Gente que viaja :: Pancho do Atacama

Francisco Gonzales – ou Pancho – tem apenas 19 anos e já é guia turístico no Atacama desde os 16. É especialista em plantas e ervas – mas é modesto. “É porque quem vive no deserto valoriza mais o verde”.

Começou a guiar turistas graças a um programa das escolas da região, que oferecem curso e estágio em turismo durante o ensino médio. Pensou em estudar agricultura, mas achou que com turismo ele teria mais oportunidade de conhecer uma variedade maior de plantas e ecossistemas.

Durante os passeios que fiz guiada por ele, Pancho explicou bastante coisa sobre as peculiaridades do Atacama: como se formam os cristais de sal e de gesso, as rochas e dunas, falou sobre os frutos e plantas também e até sobre pinturas rupestres.

Além de conhecer bem a região, o rapaz é super atencioso com todo o grupo. Perdeu a explicação? Ele volta, repete e sempre termina o tour com a trinca: perguntas, dúvidas, reclamações?

Seu plano para quando acabar os estudos e a temporada do hotel que trabalha, o Tierra Atacama, é cair na estrada. Nada mais natural para quem lida diariamente com viajantes e é apaixonado pela natureza. Já está marcado: em março do ano que vem pretende percorrer o Chile de norte a sul.

Nesse tempo como guia, ele disse que aprendeu com os hóspedes do hotel cultura e sofisticação e, com os mochileiros, desprendimento. “Para mim, basta uma mochila e uma harmônica (gaita) para cair na estrada”.

Assista o Pancho tocando sua harmônica.

Amsterdã :: Rolê pela cidade

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Quando chegamos em Amsterdã (em maio de 2014, durante a viagem 15 anos da minha irmã) estávamos curiosíssimas para conhecer a cidade. Ainda sem muita ideia de por onde começar, fomos andando sem rumo, só apreciando a beleza das casinhas, dos barcos, dos canais e das pontes.

Não sou muito fã de regras e verdades absolutas, mas toda vez que der tempo, recomendo dar essa voltinha despretensiosa no destino assim que se chega para se ambientar. Observar as ruas, o trânsito, as lojinhas, os habitantes e assim ir se familiarizando e deixando a ficha cair de que você está naquele lugar.

Na manhã seguinte, fizemos um Wakling Tour (adorei e recomendo) mas fomos no nosso ritmo e acabamos nos perdendo do grupo. Saímos para mais uma voltinha sem rumo, sem lenço sem documento e foi uma delícia. Até porque, convenhamos, numa cidade linda dessa não tem como cair em um lugar “errado” ou desinteressante.

Então, sigam-me os bons e dêem uma olhada nas fotos desses rolês:

 

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Fotos: Débora Costa e Silva

Links na bagagem :: Leituras da semana #15

Sem lero lero: vamos aos links da semana?

Projeto Bucket List – Mochileiro das Maravilhas & Vou Contigo

Acompanho o trabalho do Daniel Thompson (aka Mochileiro das Maravilhas) há um tempão, desde que começou a colaborar no UOL, e adoro seus vídeos e relatos de viagem. De lá pra cá, ele visitou as Sete Maravilhas Naturais do Mundo, as cidades-sede da Copa de 2014 e agora tá visitando os lugares dos sonhos dele e de muita gente (opa, dos meus também o/) com o projeto Bucket List, junto com o Átila Ximenez, do blog Vou Contigo.

Ia escolher um episódio, mas vou indicar logo a série toda e a playlist de vídeos no youtube! Tá bem bacana, com imagens lindas e bastante bastidores das aventuras dos dois. Para dar água na boca, se liga no teaser do projeto. Vale acompanhar!  😉

Esse cara vai salvar tua vida com suas meias e roupas luminosas – The Summer Hunter

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Antes de mais nada: que projeto mais bacana esse de criar um site com conteúdo temático sobre o verão! A Dani Majori que me apresentou e tem muita coisa interessante por lá! Uma das pautas é sobre a iniciativa de Michael  Cherman, que colou fitas adesivas que brilham no escuro em suas meias para andar de bike à noite – ele percebeu que com o movimento das pedaladas a luz refletida teria um alcance maior. Daí ele desenvolveu roupas e acessórios com esses detalhes brilhantes, tudo muito estiloso e funcional. O vídeo promocional é todo em preto e branco feito em Nova York ❤

