Nova York :: Top 10 melhores experiências

Há um ano eu chegava em Nova York para passar uma temporada de três meses. E entre tantos sonhos, planos e expectativas que levei comigo, ainda tive o privilégio de vivenciar inúmeras experiências que estavam fora do roteiro e sequer passavam pela minha cabeça. São essas surpresas as melhores coisas de uma viagem – e da vida né?

Para comemorar e matar um pouco a saudade, resolvi reunir aqui algumas das coisas mais especiais e inusitadas que vivi por lá. Afinal de contas, foi em busca de momentos como estes que me levaram a fazer essa viagem ❤

Show Hiatus Kaiyote + Erikah Badu em Coney Island

Numa dessas noites de insônia ainda em São Paulo, descobri por acaso que uma das minhas bandas preferidas, a Hiatus Kaiyote, ia fazer um show em Nova York logo no dia seguinte à minha chegada. Melhor ainda: com a cantora Erikah Badu, musa mór maravilhosa, e em Coney Island, um lugar fofo que eu já era louca para conhecer. Foi meu primeiro passeio e o clima gostoso de férias de verão ditou toda a vibe do início da viagem. Passei o dia na areia tomando sol, lendo e ouvindo música.

O show foi em um anfiteatro montado no calçadão e começou durante o pôr-do-sol. A banda tocou para uma plateia um pouco vazia, mas nem liguei, porque o público estava em êxtase (e eu também rs). E antes do show da Eryka Badu, que foi incrível, tiro-porrada-e-bomba, ainda conversei com o baterista da banda <3. Não poderia ter começado melhor! PS: ainda vi outro show da Hiatus em Montauk, em outro dia igualmente mágico, que já escrevi sobre aqui.

“Labirinto” + banda do Bowie no Prospect Park

Confesso aqui, com certa vergonha, que nunca tinha assistido ao filme “Labirinto”. Sabia dele, conhecia a história e tal, mas passou batido na minha infância. No fim das contas, corrigi essa falha de um jeito bem especial, que fez valer a pena a demora.

Fui a uma exibição do filme no Prospect Park, como parte da programação de verão, que contou com a abertura de um show de jazz com os músicos que tocaram no álbum Blackstar, o último gravado por David Bowie. Fizeram uma baita homenagem, com a plateia e os artistas emocionados lembrando do cantor.

Assistir a esse filme, cheio de fantasia e criaturinhas bizarras, em um parque à noite, tomando cerveja, com uma plateia lotada de fãs interagindo e aplaudindo a cada aparição do Bowie… foi mesmo uma experiência única. Estava na companhia de uma amiga italiana, a Sara, que sabia até algumas falas de cor e estava emocionadíssima de ver o filme preferido da infância – cuja protagonista se chama Sarah também :-).

Madonnathon

Há mais de 10 anos, um grupo de fãs da Madonna promove uma festa temática no mês de agosto em NY em comemoração ao aniversário da cantora. Fiquei sabendo dessa festa pela revista Time Out e fui com uma amiga francesa do curso de inglês, que para a minha surpresa, deixou a timidez em casa e se jogou na pista comigo \o/.

Logo na entrada da casa (no Brookyn Bowl, um boliche-balada), havia um grupo de meninas maquiando o pessoal que quisesse se caracterizar como Madonna. Ok, elas só passavam um batom vermelho e faziam uma pinta com lápis entre o nariz e a boca rs, nada em comparação à produção dos mais empolgados – muitos usando vestido de noiva (em referência a Like a Virgin) ou corpetes com cones nos seios, como o visual da turnê Blonde Ambition – mas já promovia uma interação legal entre os fãs.

O melhor da festa era o que rolava no palco principal. Uma banda com três backing vocals maravilhosos tocaram os sucessos da musa, com arranjos diferentes para as músicas, mais puxados pro rock. A cada canção entrava em cena um cantor diferente, um melhor que o outro, todos com um estilo bem próprio. Nos intervalos, o palco era tomado por um concurso de drag queens caracterizadas de Madonna.

Já fui em alguns shows dela e devo dizer que a vibe dessa festa não ficou muito atrás. Não havia uma super produção e nem a presença da Madonna, claro, mas falo isso muito mais pelo o que a festa representou. Foi uma noite catártica, dançando as músicas dela junto com pessoas que nunca vi na vida, mas que estavam todas na mesma sintonia.  Sem contar o nível musical excelente do grupo, cantores fantásticos e o clima de nostalgia e celebração total <3.

Topless Day

Topless é permitido em Nova York, mas ainda não é muito bem aceito pela sociedade. Por isso, todo ano ativistas fazem uma passeata pró-topless e aproveitam para disseminarem a liberdade de expressão e condenarem o preconceito e o machismo. Fui acompanhar e fiquei surpresa ao me deparar com uma quantidade muito maior de homens do que de mulheres no ato.

A abordagem deles foi extremamente invasiva, tentando tirar fotos e se aproximando das mulheres que estavam com os seios à mostra. Conversei e entrevistei algumas delas, que disseram que esse tipo de atitude só mostra o quanto um protesto como este ainda se faz necessário. Escrevi uma matéria para a Revista Azmina sobre isso depois e fiquei bem feliz de ter conhecido mulheres e ativistas tão inspiradoras 🙂

Hip Hop Tour

Uma das coisas que me motivaram a ir para Nova York foi a cena cultural. É uma cidade que teve um papel fundamental no surgimento e consolidação de diversos movimentos artísticos e gêneros musicais – um deles, claro, o hip hop. Tive a chance de fazer um tour pelo Harlem e pelo Bronx (que rendeu também uma matéria no UOL) visitando pontos marcantes para o movimento, e ainda na mesma época do lançamento da série “Get Down“, do Netflix, que conta justamente essa história do final dos anos 70.

Se por um lado era um tour convencional, por ter um guia, turistas e uma van, foi também um dos mais originais e divertidos que já fiz. O nosso guia foi o rapper Reggie Rag, que teve o auge da carreira no início dos anos 80. Ao longo do passeio, entre rimas, risadas e gritos “hey” e “yo”, ele foi contando histórias curiosas sobre o nascimento do hip hop, enquanto mostrava pela janela, ou em algumas paradas que fizemos, lugares que foram cenário de batalhas de rimas, de DJs, grafites, points para grupos de break e outros – até o Yankee Stadium estava no roteiro.

Trivias de séries

Toda semana eu via no guia da Time Out algum evento de trivia de alguma série e nunca entendia muito bem o que era ou como funcionava. Até que um dia vi um de “Sex And The City” que dizia: os vencedores do jogo ganham drinks cosmopolitan. Ok, isso já me convenceu a ir lá participar e ver o que era rs.

O que mais tem em Nova York – talvez nos EUA todo – são fãs de alguma coisa se reunindo para reverenciar e curtir juntos aquilo que amam. No caso das séries, essas trivias são reuniões em bares em que os participantes formam um time (geralmente com 4 pessoas) para responder perguntas sobre o programa. E o pessoal capricha, joga cenas no telão, faz perguntas sobre figurino, detalhes sobre participações especiais, histórico de personagens… E quem ganha leva um drink ou cerveja de graça – pelo menos nos que fui.

Sim, fui em dois, o de “Sex And The City” e outro de “Gilmore Girls”. O primeiro foi mais divertido porque o pessoal estava mais eufórico rs. Montei o time com duas mulheres que sabiam MUITO da série – elas lembravam de falas específicas de não uma ou outra, mas de VÁRIAS cenas -, e conforme o jogo avançava, o pessoal ia ficando mais e mais competitivo. É curioso, é bizarro, mas vale muito ir em uma desses eventos pra conhecer gente e dar risada.

