da entrada do Minhocão, em Perdizes, no Largo Padre Péricles. Fui de carro até ali perto, sentei em uma das mesinhas que ficam na rua e pedi logo o lanche clássico da casa, o Bauru.

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Foto: Divulgação – Ponto Chic Perdizes, Largo Padre Péricles

A criação desse sanduíche foi nessa lanchonete, mas em sua sede, no Largo Paissandu, graças às invencionices culinárias de um frequentador assíduo, seu Casimiro Pinto Neto, cujo apelido era o nome de sua cidade natal – Bauru.

Reza a lenda que ele pedia para o garçom ir acrescentando determinados ingredientes, de acordo com o que lia sobre nutrição (carne tem proteína, tomate vitaminas e por aí vai) e a mistura fez sucesso. Todo mundo chegava e pedia “Me vê um desses do Bauru”!

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Pão francês + rosbife + tomate + pepino + queijo especial = Bauru. Foto: Divulgação

A receita está aí na legenda da foto, mas não é um simples queijo: é uma mistura entre quatro tipos que resultam no ingrediente que vai neste sanduíche especial. Quem quiser saber mais, dá uma olhada nesse vídeo aqui que mostra como faz o lanche 😉

Vale ressaltar: o garçom que me atendeu era extremamente simpático e gente boa. Ia pedir um suco de morango, mas ele falou: “tem certeza? O daqui não é bom não”. Quantas vezes você topou com tamanha sinceridade? Achei louvável.

Bike Sampa :: Modo de usar

Pernas pra quê te quero: estreando no Minhocão feliz da vida. Foto: David Santos Jr

Pra quem não sabe, o Bike Sampa é um projeto da Prefeitura de São Paulo patrocinado pelo Itaú, que incentiva a mobilidade urbana. Há duas formas de usar o sistema: ativar o seu Bilhete Único ou usar o aplicativo. Escolhi a segunda opção por achar mais fácil. Feito o download do app e o cadastro (é preciso  um cartão de crédito para debitar o valor do aluguel), você já está habilitado para pegar uma bike e sair por aí :-).

Há muitas estações espalhadas em São Paulo e o app funciona direitinho, com um mapa que pode mostrar todas elas ou só as que têm bikes disponíveis ou ainda só as que têm vaga para devolver as bicicletas. O melhor dessa história toda? A primeira hora de uso é gratuita! Depois, são R$ 5 a cada hora de aluguel – se você fizer uma paradinha de 15 minutos entre uma hora e outra, sai de graça também. Outro fator positivo: você pode devolver a bike em qualquer estação, é só ter vaga e encaixá-la de volta.

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Ali no Largo Padre Péricles tem uma estação e, de acordo com o mapa, tinham três bicicletas disponíveis. Só que não: uma mulher estava lá enfrentando problemas para usar uma bike, porque uma estava travada e não saía de jeito nenhum, a outra não aparecia como disponível no sistema e a única que dava para soltar do encaixe estava com o pneu furado. A moça já havia ligado na central do Bika Sampa para avisar, mas não tinha jeito: ou a gente esperava alguém devolver uma bike ou iríamos em outra estação.

Por sorte era feriado e a movimentação era grande. Logo apareceu um pessoal para devolver as bicicletas e consegui pegar uma para mim. Ela tem três marchas, uma cestinha e estava novinha, super bem conservada. Ajustei a altura do assento e encarei o Minhocão.

Minhocão :: A estrela do dia

Um dos grafites mais bacanas do caminho, a raiz da planta “nasce” na caixa d’água do prédio. Foto: Débora Costa e Silva

Percorri todo o elevado e o passeio foi super agradável. Eu estou numa fase bastante sedentária, tentando voltar a rotina de exercícios, então sofri um pouco nas subidas. Você pode falar “mas o Minhocão é plano, que subida?”.

Pois é, eu também pensava assim, mas como estou enferrujada, cada inclinaçãozinha era um pequeno martírio para minhas pernas. Nada grave: fui devagar e foi uma delícia o exercício, mas serviu para dar um chacoalhão básico e me fazer querer superar isso.