Museu Lasar Segall reabre com exposição 

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Um dos meus lugares favoritos em São Paulo, o Museu Lasar Segall reabriu em agosto após meses de reforma. E em alto estilo, com uma exposição para marcar a nova fase: “Mário de Andrade e seus dois pintores: Lasar Segall e Candido Portinari”, que fica em cartaz até o dia 6 de outubro. Eu curtia ir lá assistir filmes na pequena sala de cinema e depois emendar um café. Fica a dica de passeio 😉

Domingão de sol no Minhocão, o passeio mais fotogênico da cidade – Viaje na Viagem

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Ok, eu sei, é uma falha de caráter nunca ter ido ao Minhocão de domingo – e agora sábado também. O Ricardo Freire explica por A + B + belas fotos porque é tão legal fazer esse passeio em São Paulo e ressalta que o rolê pode estar com os dias contados, afinal, muito se discute sobre uma transformação no elevado. Por enquanto, vale ficar ligado nos programas culturais que rolam to-do fim de semana por lá 🙂

11 Movies that make you want to visit New York City – NYCGo

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Adorei essa lista, com filmes de várias épocas que se passam em Nova York. A maioria são clássicos, como “Harry & Sally”, “Os Caça-Fantasmas”, “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” até o mais atual “Birdman”. No final de cada descrição, tem também uma indicação de lugares mostrados nos filmes para visitar.

Será que não falta um pouco de realidade nos blogs de viagem? – Achados

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A Adriana Setti faz uma reflexão sobre o quanto chapa branca estão ficando os blogs de viagem – ou será que sempre foram? Acho que tem blogs e blogs, tem coisa muito bem feita, tem coisa tosca, enfim, assim como qualquer coisa na internet. Mas acho que vale refletir sobre isso sempre.

Turismo é um mundo cor-de-rosa mesmo, ainda mais porque rola uma tendência em ignorar todos os perrengues para ressaltar tudo de incrível que foi visto em uma viagem. Só que a vida nem sempre é assim tão mágica né? Filas, atrasos, mau atendimento e até acidentes podem acontecer e é bom que quem escreve seja sincero e mostre os dois (ou mais) lados de uma experiência – princípio básico do jornalismo, né! Espero conseguir fazer isso sempre 🙂

Cuba :: Humans of Havana

Mais do que paisagens ou museus, uma das coisas mais interessantes de uma viagem são as pessoas locais que conhecemos e que influenciam completamente a percepção que temos de um lugar. Em Cuba, esse contato humano é ainda mais presente – no meu caso por dois motivos: a curiosidade que eu tinha em relação ao estilo de vida dos cubanos (como vivem, o que pensam etc) e a simpatia e alegria natural desse povo.

Claro que lá pro fim da viagem, eu e meu amigo Daniel começamos a cansar da abordagem excessiva feita pelos locais. Sacamos que muitos abusam dessa abertura dos turistas e da fama do “cubano simpático” para abordar os visitantes com insistência, oferecendo de charutos a dicas de passeio em troca de dinheiro, um prato de comida ou roupas usadas – são os chamados jineteiros.

Mas o saldo final foi ultra positivo: conhecemos pessoas increíbles que marcaram nossa viagem e nossa vida. Mesmo aquelas que cruzamos e trocamos poucas palavras ou só observamos passar nas ruas e nas praias. Tem aquelas que ficaram só na memória, mas muitas tive a sorte de registrar em fotos. Seguem algumas delas, feitas em Havana em novembro de 2010.

Flagra do cochilo do motorista da bicitáxi, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Flagra do cochilo do motorista da bicitáxi, em Havana

Desfile carnavalesco nas ruas de Havana, com direito a banda de sopro e dançarinos em pernas de pau. Foto: Débora Costa e Silva

Desfile carnavalesco nas ruas de Havana, com direito a banda de sopro e dançarinos em pernas de pau

Cubana desfila pelas ruas de Havana

Barman do mítico La Bodeguita del Medio, em Havana, onde dizem ter o melhor mojito da ilha. Foto: Débora Costa e Silva

Barman do mítico La Bodeguita del Medio, em Havana, onde dizem ter o melhor mojito da ilha

Carroças ainda servem de transporte em Cuba

“Ai, Brasiiiil!” é o que ela estava falando na hora da foto. Chegamos em uma feirinha de artesanato no morro em frente a Havana e a turma que estava lá fez a festa ao saber que éramos brasileiros. Nosso amigo Jardiel até ensinou ela a sambar

Miguel, de 9 anos, gastou um tempão conversando com a gente, ensinando uns passos de reggaeton e posando para as fotos. Super querido. Foto: Débora Costa e Silva

Miguel, de 9 anos, passou um tempão conversando com a gente, ensinando uns passos de reggaeton e posando para as fotos. Super querido! Leia mais sobre o Miguel no relato do Daniel Ribeiro.