Photoville

Uma das coisas que eu mais queria fazer em Nova York era um curso de fotografia – o que foi inviável, infelizmente. Todos eram muito caros e mesmo os mais em conta, tipo workshops, iam me custar o valor de uma semana de hospedagem + alimentação. Mas aproveitei para praticar do mesmo jeito, fazendo muitas fotos, indo a exposições e ainda tive a sorte de poder acompanhar um mega evento de fotografia, o Photoville, que para mim valeu como um curso.

Durante 4 dias, uma área do Brooklyn Bridge Park foi tomada por contêineres, onde em cada um deles rolava alguma exposição ou workshop de fotografia. Tinham espaços da National Geographic, Leica, Magnum, Getty Images e tantas outras organizações e marcas relacionadas a fotografia. O melhor é que o acesso a feira era gratuito e  em um espaço inspirador por si só.

Além de conhecer muitos trabalhos legais, o que mais gostei foram as atividades interativas. O estande da Leica, por exemplo, emprestava uma câmera da marca para os visitantes por 90 minutos. Era mais proveitoso se você estivesse com seu cartão de memória, assim dava para salvar as fotos feitas com a câmera deles (foi o que fiz :-)).

Outro legal era da Fujifilm, com o projeto “Highlighting Humanity“: eles emprestavam uma câmera instantânea da marca que fazia fotos estilo polaroid para você fazer 5 cliques pela feira sobre o tema “humanidade”. Depois, você escolhia uma para deixar com eles e integrar a exposição e levava as outras 4 fotos com você. 🙂

Manhattan Neighborhood Network

Não rolou curso de fotografia, mas rolou de vídeo :-). Por indicação da amiga Rogéria, do site Vem Pra NY, me inscrevi para um curso de produção de vídeo na Manhattan Neighborhood Network, uma rede de televisão a cabo pública de Nova York. Eles dão aulas gratuitas para residentes de Manhattan, com acesso às ilhas de edição e estúdios, fornecem câmeras e equipamentos para gravar externas e levam também alguns profissionais da área para dar palestras.

Fiz dois workshops, sobre YouTube e Narrativas Visuais, e um curso de produção de vídeo para IPad. Escolhi esse por achar mais útil para mim, para ter uma noção melhor de todo o processo e poder aplicar o que aprendi utilizando qualquer equipamento, já que não pretendo me especializar nem trabalhar em estúdio.

Além do aprendizado, a parte mais legal foram as pessoas que conheci lá. Achei bem interessante que eu era a única estrangeira (todos eram novaiorquinos) e também a mais nova (a maioria tinha mais de 50 anos). Minha turma era composta por mulheres que não tinham tido o menor contato com a área de comunicação antes (eram donas de casa, comerciantes, professoras, entre outras).

Foi incrível conhecer essas mulheres que sonhavam em montar seu próprio filme ou canal no YouTube. Havia uma astróloga ansiosa para gravar suas previsões em vídeo, outra senhora queria fazer um documentário sobre a comunidade latina de NY e a Minnie (na foto), uma verdadeira colecionadora de artigos de moda. Estilosa, cada dia ia com óculos escuros de cor diferente (tem mais de 300), sempre combinando com suas roupas, colares e pulseiras. Ela queria contar histórias de pessoas diferentes, que tivessem um visual próprio – ou qualquer outra coisa que a fizesse brilhar os olhos. Foi minha dupla e acabou se tornando uma amiga <3.

Palestra com a Sarah Jessica Parker

O jornal The New York Times promove uma série de eventos chamada Times Talks, que são entrevistas feitas com personalidades abertas ao público (com entrada paga), mas que dão a oportunidade de acompanhar o bate-papo e até fazer uma pergunta. Quem me deu a dica foi minha amiga Karina, que participou de um Times Talks com o ator Daniel Radcliffe, dos filmes do Harry Potter. Comprei ingresso para ver a entrevista com a atriz Sarah Jessica Parker – a intérprete de Carrie Bradshaw, de “Sex And The City”, estava lançando a série “Divorce”.

O bate-papo rolou em um dos auditórios da NYU e foi demais ter acompanhado. Como era de se esperar, falou-se muito de “Sex And The City”, além da série nova, literatura (ela tinha acabado de lançar uma linha editorial, a SPJ for Hogarth) e política (já que estávamos em um momento pré-eleições). Uma pena que não consegui fazer minha pergunta, não deu tempo de chegar a minha vez. Minha frustração ficou ainda maior com o tipo de perguntas que fizeram (“como você celebra o Natal na sua casa” foi uma delas…). No vídeo acima, dá para ver uma versão editada da entrevista 😉

NYC Village Halloween Parade

Uma das minhas prioridades nesta temporada em Nova York era estar lá durante o Halloween. Já tinha passado a data em Londres e foi demais andar nas ruas e ver todo mundo fantasiado, de crianças a idoso. Na 1ª vez em NYC (outubro de 2014), deu para sentir o clima e ver as casas decoradas. Nesta temporada de 2016, além de apreciar a decoração da cidade, curti uma das principais festas, a Village Halloween Parade.

É basicamente um desfile com as pessoas fantasiadas pelas ruas do bairro acompanhadas de carros de som. Você pode ir só para assistir – o que não recomendo, porque as pessoas ficam espremidas nas calçadas e mal dá para ver direito o que rola – ou desfilar mesmo, só que aí você obrigatoriamente precisa estar vestido a caráter.

Meio no improviso, acabei indo bem básica, com uma peruca laranja, boina e uma blusa de caveira – meu traje era de Judy, irmã do Doug Funnie versão Halloween rs. É uma dessas situações em que você se sente um pouco mal de não ter sido mais extravagante, já que a maioria capricha MUITO no visual, um mais criativo que o outro.

Confesso que no início achei o desfile um pouco chato. Parecia bloquinho de carnaval, com a diferença que estava frio, não podia beber cerveja (porque não pode beber nas ruas em Nova York) e ainda por cima não tinha música. Mas conforme os carros de som e as atrações foram surgindo, eu e minhas amigas começamos a animar e no fim das contas nos divertimos muito.

Teve carro de som com músicas pop, rock, rap e uns grupos de dança folclórica de vários lugares do mundo – até do Brasil, com uma escola de samba pocket – aí sim virou um pouco carnaval. Das mais legais, um grupo de música irlandesa e outro grupo de dança e banda marcial do Harlem, com umas danças meio afro, meio hip hop, era incrível. No fim, andamos pra caramba e terminamos a noite – a minha última na cidade – bebendo cerveja num pub. Valeu muito, foi um belo encerramento 🙂

Menções honrosas:

Além dessas experiências, tiveram outras também muito marcantes, mas que ou já foram citadas em outros posts – como a ida para Montauk, o passeio de caiaque no Hudson River e a apresentação da Patti Smith – ou devem entrar nos próximos. Ou talvez fiquem mesmo só na memória e nas fotos. Entre elas, estão o karaokê com banda (até cantei “Son of a Preacher Man”), show da Alicia Keys no programa Today Show, patinar no gelo no Bryant Park e os cultos nas igrejas do Harlem.

