Links na bagagem :: leituras da semana #1

Para registrar as coisas que leio por aí na internet, resolvi seguir a tendência dos blogs que acompanho e fazer um compilado de links legais da semana. Como é o primeiro, me dei a liberdade de colocar coisas que vão além da semana passada, pra correr um pouco atrás do prejuízo. Vamos lá?

Los Frikis: Cubanos que se injetavam HIV como forma de protesto – Lado Bi

Foto: Paul Geddis (via Lado Bi)

Foto: Paul Geddis (via Lado Bi)

Imagine ser punk e curtir rock nos anos noventa em Cuba, terra da salsa, quando ainda existia a União Soviética, portanto a Guerra Fria? Não devia ser fácil viver sob o regime repressor da ilha e não ter muita liberdade de fugir dos padrões. Sob o lema “Socialismo ou morte”, jovens começaram a injetar sangue contaminado pelo vírus HIV – muitos não tinham noção que não havia cura para a doença, mas outros tinham e mesmo assim seguiam este caminho. Parece loucura, ou ficção, mas foi real e é uma puta história incrível (que combinou muito com meu momento-Cuba)!

Ruth Orkin fez primeiro e melhor – Revista ZUM

American Girl in Italy. Foto: Ruth Orkin, publicada na revista Cosmopolitan em 1952 (via Revista ZUM)

American Girl in Italy. Foto: Ruth Orkin, publicada na revista Cosmopolitan em 1952 (via Revista ZUM)

O texto conta a história por trás da famosa foto da moça sendo assediada em uma rua na Itália. É, só que não. A fotografia, que rodou o mundo como símbolo das cantadas abusivas, na verdade foi feita em um contexto completamente diferente: era um ensaio para mostrar que as mulheres podiam viajar numa boa sozinhas pela Europa no pós-guerra. Quer dizer, era mais sobre viagem do que feminismo e acabou sendo sobre tudo isso 🙂

Fotos lindas do Harlem (NY) nos anos 70 – Mashable

Jack Garofalo/Paris Match via Getty Images (via Mashable)

Jack Garofalo/Paris Match via Getty Images (via Mashable)

Black power, penteados loucos e uma atmosfera vintage: tudo isso e muito mais você encontra nesta seleção incrível de fotografias feitas por Jack Garofalo no bairro de Nova York. Mas nem tudo são flores: o fotógrafo foi documentar como era a situação no bairro que havia sido preterido por muitos novaiorquinos na época. Em busca de mais segurança, melhores casas e escolas, muitos saíram de lá e foram para Queens, Brooklyn e Bronx. E como que ficou o bairro após a debandada? Está nas fotos!

São Paulo é a cidade mais subestimada do mundo – UOL Viagem

O grupo Breaking Borders, formado por três americanos, lançou um vídeo no fim do ano passado (mas que bombou só agora) ressaltando as qualidades da nossa amada & odiada São Paulo. O curta resgatou minha metade apaixonada pela cidade que andava um pouco perdida. Vale a pena acompanhar o trabalho desses caras, que documentam de um jeito bem legal suas viagens pelo mundo.

Cabo Polonio, Montevidéu e o olhar de turista – Ornitorrinco

12 segundos de oscuridad (Montecruz Foto - via Flickr)

12 segundos de oscuridad (Montecruz Foto – via Flickr)

“Esse olhar de turista (em especial viajando sozinho) ao te ensinar a estar mais presente, pode também te ajudar a olhar situações sem querer se agarrar a elas” foi uma das frases desse texto que me fez pensar e pensar e pensar. O autor conta como foi sua experiência de desligar a si e a câmera fotográfica nesta viagem para Cabo Polonio, no Uruguai – um vilarejo de beleza natural incrível e sem eletricidade, perfeito para se isolar de tudo.

