Links na bagagem :: leituras da semana #1

Para registrar as coisas que leio por aí na internet, resolvi seguir a tendência dos blogs que acompanho e fazer um compilado de links legais da semana. Como é o primeiro, me dei a liberdade de colocar coisas que vão além da semana passada, pra correr um pouco atrás do prejuízo. Vamos lá?

Los Frikis: Cubanos que se injetavam HIV como forma de protesto – Lado Bi

Foto: Paul Geddis (via Lado Bi)

Foto: Paul Geddis (via Lado Bi)

Imagine ser punk e curtir rock nos anos noventa em Cuba, terra da salsa, quando ainda existia a União Soviética, portanto a Guerra Fria? Não devia ser fácil viver sob o regime repressor da ilha e não ter muita liberdade de fugir dos padrões. Sob o lema “Socialismo ou morte”, jovens começaram a injetar sangue contaminado pelo vírus HIV – muitos não tinham noção que não havia cura para a doença, mas outros tinham e mesmo assim seguiam este caminho. Parece loucura, ou ficção, mas foi real e é uma puta história incrível (que combinou muito com meu momento-Cuba)!

Ruth Orkin fez primeiro e melhor – Revista ZUM

American Girl in Italy. Foto: Ruth Orkin, publicada na revista Cosmopolitan em 1952 (via Revista ZUM)

American Girl in Italy. Foto: Ruth Orkin, publicada na revista Cosmopolitan em 1952 (via Revista ZUM)

O texto conta a história por trás da famosa foto da moça sendo assediada em uma rua na Itália. É, só que não. A fotografia, que rodou o mundo como símbolo das cantadas abusivas, na verdade foi feita em um contexto completamente diferente: era um ensaio para mostrar que as mulheres podiam viajar numa boa sozinhas pela Europa no pós-guerra. Quer dizer, era mais sobre viagem do que feminismo e acabou sendo sobre tudo isso 🙂

Fotos lindas do Harlem (NY) nos anos 70 – Mashable

Jack Garofalo/Paris Match via Getty Images (via Mashable)

Jack Garofalo/Paris Match via Getty Images (via Mashable)

Black power, penteados loucos e uma atmosfera vintage: tudo isso e muito mais você encontra nesta seleção incrível de fotografias feitas por Jack Garofalo no bairro de Nova York. Mas nem tudo são flores: o fotógrafo foi documentar como era a situação no bairro que havia sido preterido por muitos novaiorquinos na época. Em busca de mais segurança, melhores casas e escolas, muitos saíram de lá e foram para Queens, Brooklyn e Bronx. E como que ficou o bairro após a debandada? Está nas fotos!

São Paulo é a cidade mais subestimada do mundo – UOL Viagem

O grupo Breaking Borders, formado por três americanos, lançou um vídeo no fim do ano passado (mas que bombou só agora) ressaltando as qualidades da nossa amada & odiada São Paulo. O curta resgatou minha metade apaixonada pela cidade que andava um pouco perdida. Vale a pena acompanhar o trabalho desses caras, que documentam de um jeito bem legal suas viagens pelo mundo.

Cabo Polonio, Montevidéu e o olhar de turista – Ornitorrinco

12 segundos de oscuridad (Montecruz Foto - via Flickr)

12 segundos de oscuridad (Montecruz Foto – via Flickr)

“Esse olhar de turista (em especial viajando sozinho) ao te ensinar a estar mais presente, pode também te ajudar a olhar situações sem querer se agarrar a elas” foi uma das frases desse texto que me fez pensar e pensar e pensar. O autor conta como foi sua experiência de desligar a si e a câmera fotográfica nesta viagem para Cabo Polonio, no Uruguai – um vilarejo de beleza natural incrível e sem eletricidade, perfeito para se isolar de tudo.

Caçadores de Eclipses – Gabriel Quer Viajar

Jingyi Li (via Gabriel Quer Viajar)

Jingyi Li (via Gabriel Quer Viajar)

Aproveitando o ensejo do eclipse que rolou em março deste ano, o Gabriel achou no site da NASA uma lista com todas as datas dos próximos fenômenos e os lugares para melhor observá-los. Achei uma bela sacada! Quem quiser programar uma viagem em função disso, é só seguir os passos 😉

Roteiro musical em NY :: Coral no Harlem

IMG_8584

Greater Central Baptist Church, no Harlem, tem missas abertas aos turistas às quartas-feiras e aos domingo

Esse foi um dos pontos altos da viagem. Eu cantei em coral por uns anos e o repertório dos dois grupos que participei eram de spirituals (música gospel cantada em igrejas batistas dos EUA, tipo “Oh Happy Day”), então imagine a expectativa. A experiência de ver e ouvir ao vivo um grupo desses cantando na igreja do bairro foi surreal, de arrepiar e chorar. A galera parece entrar em transe, e você vai junto, é lindo.