As idas a museus, peças e musicais também foram incríveis, bem como alguns passeios meio aleatórios pelas ruas, que por mais comuns que fossem, sempre traziam alguma descoberta ou uma sensação nova. Enfim, escrever tudo isso é bom para deixar registrado e matar um pouco a saudade de lá ❤

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Nova York :: Montauk

Um dos lugares que já estavam na mira antes de vir para Nova York era Montauk, cidade praiana onde foram gravadas cenas do filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças“, com o Jim Carey e a Kate Winslet. O empurrão que faltava para marcar o dia da viagem veio quando soube que a banda Hiatus Kaiyote, que sou super fã, iria se apresentar lá. E o melhor: o show era de graça em um domingo, então não teria que gastar uma fortuna nem perder aula do curso de inglês. Perfeito! 🙂

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Fotos do post: Débora Costa e Silva

Montauk é a última praia da região dos Hamptons, um grupo de vilas de luxo onde celebridades milionárias têm casas e passam os finais de semana. Porém, dizem que Montauk é mais frequentada por surfistas e pescadores. Uma coisa eu já sabia: era possível ir de trem, pois foi assim que os personagens do filme foram para lá.

Tudo lindo até aí, mas logo começou a complicar. Os novaiorquinos que conversei nunca tinham ido pra lá. Os comentários mais comuns eram “não conheço”, “é muito longe”, “ah mas tem que ir de trem, meio ruim né?”. Pra completar, nas buscas que fiz no Google, encontrei pouquíssimos relatos sobre como circular, onde ficar e o que fazer por lá. Achei estranho, mas ainda assim não desisti.

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Para ir, deveria pegar o trem da Long Island Road Rail (LIRR) e logo vi que não havia muitas opções de horários para o domingo. Pela manhã sai um a cada hora praticamente, mas para a volta é que complicava. O último trem partiria às 20h30 e isso me preocupou, pois o show estava marcado às 18h30. Se tivesse um pequeno atraso eu já corria o risco de nem ver a apresentação inteira. Me hospedar na cidade também estava fora de cogitação. Não encontrei nada por menos de US$ 100 a noite, nada no AirBnb e ainda por cima algumas pousadas não oferecem quartos para a noite de domingo para segunda.

Enfim, mesmo com todas essas complicações e com previsão de chuva para o domingo, resolvi arriscar a viagem e encarar como uma aventura. No máximo seria uma furada que poderia render boas histórias depois. Mas no fim, mesmo com perrengues, foi um dos melhores dias que passei aqui em Nova York <3.

A viagem

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Comprei os bilhetes de trem na hora mesmo, porque até o último momento estava com medo de algo não dar certo e deixei na mão do acaso. A viagem dura três horas e tem uma mudança de trem na parada da Jamaica Station, ainda em Nova York. Acompanhada por famílias e jovens surfistas (e aspirantes também), entrei no trem no maior clima de farofa bate-volta para a praia. Os bancos azuis me lembraram o filme e logo pus o fone para ouvir as músicas da trilha sonora.

Curioso é que, por mais que eu tenha tentado criar um clima melancólico para o passeio, não deu certo rs. Diferente do filme, que mostra Montauk durante o inverno com um céu cinzento, tive a sorte de estar lá em um dia ensolarado sem nuvens e ver a cidade em sua melhor forma. Ao invés de me deparar com uma estação de trem vazia, cheguei cercada de pessoas animadas, prontas para estender a canga na areia. Foi então que me toquei do óbvio: eu não tinha que reviver a história do filme, e sim me permitir viver minha própria experiência na cidade.

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Para fugir do sol e planejar os próximos passos, entrei em uma casinha na beira da estação e uma senhora simpática veio me cumprimentar e me mostrar o local. Ali funciona a Montauk Artists Association e havia uma exposição de fotografia com imagens da cidade. Adorei os trabalhos, principalmente uma série de cascos de barcos de pescador da fotógrafa Michele Dragonetti. Foi legal para já conhecer um pouco de Montauk e entrar no clima.

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Perguntei para qual lado devia ir para chegar a praia e ela logo me alertou: “você não vai a pé debaixo desse sol, né? Você é louca? Pegue um táxi!”. Achei que estava sendo apenas fofa e protetora, mas ela começou a me explicar que ali as coisas ficavam todas longe umas das outras e que o ideal era circular de carro mesmo. Isso definitivamente não estava nos meus planos. Queria dar uma volta a pé, mas realmente, o centro ficava longe. As praias também, do contrário teria que andar pela beira da rodovia. Ao meio-dia, num calor de quase 40º C sem sombra no horizonte.

A boa notícia é que o The Surf Lodge, hotel onde aconteceria o show, estava próximo dali, então resolvi almoçar lá e depois ver o que fazer. Pensamos melhor de barriga cheia, né? Eis que quando estava saindo, uma elegante senhora, loira, sorridente e de batom vermelho, me falou: “Sei onde fica esse lugar, vem, eu te dou uma carona!” Obviamente aceitei a oferta 🙂

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Tive que sentar no banco de trás do carro, pois o assento da frente estava ocupado por papéis, folhetos e uma câmera fotográfica. “Você é fotógrafa?”, perguntei. Ela disse que sim e começamos a conversar. Seu nome é Diane, mas disse que por pouco não se chamava Débora também. “Na minha família, todos têm nomes com a letra D. Como já tinham três Déboras na família, minha mãe preferiu variar e me chamou de Diane”.

Ela ficou empolgada quando contei que estava morando um tempo em Nova York e quando vi, já tínhamos chegado ao hotel. Nos adicionamos no Facebook e fizemos algumas selfies juntas. Foi um encontro bastante especial, fiquei encantada com essa mulher tão alegre, querida e cheia de histórias. Lamentei muito ter que me despedir.

The Surf Lodge e Hiatus Kaiyote

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O hotel The Surf Lodge fica em uma casa de inspiração vitoriana, com tábuas de madeira – muitas construções seguem esse estilo nos EUA como um todo -, além de ter uma decoração toda temática de praia, com móveis em tons brancos e azuis, chão de madeira e um amplo espaço externo. Antes de explorar o local, porém, eu precisava almoçar. Comi um delicioso hambúrguer com queijo, alface e beterraba (e não é que tava bom?). Para refrescar, experimentei a Montauk, cerveja local, uma delícia!

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Após o almoço, fui tomar sol numa área repleta de espreguiçadeiras e guarda-sóis, que imaginei ser a praia, mas… ledo engano. Apesar de ter areia no chão, o local fica na beira de um lago, não do mar. Pois é, caí na pegadinha e fiquei com cara de tacho sem entender porque recriar uma praia se estamos em uma cidade que tem praia…?!

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Após esse balde de água fria, fui me informar quanto saía uma corrida de táxi até a praia mais próxima, mas de novo fui barrada no baile. O funcionário do hotel me falou que os shows que rolam ali costumam lotar e quem não é hóspede corre um alto risco de ficar de fora. “Se você não quiser perder o show, recomendo que já fique aqui, porque os convidados estão chegando”. Eram 15h e faltavam mais de três horas para começar o evento. Sem saber direito o que fazer, decidi ficar.

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Longa espera, nada de passeio, muito sol, cerveja, reggae na cabeça e uma sensação esquisita de não pertencimento. O local é frequentado por gente phyna e rycah, que tem casa por ali nos Hamptons e um alto padrão de vida. Tiveram momentos que encarnei a personagem brasileira-rycah-de férias em Nova York, mas eu não conseguia sustentar longas conversas com ninguém, tava me sentindo meio intrusa rs.

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Até que comecei a ver uma movimentação diferente. Um pessoal meio hippie foi chegando, sentando no chão em frente ao palco e tomando conta do espaço. Eram os fãs da Hiatus Kaiyote :-). Fiz amizade com uns músicos de Montreal, que vieram para Montauk só para ver o show. Eles iam acampar, enquanto outra turma ia dormir no carro. Foi um alívio ver que não estava sozinha no rolê groupie!

