Humans of New York :: Hedilberto

Se tem uma coisa que determina uma viagem ser boa ou não, são as pessoas que fazem parte dela. Não me refiro apenas a companhia que você escolheu para viajar junto, mas principalmente às pessoas que você interage no lugar, sejam elas moradores ou turistas.

Pode ter certeza: se for para um destino onde os locais são simpáticos, receptivos e amáveis, é garantia de uma viagem inesquecível e marcante. E aí não interessa se viu o pôr-do-sol em um mirante, se choveu e perdeu o guarda-chuva ou se ficou gripada. Com o passar do tempo, fui percebendo que minhas experiências de viagem foram registradas na memória como boas ou ruins muito de acordo com as pessoas que cruzei por aí.

É por essas e outras que Nova York foi ainda mais incrível do que poderia ter sido graças às pessoas que conheci por lá. Com medo de esquecer de cada uma delas, resolvi escrever aqui. O título é uma referência ao incrível projeto Humans of New York, que mostra um pouquinho da história de cada novaiorquino. Vale o clique! 😉moto

Hedilberto – El Salvador

Após 12 horas de voo, que me renderam um belo torcicolo, e ter passado por uma inspeção de mala tensa de meia hora, saí à procura do motorista do transfer, que já devia estar cansado de me esperar no aeroporto. Ele se apresentou como Robert, mas é só porque os americanos nunca acertam Hedilberto. No começo, ele me pareceu ser quieto e discreto, mas eu estava ansiosa para conversar com alguém da cidade – ou com qualquer pessoa que não tivesse interesse em me prender. Queria contar minha experiência com a polícia e saber o que ele achava da cidade. Logo entendi porque falava tão pouco: seu inglês não era lá essas coisas e ele preferia hablar in español. Bueno, apesar de o idioma não combinar em nada com o visual que eu via da janela rs.

Ele vive em Nova York há 12 anos, casou pela segunda vez por lá com uma colombiana, que também estava em seu segundo casamento. Quando pedi indicações do que fazer, ele foi enfático (e clássico): Central Park e Met. E no caminho já me mostrava: essa é a 5ª Avenida, aquela é a Broadway…

Já perto do hotel, me lembrei que tinha lido que os taxistas de NY não são lá muito simpáticos e pedi para ele um cartão. Combinamos que até sexta-feira eu ligaria para ele para combinar e confirmar a corrida até o aeroporto, que seria no próximo domingo. Explico: parte da viagem era a trabalho, portanto havia um carro para me buscar. Na volta, eu já estaria na cidade por conta própria, portanto teria que me virar.

Acabei não ligando para ele, pensando em arrumar uma indicação no prédio em que eu estava hospedada via AirBnb, ou mesmo com a minha roomate. Chegou domingo e nem o porteiro, nem ela, tinham indicações. E também confesso que não me afeiçoei pelo Hedilberto de início. Nada contra, só o papo que não engrenou tanto. Por isso não fiz lá muito esforço para confirmar com ele a minha volta.

Mas a afeição veio rapidinho, assim que liguei para ele no domingo. Ele me atendeu e falou: “Estava mesmo esperando sua ligação! Que horas eu te pego?”. Ufa, meu coração se acalmou. Combinei com ele e o valor me parecia bom demais para ser verdade: 60 dólares + o pedágio. Sério, por um carro particular? Eu devia ter entendido errado o sotaque salvadorenho…

Na hora combinada, ele apareceu e estava todo sorridente. Dessa vez o papo rolou solto – talvez também por eu ter ficado comovida dele ter lembrado de mim e ter feito mais perguntas. Mas nem precisou de muito empenho, ele mesmo já embalou um assunto no outro: me contou o que cada filho dele faz, o que cada filho da esposa faz, que ele visita mais a Colômbia que El Salvador e que os clientes dele são todos empresários ricos, donos de helicóptero e iate (foi quando eu fiz a piada que eu era a cliente mais pobre dele – e deixei ele super constrangido).

Eu confessei a ele que não conheço nada de El Salvador e que minha única lembrança do país foi um fato curioso da Copa do Mundo: a notícia de que um casal que ia para Salvador, Bahia, para ver os jogos, acabou comprando passagem para El Salvador e só descobriu o erro chegando lá. Ele se matou de rir e pediu para eu mandar o link com a notícia depois.

Chegando no aeroporto, não sei se por dó da cliente mais pobre que ele já teve, ou por pura simpatia mesmo, ele não aceitou minhas gorjetas! Com o pedágio, deu 68, arredondei para 70, mas o certo seria ter dado quase 80. Ele não quis, insistiu que não, me desejou boa viagem e pediu para eu lembrar dele quando voltasse pra lá. Como não? ❤

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