Músico de rua cego na porta do bar La Bodeguita del Medio

Um clássico de Cuba: músicos de rua que, não contentes em tocar o instrumento, também vão atrás de mulheres turistas entoando canções românticas e elogiosas. O jeito foi dar risada e fazer uma foto, porque o escândalo foi tanto que fiquei com vergonha! Deu vontade de pagar só para ele parar, coitado. Foto: Daniel Ribeiro

Um clássico de Cuba: músicos de rua que, não contentes em tocar o instrumento, também vão atrás de mulheres turistas entoando canções românticas e elogiosas. O jeito foi dar risada e fazer uma foto, porque o escândalo foi tanto que fiquei com vergonha! Deu vontade de pagar só para ele parar, coitado (Foto: Daniel Ribeiro)

Esse garotinho com sono me chamou a atenção no meio de uma multidão na fila da igreja para a missa. Achei lindo

Fotos: Débora Costa e Silva

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O que já rolou de Cuba aqui no Papetes:

O primeiro impacto ao chegar na ilha

Dicas de hospedagem em Cuba

Preparativos para ir a Cuba (moeda, agência, gastos etc)

Por que decidi ir a Cuba?

Amsterdã :: Museu Casa de Anne Frank

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Ao programar a viagem, fiquei toda orgulhosa que minha irmã tinha pesquisado algumas coisas e fazia questão de ir a casa-museu de Anne Frank em Amsterdã. Achei que ela estivesse influenciada pelo livro “Diário de Anne Frank”, mas na verdade era tudo culpa das estrelas. Explico: o museu é um dos lugares visitados pelo casal protagonista do livro/filme “A Culpa é das Estrelas”, o preferido da minha irmã.

A casa é nada mais nada menos do que o esconderijo onde Anne Frank viveu por dois anos escondida dos nazistas, de 1942 a 1944. A garota judia dividiu o sótão (o anexo secreto) com mais sete pessoas, incluindo membros de sua família. O final da história é triste: o local foi descoberto e todos foram enviados para campos de concentração.

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O que a ajudou a suportar este período escondida foi escrever em seu diário, que após o fim da guerra, em 1947, foi publicado por seu pai, Otto Frank, o único sobrevivente da família. A escrita foi sua grande aliada e válvula de escape – nos seus relatos ela confidencia o sonho de se tornar escritora. No fim das contas, sua história acabou se tornando uma das mais emblemáticas da Segunda Guerra Mundial e o diário é um dos livros mais traduzidos no mundo todo.

A visita

Fila para entrar na Casa-Museu de Anne Frank. Foto: Débora Costa e Silva

Fila para entrar na Casa-Museu de Anne Frank, à direita. Foto: Débora Costa e Silva

Por ser uma das principais atrações turísticas de Amsterdã, eu e minha irmã fomos prontas para enfrentar fila e realmente não teve como escapar: ficamos uma hora debaixo do sol, mas ok, acabou passando rápido. Pelo menos dava para usar o Wi-Fi do museu e se distrair durante a espera.

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Só de estar no exato local onde Anne viveu já dá para sentir uma carga forte de emoção. A casa está bastante preservada e alguns ambientes foram recriados com objetos e mobília da época para que os visitantes tenham uma noção de como era a vida ali. Outro elemento que ajuda nesse sentido são as escadas, que se mantêm como na época: de madeira, íngremes e com degraus bem estreitos – o que dificulta a visita para quem utiliza cadeira de rodas ou tem mobilidade reduzida.

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Em alguns espaços há monitores exibindo vídeos sobre a Anne, a guerra, o genocídio e entrevistas com personagens importantes de sua história e exposições permanentes (que exibem fotos e trechos do diário original) e temporárias sobre a história do nazismo. A casa mantém boa parte da estrutura original, mas ganhou espaços anexos mais modernos, que abrigam lojinha, biblioteca e lanchonete e são integrados de uma forma bem bacana à estrutura já existente.