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Após 40 minutos de atraso, a apresentação começou e eu tive a sorte de conseguir me manter bem em frente ao palco. Fotografei a cantora Nai Palm a uma distância absurdamente pequena e foi maravilhoso! Que vibe, que som! A turma de fãs estava em êxtase e até os artistas estavam impressionados com a empolgação geral. “Esse é o show mais intimista que já fizemos”, disse a Nai. Conforme o show se desenrolava, o sol ia se pondo e uma brisa fresca substituía o calor insano daquela tarde. Foi mágico ❤

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O retorno

Felizmente, deu tempo de sobra para pegar o trem de volta para Nova York. Caminhei pela estrada até a estação de Montauk junto com outros fãs da banda. Entrei no trem e estava nas nuvens, ainda embalada pelo clima do show. Tudo ia bem até que no meio da viagem, em uma das paradas, anunciaram um problema técnico. Meia hora se passou e nada. Outro anúncio: ainda não tinham resolvido a situação.

O trem partiu, mas dez minutos depois parou de novo, dessa vez por uma hora. A essa altura já tinha atacado meu lanche de pão de forma com manteiga, tomado toda minha água e me enrolado ao máximo na canga de praia para me proteger do frio do ar condicionado. Não via a hora de jantar, tomar um banho, tirar a areia do corpo e dormir.

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Resultado: a viagem acabou durando 5 horas no total e eu cheguei às 2 horas da manhã em casa. Ainda tivemos que trocar de trem na Jamaica Station e por conta do horário esperamos mais meia hora. Sem energia para andar mais do que os dois quarteirões previstos da estação de metrô até minha casa, comprei bolacha e refrigerante na farmácia e, após o “jantar”, desmaiei na cama.

Ainda assim valeu a pena? Claro! Em Montauk nada foi previsível – ok, isso porque também não me planejei o suficiente, mas a ideia era justamente me deixar levar. Paguei o preço dessa brincadeira, mas também ganhei alguns presentes do acaso. E não é assim o tempo todo na vida? Viagem boa é dessas em que mal você retorna e já sente saudades. Bônus: a promessa “Meet me in Montauk“, feita pelos personagens do filme, agora vai me trazer novas lembranças, menos melancólicas e mais ensolaradas.

Bonus Track: segue abaixo um dos vídeos do show da Hiatus Kaiyote em Montauk. Para ver os outros vídeos feitos no dia, clique aqui!

Links na bagagem :: Leituras do mês #1

Sim, sim, sim! A seleção dos favoritos do blog voltou! Só que agora vou fazer a listinha com menos frequência, uma vez por mês, para reunir só o creme de la creme e conseguir cumprir a meta. Afinal, apesar do meu ritmo estar mais lento, as leituras não pararam. Então acho justo que a seção do blog volte aos poucos também. Quem sabe um dia eu volto a fazer toda semana, né?

Já sabe o esquema? Se o texto te interessou, é só clicar no título da matéria em destaque e ler mais 🙂

CNN :: The secret lives of your fellow plane passengers

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O que será que se passa na cabeça dos outros passageiros que dividem o mesmo avião que você? Quem são eles, como vivem, do que se alimentam? Qual história daquela viagem? Toda vez que eu viajava para o Rio de Janeiro para visitar meu pai, passava as seis horas de viagem de ônibus imaginando esse tipo de coisa e com vontade de entrevistar os passageiros. Pois finalmente criaram um projeto para ouvir as pessoas que estão em trânsito: durante um voo, a idealizadora da ação passou de mão em mão um bloquinho com perguntas e coletou inúmeras histórias incríveis!

Razões para acreditar :: Museu da Empatia coloca você no lugar de outras pessoas

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A ideia do museu é simples e genial: colocar os visitantes no lugar do “outro” e tentar promover a empatia. Se isso é realmente possível eu não sei, mas a intenção é essa e eles fazem isso com um ato simbólico: o visitante calça sapatos alheios, para e ouve um áudio com depoimentos do dono do sapato. Mais legal ainda é que montaram uma estrutura para abrigar o museu que simula uma caixa de sapatos.

New York Times :: “Eat, Pray, Love” and Travel

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O best-seller “Comer, Rezar, Amar”, escrito por Elizabeth Gilbert, completa 10 anos e a editora Riverhead Books lança agora uma publicação comemorativa: são 47 histórias de pessoas que se inspiraram na jornada da autora para fazerem suas próprias viagens. Em entrevista ao New York Times, ela fala sobre viagens e faz uma reflexão interessante: talvez a versão mais inocente e verdadeira de nós mesmos é esquecida na vida adulta e viajar é um jeito de revisitar esse nosso lado que foi deixado pra trás. ❤

Diário de Bicicleta

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O jornalista Pedro Sibahi fez uma viagem incrível de bike pela América Latina saindo do Brasil e passando pelo Paraguai, Argentina, Chile e Bolívia. Estive acompanhando suas aventuras na página do Facebook do projeto, além do site em si. Estou andando cada vez mais de bike e foi uma inspiração e tanto ler os relatos dos passeios e perrengues dessa viagem – e começar a sonhar em fazer uma também.

Viaje na Viagem :: Casa particular em Cuba

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A Mariana Amaral fez uma viagem recentemente para Cuba e vem fazendo posts no site Viaje na Viagem. Um dos que mais gostei é esse, sobre as casas particulares de Cuba, talvez por ter sido uma das experiências mais legais que já fiz em viagens. Ela relata como foi a sua busca e o que encontrou nas hospedagens, além de dar dicas preciosas de como reservar e se planejar. “Estar hospedado em uma casa particular é ter o privilégio de poder espiar como é a vida de uma família cubana um pouquinho mais de perto”.

The New Yorker :: The Secret Lives of Amtrak Passengers

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A série “In Search of Great Men” do fotógrafo McNair Evans revela por meio de imagens um pouco da vida – e dos sonhos, dificuldades, anseios, confusões – dos passageiros que atravessam os Estados Unidos de trem. A reportagem conta como foi esse processo e mostra que muitos dos viajantes fotografados passavam por momentos de transição em suas vidas. “Uma viagem pode promover um renascimento ou pode matar um sonho”, disse um dos retratados.

Viagem sem fim :: As viagens de Mia Couto

Mia-Couto©Bel-Pedrosa

Meu amigo Daniel Ribeiro estreou recentemente seu blog Viagem Sem Fim no Estadão e já começou em alto estilo publicando uma entrevista com o escritor moçambicano Mia Couto. A troca de ideias é inspiradora, tem memórias de infância, questionamentos e traz um olhar bem diferente e sensível sobre o assunto. “[As Viagens] só mudam se as pessoas viajarem por dentro. Se elas estiverem disponíveis para o encontro, se estiverem disponíveis a deixarem de ser quem são”. Coisa linda! ❤

360meridianos :: Na natureza selvagem e a síndrome de Alex Supertramp

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Esse texto eu até compartilhei na página do Papetes no Facebook, porque achei incrível essa análise sobre o porquê da saga de Christopher McCandless, que inspirou o livro e o filme “Na Natureza Selvagem”, ter se tornado tão fascinante. O roteiro de sua peregrinação até o Alasca inclusive é feito por centenas de viajantes.

Entre os pontos interessantes que foram levantados pela autora Natália Becattini, gosto deste trecho: “(…) é alentador imaginar que as respostas às nossas preocupações e vazios existenciais estão escondidas em algum lugar no meio da natureza. Ou talvez tenhamos que ir tão longe em nossas jornadas pessoais para chegar à mesma conclusão de Chris McCandless em seus últimos dias: ‘A felicidade só é real quando partilhada'”.

