Travel Tattoo :: Fred Itioka

O Fred Itioka é dessas pessoas que têm uma vida inteira pautada por viagens. Jornalista, ele sempre se dedicou a explorar o mundo e mergulhar em culturas diferentes, desde sua primeira viagem sozinho, aos 15 anos para o Canadá, até mais recentemente quando realizou o sonho de ir para o Irã.

Seja de férias ou a trabalho, ele sempre dá um jeito de dar uma escapadinha do roteiro tradicional de turista para vivenciar o dia a dia como um local. E com tantas idas e vindas, se orgulha de ter cultivado amizades com gente dos quatro cantos do globo ao longo dos anos.

Para compartilhar um pouco de suas experiências pelo mundo, o Fred criou uma conta no Instagram em que posta fotos das várias viagens que já fez, o FlyingFredy. No mundo offline, suas paixões também estão registradas, mas na pele: ele tem 9 tatuagens. Algumas representam a natureza, como o sol e as ondas do mar, outras são símbolos de lugares especiais que já visitou, como o Japão e Toronto. Conheça mais cada história e as tattoos do Fred na entrevista  abaixo 😉

Quantas e quais são as tatuagens que você tem e em quais lugares do corpo?
Tenho 9 tatuagens: uma em cada perna, nos dedos e na mão esquerda, no ombro e no antebraço esquerdo, no pulso direito, nas costas e no braço direito.

Quando e onde foram feitas?
Todas foram feitas em São Paulo em fases diferentes da vida. A primeira foi nas costas quando tinha uns 20 anos e meio escondida dos pais. Era a moda do tribal. As demais foram acompanhando momentos e todos ganharam esta metáfora e simbologia de novas etapas.

Qual o significado de cada uma? Têm relação com viagens que você fez? 
As tribais foram modinha e não têm significado nenhum. Fui me preocupar com isto quando fui me tornando um adepto da tatuagem. A partir daí, três das tatuagens são referências ao sol. Gosto da conexão com a energia, com o novo dia, da positividade.

Uma da perna são ondas do mar porque sou apaixonado pelo mar e por tudo que está ligado a ele: oceanos, o mundo, as viagens dos conquistadores, a expansão. O mar te abraça, te envolve.

Também tenho uma tatuagem de crisântemo na mão. É uma flor com uma simbologia muito forte no Japão, terra dos meus ancestrais e pra onde fui duas vezes. O crisântemo é a flor-símbolo da família imperial japonesa, é o símbolo do visto e passaportes nipônicos e para cada cor existe um significado.

No braço tenho a folha de maple, símbolo-mór do Canadá, país que mais amo nesta vida, onde morei quando fui adolescente e pra onde sempre vou quando posso. Às vezes até escolho um voo com stop over em Toronto antes de seguir para outro destino. Digo que o Canadá está tatuado na minha pele e na minha alma.

A mais recente tatuagem, que fiz no final de 2016, foram as letras YYZ – código para o aeroporto internacional de Toronto. Pelo mesmo motivo acima: de todas as cidades canadenses que já visitei (e olha que foram muitas), Toronto tem cheiro de casa. É onde estão amigos, onde sinto que minhas pegadas estão eternizadas, onde uma parte de mim permanece até hoje.

Curioso porque muita gente me para na rua pra perguntar o significado do YYZ e poucos desvendam de primeira. E os fãs de rock me perguntam se é homenagem ao grupo canadense Ruh, que tem uma música chamada YYZ ( que inclusive foi uma homenagem da banda a Toronto).

Qual sua relação com viagens? O quanto você acha que elas te definem?
Minha família sempre gostou de viajar. Lembro que a gente não parava um final e semana em casa. Também na escola as matérias preferidas eram geografia, história e literatura. Sonhava em conhecer lugares de povos antigos, sempre fui fascinado por mapas (e sou até hoje ) e ficava horas olhando o globo terrestre.

Passei a viajar sozinho aos 15 anos primeiramente pelos albergues da juventude. Comecei pelo Brasil e depois me aventurei pelo exterior. Sempre amei viajar sozinho, porque gosto do desconhecido, de explorar novas culturas, conhecer gente por aí. Fiz muitos amigos viajando na mesma situação, gente com quem tenho contato até hoje!