Caçadores de Eclipses – Gabriel Quer Viajar

Jingyi Li (via Gabriel Quer Viajar)

Jingyi Li (via Gabriel Quer Viajar)

Aproveitando o ensejo do eclipse que rolou em março deste ano, o Gabriel achou no site da NASA uma lista com todas as datas dos próximos fenômenos e os lugares para melhor observá-los. Achei uma bela sacada! Quem quiser programar uma viagem em função disso, é só seguir os passos 😉

Por que escolhi ir para Cuba

DSC_0750

Ministerio del Interior na Plaza de la Revolución, em Havana

É difícil encontrar alguém que queira ir para Cuba que não tenha tido um pé na cozinha do Karl Marx. Caribe por Caribe, tem um monte de ilhas ali muito mais famosas pelas praias paradisíacas de mar azul. Ou pelo menos uma curiosidade saudável sobre como as coisas funcionam no país – acho difícil alguém de extrema direita querer ir para lá. Se não for minimamente simpatizante da revolução, pra quê ir? (Se for o seu caso, me conte!)

Comigo pelo menos foi assim. Eu nem lembro quando começou essa fissura por Cuba. Sei que na sétima série tinha um casal de professores que havia ido para lá – e isso era em 1999 – e eu achei incríveis as histórias que eles contavam – principalmente aquela coisa clássica de sentir que “voltou no tempo”. Talvez tenha sido neste momento que Cuba entrou para o meu radar.

No ano seguinte, fiz um seminário para a aula de História e meu grupo pegou os temas Revolução Russa e Chinesa, ou seja, fui me familiarizando com o socialismo. A professora era bem boa, estimulava discussões e provocava a galera nas aulas. E, claro, era pra lá de esquerda. Me identifiquei muito com os conceitos de igualdade social e comecei a me interessar por política. Virei vermelhinha.

DSC_0333

Da esq. para a dir.: estátuas de Camilo Cienfuegos, Fidel Castro e Che Guevara no Museu de la Revolución, em Havana

Sim, eu era dessas que defendia o PT, queria estar ao lado dos fracos e oprimidos e mudar o mundo. Usava camiseta do Che Guevara e lia Caros Amigos. Por um lado até que foi legal essa fase, eu era bem engajada. Ah, e na adolescência acho válido sonhar e ser idealista – já basta a vida adulta para te jogar doses diárias de baldes de água fria né?

Mas não foi só isso que me levou a ilha de Fidel. Tinha a música também, obviamente. Eu fazia aula de percussão, tocava de chocalho a atabaque, e o Mingo, meu professor, era mestre nos ritmos latinos. Fui aprendendo a base de vários estilos: salsa, rumba, chachacha, bolero e outros. Quanto mais ouvia, mais eu pirava.

Daí, naturalmente, veio a vontade de dançar salsa (ok, eu já estou morrendo de vergonha de contar tudo isso e quero desistir, mas vamos lá). Aprendi o básico e saía direto aqui em São Paulo para umas baladas latinas. A essa altura, não tinha como eu não ser obcecada por Cuba! Só precisava juntar dinheiro, ter férias e tava mais que decidido.

Músicos em cada esquina: um mito real de Cuba. Foto feita em Trinidad

Músicos em cada esquina: um mito real de Cuba. Foto feita em Trinidad

O mais louco é que voltei de saco cheio do Che Guevara e desse papo de revolução. Não que eu seja contra, o que passou, passou, ainda acho interessante toda a história. Mas lá você tem uma overdose sobre o tema e cansa falar e ouvir sobre isso. Sem contar que a maioria vive em condições precárias – apesar dos inegáveis benefícios na área de saúde e educação, ok.

E as paisagens, que antes eu nem dava bola, estão entre as coisas que mais me impressionaram. Não só a beleza das praias, mas também das construções históricas de Havana e Trinidad. Recomendo bem mais do que algumas ilhas caribenhas que de tão lotadas de resorts acabaram ficando quase sem identidade.

cuba2

Pôr do sol no Malecón, calçadão a beira do mar em Havana

Fotos: Débora Costa e Silva

Álbum de fotos :: El Calafate

O friozinho que chegou em São Paulo me inspirou a resgatar as fotos que fiz em El Calafate, na Argentina, em fevereiro de 2014. A cidade é famosa por abrigar o Perito Moreno, uma geleira azul impressionante que tem o tamanho aproximado da cidade de Buenos Aires. Mas esta é a cereja do bolo – recomendo inclusive deixar pro final. O destino não se resume só a ela e tem muitas coisas bacanas pra fazer e lindas de ver.