Top 10 :: Atitudes para me tornar uma viajante melhor

Pra começar o ano bem, nada como reciclar maus hábitos e aprimorar os que nos fazem bem, né? Pensando nisso, elaborei uma listinha de atitudes para me tornar uma viajante melhor. Eu curto aproveitar a virada para elencar os desejos para o ano seguinte ou até fazer um balanço do que passou. Acho que é terapêutico e ajuda a colocar as ideias e objetivos em ordem.

Coloquei na lista coisas que vivo prometendo que vou fazer – algumas já consegui um bom avanço, outras ainda estou devendo muito, mas acho que muita gente pode se identificar também. Veja aí se tem alguma que você também tá afim de cumprir 😉

1 – Pesquisar e planejar mais

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Eu tenho a mania de “deixar acontecer naturalmente” nas viagens, como diz o clássico pagode. Por um lado é bom, claro, porque fico mais livre, as coisas fluem melhor, o efeito surpresa rola solto e respeito mais minhas vontades, sem ficar muito presa a um cronograma e ficar tensa por causa disso.

Mas esses benefícios vão até a página 2,  porque acabo perdendo muita coisa legal: descubro um restaurante incrível, um cantinho diferente ou uma atração bacana já perto da volta, ou já em casa, ou descubro que precisava fazer reserva ou que o passeio só tem aos sábados e eu volto pra casa na sexta. Umas pataquadas assim, sabe? O desafio é combinar melhor planejamento com dias e horários livres. Ler mais sobre um lugar, mas não tanto a ponto de estragar algumas surpresas. Enfim, um dia eu chego lá!

2 – Economizar antes…

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Old, but gold. Sem dinheiro não dá para viajar e ponto. Por mais que existam hostels, couch surfing e esquemas para mochileiros, é quase impossível cair na estrada sem um mínimo de planejamento financeiro. E isso tem que ficar como um alerta fixo na cabeça de quem não quer deixar de aproveitar férias e feriados. Economizar no cinema, nas compras, nos jantares, em shows, enfim, não tem como você querer fazer uma viagem grande e fodona sem sentir o impacto no seu dia a dia. Questão de prioridades.

3 – … e durante a viagem também!

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É tão óbvio, mas tô eu aqui ainda fazendo a rycah e gastando muitas vezes sem pensar. Pensamentos como “tô de férias” ou “talvez nunca mais tenha uma chance dessas” acabam me levando a endividamentos desnecessários. Às vezes uma boa pesquisa já ajuda a encontrar jeitos mais econômicos de chegar a algum lugar. Paciência também é necessária – só assim para encontrar uma hospedagem mais barata, por exemplo. E as milhas hein? Você já sabe usar? Eu precisava aproveitar melhor os programas de milhagem para fazer valer a pena de verdade.

3 – Compartilhar menos, viver mais

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Em tempos de Face, Insta, Snap, Periscope e sei lá mais quantas outras redes sociais, é quase irresistível postar uma foto do pôr-do-sol, do prato lindo que chegou pro jantar ou dos pés à beira da piscina. Até porque, temos que lidar com posts de gente linda, realizada e arrasando por aí todo dia. Quando chega sua vez de curtir seu auge, bate uma vontade de gritar pro mundo o quanto você está feliz, sim, ué!

Cada um cada um, mas comigo a sensação é que a internet me rapta e demora a me devolver pro mundo real. Eu entro para postar uma foto e de repente, passei meia hora lendo o que todo mundo postou, cliquei num link, abri o link relacionado, já vi um vídeo… e aí o sol já foi embora, o vento bateu e esfriou a água da piscina, enfim, perdi um momento único que não volta mais. Desconectar é super importante e faz toda a diferença em uma viagem, como já refleti neste post sobre Visconde de Mauá.

4 – Fotografar menos, contemplar mais

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A ideia é bem parecida com a do item anterior, até porque quem está mega conectado também deve já cultivar o hábito de fotografar e registrar tudo e muito. Faço aqui meu mea culpa: eu tiro muita foto, mesmo. Sempre foi assim, mesmo antes de ter câmera mais profissa e estudar o negócio. Depois só piorou, entrou o lado perfeccionista de querer fazer a melhor foto, ir clicando, analisando e repetindo sem limites.

Cheguei ao ponto de observar cenas só através da câmera. Isso é péssimo e já venho trabalhando nisso, de refletir sobre uma foto sem o equipamento colado no olho, observar melhor o lugar, me permitir sentir o clima e pensar melhor na foto que quero fazer. Além do “tiro” ser mais certeiro, consigo contemplar mais a beleza e o momento. Já melhorei bem, mas segue na lista para aprimorar ainda mais, porque ainda tô longe. Sem contar que na hora de editar as fotos… ninguém aguenta!

5 – Comprar menos

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Por mais que freeshops e outlets raramente estejam nas minhas prioridades ou pontos de parada, eu adoro uma feirinha de artesanato ou lojinhas temáticas. E sou “a louca” do souvenir, gosto de trazer algo pra casa pra lembrar da viagem. Mas já deu rs. Não vou condenar aqui quem viaja e gasta horas ou até dias indo em busca de um produto ou melhores preços – não faz meu estilo, mas vai do gosto e da disposição de cada um.

Pra mim só não funciona mais aquela coisa de “ter que comprar algo daqui”. Não gostei? Achei caro? O mercado é longe de tudo? O dinheiro está acabando? Não levo e pronto. Há milhares de outras formas de guardar lembranças de uma viagem. O mesmo para lembrancinhas para amigos e família. Nas primeiras viagens, eu ficava tensa e procurando coisas para os outros, não podia faltar pra ninguém, eu sofria. Mas com o tempo foi ficando cara a brincadeira. Se não trombar com algo que seja a cara de uma pessoa, não compro mais. Em 2015 já super coloquei em prática, que continue assim.

6 – Comer e beber menos

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Aquele lema do “eu tô de férias, eu mereço” super se encaixa aqui também. Afinal, como deixar de comer uma pratada de macarrão, pedir sobremesa e beber um vinho incrível quando está em um lugar novo? Faz parte da experiência, eu mesma já disse centenas de vezes. E faz – só não faz parte se acabar de comer em quantidades absurdas e acima do seu padrão, porque “é férias e tudo bem”. Pelo menos não pra mim, pois o resultado depois não compensa e o discurso do “eu mereço” cai por terra. Olho no espelho e não acho que mereço, não. E bate o arrependimento.

O mesmo vale pra bebidas alcoólicas. Quantas manhãs perdidas em viagens eu já não tive por estar de ressaca? Algumas vezes são escolhas, quero curtir mais a noite do que o dia e tudo bem. Mas ainda assim ainda acho que dá para equilibrar melhor. Como? Bebendo menos e me estragando menos para o resto da viagem.

7 – Me arriscar mais

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Viajar é se abrir para o novo, certo? Então não adianta muita coisa ir para um lugar diferente para fazer as mesmas coisas de sempre, né? Mergulhar com cilindro, entrar na cachoeira gelada, voar de asa delta, comer insetos fritos, andar de patins, dançar forró… a lista pode ser infinita se você estiver disposto.

Às vezes nem sabemos o que poderíamos fazer de diferente, afinal sair da zona de conforto não é nada simples, muito menos automático. Mas se aparecer a chance, tente não desperdiçá-la. Pra mim ainda falta me arriscar mais na gastronomia. Sou chata para comer e queria me jogar mais, mas ainda assim tenho tentado experimentar pelo menos alguma coisa nova toda vez.