De resto, o bacana  desse rolê é aquilo que já falei no começo do texto: ver São Paulo a partir de um novo ângulo. Estar entre os prédios, não dentro ou embaixo deles. Estar na rua ativamente, não dentro de um carro ou na calçada.

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Jardim vertical na lateral do prédio causa um impacto no meio da paisagem cinza. Foto: Débora Costa e Silva

O Minhocão em dias úteis tem uma outra vibe, tudo ali é pesado, poluído, deprê. Os prédios antigos e mal conservados ainda estão lá de fim de semana e feriados, é claro, mas rodeados de gente se divertindo. Outro clima, outra São Paulo.

Os grafites e as intervenções urbanas ainda não são muitos, mas os que existem já causam um impacto e tanto entre os visitantes. O que mais gostei é um desenho que simula o interior dos apartamentos dos prédios ao redor do Minhocão.

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A intervenção que eu mais curti no Minhocão. Foto: Débora Costa e Silva

Surpresas no centro :: Zombie Walk

A próxima parada seria a Casa Matilde, na rua São Bento, onde vendem docinhos portugueses. Quando cheguei no fim do Minhocão, na rua da Consolação, peguei um bom trecho sem ciclofaixa e fui andando cuidadosamente no cantinho das ruas ou pela calçada.

Como era feriado, estava bem tranquilo percorrer esse trecho, mas conforme fui avançando, o número de pessoas aglomeradas foi aumentando e logo descobri que estava no meio da Zombie Walk!

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Multidão zumbi toma conta do Viaduto do Chá, no centro de SP. Foto: Débora Costa e Silva

Fiquei impressionada com o tanto de gente que estava participando e com o capricho das fantasias. Tinham umas bem criativas, milhares de noivas cadáveres, uma Tropa de Elite enorme e até uns mais engraçados, tipo Salsicha & Scooby Doo, mas o ápice da parada foi quando um cara vestido de Batman subiu no topo de uma banca perto do Teatro Municipal e a plateia veio abaixo.

Parada para comer :: Café Girondino

A Casa Matilde estava fechada e o jeito foi ir até o Café Girondino, outro point tradicional do centro de São Paulo. Charmoso, com uma escadaria no centro, mesas, cadeiras e mobília de madeira, o clima remete o início do século 20. Foi um lugar delicioso para fazer uma pausa da pedalada, mas ao contrário do Ponto Chic, não fiquei muito feliz com o atendimento.

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As curvas do Café Girondino são um charme à parte. Foto: Facebook do Café

Não sei se é sempre assim ou se os garçons estavam especialmente desatentos, mas fiquei sentada quase meia hora sem ninguém me atender, só deixaram o cardápio e nunca mais voltaram – e não era o caso de estar lotado, bem longe disso. Mudei de mesa e resolvi pedir direto no balcão para agilizar. Pelo preço e pela tradição do lugar, esperava outra coisa. O café, por outro lado, estava uma delícia.

O Retorno :: Levando a bike no metrô

Logo ao lado do Café Girondino, tem uma estação do Bike Sampa, onde já devolvi a bicicleta para facilitar. Para voltar até o carro, resolvi ir de metrô da estação São Bento até a Marechal Deodoro.

Eu sempre apoiei e admirei meus amigos que trocaram carro ou mesmo metrô e ônibus por bicicleta. Os que começaram anos atrás então, nem se fala, foram desbravadores e corajosos. Tudo isso pra que hoje pessoas como eu, que estão longe de ser da turma do esporte ou ativistas, curtam um dia tranquilo de bike por São Paulo, com cada vez mais segurança, conforto e companhia. E que seja apenas o primeiro dia de muitos! 🙂

Uma das entradas para o Minhocão perto do metrô Marechal Deodoro, com tantas árvores que me senti num parque. Foto: Débora Costa e Silva

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Hospedagem :: Onde ficar em Amsterdã, Londres e Paris

Assim que combinamos que eu ia acompanhar minha irmã pela Europa, meus pais já agilizaram as passagens e começaram a negociar a hospedagem com uma agência de turismo, a Go Viagens Personalizadas.