20140216_calafate_deboracostaesilva_0001

Fizemos um passeio em um carro 4×4 pelo Cerro Frias no pôr do sol. Não peguei tempo bom, mas ainda assim me impressionei de ver lá do topo da montanha o Lago Argentino. Ele é azul por ser abastecido pela água do degelo da neve e tem 1.500 m².

20140217_calafate_deboracostaesilva_0003

Se antes o impacto foi causado pela cor do Lago, no passeio de barco os protagonistas são essas geleiras azuis, de formações bizarras e belíssimas.

20140217_calafate_deboracostaesilva_0006

O passeio de barco pelo Lago Argentino é sensacional, você passa o dia navegando por blocos de gelo e montanhas assim. Na rota, tem também outros glaciares importantes, como o Upsala (que não fiz fotos boas por conta do céu branco + branco da neve)

20140217_calafate_deboracostaesilva_0007

Um clássico da Patagônia: no meio ou no fim do passeio, a turma serve whisky com gelo glacial, ou seja, que veio das geleiras.

20140218_calafate_deboracostaesilva_0005

Caminhada até o Perito Moreno, onde faríamos trekking no gelo. Essa hora o sol deu um oi rápido, mas logo foi embora.

20140218_calafate_deboracostaesilva_0010

A turma fazendo trekking no Perito Moreno – usamos um suporte no tênis com garras para fixar os pés no gelo.

20140218_calafate_deboracostaesilva_0011

A geleira tem 60 metros de altura – quase o tamanho de um prédio de 20 andares!

20140218_calafate_deboracostaesilva_0012

Depois de conhecer o Perito Moreno de pertinho, fizemos outro passeio e andamos por essas passarelas para ver a geleira por outro ângulo.

20140218_calafate_deboracostaesilva_0013

Fotos: Débora Costa e Silva

Visconde de Mauá :: Unplugged

Chalé no Vale das Flores, onde ficamos bem isolados. Foto: David Santos Jr

Chalé no Vale das Flores, onde ficamos bem isolados. Foto: David Santos Jr

Uma amiga voltou de uma viagem em que teve que ficar sem internet, telefone e televisão por quase uma semana e estava feliz por ter “sobrevivido”. Mais que isso: tinha se sentido incrivelmente melhor, menos refém do feed do Facebook e mais livre para viver o presente.

Você leu o parágrafo anterior e achou exagerado o termo “sobreviver”? Julgou e pensou “que besteira, antigamente todo mundo vivia sem isso, eu não sou dependente dessas coisas”? Pois é, eu julgaria assim também se não tivesse passado por isso recentemente.

No ano passado, fui para Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, com meu namorado. Ficamos na casa do irmão dele, no Vale das Flores, bem no meio do mato mesmo. O centrinho mais próximo ficava a meia hora dali, depois de muito cavalgar no banco do carro por conta dos buracos da estrada.

Antes de chegar, quando passamos por Penedo, meu namorado já me falou para ligar para minha mãe porque dali em diante não haveria mais sinal. Nenhum. Ok, eu pensei, do que mais eu preciso? Uma boa companhia, natureza, amor, silêncio… E de tempos em tempos me flagrava dando aquela checadinha no combo email-face-instagram e a única informação que eu obtinha do aparelho eram as horas. Le-gal, 10h33, já passaram 10 minutos, e aí? E agora?

E aí que os intervalos que eu ficava sem olhar o celular foram ficando maiores, até que passei a mexer realmente só quando queria tirar uma foto. A ansiedade baixou, a necessidade sumiu. Não senti calafrios de abstinência, meus olhos descansaram da luz da tela, meus ouvidos se abriram pro sons da natureza e… ok, parei, tá muito hippie isso aqui.