Acompanhei estes amigos crescerem, casarem, terem filhos! Tudo à distância, tudo por carta! Fora muitas cartas e cartões postais! Alguns amigos tive a oportunidade de rever quando decidimos nos reencontrar aí pelo mundo. Outros vieram ao Brasil e ficaram em casa. Cheguei à conclusão que várias amizades on the road atravessam estradas e o tempo!

Também viajei e viajo muito a trabalho e por mais que a agenda nem sempre permita, gosto de arrumar um tempo pra fugir dos pontos turísticos e conhecer o dia a dia do local: ir à feira, comércio e restaurantes populares, conversar com os habitantes e principalmente me perder. Adoro me perder pelas cidades e ver tudo por um outro prisma, nem sempre glamouroso.

Além das viagens, já fixou residência em outro país?
Sim, morei em Toronto quando adolescente. Como é uma cidade de imigrantes, tomei gosto em estabelecer contato com as culturas diversas. Toronto é uma metrópole multicultural e é fascinante ter experiências como almoçar num restaurante etíope e jantar em um iraniano na companhia de amigos chineses ou búlgaros.

Quais foram os lugares mais inusitados que você já conheceu? 
Acho que o lugar mais inusitado foi o Irã, que visitei no ano passado. Sempre tive um fascínio pelo Império Persa e foram anos de ensaio até conseguir concretizar. Muita gente me alertava por ser um país islâmico, associavam o país aos terroristas. Pesquisei muito, li livros dos meus amigos jornalistas Adriana Carranca (“O Irã Sob o Chador“) e Samy Adghirni (“Os Iranianos“), correspondente da Folha em Teerã, e finalmente resolvi ir e com meu companheiro!

Teerã foi o ponto de chegada e partida para o interior do país. Me senti em um filme iraniano. Tinha uma mistura de receio e excitação em estar lá. Aos poucos fui descobrindo que os homens carrancudos não eram assim tão carrancudos, que as mulheres de véu negro eram belas e sorridentes, que são generosos e carentes de contato com outros povos.

Fui confundido com turista japonês, mas quando disse que era brasileiro… tudo mudou! Os garçons falavam de nomes de jogadores de futebol, bradavam Ronaldo! Estudantes arriscavam a falar um Hello pra mim nas ruas! E a grande emoção: pisar em Persépolis, o berço do Império Persa! Em Pasárgada, onde o Rei Ciro está enterrado. Quem diria que um dia eu setaria ali? Lembrei dos tempos de escola e me emocionei muito.

Tem planos de fazer outras tatuagens relacionadas a viagem? 
Tatuagem pra mim é como viagem: penso todos os dias, todas as horas. Já quero fazer uma outra, talvez um simbolo de um avião ou o globo terrestre. Eu sei, é clichê. Mas fazer o quê? A tatuagem tem que vir do coração. E o meu é 1000% viagem.

E você, tem alguma tatuagem que tenha sido inspirada por alguma viagem? Conte a sua história também! Mande para papetespelomundo@gmail.com

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Travel Tattoo :: Natália Becattini

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A Natália Becattini é uma das criadoras do site 360meridianos, um dos meus preferidos de conteúdo sobre viagens. O blog é feito por ela e mais dois amigos (Rafael e Luiza) de Belo Horizonte. Começou em 2011 quando os três resolveram fazer um intercâmbio para a Índia, que virou uma volta ao mundo. “Nós queríamos contar nossas aventuras para amigos e família e, quem sabe, para alguns gatos pingados que surgissem pelo caminho. O nome veio do fato de que cruzaríamos as 360 linhas imaginárias que dividem o globo terrestre”, eles explicam na página.

Daí em diante o blog só cresceu e desde 2014 é a principal fonte de renda do trio, que continua viajando e se virando como nômade digital. A Natália hoje mora em Barcelona, na Espanha, mas já viveu também na Cidade do Cabo (África do Sul), em Chandigarh (Índia) e Buenos Aires. Depois de tantas andanças, resolveu tatuar algo que simbolizasse um pouco de suas histórias na estrada e seu amor por viagens.