Eu já tinha levantado com amigos alguns nomes de hostels, mas os preços que a agência descolou para ficar em hotéis tipo 3 estrelas estavam bem bons, não tinha uma diferença significativa entre as duas opções. Por segurança e conforto, meu pai achou melhor que ficássemos em hotéis e assim foi. Minha mãe pesquisou as melhores regiões e a agência foi atrás de hospedagens em cada uma dessas áreas.

Segue abaixo um breve relato de cada um deles – lembrando que fiquei hospedada em maio de 2014 e justamente por isso não colocarei os preços, pois já estão desatualizados 😉

AMSTERDÃ :: Cordial

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã. Foto: Divulgação

Tínhamos reservado o hotel Rembrandt, mas pouco tempo antes da viagem rolar a agência nos informou que ele estaria em reforma. Trocamos por este, que de forma geral atendeu bem nossas necessidades.

Localização: Nota mil! Fica na Rua Rokin, entre duas grandes praças, a Dam Square e a Rembrandtplein, e basicamente estávamos perto de tudo, mas sem estar no meio da muvuca do centrinho mais turístico. A própria rua do hotel fazia parte da rota do tram (bondinho elétrico da cidade). O único inconveniente é que na época em que fomos a via estava em obras e dependendo do horário, o barulho era bem incômodo.

Quarto: Era meio pequeno, mas era bem confortável, o banheiro era limpinho e é isso que vale. Uma das facilidades era o elevador, mas nos surpreendemos aos chegar no nosso andar e ter que passar por alguns degraus até o nosso quarto. Fica a dica: se estiver com malas pesadas, verifique se o hotel possui elevador. Deixamos de lado várias opções por não oferecerem essa facilidade.

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Rua Rokin estava parcialmente em obras em maio de 2014, mas já estava aberta para a passagem do tram. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã: Era bem honesto e comeríamos lá todos os dias, não fosse o fato de que tínhamos que pagar à parte. Acabamos indo só no primeiro dia e depois exploramos outros cafés pela cidade para dar uma variada.

Serviços gerais: De maneira geral, o wifi funcionou bem durante a nossa estadia. Só dava para ver a diferença quando conectávamos no lobby – ali a conexão era bem mais rápida. Quanto ao atendimento, todos foram atenciosos com a gente, nos ajudaram com tudo o que precisamos. Outro serviço que nos foi útil foi a máquina que vendia bebidas e salgadinhos no lobby – nos salvou de alguns momentos de fome no meio da noite 🙂

LONDRES :: Tune Paddington

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Fachada do Hotel Tune Paddington, em Londres. Foto: Divulgação

Localização: Como quase todo lugar em Londres tem metrô próximo, acho que qualquer hotel que ficássemos teríamos uma boa localização. Neste caso ficamos bem próximas de várias atrações e foi ótimo, mas no começo sofremos um pouquinho.

Saindo do Aeroporto de Heathrow, pegamos um trem direto para a estação Paddington, onde iríamos descer já. Isso foi lindo, mas andar com as malas até o hotel não foi tão tranquilo assim. O que no mapa parecia ser bem próximo, na verdade rendeu uma caminhadinha considerável: eram dois longos quarteirões – que pareciam ser seis.

Achamos que esse seria nosso caminho diário, até que na volta de um passeio resolvemos testar outra estação que parecia estar a mesma distância, só que para o lado oposto. Foi a melhor decisão da viagem: descobrimos que a estação Edgware Road era bem mais próxima do que a Paddington, só a dois quarteirões (do tamanho de dois mesmo rs).

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Barzinho do hotel Tune Paddington vendia bebidas e lanches. Foto: Divulgação

Quarto: Confortável, limpo e compacto, ou seja, perfeito para duas pessoas. E dessa vez nada de barulho!

Café da Manhã: Não servia café, mas tinha um bar que vendia bebidas e salgadinhos. Meio caro, mas em uma emergência salvava.