Cachoeira Véu de Noiva, na Vila de Maromba. Foto: Débora Costa e Silva

Cachoeira Véu de Noiva, na Vila de Maromba. Foto: Débora Costa e Silva

Mas o fato é que não sofri muito – só um pouquinho, mas bem menos do que eu esperava. O lance é que no início fiquei entediada, afinal, no celular tenho trilhões de informações (a maioria inútil, claro) e ali, em Mauá, eu tinha basicamente uma por vez. Mas foi uma bela troca, de quantidade por qualidade. Eu via uma cachoeira e era incrível. Se for parar para ver, ali também contém zilhares de “informações”: a vegetação ao redor, o movimento da água, o barulho da água, as pedrinhas do fundo do rio, o cheiro do mato e por aí vai.

Ou seja, na teoria, todos sabemos que vale a pena dar uma desligada, mas só desconectando é que nos damos conta (ou pelo menos eu me dei) do quanto o celular e a internet dominam nossa atenção no dia a dia. E foi voltar a ter sinal 3G que a ansiedade deu as caras de novo. Vira e mexe sinto falta da sensação de ficar desconectada como dessa vez em Mauá. E por que então não diminuir?

Daí que entra a parte da viagem. Quando viajamos nos permitimos experimentar mais situações incomuns. E nem sempre conseguimos manter na rotina aquilo que fizemos enquanto estivemos fora. Se conseguir adaptar um pouquinho, a viagem já cumpriu sua missão.

Leia Mais:
Entre cachoeiras e história, Visconde de Mauá é ideal para o fim do inverno (diria até que é ideal para qualquer estação :-))

Roteiro musical em NY :: Strawberry Fields

Mosaico em homenagem a John Lennon no Central Park

Mosaico em homenagem a John Lennon no Central Park

Deixei o Central Park para conhecer no meu último dia, mas não tinha noção da grandeza do lugar. Foi aí que decidi acelerar o passo e ir direto ao ponto – no caso, Strawberry Fields, área onde há uma homenagem a John Lennon. O nome é inspirado em uma música dos Beatles, “Strawberry Fields Forever”.

Edifício Dakota

Edifício Dakota

Logo ali, do lado de fora do parque, está o famoso edifício Dakota, onde ele vivia com a Yoko Ono até ser assinado bem ali em frente, em 1980. O assassino era um cara de 25 anos chamado Mark David Chapman, fã do cantor, que disparou cinco tiros em Lennon quando ele voltava de um estúdio de gravação com Yoko. História maluca – se quiser ler mais clique aqui.

Ao entrar no parque pela rua do Dakota, você logo vê barraquinhas que vendem camisetas, bottons e artigos diversos sobre os Beatles (enquanto andava por ali, eu juro que ouvi um cara explicando para o outro quem era John Lennon (!). Oi? Beatles?!).

O local da homenagem tem um mosaico em preto e branco gigante feito de pedras portuguesas no chão. No centro está escrito “Imagine” e, ao redor, há flores deixadas pelos fãs. O que eu não sabia é que tem músicos que ficam por lá quase o dia todo tocando, claro, “Imagine” meio que em loopping – mas eu dei sorte e ouvi outras músicas também. É super bonito, se for fã não pode deixar de ir.

Abaixo, o vídeo que fiz do músico tocando no parque:

David in the sky with diamonds
Meu sogro David Santos, fã de Beatles, foi para Nova York em 1997 e passou por lá também. Mas não foi uma passagem qualquer: enquanto ele estava entrando no Central Park, saindo do Dakota, ele olhou pro céu e aqueles aviões da esquadrilha da fumaça (ou algo do tipo) escreviam algo no céu.

A palavra? DAVID! O nome dele aparecer no céu no dia e na hora em que ele estava lá é MUITA coincidência – e super emocionante. O meu cunhado Marcelo registrou em vídeo e eu tirei essa foto aí embaixo pra provar:

David no céu

Vai lá
Lado oeste do Central Park, na altura da 72th Street
Mais: www.centralparknyc.org/things-to-see-and-do/attractions/strawberry-fields.html

Roteiro musical em NY :: Jazz

Fila para entrar no Village Vanguard, em NY (Foto: Débora Costa e Silva)

Fila para entrar no Village Vanguard, em NY (Foto: Débora Costa e Silva)

Não teria como não ir assistir a um show de jazz em Nova York, o clássico dos clássicos. Os empecilhos: eram muitas as opções, pouco tempo para conseguir pesquisar o melhor custo x benefício x banda mais legal e, confesso, pouco conhecimento do estilo musical.