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Saímos de lá bem emocionadas e toda vez que lembro dessa visita, como agora escrevendo o post, me sinto em débito com a Anne Frank por não ter lido seu diário até o fim. Por mais batida e conhecida que seja essa história, não deixa de ser uma baita história. E é lindo de ver que transformaram este local, cenário de tanta dor e sofrimento, em um museu tão bem cuidado e cheio de informação.

Vai lá
Endereço: A casa fica no canal Prinsengracht, nºs 263-267
Entrada paga. Os ingressos podem ser comprados com antecedência pelo site.
Áudio guia em até 12 idiomas
Mais informações: http://www.annefrank.org/pt/

Fotos: Reprodução do site annefrank.org

Links na bagagem :: Leituras da semana #14

Dei um tempinho de links para isso aqui não virar só um blog com minhas leituras favoritas – com a falta de tempo, é fácil fácil isso acontecer. Mas olha, esses dias têm rendido muita coisa bacana, nem sei se vai caber tudo aqui! 😮

Então, excepcionalmente em uma terça-feira, seguem os links das últimas semanas!

Caçador de Aurora Boreal diz perder noção de espaço e tempo com luzes no céu – Vidaria

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Já falei do Vidaria, projeto da Gabriela Gasparin, por aqui. O blog que virou livro reúne textos e entrevistas feitos pela jornalista com pessoas de diferentes mundos, todas respondendo qual é o sentido da vida. Dessa vez, ela conta a história do Marco Brotto, que já fez 15 expedições para o Ártico em busca da Aurora Boreal e já passou por lugares como Noruega , Alasca, Rússia , Islândia , Finlândia e vários outros. Lendo o texto só dá ainda mais vontade de viajar, ver o fenômeno e sentir todas essas sensações que o Marco conta para a Gabi. A foto acima é dele, inclusive 😉

Kama Seatra: What’s Your Sky-High Slumber Style? – The Huffington Post

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Quão sensacional a ideia de fazer um “kamasutra” de posições… para dormir em um avião? Hahaha eu adorei e me vi em várias delas – afinal, cada hora tentamos de um jeito né? Essa posição aí de cima, que escolhi para ilustrar o post, pra mim não funciona muito para dormir, mas ajuda a alongar as costas. E a sua preferida, qual é? Entra lá e relembre esse momento tãããão agradável das viagens 😦 Dá até uma deprê né? Então vamos de link extra: Dicas para (tentar) dormir melhor durante os voos.

Café temático inspirado em Breaking Bad é inaugurado em Istambul – Follow the Colours

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Quero minha passagem para Istambul agora! Outra ideia incrível e realizada de forma super caprichosa. O ambiente é todo inspirado no laboratório de metanfetamina retratado na série, os funcionários usam as roupas que o Walter White e o Jesse usavam na fabricação da substância, há tabela periódica nas paredes e o melhor: eles fazem o cristal azul, só que de açúcar e decora alguns cupcakes vendidos por lá! ❤

Estudo prova que passar pelo menos quatro dias na natureza sem tecnologias aumenta a criatividade em até 50% – Jardim Saúde

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Esse link eu até já compartilhei na página do Papetes no Facebook, indicação da Gabi Gasparin (ela de novo! rs). Smartphone, iPad, Netflix, é tanta coisa que está presente no nosso cotidiano que fica difícil largar em uma viagem. Só que vale a tentativa, agora tem até estudo para comprovar o benefício que se desligar da tecnologia faz com o nosso cérebro e nosso corpo. Sempre lembro daquelas vinhetas da MTV: Desligue a TV e vá ler um livro. Meio por aí 😉

A história das etiquetas de bagagens dos hotéis de São Paulo – SP Antiga

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Para quem curte São Paulo e história, esse site é um prato cheio. O autor Douglas Nascimento é pesquisador e publica um monte de fotos antigas e as origens de bairros, ruas, monumentos, enfim, tudo tudo tudo o que é da historia da cidade. Nesse post, ele compartilha com os leitores seu acervo coleção de etiquetas de bagagem de hotéis de São Paulo. Você sabia que existia isso? Esses adesivos eram super descolados, pois eram uma forma de decorar as malas e registrar por onde passou. É uma viagem no tempo que também revela um pouco da arquitetura dos hotéis da cidade.