Quais são as tatuagens que você tem e onde foram feitas?
Tenho apenas uma tatuagem no ombro. Diz Wanderlust [expressão derivada do alemão, que combina “wandern” (caminhar) e “lust” (desejo), que significa forte desejo de viajar e explorar o mundo] e tem um aviãozinho de papel. Fiz em 2013, em Belo Horizonte.

Qual o significado dela para você?
Não tem relação com nenhuma viagem específica, mas sim com o desejo de viajar sempre e conhecer lugares novos. Com essa vontade que nunca acaba de sair por aí com uma mochila nas costas.

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O que te inspirou a fazer? Marcou um momento da sua vida? 
É uma história engraçada. Na época, eu estava trabalhando em uma agência de comunicação e meu chefe chegou um dia e disse: “vamos todos fazer uma tatuagem hoje. Anima?”. É que o Atlético Mineiro tinha acabado de ser campeão da Libertadores e um grupo da agência tinha prometido fazer uma tatuagem se o time ganhasse.

Eu não tinha prometido nada, mas achei que era uma boa oportunidade para finalmente tatuar alguma coisa. Já tinha a ideia de tatuar a palavra Wanderlust e os designers da agência me ajudaram na escolha da letra. Fomos todos juntos na hora do almoço para fazer a tatuagem, umas cinco pessoas…

Tem planos de fazer outras relacionadas a viagem? Quais e por quê?
Quero fazer outras, mas ainda não tenho muito claro o desenho. 

Quais foram as maiores alegrias e os maiores desafio como viajante? 
Acho que o maior desafio é sempre ter que me despedir das pessoas. Da minha família e amigos no Brasil e dos amigos que faço quando viajo. Hoje posse dizer que tenho amigos em todos os continentes, mas estou sempre deixando eles para trás. Por outro lado, são essas relações que fazem as viagens valerem a pena. A maior alegria que eu tenho é quando eu estou em um lugar e penso “caramba, não acredito que eu estou aqui”. Seja porque é um lugar que eu queria muito ir ou porque nunca havia sonhado estar ali antes.

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Travel Tattoo :: André de Carvalho

André curtindo o visual da Noruega, em uma das centenas de viagens que já fez a bordo de um navio de cruzeiro. Foto: Arquivo Pessoal

André curtindo o visual da Noruega, em uma das centenas de viagens que já fez a bordo de um navio de cruzeiro. Foto: Arquivo Pessoal

O André é uma das pessoas mais viajadas que eu conheço, do tipo que já perdeu a conta de quantos países visitou na vida. É que o trabalho dele é viajar – ou viaja para trabalhar. Ele é animador de cruzeiros há 7 anos e a bordo de um navio já visitou diversas praias da costa brasileira, países sul americanos, europeus e asiáticos, sem contar as pessoas das mais diversas nacionalidades com quem já fez amizade.

Depois de fazer um pouco de tudo e trabalhar em hotéis, eventos e até fazendo malabares nos semáforos de São Paulo, o André começou a fazer animação em navios inspirado pelo irmão mais velho, o Fausto, que já trabalhava com isso (que inclusive, já teve sua história contada aqui no blog, junto com a da Jacque, sua namorada <3).

Como o dom para o humor tá mesmo no sangue, ele também construiu sua carreira fazendo esquetes de comédia e animando os passageiros. Namora há 4 anos a Francesca, italiana que trabalha na mesma área e é sua companheira de viagem. Depois de ter sido promovido a chefe de animação, chegou a participar de viagens para lugares mais inusitados, como Rússia, Escandinávia e China.

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André em sua visita a Petra, na Jordânia

De sua primeira viagem pra cá muita coisa mudou. Quando começou, André mal falava inglês e hoje, além dessa língua, também fala italiano, espanhol, alemão, francês e chegou até a estudar mandarim! Ele aproveitava o tempo livre para fazer cursos ou, quando não conseguia, estudava por conta com ajuda de livros ou pela internet.