8 – Entrar no ritmo e na vibe do lugar

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Esse item acho que vale para qualquer viagem para um destino bem diferente, como países asiáticos ou árabes, onde o choque cultural é grande, mas eu pensei no assunto porque acabei de voltar do Nordeste, onde o ritmo das coisas é pelo menos cinco vezes mais lento que o de São Paulo, onde eu moro. E qual a tendência? Ficar puto, impaciente e irritado com tudo: as pessoas andando mais devagar, o prato do restaurante levando mais de uma hora para sair e por aí vai. Ou até entediado!

Bom, geralmente temos duas escolhas: ou a gente passa a viagem toda de mau humor ou entra no clima e relaxa. Eu sempre digo que sair e se desligar de São paulo demora uns bons dias, mas pra voltar é rapidinho. Então que tal aproveitar e desacelerar, tentar entender o novo ritmo, a forma com que as pessoas lidam com as coisas? Isso pode até trazer mudanças no seu dia-a-dia na volta das férias. Pra mim é sempre difícil o primeiro impacto, mas aos poucos vou me desligando e entrando no clima do lugar – e aí depois sofro tudo de novo quando volto pra São Paulo, mas tudo bem rs.

9 – Escrever sobre a viagem

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Quando comecei a viajar a trabalho, escrevia uma espécie de diário de bordo das viagens, tanto para guardar quanto para facilitar para escrever as matérias depois. Com o tempo, fui confiando na memória, gravando áudios, filmando, enfim, encontrei novas formas de registrar os acontecimentos e parei de escrever. E aí, como já se pode imaginar, muita coisa legal se perdeu 😦

Quero ver se retomo isso durante as viagens ou pelo menos escrever assim que voltar, seja pro blog ou num caderninho. O que já fiz algumas vezes foi anotar em tópicos as coisas mais importantes e já ajudou bem a refrescar a memória. Sei que na hora pode dar preguiça, mas no futuro vai ser uma delícia reler e relembrar cada história.

10 – Ser viajante na cidade onde moro

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Esse é o último item, mas para mim o um dos mais importantes. Acho que desde que comecei a fazer mais fotos já incorporei um pouco mais o espírito de turista na minha própria cidade: reparo mais nos detalhes, nos prédios, nos grafites, nas pessoas, nas cenas do dia-a-dia. Encontrar algo novo e inspirador é possível mesmo nessa São Paulo cinzenta – e aposto que em qualquer lugar do mundo.

Mas a meta pra 2016 não é só ficar flanando por aí, não. Quero ir em mais exposições, shows e curtir melhor o lado cultural da cidade, assim como fazemos quando vamos a um destino europeu, por exemplo. Minha lista de monumentos de São Paulo a visitar ainda é imensa, uma vergonha que preciso e vou corrigir esse ano.

E aí, se identificou com algum item? Discordou de alguma coisa? Tem sugestões? Comente aí! Aproveito e desejo a todos um ótimo ano novo, com muitas viagens pela frente ❤

Amsterdã :: Rolê pela cidade

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Quando chegamos em Amsterdã (em maio de 2014, durante a viagem 15 anos da minha irmã) estávamos curiosíssimas para conhecer a cidade. Ainda sem muita ideia de por onde começar, fomos andando sem rumo, só apreciando a beleza das casinhas, dos barcos, dos canais e das pontes.

Não sou muito fã de regras e verdades absolutas, mas toda vez que der tempo, recomendo dar essa voltinha despretensiosa no destino assim que se chega para se ambientar. Observar as ruas, o trânsito, as lojinhas, os habitantes e assim ir se familiarizando e deixando a ficha cair de que você está naquele lugar.

Na manhã seguinte, fizemos um Wakling Tour (adorei e recomendo) mas fomos no nosso ritmo e acabamos nos perdendo do grupo. Saímos para mais uma voltinha sem rumo, sem lenço sem documento e foi uma delícia. Até porque, convenhamos, numa cidade linda dessa não tem como cair em um lugar “errado” ou desinteressante.

Então, sigam-me os bons e dêem uma olhada nas fotos desses rolês:

 

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Fotos: Débora Costa e Silva

Cuba :: Humans of Havana

Mais do que paisagens ou museus, uma das coisas mais interessantes de uma viagem são as pessoas locais que conhecemos e que influenciam completamente a percepção que temos de um lugar. Em Cuba, esse contato humano é ainda mais presente – no meu caso por dois motivos: a curiosidade que eu tinha em relação ao estilo de vida dos cubanos (como vivem, o que pensam etc) e a simpatia e alegria natural desse povo.

Claro que lá pro fim da viagem, eu e meu amigo Daniel começamos a cansar da abordagem excessiva feita pelos locais. Sacamos que muitos abusam dessa abertura dos turistas e da fama do “cubano simpático” para abordar os visitantes com insistência, oferecendo de charutos a dicas de passeio em troca de dinheiro, um prato de comida ou roupas usadas – são os chamados jineteiros.

Mas o saldo final foi ultra positivo: conhecemos pessoas increíbles que marcaram nossa viagem e nossa vida. Mesmo aquelas que cruzamos e trocamos poucas palavras ou só observamos passar nas ruas e nas praias. Tem aquelas que ficaram só na memória, mas muitas tive a sorte de registrar em fotos. Seguem algumas delas, feitas em Havana em novembro de 2010.

Flagra do cochilo do motorista da bicitáxi, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Flagra do cochilo do motorista da bicitáxi, em Havana

Desfile carnavalesco nas ruas de Havana, com direito a banda de sopro e dançarinos em pernas de pau. Foto: Débora Costa e Silva

Desfile carnavalesco nas ruas de Havana, com direito a banda de sopro e dançarinos em pernas de pau

Cubana desfila pelas ruas de Havana

Barman do mítico La Bodeguita del Medio, em Havana, onde dizem ter o melhor mojito da ilha. Foto: Débora Costa e Silva

Barman do mítico La Bodeguita del Medio, em Havana, onde dizem ter o melhor mojito da ilha

Carroças ainda servem de transporte em Cuba

“Ai, Brasiiiil!” é o que ela estava falando na hora da foto. Chegamos em uma feirinha de artesanato no morro em frente a Havana e a turma que estava lá fez a festa ao saber que éramos brasileiros. Nosso amigo Jardiel até ensinou ela a sambar

Miguel, de 9 anos, gastou um tempão conversando com a gente, ensinando uns passos de reggaeton e posando para as fotos. Super querido. Foto: Débora Costa e Silva

Miguel, de 9 anos, passou um tempão conversando com a gente, ensinando uns passos de reggaeton e posando para as fotos. Super querido! Leia mais sobre o Miguel no relato do Daniel Ribeiro.

Músico de rua cego na porta do bar La Bodeguita del Medio

Um clássico de Cuba: músicos de rua que, não contentes em tocar o instrumento, também vão atrás de mulheres turistas entoando canções românticas e elogiosas. O jeito foi dar risada e fazer uma foto, porque o escândalo foi tanto que fiquei com vergonha! Deu vontade de pagar só para ele parar, coitado. Foto: Daniel Ribeiro

Um clássico de Cuba: músicos de rua que, não contentes em tocar o instrumento, também vão atrás de mulheres turistas entoando canções românticas e elogiosas. O jeito foi dar risada e fazer uma foto, porque o escândalo foi tanto que fiquei com vergonha! Deu vontade de pagar só para ele parar, coitado (Foto: Daniel Ribeiro)

Esse garotinho com sono me chamou a atenção no meio de uma multidão na fila da igreja para a missa. Achei lindo

Fotos: Débora Costa e Silva

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O que já rolou de Cuba aqui no Papetes:

O primeiro impacto ao chegar na ilha

Dicas de hospedagem em Cuba

Preparativos para ir a Cuba (moeda, agência, gastos etc)

Por que decidi ir a Cuba?