Dicas para evitar ser roubado na Europa (principalmente em Barcelona) – Achados

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A Adriana Setti deu umas dicas super práticas para escapar das mãos bobas dos assaltantes na Europa. A gente fica mais tranquilo quando viaja para países europeu, é fato, mas não dá também para relaxar 100% e achar que em lugares movimentados sua bolsa não corre perigo. É bom estar sempre alerta 😉

How To Pronounce The Names of 24 Famous Places You‘ve Mispronounced Your Entire Life – Demilked

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Que tal um pouquinho de aula de pronúncia? Eu to voltando a estudar línguas e to nessa função e achei que esse post veio bem a calhar – ainda mais quando se trata de nomes tipo esse da foto. Mesmo aqueles que você acha que sabe falar, vale dar uma checada, um detalhe ou outro às vezes fazem toda a diferença.

7 dicas para viajar depois dos 60 (ou levar os mais velhos para viajar) – Viaje na Viagem

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Depois do post da Lud sobre hostels que não aceitam pessoas acima de 45 anos (!!!), esse texto recheado de boas dicas da Mariana Amaral, do site do Ricardo Freire, caiu como uma luva. Ela lista cuidados básicos, como a escolha da hospedagem e uma programação mais leve, para quem já está na tal terceira idade – ou para quem planeja viajar com eles. Fica a dica 😉

 

Ch-ch-ch-ch-changes!

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Para ler ouvindo: Changes, com David Bowie

Há duas semanas eu fiz uma viagem que estava planejando há tempos. Me faltava passagem e destino, mas o desejo já vinha se acumulando. Já havia feito cálculos e cogitado a possibilidade de cair na estrada sem rumo, só para sentir de novo aquele frio na barriga de estar prestes a embarcar rumo ao desconhecido.

Então, após fazer algumas buscas e passar por alguns períodos de desesperança, uma oportunidade surgiu e eu pude realizar a mudança que tanto queria. Depois de seis anos e meio trabalhando na mesma empresa, eu pedi as contas.

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Mas calma! Não é o caso aqui de largar tudo para dar a volta ao mundo – não por enquanto rs. Estou começando um novo trabalho. Pode até não parecer tão life-changing sair de um emprego para entrar em outro se for comparar com os que saem por aí com uma ideia na cabeça e uma mochila nas costas. Mas para mim tem sido bastante transformador. E acho que no meio dessa crise jornalística e econômica que passamos, arrumar um emprego novo é sim um privilégio. Ainda mais se for para trabalhar com o que gosta 🙂

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O que mudou também foi minha perspectiva em relação a minha profissão. Sempre quis ser jornalista e atuar como repórter e assim foi nos últimos dez anos. Ir para o outro lado do balcão, em uma assessoria de imprensa, era algo impensável até há pouco tempo, antes dos veículos estarem fechando, os textos ficando mais e mais sucintos e as perspectivas de crescimento na área serem pífias. O que fazer então?

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Por sorte, nesses últimos seis anos me apaixonei por outra coisa: viajar. Então percebi que toparia fazer algo diferente do que eu sempre me propus contanto que eu estivesse envolvida com turismo. Melhor ainda se fosse em um lugar que eu já conhecesse e admirasse o trabalho, como foi o caso. Daí foi pura alegria e me joguei feliz nessa nova fase! \o/

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Em duas semanas já aprendi mais coisa do que nos últimos meses (ou anos), sem exagero. Só a mudança em si já refresca a nossa cabeça, né? E é interessante estar “desse lado”, estou tendo uma noção muito mais ampla de como funcionam as coisas no mercado de turismo, já que agora fico no meio de campo entre as redações e os destinos/hotéis/agências.

Que venham mais aprendizados, mais viagens, mais crescimento e que o processo de transformação continue a todo vapor!

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Escala cultural :: Escritores na Estrada

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Da esquerda para a direita: Daud, Tarsila, Renata, Ana e Jeanne. Foto: Gonzalo Cuellar Mansilla

No melhor estilo de turnê de banda, cinco escritores tiveram a ideia de cair na estrada juntos e promover uma série de saraus, oficinas e encontros literários por algumas cidades brasileiras. Os integrantes da trupe são: Ana Rüsche, Jeanne Callegari, Rafael Rocha Daud, Renata Corrêa e Tarsila Mercer de Souza (clique nos nomes para saber mais sobre eles).