Para alguém como o André, nada mais natural do que marcar na pele um pouco das experiências que teve ao redor do mundo. Ele já fez três tatuagens que se relacionam com viagens – uma delas, inclusive, é um mapa-múndi. Leia abaixo a entrevista:

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Quantas tatuagens você tem? Quando e onde foram feitas?

Eu tenho três tatuagens: um mapa-múndi na costela do lado direito, um símbolo embaixo do peito, do lado esquerdo, e uma palavra em tailandês no pé direito. A do pé foi a primeira que fiz, na ilha de Koh Tao, na Tailândia, as outras duas fiz no Japão, na cidade de Fukuoka. A escolha dos lugares do corpo foi mais pensando onde poderia esconder, porque no meu trabalho não posso mostrar, então fica meio restrito. E cada uma delas representa um momento ou algo muito marcante na minha vida.

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Qual a história dessa que você fez na Tailândia? Foi feita com bambu?

Sim! A Tailândia é um dos lugares mais bonitos que eu já visitei na vida e percebi que meu sonho é poder levar minha família para lá um dia para verem tudo o que vi. Apesar da cultura deles ter uma coisa com o pé, não pode tocar porque eles veem como algo impuro, nós ocidentais não temos essa crença e escolhi fazer a tatuagem no pé mesmo, até por conta da limitação de locais do corpo para fazer isso. Escrevi Krop Krua, que quer dizer família em tailandês.

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A do mapa-múndi, você pensou em pintar os países que visitou?

Não, eu já pensei nela sendo só o contorno mesmo. A tattoo não é tão grande para pintar os países, ia ficar esquisito um pouco pintado e um pouco não. Então preferi fazer assim, além do que também fica mais bonita, mais delicada.

Qual o significado da terceira tattoo (símbolo no peito)?

A história é longa rs, mas são traços que simbolizam o número 333. O número três está presente em várias culturas e religiões [muitos atribuem a trindade cristã – Pai, Filho e Espírito Santo – ou “começo, meio e fim”]. Eu acredito que todas as coisas estão conectadas, acho que está tudo interligado de algum jeito, a gente só não conseguiu ainda relacionar e encontrar o sentido. É meio doideira, mas é o que eu acredito.

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Quando fui trabalhar na China, dei um rolê por outros países da Ásia e encontrei um amigo que é bem místico, faz meditação, viagem astral etc. Ele disse que tinha uma mensagem pra mim, que recebeu através de um sonho, e falou para eu guardar o número “333”. Uns dias antes, tinha comprado uma cerveja vietnamita que tinha esse número e fiquei de cara quando ele falou, achei muita coincidência! Sem contar que na hora que tivemos a conversa estávamos em três, meu irmão também estava.

Corta a cena e volta para uma outra história. Eu e mais dois amigos (3 novamente rs), tínhamos vontade de fazer uma tatuagem juntos e a gente tem uma ligação muito forte com as pirâmides, estudamos sobre e tal. Não sabíamos bem ainda o que fazer, se seriam três pirâmides, uma dentro da outra, enfim. Depois do lance do sonho do meu amigo, decidi marcar isso na pele e ele falou que seria bacana fazer no peito, por conta de um ponto energético. Também achei que fazer pirâmides ou os números não seria o ideal, então fiz os tracinhos. Uma tatuagem muito simples, mas com um mega significado e relaciona tudo isso.

Não sei se é uma piração minha, mas se for, é muita coincidência rs. E claro, a partir daí, comecei a reparar e ver o “333” em muitas coisas, até na data do meu aniversário (06/03)! [E acredite se quiser: nesse momento, durante a entrevista, olhamos pro lado e vimos da janela do café onde estávamos um carro com a placa 333!!! :O]

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Ilhas Phi Phi, um dos paraísos que ele visitou na Tailândia

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Travel Tattoo :: Marcel Melfi

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Marcel é designer, ilustrador e empreendedor: criou a Toonicado, estúdio de arte que faz desenhos personalizados que podem estampar presentes criativos. Apesar de trabalhar com imagens e desenhar todo dia, até há pouco tempo ele ainda não tinha nenhuma tatuagem. Foi só depois de ter feito uma viagem especial para Tailândia que ele se inspirou a marcar na pele essa experiência e fez uma tatuagem de bambu, método pouco convencional no Brasil, mas bastante difundido por lá.