Serviços gerais: O wifi era nota dez, funcionou no quarto e no lobby numa boa. Ele tem o estilo de um hostel na decoração mais arrojada e colorida.

PARIS :: Verlain

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Variedade de pães, queijos e geleias no café da manhã do Verlain. Foto: Débora Costa e Silva

Localização: O hotel fica a menos de um quarteirão da estação de metrô Rue Saint-Maur, próximo também do Cemitério Père Lachaise. A localização foi tão boa que em dias de chuva, passávamos bastante tempo no bairro, conhecendo as lojinhas e restaurantes e amamos. Aliás, por conta da chuva também é que valorizamos ainda mais o fato de o hotel estar tão próximo do metrô.

Quarto: Assim como os outros, era confortável e limpinho, mas com um plus: uma pequena sacada que dava todo charme ao ambiente. A vista não era da torre Eiffel, mas víamos outros prédios igualmente fofos em frente.

Café da Manhã: O melhor da viagem – e o melhor dentre muitas outras viagens também. Variedade de pães  e queijos (todos deliciosos), geleias mil e até Nutella em sachê, senhoras e senhores! O suco de laranja também era muito bom – algo que sempre tenho dificuldade para encontrar fora do Brasil. Enfim, basicamente a estadia valeu por conta das nossas manhãs.

Serviços gerais: O wifi não funcionava bem no quarto – tanto que minha irmã e eu vira e mexe ficávamos no lobby terminando de mandar fotos e teclando antes de subir para o quarto, na zona quase offline do hotel. A maioria dos funcionários foi bem simpática também, mesmo quando não nos entedíamos por conta do idioma.

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Vista da varandinha do quarto do hotel de Paris – com direito a arco-íris após a chuva. Foto: Débora Costa e Silva

Perdida no Brooklyn

Da série de vacilos da principiante que vos fala em Nova York, este foi o campeão: fui para o Brooklyn sem saber em qual estação descer. “Ah, qualquer lugar tem um Starbucks com wifi, um McDonalds ou um barzinho legal para passar a noite. Na pior das hipóteses eu ando um pouquinho, pergunto para um ou para outro e beleza, me viro. Afinal, Brooklyn é um bairro né? Só chegar e é isso aí”. Aham…

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O Brooklyn é gigantesco e não se resume a uma ou duas ou três estações de metrô. Não é a Vila Madalena, né? É gigantesco e tem microbairros, que não são tão micro assim, mas claro, para que ler antes? Se informar e planejar alguma coisa? Nããão. Vamos seguindo o feeling, andar sem rumo, vagar pela cidade… Como nos filmes, eu devia achar um oásis de coisas incríveis no meio do nada e ser feliz para sempre.

Óbvio que não! Minha vida pode até ser um filme, mas definitivamente o gênero não é comédia romântica. Eu até tinha dado uma olhada antes de sair do apartamento e anotei o nome de uma estação que parecia próxima a uma feirinha que rola de sábado. À tarde. Mas já eram 19h quando eu entrei no metrô rumo ao Brooklyn. “Mas ah, devo pegar o final da feirinha e o início do agito da noite, no mínimo”. Uma otimista…

Desci na tal estação e saquei que tinha algo de errado, pois apenas pessoas mais velhas, que deviam estar trabalhando até aquela hora, desciam ali. A galera jovem e alternativa ficou no trem e seguiu viagem. Bom, tudo bem, sem preconceitos, vambora. Saí da estação e o choque: tudo escuro. Só prédios residenciais. Logo vi um casal gay super descolado e resolvi seguir eles. Mas a cada quarteirão que passava, o negócio ficava mais e mais sinistro, escuro e silencioso. Não devia ser o caminho para a festa – ou pelo menos não uma festa que eu seria lá muito bem-vinda. Meia volta, volver.

Achei uma lojinha de conveniência e fiquei lá, procurando wifi e pessoas simpáticas para pedir informação. Não encontrei nenhum dos dois. Na verdade não testei a simpatia de ninguém, porque a minha vergonha de estar lá perdida era tanta, mas tanta, que preferi voltar quietinha pro metrô. Algo de muito errado eu tinha feito nesse rolê.