O grupo providenciou um veículo, apelidado de Van Poesia,  e convocou mais dois passageiros, o documentarista Fred França e o fotógrafo Gonzalo Cuellar.  A missão: registrar a viagem em fotos e vídeos – e dividir a direção. Com vocês, os Escritores na Estrada!

Van Poesia com todos os integrantes

Van Poesia com todos os integrantes

A ideia do projeto veio da Ana, que além de escritora e poeta, é também uma baita agitadora cultural e promove eventos independentes como o festival literário FLAP, entre outros. Entrevistei no início do mês os escritores para saber mais sobre a iniciativa e a Jeanne explicou que as referências vão além da ideia de turnê musical:

“Existem alguns precedentes na literatura, também. Um exemplo foi a viagem realizada pelos modernistas (Mario de Andrade, Tarsila do Amaral e outros) para o interior de Minas, em 1924, com patrocínio de D. Olivia Penteado e acompanhados do poeta francês Blaise Cendrars. A viagem de duas semanas influenciou enormemente o trabalho dos artistas a partir dali. E foi nessa viagem que conheceram em BH um jovem escritor que despontava – Carlos Drummond de Andrade”.

A primeira etapa da aventura já foi concluída. Os escritores passaram por Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Em setembro, vão para Belo Horizonte e mais para frente devem passar pelo Rio de Janeiro também. Segundo a Renata, “a vontade é repetir, agora indo para o nordeste. Se der certo, o céu é o limite: centro oeste e norte do Brasil possuem cenas literárias muito interessantes também”.

Toda a empreitada não seria possível se não fosse a campanha de arrecadação de fundos por meio de financiamento coletivo.  Eles arrecadaram R$ 17 mil pelo Catarse e ainda venderam livros, promoveram oficinas e até uma pizzada para conseguir ainda mais apoio. E a viagem foi feita num esquema super simples, com pouquíssima bagagem e se hospedando no esquema couch surfing (clique e leia um texto só sobre essa experiência).

Curto Circuito Criativo no Das Nuvens em Curitiba

Curto Circuito Criativo no Das Nuvens em Curitiba

Além de incentivar a produção literária nas cidades que visitaram (e ainda vão visitar), qual a maior motivação para cair na estrada? Minha hipótese é óbvia: viajar é extremamente inspirador para criar algo novo – se já é para mim que não sou artista, imagine para quem tem o dom com as palavras?

Perguntei a eles por que é essencial viajar, eis as respostas de três dos cinco escritores:

Jeanne: É essencial conseguir abrir espaço para a escrita em nossas vidas. Pra isso acontecer, muitas vezes precisamos fazer uma suspensão do cotidiano, mudar de ares, de territórios. A viagem nos proporciona isso. Além disso, queremos encontrar outros escritores e leitores, estar fisicamente perto. Fazer pontes e conexões e estreitar laços.

Renata: O cotidiano e a repetição do dia a dia conseguem nos deixar num estado automatismo que a viagem cura. Estamos em estado de atenção, e isso contribui para o processo de criar, pois acessamos lugares dentro da gente que antes não estavam disponíveis.

Tarsila: É essencial viajar porque o pensamento é construído e difundido não só em textos, mas em ambientes, em “galeras”, em noites de bate papo, em portas de bar, em encontros inesperados, e escrever se trata de traduzir, remixar, revirar tudo isso que ouvimos e sentimos e propor um passo a mais. Não sei dizer se o essencial é “viajar”, é tão possível viajar tanto e não fazer nada disso, e também é possível ficar no mesmo lugar e fazer isso de alguma forma. Mas viajar para construir pontes com outros pequenos universos facilita esse processo, e faz bem pra todo mundo, eu acho.

Ultra recomendo a leitura de todos os posts e relatos sobre a viagem dos Escritores na Estrada! Eu acompanhei quase em tempo real e foi uma delícia de ler. Para quem quiser entender melhor como são as oficinas, este relato esclarece bastante. Vamos aguardar as próximas turnês, o livro sobre a viagem e, por que não, se inspirar a escrever mais quando viajamos! ❤