Acabei indo no Village Vanguard na recomendação da Julia Cauby, do CineRango, e do Daniel Daibem, músico e radialista expert em jazz, que fazia até um programa dedicado ao assunto, o Sala dos Professores na Rádio Eldorado FM. Ele já tinha comentado dessa casa também, então pronto, fui lá e assisti o Joe Lovano and Dave Douglas Quintet.

Foi o único lugar que me “dei mal” em NY por não ter feito reserva, e ainda assim só foi um tempinho de espera de meia hora e tudo bem, nada grave. Foi meio estranho estar sozinha na fila junto com um monte de casais, mas depois vi mais gente avulsa por lá e fiquei numa boa. Sem contar que apreciar música, ainda mais jazz, é uma piração meio solitária. Pelo menos pra mim sempre foi.

O lugar fica no subsolo, acho que cabiam umas 60 pessoas, se muito, então o clima intimista prevalecia. E que diferença das casas/bares que têm por aqui: o público fica mesmo em silêncio. O foco é a música e acabou, sem burburinho, nem luzes das telas de celular. Eu fiquei até sem graça de ir ao banheiro tamanha a discrição da galera, mas aproveitei a deixa da mulher que estava ao meu lado. Ela levantou e eu fui também logo em seguida, até para atrapalhar o pessoal da plateia de uma vez só. Não era pra tanto né? Agora que passou que vejo que eu tava meio tensa.

Eu era obrigada a consumir alguma coisa na casa, se não me engano de até 20 dólares, então pedi uma taça de vinho, depois outra e fiquei no balcão encostada na parede curtindo o som. Foi incrível, voltei no tempo e me deliciei. No vídeo abaixo, veja uma palhinha do grupo que assisti:

Roteiro musical em NY :: Baladas

Show do The Lesson no Arlene's Grocery, em NY

Show do The Lesson no Arlene’s Grocery, em NY

A pesquisa que fiz de lugares para ir em Nova York não foi pequena, mas justamente por ler tanto acabei ficando perdida em meio a tantas docerias, hamburguerias, casas de jazz, lojinhas, galerias etc. Não sabia por onde começar e para sair a noite as opções eram infindáveis, mas tive dificuldade para achar nas recomendações de guias e blogs algo que tivesse a ver com o que eu queria encontrar: uma casa que tocasse bons sons ao vivo de soul e R&B. Então deixei pra descobrir algum lugar por lá mesmo e rolou:

Balada de soul e R&B

Depois do Stomp, conheci um dos músicos do show, o Marivaldo, que é baiano. Fui com ele, sua esposa e dois amigos no Arlene’s Grocery – depois de muito ralar para descobrir o nome da balada, porque cada um tinha entendido uma coisa diferente (eu tinha anotado Alen Grossery, até que tava perto rs).

O lugar fica no Lower East Side e não sei dizer como é a programação nos outros dias, sei que no dia que fomos acertamos em cheio: a banda The Lesson estava fazendo um som incrível.

Eles têm um vocalista com voz aguda, naipe Philip Bailey, do Eart Wind & Fire, um MC que mandava uns raps no meio, percussão, sopro, sons eletrônicos, uma loucura. Era tudo o que eu queria – e muito mais. No intervalo do shows ainda rolou uma galera dançando break no meio da pista, sensacional! Veja no vídeo uma apresentação da banda:

Balada funk + Karaoke 

Outro lugar recomendado pelo Marivaldo era o tal do Groove, em West Village. Me indicaram também o Cafe Wha e o Village Undergroud, mas de sábado esses outros tinham shows de stand up comedy e não era o que eu queria. Eles ficam todos na mesma rua, onde fica também o famoso Blue Note, de jazz, que na programação do mês também tinha Bebel Gilberto e Seu Jorge.