Há um ritual tradicional, o Sak Yant, em que você é tatuado por um monge e não escolhe o que será desenhado, mas hoje em dia há diversos estúdios em que fazem tatuagens assim de forma mais comercial, inclusive para turistas. São utilizadas agulhas um pouco maiores do que as da máquina e elas são conectadas a um graveto de bambu. O processo não envolve máquina e a pressão feita na pele é dada pelo tatuador. Leia mais sobre a tatuagem do Marcel:

Quantas tatuagens você tem? Quando e onde foram feitas?
Tenho somente uma, na parte interna do braço. Eu a fiz em abril de 2015 em Koh Tao, na Tailândia.

Qual o significado dela? Tem relação com viagens que você fez? 
Eu nunca tive vontade de fazer tatuagem, mas em 2014 fiz um mochilão onde viajei por Dubai, Tailândia e terminei na Índia. Fiz essa viagem com um dos meus melhores amigos, e foi daquelas viagens que mudam a maneira de ver as coisas. Passava por uma fase, pré 30 anos, sem grandes expectativas, sem grandes alegrias.

Vi o filme “Her” e numa passagem o personagem fala: “Sinto como se já tivesse vivido todas as emoções que podia experimentar, daqui para frente só sentirei versões menores dessas emoções“. Só que toda essa viagem, principalmente na Tailândia, acenderam alguma coisa aqui dentro. E eu estava feliz como nunca tinha me sentido antes.

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Marquei com esse amigo o retorno para exatamente um ano depois e dessa vez, já fui com a ideia da tatuagem. Lá achamos um lugar onde tatuavam com bamboo, cada um escolheu uma arte e fizemos.

Fiz essa tatuagem para sempre que estiver desanimado, conformado com a rotina, me lembrar que tem algum lugar esperando uma aventura nova. Quanto ao significado real dela, é uma oração budista escrita em Khmer, a língua do Camboja. A Angelina Jolie tem essa mesma tatuagem nas costas.

São símbolos budistas sânscritos, de uma reza tailandesa, que dizem algo como: “Mantenha seus inimigos longe de você. Se você adquirir riquezas faça com que elas continuem sendo sempre suas. Sua beleza será aquela de Apsará. Onde quer que você vá, muitas pessoas irão assistir, servir e proteger, cercando você por todos os lados”.

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Como que foi a sensação? Dói absurdamente?
Como essa é a minha única tatuagem eu não tenho base, mas o Micky [amigo que fez a viagem junto] que tem outras, disse que além de doer mais, o processo é mais lento o que aumenta a dor. A minha durou quase uma hora.

E o lugar onde você fez, era muito tradicional ou é bastante comum fazer esse tipo de tatuagem lá?
Lá na Tailândia você vê um estúdio de tatuagem a cada 5 passos, mas a maioria não tinha desenhos legais, então procuramos na internet algum estúdio que os turistas recomendaram e chegamos em um. Era um estúdio normal com as artes expostas nas paredes. Eu pedi uma sugestão e eles mostraram várias artes e curti bastante essa.

Tem planos de fazer outras? Quais e por que?
Tenho sim, pretendo fazer outras nas viagens que realmente me inspirarem.

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Travel Tattoo :: Daniel Ribeiro

Daniel em Havana, ainda virgem de tatuagens. Foto: Débora Costa e Silva

Daniel em Havana, ainda virgem de tatuagens. Foto: Débora Costa e Silva

O Daniel foi uma das pessoas que me ensinou muito sobre viagens. Poliglota, sempre foi um cara interessado em outras culturas e acho que esse é um dos motivos que fazem ele viajar de forma tão intensa. Ele foi meu companheiro de aventuras em Cuba e foi quem me deu a dica de comprar as papetes que até hoje me acompanham <3.

Já foi para muitos outros cantos, principalmente pelo Brasil: Chapada Diamatina, Chapada dos Veadeiros, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraty, Rio de Janeiro, Minas Gerais… Pra fora já foi pro Equador e Venezuela e continua a dar suas voltas. Estreou um blog no Estadão, o Viagem sem Fim, mas além dos registros de lá, tem os que gravou na pele. Veja algumas das tatuagens que revelam seu amor por viagens.