Links na bagagem :: Leituras da semana #12

Mais uma rodada de links bacanas de viagem da semana. Os assuntos estão bem variados: tem dicas úteis, paisagens lindas, relato delícia de ler e, claro, para manter a tradição, filosofias de viagem – logo dois para gente fritar a cabeça ❤

Quanto custa viajar

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Minhas amigas Bruna e Dani me alertaram sobre esse site que calcula quanto se gasta em uma viagem de acordo com o destino. É aquela ferramenta que faltava para planejar melhor suas escapadas com mais precisão. Afinal, dá trabalho fazer uma simulação de gastos com alimentação e transporte, principalmente se você quer deixar a viagem mais solta e não vai programar t-o-d-o-s os passeios com antecedência.

Achei a navegação do site super fácil e intuitiva, com bastante informação de atrações e coisas para fazer em cada lugar. Os preços são uma média feita de acordo com as informações passadas por colaboradores. É assim: você viaja e depois e conta lá quanto gastou com cada coisa. Os itens avaliados são hospedagem, passagens, passeios e alimentação. Uma mão na roda!

Dez pensamentos sobre viagens – Viagem Sem Fim

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O blog de viagens do meu amigo Daniel começou com tudo, cheio de textos interessantes que trazem uma outra perspectiva sobre o tema. O primeiro deles é uma delícia de ler e é um belo manifesto: “A história que conhecemos do mundo são as histórias das viagens de alguém“. Esse do link acima já me ganhou porque reúne frases de escritores, poetas e pensadores sobre o ato de viajar. Uma das minha preferidas e fofinhas: “Viajar é trocar a roupa da alma”, do Mário Quintana ❤

Fotografias em timelapse transformam céu em pinturas impressionistas – Follow the Colours

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Para encher os olhos e a alma, uma galeria de imagens impressionante. Fotos que parecem pinturas impressionistas de paisagens por terem sido feitas num esquema de timelapse, uma sobreposição de várias fotografias em camadas – ainda não entendi bem como o designer Matt Moloy fez isso, sei que ficou assim, maravilhoso.

De caiaque na costa de Nápoles – Malaguetas

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Para quem curte arte urbana, design, fotografia e música… salva aí o Malaguetas no favoritos! A autora Estefani Medeiros, ex-colega de UOL, tá há um tempo morando em Berlim. E s rolês que faz pela Europa começaram a ganhar relatos bem bacanas. Esse texto aqui tá uma delícia de ler – ainda mais levando em conta o desafio que foi fazer esse passeio tendo algumas traumas por não saber nadar. Bravo! 🙂

The revolt against tourism – The New York Times

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Eu colocaria esse texto na minha categoria de links de filosofia, mas na verdade é uma matéria bem detalhada sobre o turismo no mundo e como os destinos regulam (ou não) suas atrações e adaptam sua estrutura para os visitantes. É que isso dá pano para a manga para pensar sobre como as pessoas viajam hoje em dia, o quanto o valor de uma viagem ficou inestimado perto de outros bens e por aí vai. O texto está em inglês, mas vale a pena se debruçar sobre ele 😉

33 genius travel accessories you didn’t know you needed – Buzzfeed

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Fones que cortam ruído, garrafa d’água com porta comprimidos e, o meu preferido, sutiã esconderijo são alguns dos itens da lista – e eu não sei vocês, mas eu realmente não sabia que existiam essas coisas! Vi a lista no Catraca Livre primeiro, mas a original é do Buzzfeed. Não sei se compraria essas coisas todas, mas dá super para adaptar algumas!

Links na bagagem :: Leituras da semana #11

Hoje quase fiz parzinhos de links: alguns têm conexão com outro por conta do tema. Recomendo, por exemplo, dois links sobre janelas e outros dois sobre Nova York. Para dar uma incrementada, coloquei no caldo Indonésia e minha musa Beyoncé (quem diria que ela apareceria por aqui). Divirtam-se!

A Beyoncé-inspired building will soon be a real thing in Australia – The Huffington Post

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Que as curvas da Queen Bey ganharam o mundo, isso todos já sabem (who run the world? o/). Mas agora o corpo da musa Beyoncé também serviram de inspiração para o formato de um prédio em Melbourne, na Austrália. A construção terá 68 andares e deve demorar 40 meses para ficar pronta. O escritório de arquitetura responsável pelo edifício, o Elenberg Fraser, declarou que o projeto é uma homenagem a cantora e foi inspirado nas imagens do clip da música “Ghost”. :O

Sobre viajar sozinha – Delícia de blog

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Minha amiga Raíra, viajada, ex-repórter da Viaje Mais e Guia 4 Rodas, tinha dado uma sumida do blog dela e voltou com dois posts ótimos inspirados em sua última viagem por Nova York <3. O que mais gostei foi esse, sobre viajar sozinha, por impulso, e ter sido maravilhoso. Me identifiquei muito com a sua descoberta de ser sua melhor companhia de viagem! E me identifiquei duplamente, porque foi em Nova York também que mais me curti sozinha. Keep posting, Rá!

Nova York quer construir primeiro parque subterrâneo do mundo – Mistura Urbana

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Falando em NY, achei super interessante essa notícia! Vai misturar sustentabilidade com um lado mais underground da cidade. A ideia do projeto é transformar um terminal de trem, abandonado desde 1948, em um parque subterrâneo. Além disso, prevê coletar a luz solar nos telhados circundantes e usar espelhos para refletir a luz para baixo. Se sair mesmo do papel, vai ser uma atração e tanto!

Línguas indonésia e portuguesa: semelhanças e confusões – Brasileiras pelo mundo

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Eu não sei vocês, mas eu jamais imaginaria que seria possível encontrar semelhanças na língua indonésia com a nossa. Se bem que o papiamento, idioma de Aruba, tem umas palavras bem parecidas com as nossas e isso também me surpreendeu. Neste post, a Gisele Altoé, que mora na Indonésia, conta um pouco das surpresas e confusões vividas por lá quando descobriu essas palavrinhas em comum – mas muito diferentes em seus significados.

História das janelas falsas – Conexão Paris

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Já tinha visto em algum lugar, provavelmente em alguma reportagem, essas janelas falsas pintadas de forma tão realística que enganam os passantes. O que não sabia era da história que havia por trás dessa brincadeira artística. Parece que houve um imposto cobrado de acordo com o número de portas e janelas de uma propriedade, que fez surgir essas falsas fachadas. O que parecia ser só uma intervenção artística esconde um retrato de uma época.

Fotógrafo português viaja o mundo e coleciona incríveis imagens de janelas – Follow the Colours

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Hoje os assuntos estão quase todos conectados né? Ainda sobre janelas, achei lindo demais o projeto Windows of the World, do fotógrafo português André Vicente Gonçalves que retrata janelas pelo mundo. Ele já fotografou várias em Portugal e de outros países que visitou. Há de todos os tipos, cores e épocas. De acordo com o blog FTC, ele documenta as janelas de acordo com a linha arquitetônica e compara a evolução desde as primeiras, que eram apenas buracos na parede.

Links na bagagem :: Leituras da semana #10

Eba! Completamos 10 posts só de links legais relacionados ao mundo dos viajantes! \o/

O costume de reunir meus favoritos da semana em posts tem sido muito prazeroso e espero que útil para quem lê também. Vamos à lista da vez?

A ciclovia e um novo tempo na Avenida Paulista – Raquel Rolnik

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No domingo retrasado, dia 28 de junho, foi a estreia da ciclovia da Avenida Paulista, que ficou fechada para a circulação de carros. O dia foi definitivamente um marco histórico para São Paulo e um símbolo da transformação urbana que a cidade vem passando, com mais atividades culturais abertas ao público e maior incentivo a bicicleta como meio de transporte. Neste texto, a urbanista Raquel Rolnik traz um pouco da trajetória da Avenida Paulista (além de tudo, um ponto turístico também) e faz reflexões sobre o que foi este marco e o que pode vir pela frente.