Caí lá até meio sem querer. Foi na volta da minha visita frustrada ao Brooklyn e foi mágico: eu escolhi aleatoriamente uma estação de metrô só para sair, pegar um wifi e descobrir onde eram essas baladas. Eis que assim que saio do metrô, me deparo logo com a primeira delas. Foda.

A banda que tocou nesse Groove era bem boa, só tocava covers incríveis de Amy Winehouse, Marvin Gaye, Stevie Wonder etc, mas confesso que não lembro o nome do grupo.

De lá, resolvi encerrar minha viagem em um karaoke: depois de tanta música, tanta gente mandando bem, fiquei com fissura de cantar e aproveitar o anonimato. Acabei só cantando uma música, fiquei sem graça. O pessoal mandava tão bem que me senti dentro do The Voice, só tinha profissa ali (se liga no vídeo que eu fiz de um dos caras aí embaixo)! Bom, valeu a tentativa rs

Roteiro musical em NY :: Casa Museu Louis Armstrong

IMG_8661Fui encontrar o repórter do The New York Times Seth Kugel, hoje já mais conhecido como o Amigo Gringo, para dar uma volta no Queens. Antes, porém, ele recomendou que eu fosse a casa museu do músico Louis Armstrong. Desci já do lado errado do metrô e ninguém sabia direito onde ficava exatamente o museu. Some-se a isso chuva, frio e zero wifi e teremos um pequeno perrengue durante a busca.

Mas encontrei a casa, que fica em uma rua tranquila de Corona, em Queens. Estava sozinha no tour da quinta-feira de manhã, às 11h, então foi super proveitoso. Apesar de não ser íntima da história nem das músicas do cara, ali pude reparar este erro e conhecer bastante de sua vida.

Armstrong foi um cara super simples e humilde do início ao fim da vida. Mesmo após ter alcançado a fama e ter ganhado muito dinheiro, ele fez questão de continuar vivendo em uma casa simples em Queens, onde a vizinhança era bem mais pobre. E entrando lá você vê mesmo que não tem nada de mansão: exceto pela decoração, e levando em conta o tamanho dos cômodos, é uma casa comum.

Sua quarta esposa Lucille quis reformar a casa para que ficasse maior e mais confortável algumas vezes, mas ele não deixou. A construção é coberta de tijolos e, reza a lenda, que ele mesmo pagou para que as outras casas da rua também seguissem este estilo para que a dele não se destacasse entre as demais.

IMG_8655

Por outro lado, permitiu alguns luxos à mulher. A cozinha, por exemplo, é to-da da mesma cor. Os armários, o fogão, a geladeira, tudo ali é azul. As paredes de um dos banheiros são cobertas de espelhos. Esses cômodos despertam o interesse de quem curte decoração, são bem peculiares. Outro ponto alto é a sala onde ele ensaiava e gravava tudo o que criava. Lá tem diversos gravadores e equipamentos sonoros, além de anotações em cima da mesa.

IMG_8659

Cada detalhe da história é emocionante e pensar que, além de tudo, esse cara fez e aconteceu na história da música, é impressionante. Ele morou lá por quase 28 anos e em 1977, seis anos após sua morte, a casa virou Patromônio Histórico Nacional. Vale muito a pena a ida ao Queens – que, numa boa, nem é assim tão longe de Manhattan. Quem vive em São Paulo tá acostumado com essas distâncias, com uma diferença: lá tem metrô ligando tudo a tudo.

Vai lá
Louis Armstrong House Museum
www.louisarmstronghouse.org
34-56 107th Street
Corona, NY 11368
Quanto: US$ 10 (adulto)

Como chegar: Pegue o trem 7 até a estação 103 St-Corona Plaza. Saia pelo lado norte da Roosevelt Avenue e desça as escadas à esquerda. Depois, vire à direita na 103rd Street, caminhe 2 quarteirões e vire à direita na 37th Avenue. Caminhe mais 4 quarteirões menores e vire à esquerda na 107th Street. O museu fica do lado esquerdo da avenida.

