Roteiro musical em NY :: Coral no Harlem

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Greater Central Baptist Church, no Harlem, tem missas abertas aos turistas às quartas-feiras e aos domingo

Esse foi um dos pontos altos da viagem. Eu cantei em coral por uns anos e o repertório dos dois grupos que participei eram de spirituals (música gospel cantada em igrejas batistas dos EUA, tipo “Oh Happy Day”), então imagine a expectativa. A experiência de ver e ouvir ao vivo um grupo desses cantando na igreja do bairro foi surreal, de arrepiar e chorar. A galera parece entrar em transe, e você vai junto, é lindo.

Antes de ir para lá, já havia pesquisado alguns tours que fazem pelo Harlem. Não conhecia ninguém que manjava do bairro, nem desse tipo de passeio e quase todo mundo falava: não vai pra lá sozinha. Besteira ou não, não quis arriscar. Mesmo assim, queria ter feito com algum local, mas na correria que foi, o que deu para fazer foi fechar um pacote com uma agência mesmo, o Harlem Gospel Tour, que saía do centro de Manhattan e ia até o Harlem em vários ônibus, divididos por idioma.

E eu, até então, estava achando que eu era uma das poucas que tinha tido essa ideia. Pois em uma quarta-feira chuvosa, só dessa agência saíram 4 ônibus grandes cheios de turistas do mundo todo rumo ao Harlem. Mas também não roal todo dia: tem grupos às quarta-feiras e aos domingos.

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A chuva atrapalhou bastante o roteiro: pegamos trânsito até lá, o que já diminuiu o tempo da visita. Só deu tempo de ver o Apollo Theather, uma das atrações turísticas do bairro. Ali tocaram grandes ícones da música negra norte-americana e, em frente, tem uma calçada da fama com nomes naipe Aretha Franklin, James Brown e Michael Jackson. Outras que ficaram de fora: murais grafitados, casa do Duke Ellington, Sylvan Terrace e outros pontos.

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Duas plaquinhas da calçada da fama do Teatro Apollo que fiz questão de registrar

Ao chegar na igreja, recebemos a orientação de que é proibido tirar fotos e filmar durante o culto, mas que no final eles cantavam “Oh Happy Day” para os turistas e aí tava liberado filmar e fotografar. Ok.

Bom, eu obedeci em termos. Deixei o gravador do celular ligado para pelo menos o áudio eu pegar. Não ofendi nem constrangi ninguém fazendo isso, e ainda bem que fiz, porque no final não teve nenhum happy-day. Alguém comentou que era a primeira vez que aquela igreja abria para o público de turistas. Pelo coral ser formado por ex-dependentes químicos, achei então que eles não estavam muito no esquema mais comercial da coisa e fiquei feliz, pois pareceu ser mais autêntico. Mas não é bem assim: logo no final, já haviam pessoas vendendo um CD com as músicas do coral. Fiquei na dúvida, mas enfim, o que importa? Foi lindo do mesmo jeito.

Fachada da Greater Central Baptist Church

Fachada da Greater Central Baptist Church

Fui com outro colega jornalista que estava na press trip e ao nosso lado sentou uma senhora bem velhinha que estava em transe durante toda a missa. Gritava “Oh Lord”, “Yes”, “Thank You Lord” e outras coisas o tempo inteiro. O pessoal ali era bem simples e tinham uns caras que pareciam saídos de filmes dos anos 80 ou de clipes de rap mais antigos: jaquetas de couro, óculos escuros, correntes douradas no pescoço e carão. É isso aí, todo mundo ali junto para agradecer a benção.

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E que benção! Logo na primeira música, foi um festival de vozes maravilhosas. Um revezava com o outro o solo: cantavam jovens, idosos, homens, mulheres, graves, agudos, roucos, toda variedade de som que é possível. E todos emocionados, dando o melhor de si. É de arrepiar, o ritual é comovente demais. Se tivesse algo do tipo por aqui, garanto que frequentaria mais a igreja, porque a energia que rola durante o culto por causa da música é poderosa.

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Infos e dicas

– A igreja era a Greater Central Baptist Church e o coral é formado pelo pessoal do Addicts Rehabilitation Center

– As roupas têm que ser discretas para ir a igreja, como em qualquer lugar do mundo

– O valor do tour básico era US$ 59 por quatro horas de tour. Fique esperto pra fugir de dias chuvosos se possível, pois no meu caso, o tour ficou bem restrito ao coral acabou saindo caro – mas valeu pela experiência 😉

Fotos: Débora Costa e Silva

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