Projeto Andarilha

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A Ana Luiza Gomes, dona de um blog que eu adorava, o A Pattern a Day, criou mais um projeto lindo, o Andarilha. Em suas próprias palavras: “Caminho para registrar, salvaguardar e difundir histórias de pessoas criativas que também buscam, em sua cultura e em suas trajetórias de vida e família, referências para fazer projetos inspiradores”. No site, ela escreve uma história por mês e ainda mantém um blog com outros projetos e descobertas cheias de inspiração. Os textos são deliciosos de ler, vale o clique 😉

Qual câmera comprar? – Dicas de Fotografia

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Um dos sites mais didáticos e interessantes sobre fotografia está chegando ao fim 😦 mas está encerrando em alto estilo, com um ebook gratuito com todo o conteúdo já publicado e esse post maravilhoso, que é para salvar nos favoritos e espalhar para os amigos que estiverem em dúvida sobre qual melhor equipamento. E de cara a autora já adianta: se está no começo, compre qualquer uma.

No texto, ela faz uma analogia entre fotografar e cozinhar e explica: “Se você está começando a fotografar não vai fazer diferença a câmera que está usando. De início, o objetivo será aprender o básico: picar cebola! Ou, voltando pra fotografia, medir a luz, focar e compor. E isso dá para fazer com qualquer câmera que tenha controles manuais”. But don’t panic: depois ela traz detalhes sobre cada tipo de câmera para te ajudar.

10 fotos incríveis de longa exposição – 360 meridianos

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Falando em fotografia, essa seleção de imagens é para inspirar qualquer um a querer sair do sofá e fotografar o mundo agora! A longa exposição acontece quando você diminui a velocidade do obturador e assim permite que entre mais luz na câmera para registrar uma imagem. Para ter um resultado bem legal, é necessário ter um tripé para que a foto não saia tremida. E a seleção feita pelo 360 meridianos traz 10 diferentes situações em que a longa exposição transforma a foto.

Lugares de séries de TV que existem de verdade – Chicken or Pasta

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Seinfeld, Friends, Sen and The City e tantas outras séries têm picos de Nova York como cenário. Aliás, o turismo de séries é algo de sucesso absoluto na cidade. O post acima traz uma relação desses lugares, mas não apenas na Big Apple, mas também em outras cidades norte-americanas. Dos que mais gostei (e me arrependo horrores de não ter ido) é a seleção dos lugares que apareceram em Seinfeld, meu seriado do coração – a lista dessa série especificamente foi feita pelo The New York Times.

Porque “não se preocupe com dinheiro, apenas viaje” é o pior conselho de todos os tempos@crismedias no Medium

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Então, eu tenho uma tendência forte a gostar de textos que vão contra essa coisa de “largue tudo e vá dar a volta ao mundo”. Juro que não é coisa de gente amargurada que não fez isso, mas é que eu acho que esse “conselho” não serve para todo mundo, nem para qualquer momento da sua vida.

Viajar serve para curar muitas coisas e é maravilhoso, é óbvio, mas eu acho que começou a virar uma onda muito forte isso de largar tudo e ser nômade digital – e se você não é, é um looser, não sabe aproveitar a vida, é um idiota que está no sistema etc etc etc. E esse texto, apesar de meio raivoso, acho que explica bem que não dá para todo mundo viver assim e tá tuuuudo bem!

Links na bagagem :: leituras da semana #3

Essa semana peguei dois flashbacks: uma matéria antiga falando das mudanças da tecnologia nas viagens, outra matéria feita agora sobre as transformações que o estilo “mochilão” passou nas últimas décadas. Falando em estilo de viajar, outra forma bacana que está aqui é a troca de casas. Pra terminar, dois links até que parecidos: intervenções artísticas no asfalto de duas grandes cidades.

Mochilão através dos tempos: três gerações contam o que mudou – UOL Viagem

Foto: Cris Marques/Arquivo pessoal - via UOL

Foto: Cris Marques/Arquivo pessoal – via UOL

A Adriana Terra, amiga e parceira do UOL, fez uma matéria incrível sobre mochileiros para o site, contando como era viajar de mochila nas costas por aí nos anos 70 (ainda na ditadura), nos anos 90 (era pré-internet) e nos dias de hoje. Além das diferenças tecnológicas, tipo de hospedagem e transporte, achei legal reparar que antes diário de viagem era uma coisa essencial e hoje vejo pouca gente fazendo.  No fim da reportagem, tem uma tabela comparando cada época.

Quando se afastar significa ficar em contato – UOL Viagem/Reuters

Graças ao TimeHop venho relembrando o que já postei, li, curti e fiz nas redes sociais. E essa foi uma das redescobertas: um texto de 2010 sobre o quanto a tecnologia estava transformando nossas viagens. E, como diria minha mãe, era apenas o começo! O texto fala que as exigências dos turistas estavam mudando, pois eles começavam a priorizar bom sinal do celular e wi-fi. “No passado isso simplesmente não era opção. Viajar significava estar desconectado” é uma das frases que me fez pensar quão rápida foi essa mudança.

Sites de trocas de residências ajudam a viabilizar viagens – O Globo

Foto: Karin Duarte - via O Globo

Foto: Karin Duarte – via O Globo

Sabe o filme “O Amor Não Tira Férias“, com a Kate Winslet, o Jack Black, a Cameron Dias e o Jude Law? Que as mulheres trocam de casa? Então, dá pra brincar disso também sem nem precisar estar em Hollywood – a não ser que ache uma casa legal por lá, vai saber. Essa matéria conta várias histórias bacanas de troca de casas e conta um pouco de como é o serviço de cada site (não tem um nem dois, tem vários, cada um ao seu estilo). É um outro jeito de viajar, quero muito tentar um dia ❤

Behing the making of Our New York Cover – Nytimes

Foto: JR via NYT

Foto: JR via NYT

O artista francês JR é famoso por fotografar pessoas e estampar suas fotos em tamanho gigante – em São Paulo tem diversas obras dele espalhadas por aí. Em Nova York, o projeto em parceria com o New York Times era fazer fotos de imigrantes e colar as imagens em pontos estratégicos da cidade, para mostrar pessoas que frequentemente são consideradas invisíveis.

A imagem do garçom Elmar Aliyev, de 20 anos, do Azerbaijão, foi escolhida para ser colada na Flatiron Plaza, ponto de encontro da Broadway, a 5th Avenue e a East 23rd Street. Neste link, você pode ver mais detalhes da instalação e a cereja do bolo: um timelapse da colagem, com as pessoas passando por cima da obra, literalmente.

Artista usa drone para fazer desenho de pipa “voar” em SP – Folha de S. Paulo

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Foto: Tec via Folha

Na mesma pegada do link anterior (artistas que fazem coisas legais no chão das ruas das cidades), o projeto Pipa me causou impacto. Eu tava no feed do Instagram quando vi esse vídeo e fiquei assistindo em looping. Quem mora em São Paulo já deve conhecer o trabalho do artista argentino Tec. Nas ruas de Perdizes, ele já desenhou uma lagartixa, um rato e um peixe no asfalto.

Dessa vez, escolheu um bairro menos hype, Americanópolis, na zona sul. O desenho parece simples: uma pipa. Legal, mas e aí? E aí que filmaram o local com um drone e dá o efeito de que a pipa está se movimentando.