Segura o selfie: Lá não pode tirar foto dos cômodos da casa, só da área externa, por isso não publiquei mais fotos aqui. A boa notícia é que o Amigo Gringo foi lá e fez algumas imagens internas. Quem quiser dar uma olhada, clica aqui.

Fotos: Débora Costa e Silva

Roteiro musical em NY :: Coral no Harlem

IMG_8584

Greater Central Baptist Church, no Harlem, tem missas abertas aos turistas às quartas-feiras e aos domingo

Esse foi um dos pontos altos da viagem. Eu cantei em coral por uns anos e o repertório dos dois grupos que participei eram de spirituals (música gospel cantada em igrejas batistas dos EUA, tipo “Oh Happy Day”), então imagine a expectativa. A experiência de ver e ouvir ao vivo um grupo desses cantando na igreja do bairro foi surreal, de arrepiar e chorar. A galera parece entrar em transe, e você vai junto, é lindo.

Antes de ir para lá, já havia pesquisado alguns tours que fazem pelo Harlem. Não conhecia ninguém que manjava do bairro, nem desse tipo de passeio e quase todo mundo falava: não vai pra lá sozinha. Besteira ou não, não quis arriscar. Mesmo assim, queria ter feito com algum local, mas na correria que foi, o que deu para fazer foi fechar um pacote com uma agência mesmo, o Harlem Gospel Tour, que saía do centro de Manhattan e ia até o Harlem em vários ônibus, divididos por idioma.

E eu, até então, estava achando que eu era uma das poucas que tinha tido essa ideia. Pois em uma quarta-feira chuvosa, só dessa agência saíram 4 ônibus grandes cheios de turistas do mundo todo rumo ao Harlem. Mas também não roal todo dia: tem grupos às quarta-feiras e aos domingos.

IMG_8562

A chuva atrapalhou bastante o roteiro: pegamos trânsito até lá, o que já diminuiu o tempo da visita. Só deu tempo de ver o Apollo Theather, uma das atrações turísticas do bairro. Ali tocaram grandes ícones da música negra norte-americana e, em frente, tem uma calçada da fama com nomes naipe Aretha Franklin, James Brown e Michael Jackson. Outras que ficaram de fora: murais grafitados, casa do Duke Ellington, Sylvan Terrace e outros pontos.

calçada-fama

Duas plaquinhas da calçada da fama do Teatro Apollo que fiz questão de registrar

Ao chegar na igreja, recebemos a orientação de que é proibido tirar fotos e filmar durante o culto, mas que no final eles cantavam “Oh Happy Day” para os turistas e aí tava liberado filmar e fotografar. Ok.

Bom, eu obedeci em termos. Deixei o gravador do celular ligado para pelo menos o áudio eu pegar. Não ofendi nem constrangi ninguém fazendo isso, e ainda bem que fiz, porque no final não teve nenhum happy-day. Alguém comentou que era a primeira vez que aquela igreja abria para o público de turistas. Pelo coral ser formado por ex-dependentes químicos, achei então que eles não estavam muito no esquema mais comercial da coisa e fiquei feliz, pois pareceu ser mais autêntico. Mas não é bem assim: logo no final, já haviam pessoas vendendo um CD com as músicas do coral. Fiquei na dúvida, mas enfim, o que importa? Foi lindo do mesmo jeito.

Fachada da Greater Central Baptist Church

Fachada da Greater Central Baptist Church

Fui com outro colega jornalista que estava na press trip e ao nosso lado sentou uma senhora bem velhinha que estava em transe durante toda a missa. Gritava “Oh Lord”, “Yes”, “Thank You Lord” e outras coisas o tempo inteiro. O pessoal ali era bem simples e tinham uns caras que pareciam saídos de filmes dos anos 80 ou de clipes de rap mais antigos: jaquetas de couro, óculos escuros, correntes douradas no pescoço e carão. É isso aí, todo mundo ali junto para agradecer a benção.