Texto “Selado”, do Daniel Ribeiro, espalhado pelo corpo em trabalho fotográfico/artístico da Mariana Lacanna

Calma, não é tudo tatuagem! 😛 É um trabalho artístico da Mariana Lacanna, com o texto “Selado”, do Daniel Ribeiro, espalhado pelo corpo

Quantas e quais são as tatuagens que você tem? 
Tenho atualmente sete tatuagens, mas tudo indica que em breve isso vai mudar! Tenho um barco de papel, um anjo meio gótico suave, duas frases (uma em português, outra em árabe), uma roda, dois búzios e um ourobouros (símbolo representado por uma serpente, que morde a própria cauda).

Quando e onde foram feitas? 
Todas foram feitas em São Paulo. O barco e a roda foram feitas pelo Victor Otaviano em 2012. O anjo e a frase do Caetano no ombro foram feitas em 2013, pelo Rafael Horvat. Os búzios e a frase em árabe foram de 2014 pelo Lincoln Silva. A Ouroboros foi feita em 2015 pelo Alessandro do estúdio DaTribbo Tattoo.

São em quais partes do corpo?
O barco fica na costela, o anjo no peito, a frase no ombro. A roda, a ouroboros e os búzios são no braço direito. A frase em árabe é onde o sol não bronzeia.

Barquinho de aquarela nas costelas do Daniel foi a primeira tatuagem.

Barquinho de aquarela nas costelas do Daniel foi a primeira tatuagem.

Qual o significado de cada uma? Tem relação com viagens que você fez? 
O barco foi porque as viagens que mais me fizeram feliz foram para ilhas. Eu sempre tive uma piração com ilhas, acho bem interessante a ideia de estar meio isolado do mundo e de depender de forças alheias à nossa intervenção para sair de lá. Eu já quase perdi um voo porque estava em Alcântara e não tinha maré para chegar em São Luís do Maranhão.

Eu fiquei pensando muito nisso: em como eu não podia fazer absolutamente nada a respeito. Tinha que esperar. As ilhas têm essa coisa de ter que esperar. Eu quis fazer um barco de papel porque gosto de viajar e gosto muito quando é de barco, como as que fiz como repórter de viagem, foram super especiais.

A outra tatuagem relacionada às viagens é a roda que tenho no braço. É a mesma roda que tem na bandeira dos ciganos e tem a ver com a possibilidade do nomadismo, de mudanças. Nos meus 30 anos, já mudei de casa 14 vezes! Não só gosto de viajar, ou seja, das mudanças temporárias, mas também das definitivas. Que, no meu caso, nunca são tão definitivas assim.

Foto: Rodrigo Baroni

A roda no braço, em foto feira durante a viagem pela Argentina e Uruguai. Foto: Rodrigo Baroni

Tem planos de fazer outras? 
Agora quero tatuar uma tartaruga que tinha em um adesivo que trouxe de Galápagos. Foi uma viagem muito especial e eu estava louco para ver as tartarugas gigantes que deram origem ao nome do arquipélago. De novo, as ilhas, tá vendo? Eu ainda não fiz essa porque fiquei na dúvida se fazia uma tartaruga ou um pássaro que vive lá – o píquero de patas azules, que tem os pés azuizinhos.

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Travel Tattoo :: Bruna Caricati

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Fotos: Arquivo pessoal da Bruna

Há quem goste tanto de viajar que dá um jeito de transformar toda sua vida em função de suas andanças. Uma autêntica nômade digital, a jornalista Bruna Caricati, 26 anos, já morou em cinco países e não pretende parar tão cedo de rodar o mundo. As aventuras começaram já na faculdade: morou um tempo na Espanha e no final do curso foi para Guiana Francesa para escrever um livro-reportagem sobre o país. Depois de formada, mudou-se pra Londres, em seguida para Itália, Bélgica, Uruguai… ufa!