Peguei o trem e resolvi descer umas três estações para frente. E lá estava o vagão, cheio de jovens descolados de novo. Agora vai! Mas aí uns desceram em uma estação, outros em outra, outros na próxima e aí desci também. Mas acho que eles deviam estar voltando do “lugar legal”, porque estavam todos dispersos, cada um ia para um lado. Ou talvez todos andem montados por lá mesmo, vai saber. Continuei envergonhada demais para perguntar qualquer coisa para alguém. Afinal, o que eu estava procurando? Nem eu sabia. A ideia era chegar e descobrir um “lugar legal”, que definitivamente não era sinônimo de uma rua escura e vazia.

Me enchi de ânimo novamente e saí do metrô. Mas foi pior ainda: a única coisa iluminada era um posto de gasolina vazio em uma avenida enorme sem nenhum estabelecimento comercial, um bêbado e um mendigo. Estava decretado o insucesso da missão. Chega, era hora de voltar para Manhattan, para a confusão de luzes dos letreiros, para a muvuca e tentar encontrar algum programa legal para salvar meu sábado à noite. Ah, não tinha mencionado: era sábado à noite AND minha última noite na cidade. Dá para imaginar o tamanho da frustração, né?

Eis que voltei para o metrô, cabisbaixa e completamente derrotada, sem achar que tinha a menor condição sequer de achar o caminho de volta. E aí tive essa ideia genial de ir pedir ajuda à funcionária do metrô que estava dentro da cabine de vendas de bilhetes. O metrô (e seus funcionários simpáticos) era o meu porto-seguro. Fui perguntar como ia para o Soho. Ela não ouviu. Falei mais alto e vi uns gatos pingados da estação olharem para mim. Ela perguntou aonde exatamente do Soho eu queria ir e mais uma vez eu não sabia. Já não sabia de nada, só queria wifi de novo para refrescar minha memória, resgatar os lugares que eu havia lido sobre…

Ela parecia brava e irritada. Me perguntava se a estação X ficava perto de onde eu queria ir, falava que o trem correto não era aquele, que eu estava no lugar errado (sim, disso eu já sabia!). E ela falava cada vez mais alto, sua voz ecoava na estação quase vazia – não suficientemente vazia para eu não passar vergonha, claro. Até que uma hora eu tomei coragem e desisti, falei: deixa, eu vou indo e encontro no caminho um lugar legal.

E aí ela sorriu e falou: “você não faz a menor ideia do que quer fazer, não é? Faz o seguinte: passa ali na primeira catraca, volta para casa e vai descansar. Não precisa pagar”. O quê? Quase entrei na cabine pra abraçar a mulher. Eu já estava exausta e me sentindo a pior das turistas e isso me derreteu. Passei, voltei e acabei descendo na estação mais certa possível: dei de cara logo com três bares que havia anotado e deixado para pesquisar assim que tivesse wifi. Foi a recompensa e o que salvou minha noite – além, claro, da funcionária invocada, porém querida, do metrô do Brooklyn.

Em tempo: Se você leu até aqui e só queria saber WTF eu queria fazer no Brooklyn, não vou te deixar na mão. A ideia era ter ido no Fort Greene Flea, que rola das 10h às 17h – e eu, como boa brasileira, vi esse horário e pensei: ah, deve estar tão animado que devem prolongar até mais tarde. Não. Caia. Nessa. Outro adendo: durante o inverno não rola, deve voltar a funcionar só em abril.

Humans of New York :: Galera do metrô

O que era para ser um texto com um resuminho de cada pessoa que conheci em NY, virou um post solo do Hedilberto. É, me empolguei rs. Como os outros não têm assim taaaanto detalhe para contar, vou tentar agrupar. Por isso mesmo o post deve ficar longo, pre-para!

Após péssimas experiências no metrô de Paris – muito por vacilo meu de não saber que precisava guardar os passes para não levar uma multa de 50 euros, mas também muito por conta da extrema má vontade e antipatia dos parisienses (mesmo eu dando Bon Jour e falando em francês que só sabia falar inglês) – não esperava, nem espero mais, grande receptividade em qualquer outro lugar. O que vier é lucro e em Nova York o saldo foi bem alto.