Antes de ir para lá, já havia pesquisado alguns tours que fazem pelo Harlem. Não conhecia ninguém que manjava do bairro, nem desse tipo de passeio e quase todo mundo falava: não vai pra lá sozinha. Besteira ou não, não quis arriscar. Mesmo assim, queria ter feito com algum local, mas na correria que foi, o que deu para fazer foi fechar um pacote com uma agência mesmo, o Harlem Gospel Tour, que saía do centro de Manhattan e ia até o Harlem em vários ônibus, divididos por idioma.

E eu, até então, estava achando que eu era uma das poucas que tinha tido essa ideia. Pois em uma quarta-feira chuvosa, só dessa agência saíram 4 ônibus grandes cheios de turistas do mundo todo rumo ao Harlem. Mas também não roal todo dia: tem grupos às quarta-feiras e aos domingos.

IMG_8562

A chuva atrapalhou bastante o roteiro: pegamos trânsito até lá, o que já diminuiu o tempo da visita. Só deu tempo de ver o Apollo Theather, uma das atrações turísticas do bairro. Ali tocaram grandes ícones da música negra norte-americana e, em frente, tem uma calçada da fama com nomes naipe Aretha Franklin, James Brown e Michael Jackson. Outras que ficaram de fora: murais grafitados, casa do Duke Ellington, Sylvan Terrace e outros pontos.

calçada-fama

Duas plaquinhas da calçada da fama do Teatro Apollo que fiz questão de registrar

Ao chegar na igreja, recebemos a orientação de que é proibido tirar fotos e filmar durante o culto, mas que no final eles cantavam “Oh Happy Day” para os turistas e aí tava liberado filmar e fotografar. Ok.

Bom, eu obedeci em termos. Deixei o gravador do celular ligado para pelo menos o áudio eu pegar. Não ofendi nem constrangi ninguém fazendo isso, e ainda bem que fiz, porque no final não teve nenhum happy-day. Alguém comentou que era a primeira vez que aquela igreja abria para o público de turistas. Pelo coral ser formado por ex-dependentes químicos, achei então que eles não estavam muito no esquema mais comercial da coisa e fiquei feliz, pois pareceu ser mais autêntico. Mas não é bem assim: logo no final, já haviam pessoas vendendo um CD com as músicas do coral. Fiquei na dúvida, mas enfim, o que importa? Foi lindo do mesmo jeito.

Fachada da Greater Central Baptist Church

Fachada da Greater Central Baptist Church

Fui com outro colega jornalista que estava na press trip e ao nosso lado sentou uma senhora bem velhinha que estava em transe durante toda a missa. Gritava “Oh Lord”, “Yes”, “Thank You Lord” e outras coisas o tempo inteiro. O pessoal ali era bem simples e tinham uns caras que pareciam saídos de filmes dos anos 80 ou de clipes de rap mais antigos: jaquetas de couro, óculos escuros, correntes douradas no pescoço e carão. É isso aí, todo mundo ali junto para agradecer a benção.

IMG_8583

E que benção! Logo na primeira música, foi um festival de vozes maravilhosas. Um revezava com o outro o solo: cantavam jovens, idosos, homens, mulheres, graves, agudos, roucos, toda variedade de som que é possível. E todos emocionados, dando o melhor de si. É de arrepiar, o ritual é comovente demais. Se tivesse algo do tipo por aqui, garanto que frequentaria mais a igreja, porque a energia que rola durante o culto por causa da música é poderosa.

IMG_8588

Infos e dicas

– A igreja era a Greater Central Baptist Church e o coral é formado pelo pessoal do Addicts Rehabilitation Center

– As roupas têm que ser discretas para ir a igreja, como em qualquer lugar do mundo

– O valor do tour básico era US$ 59 por quatro horas de tour. Fique esperto pra fugir de dias chuvosos se possível, pois no meu caso, o tour ficou bem restrito ao coral acabou saindo caro – mas valeu pela experiência 😉

Fotos: Débora Costa e Silva