Há cinco anos ela mantém o blog Go to Gate, onde entre um relato e outro ela dá dicas ótimas e bem práticas de viagem, e agora escreve também para o site Brasil Post, ao mesmo tempo em que faz frelas e planeja os próximos embarques – e as próximas tatuagens também. Bruna tem duas relacionadas com viagens e conta aqui quais foram suas inspirações:

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Quantas e quais são as tatuagens que você tem?
Tenho duas: no ombro tenho uma rosa dos ventos com um avião de papel saindo dela e um on the road escrito no braço com letra de máquina de escrever.

Quando e onde foram feitas?
A primeira que fiz foi a rosa dos ventos. Fiz com o super tatuador Victor Octaviano, que conheci por causa de uma reportagem que fiz com ele. A ideia era fazer essa tatuagem naquele modo aquarela, mas ele me convenceu de que seria melhor não fazer assim. Confiei e deixei ele fazer do jeito que achava melhor. No fim, amei o resultado e saiu muito melhor do que a ideia que eu tinha em mente.

Essa tatuagem fiz quando voltei da Bélgica, onde morava no momento, e estava em São Paulo visitando minha família antes de me mudar para o Uruguai. Como eu estava numa fase de transição decidi fazer essa tatuagem para simbolizar minha vida, que, naquele ano, era nômade e eu estava sempre mudando de lugar.

A rosa dos ventos representa isso para mim, uma direção que me leva a uma nova vida. Uma direção aleatória e incerta – que é isso que me deixa feliz: não ter destino certo, não ter planos.  O aviãozinho de papel era só um chame a mais, pois foi um ano que peguei incontáveis voos.

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Já o on the road fiz quando voltei do Uruguai e me estabeleci de novo em São Paulo. Tem vários significados. Um: sim, é por causa do livro. Primeiro porque é um livro que gosto muito e sou meio viciada em Jack Kerouac no geral. Acho que o livro “On the Road” marcou uma geração de jovens aventureiros e é onde vejo a inspiração para cair na estrada sem rumo, sem planos, que é o que fiz.

A tipografia da minha tatuagem é imitando letras de máquina de escrever, porque, bom, sou jornalista e escrever faz parte da minha vida. E o outro significado é o literal: on the road, que é o que faço e quero fazer pro resto da minha vida.

Como foi a escolha do desenho que ia tatuar?
A rosa dos ventos eu vi em pesquisas no Google, mas pesquisei pelo desenho dela mesmo e não por tatuagens. Levei para o tatuador e ele trabalhou a ideia dele em cima da imagem que eu levei. Criamos um desenho novo, fugindo um pouco do formato real. Ele deu uma pirada na ideia e eu aceitei.

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O on the road veio da minha cabeça, não vi em nenhum lugar. O tipo de letra também (de máquina de escrever), mas o tatuador que pesquisou a tipografia e me mostrou algumas sugestões.

O que te inspirou a fazer?
Sempre quis fazer uma tatuagem, mas não sabia o que me inspirava, o que era uma motivação na minha vida. Morar forar, ser nômade por um tempo me transformou e eu vi que a minha vida é isso. Então, decidi que minhas tatuagens deveriam representar essa essência da minha vida.

Tem planos de fazer outras? Quais e por quê?
Sim! Em breve quero fazer uma outra, que também é escrita. Estou entre um poema do Robert Frost e um do Bukowski. Uma diz “Miles to go before sleep” e outra diz “If you’re going to try, go all the way. It’s the only good fight there is“. Mas não sei ainda. Acho que essas são bem batidas, porém, representam coisas importantes pra mim.

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Travel Tattoo :: Raíra Venturieri

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Foto: Paulo del Valle

Uma viagem pode ser tão impactante na vida de alguém que guardar fotos e lembranças pode não ser o suficiente. Daí que muita gente tatua na pele seu amor por um lugar ou algum símbolo que represente essa experiência. Por isso resolvi dar início a essa série de posts sobre tatuagens de viagem.