IMG_8583

E que benção! Logo na primeira música, foi um festival de vozes maravilhosas. Um revezava com o outro o solo: cantavam jovens, idosos, homens, mulheres, graves, agudos, roucos, toda variedade de som que é possível. E todos emocionados, dando o melhor de si. É de arrepiar, o ritual é comovente demais. Se tivesse algo do tipo por aqui, garanto que frequentaria mais a igreja, porque a energia que rola durante o culto por causa da música é poderosa.

IMG_8588

Infos e dicas

– A igreja era a Greater Central Baptist Church e o coral é formado pelo pessoal do Addicts Rehabilitation Center

– As roupas têm que ser discretas para ir a igreja, como em qualquer lugar do mundo

– O valor do tour básico era US$ 59 por quatro horas de tour. Fique esperto pra fugir de dias chuvosos se possível, pois no meu caso, o tour ficou bem restrito ao coral acabou saindo caro – mas valeu pela experiência 😉

Fotos: Débora Costa e Silva

Roteiro musical em NY :: On Broadway

Já que não me aguentei e fiz um textão sobre o Aladdin, reuni nesse segundo post da série os outros musicais que assisti por lá em outubro de 2014:

On The Town
Remontagem de um musical clássico dos anos 40, cuja história, ambientada em Nova York, é sobre três marinheiros que chegam na Big Apple em busca de aventuras. Eu gostei, mas não me apaixonei, talvez por ser bem tradicional (tinham números meio de balé clássico) e longo: três horas e meia de apresentação! Mas é bem feito, lindo, super produção bonita.

O que me deixou de queixo caído mesmo foi um número só, que está aí embaixo neste vídeo. A atriz/cantora Alysha Umphress interpreta a Hildy, uma moça meio desesperada pra arranjar um namorado e seduz de forma bem cômica um dos marinheiros. E dá um show cantando “I can cook too”: 

Motown
Conta a história da gravadora de soul dos anos 60 que lançou Stevie Wonder, Jackson’s Five, The Supremes, Marvin Gaye e muitos outros feras. O musical mostra os bastidores, as brigas e os momentos históricos da época, envolvendo personagens que geralmente fizeram suas músicas mais conhecidas que suas biografias.

Bom, a seleção musical é incrível, só clássicos do soul e a cantora que interpretou a Diana Ross, a Krystal Joy Brown, era absurdamente parecida com ela. Quando cantou “Ain’t No Mountain High Enough” foi de arrepiar.

Outros pontos altos são nas músicas em que o garotinho que interpreta o pequeno Stevie Wonder e o que faz o Michael Jackson na época do Jackson’s Five cantam. O teatro vem abaixo com tanta fofura e, claro, uma interpretação impecável dos dois. https://www.youtube.com/watch?v=RVnAi-LgmFQ

O show está em turnê pelo interior dos EUA e volta em cartaz em 2016.

Stomp
O menos convencional de todos, porém já bastante conhecido no Brasil. É uma apresentação que mistura dança e percussão com instrumentos inusitados como balde, vassoura e tampa de panela. Esse não me acabei de chorar que nem o Aladdin e Motown, mas gostei tanto quanto.

A pegada é outra: você quer sair de lá batucando em tudo. Eles fazem música com qualquer objeto, de qualquer forma, é impressionante e imperdível. Sem contar uma coisa que eu jamais iria imaginar que encontraria em um espetáculo desses: o humor. Quase esquecemos que para fazer graça, não é preciso de falas, apenas o som e a linguagem corporal dão conta.

O teatro não fica na região da Broadway, mas no East Village, cujo entorno é bem mais alternativo e menos turístico do que a muvuca ali de Midtwon. O próprio teatro é bem menor, o que dá ao show outra atmosfera, bem mais descolada. Aproveitem, pois vem pro Brasil de novo este ano.

Obs: Não achei vídeos que eu acho que retratem bem as cenas que vi. O primeiro tá bem curto, o segundo muito longo e é só um meddley e o terceiro não é o grupo do Stomp que vi, mas é só pra dar uma ideia