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Assim que venci a máquina de compra de bilhetes e adquiri meu Metrocard, tinha que desvendar o cabuloso mapa de linhas do metrô da cidade para descobrir como ir para a estação 50th. Tava lá tentando encontrar um sentido no emaranhado colorido do mapa, eis que apareceu o faxineiro do metrô e perguntou para onde eu ia, me indicou qual sentido eu deveria ir e falou: essa não é a sua plataforma. Desce, vire à direita, depois à esquerda, sobe a escada e vire à direita. Ok, obrigada, fui. No meio do caminho, encontrei ele de novo que falou sorrindo: “agora é à direita, hein? Não vai se perder!”. Eu não pedi nada e o cara já veio me ajudar e fazer graça. Nova York 1 x Paris 0.

Brazilian fan

Voltando do Queens, estava com o mapa do metrô aberto estudando o meu trajeto quando sentou um cara do meu lado e me perguntou se eu sabia se aquele trem ia para uma estação X. Disse que, como ele poderia ver, eu era turista e tampouco sabia se havia pegado o trem certo para mim. Daí começamos a conversar e pasmem: ele falava português.

Namorou por três anos uma alagoana que foi tentar a vida em Nova York, mas como ele não assumia nada mais sério, a garota trocou ele por outro e guess what? Agora ele quer voltar e pretende visitá-la em Maceió. Esses enredos só mudam de endereço, né?

O papo ia muito bem até percebermos que o trem não ia nem para o meu lado, nem para o dele. Tivemos que sair da estação e procurar outra entrada do metrô na rua. De repente parecíamos velhos amigos andando pela rua, um zuando com a cara do outro. Apesar de ter nascido em Nova York, ele mora cada hora em um lugar e disse que toda vez que vai a cidade tem que reaprender a andar por ali. Até agora não sei se isso foi papo dele e ele não é de lá, ou se realmente é tão fácil de se perder em NY, porque mesmo não dominando o idioma e o metrô, eu é que acabei achando o trajeto que ele devia fazer para voltar para casa.

Em uma viagem sozinha, encontrar um figura desses, perdido e engraçadão, é um prato cheio. Até me esqueci que estava all-by-my-self!

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Daí que mesmo não estando em Paris, minha relação com o metrô continuou desfavorável e eu fiz o favor de perder o meu bilhete no final do primeiro dia que o comprei. Só que isso já era o final da viagem, ou seja, só teria dois dias para usufruir do passe de 7 dias, que custava cerca de 30 dólares. Parabéns para mim. Cogitei só andar a pé, mas poxa, logo agora que já tinha sacado como funcionava o negócio…

Bom, lá fui eu comprar novamente o bilhete mas aí vi uma funcionária toda engraçadona na catraca e resolvi perguntar para ela se havia algum outro esquema mais favorável. Olha, só faltou me pegar no colo! Ela explicou que eu não precisava comprar outro daqueles, era só comprar um e carregar com quantas passagens eu fosse usar, foi comigo até a maquininha, me mostrou todas as opções, me arrumou um macete de não ter que colocar o Zip Code, me mostrou como eu devia carregar nas próximas vezes e ainda deu a dica do trajeto do dia.

Foi nessa hora que lembrei de Paris e, uau, quanta diferença! Lá eles só respondiam o que a gente perguntava, se muito! Em NY era o contrário: eles falavam tudo, o que a gente queria saber e o que a gente nem fazia ideia, mas precisaria saber! E ainda faziam piada, sorriam… comovente! Tudo bem que eu me senti uma criança boba e ingênua depois de tanta explicação óbvia, mas tá valendo, ela foi fofa.

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Apesar de não ter sido fofinha nem meiga, essa foi a mais generosa de todas da galera do metrô: me deixou passar de graça pela catraca após perceber que eu estava completamente perdida no Brooklyn. Mas isso é uma longa história que fica para o próximo post.