Para começar, apresento aqui a Raíra Venturieri. Ela é jornalista, trabalha atualmente na agência STB, mantém o Delícia de Blog!, mas antes passou pelas redações da revista Viaje Mais e Guia Quatro Rodas. Já fez viagens incríveis para o Canadá, Itália, Espanha, Suíça, África do Sul, Belém do Pará e vive fazendo a ponta aérea SP-Rio. A gente se conheceu numa viagem mágica para o Atacama em 2010, fizemos a amizade subir a cordilheira e seguimos amigas até hoje <3. Leiam abaixo as histórias incríveis sobre suas travel tattoos.

Quantas e quais são as tatuagens que você têm?
Tenho três tattoos: umas flores no pé, um muiraquitã no braço e um elefantinho na costela.

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Foto: Arquivo pessoal

Quando e onde foram feitas?
A do pé foi a primeira, eu tinha uns 19 anos (tipo 2008), queria uma tattoo e amei o desenho. No fundo não tem nenhum significado, além de eu querer (e poder!) desenhar algo na minha pele pra sempre só porque é bonito. Fiz aqui em SP, no Tattoo Dreams.

Depois fiz o muiraquitã, que é um amuleto da Amazônia. Tem uma história super legal por trás, porque é um amuleto que as índias amazonas (aquelas guerreiras!) faziam para seus parceiros de outras tribos, para protegê-los. Também é um símbolo de fertilidade. Acho uma coisa meio girl power!

Mas a verdade é que pensava em tatuar o muiraquitã desde criança, porque minha mãe é paraense e tínhamos um em casa. Aí em 2013 eu fiz uma viagem pelo Pará pra fazer o Guia Quatro Rodas, e foi incrííível! Minha mãe, que é bióloga, me acompanhou por boa parte do roteiro e a experiência foi maravilhosa. Então, já de volta a SP, eu decidir tatuar – pra marcar a viagem, a minha origem e a relação super próxima que tenho com minha mãe. E meu girl power!! Fiz no Tattoo Dreams também.

Já o elefantinho foi um desejo que surgiu depois que fui pra África, em 2012. Foi emocionante ver os animais no habitat natural, livres, selvagens. O ponto alto dessa viagem foi um cruzeiro pelo Chobe River, entre a Zâmbia e a Botswana, em que elefantes bebiam água e se refrescavam nas margens do rio estreito. Era tão lindo que chorei na primeira vez que vi! hahaha Desde então me apaixonei por esses animais, que além de lindos são super fortes e leais.

Fiquei com muita vontade de tatuar, mas com certo receio por ser um desenho meio difícil, com alto risco de ficar tosco. Então, quando estava em oooutra viagem – em Miami, agora em 2015 – conheci uma tatuadora incrível em South Beach. Além de talentosa, era mulher e já falei que adoro um girl power, né? Aí bolamos o desenho e eu fiz lá, de impulso. Ela se chama Maria Acevedo e tatua no Salvation Tattoo Lounge. É minha tattoo favorita, amo muito!

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Foto: Paulo del Valle

Como foi a escolha dos desenhos? Bateu o olho e gostou? A ideia veio de uma vez?
As flores no pé eu disse mais ou menos o que eu queria, ele desenhou direto no pé na hora e eu amei. Simples assim.

O muiraquitã eu pedi pra um amigo meu super artista, o Stefano, desenhar pra mim. Queria um desenho que fosse só meu, e também uma versão mais fofa do amuleto, que afinal de contas é um sapo né gente? hahaha

O elefantinho eu pesquisei 95947362 imagens de elefante no Google, no Pinterest e no Instagram. Até que achei um fofinho, pedi pra tatuadora fazer umas adaptações (trombinha pra cima, coraçãozinho, sombreado) e pronto, puro amor.

Tem planos de fazer outras? Quais e por quê?
Faz um tempinho que quero fazer duas, umas flores no braço e uma setinha no dedo (a hipster né). Mas não têm significado nenhum, e sempre que eu tenho ideia de uma tattoo eu seguro por um tempo pra ver se ainda quero. Acabei de voltar de uma viagem incrível pela Grécia, Itália e Paris, e seria bem legal fazer um desenho pra marcar esse momento. Ainda não bolei. Mas sabe que só de escrever aqui já me vêm umas ideias? hahaha 🙂

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Foto: Paulo del Valle

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