Gente que viaja :: Carolina Owsiany, a worldpacker

Carol entre Israel e Jordânia, em viagem de 2014. Foto: Arquivo pessoal

Carol entre Israel e Jordânia, em viagem de 2014. Foto: Arquivo pessoal

Por que não? Essa expressão simples, e bastante desafiadora, foi repetida diversas vezes durante a conversa que tive com a mochileira profissional Carolina Owsiany. Ela viaja o mundo há mais de 10 anos, trabalhando em hostels, restaurantes e bares, e já fez e refez sua vida de diferentes formas desse meio tempo. A história parece sempre ter sido essa: vai para um lugar novo, curte, vive, cansa e resolve mudar. Na dúvida, se pergunta “por que não?”. E a resposta vem tranquilamente.

Conheci a Carol durante um evento corporativo. Ela vestia terninho preto e salto alto e me impressionou com seu inglês fluente e a postura séria e profissional. Dois meses depois, a encontrei num contexto completamente diferente: era uma noite fria de maio, ela estava enrolada em uma coberta sentada em uma poltrona, super à vontade com amigos e colegas do WE Hostel, em São Paulo, onde ela estava vivendo e trabalhando.

As versões corporativa e mochileira coexistem – na verdade, uma não existiria sem a outra. Há mais de um ano ela trabalha em hostels no esquema do Worldpackers, uma plataforma em que viajantes podem encontrar vagas de trabalho em troca de hospedagem. Vale de tudo: há opções para ficar na recepção, fazer faxina e até colocações mais cool, como chef de cozinha, DJ, fotógrafo de eventos ou gerente de redes sociais. É um jeito novo e bastante interessante de viajar, garantir a hospedagem e ter uma troca intensa de cultura e experiências.

La vie en Hostel, em Londres, 2013. Foto: Arquivo pessoal

La vie en Hostel, em Londres, 2013. Foto: Arquivo pessoal

No entanto, a maioria dos trabalhos do Worldpackers não são remunerados. O pagamento é a hospedagem em si, às vezes inclui café da manhã e outros benefícios, mas só. O esquema já ajuda a economizar, mas não dá para viver só disso por muito tempo sem nenhuma reserva. O jeito é fazer como a Carol: aproveitar o tempo livre para fazer outros bicos – daí que surge sua versão corporativa ;-). “Nos próprios hostels às vezes tem oportunidades, como trabalhar em festas promovidas no local. Mas eu faço trabalhos paralelos, como traduções e eventos”.

No caso dela, o Worldpackers só facilitou o processo do que já vinha fazendo há anos: rodar o mundo trabalhando com hospitalidade – seja em albergue, hotel, restaurante, pub ou balada. Depois de se formar em Comunicação, há mais de 10 anos, ela saiu de Minas Gerais e foi passar um tempo na Espanha, em sua primeira viagem internacional. Foi para a região da Galícia, se hospedando na casa de familiares, depois seguiu para Barcelona meio na loucura, sem planejamento nenhum. Chegou em pleno feriado, durante a festa La Mercè, quando a cidade estava lotada, e por pouco não ficou sem lugar para dormir.

Após conseguir a hospedagem, tudo foi acontecendo naturalmente. Logo arrumou um trabalho em uma balada, encontrou um apartamento e assim as coisas foram rolando. “Hoje eu já digo que as coisas dão certo porque me planejo, mas no começo foi sorte e acredito também na proteção divina espiritual. Acho que é essa confiança que me fortalece para encarar desafios e estar segura, por isso tudo sempre fluiu pra mim”, conta. Foi desse jeito leve e fluído que acabou indo pra Bélgica depois: fez amizade com belgas, ouviu falar bem e pronto, resolveu ir pra lá.

Romance 

Olhar apaixonado entre Carol e Anthony, em Barcelona, 2010. Foto: Arquivo Pessoal

Olhar apaixonado entre Carol e Anthony, em Barcelona, 2010. Foto: Arquivo Pessoal

E quando menos esperava, no auge do seu desprendimento, acabou se apaixonando. Conheceu o Anthony, chef de cozinha inglês que, assim como ela, estava dando suas voltas pelo mundo. Logo depois que começaram a ficar, ela embarcou para a Grécia para cumprir um compromisso de trabalho que já tinha sido combinado antes do romance surgir. “Na Grécia eu tive o time of my life, trabalhava em bares, era incrível. Mas a gente continuou se falando e eu não tava afim de ter um relacionamento a distância. Um dia pensei: eu gosto dele, não dá mais. Em um impulso, comprei uma passagem e voltei para Bruxelas”, lembra.

A viagem de volta foi uma loucura, tudo às pressas, quase como se fosse questão de vida ou morte. “Cheguei às 2h da manhã e liguei pra ele do lado de fora do pub onde ele estava. Falei como se estivesse na Grécia ainda, dizendo que estava com saudades. Quando resolvi me declarar, eu que queria fazer uma surpresa, tive uma: ele apareceu na janela e me viu do lado de fora bem na hora que disse ‘te amo”. Foi muito emocionante, ele gritou, ficou louco. Pra mim, foi naquele momento que a gente casou”.

Tudo isso aconteceu há 9 anos. Desde então não se desgrudaram mais e são grandes companheiros de vida, aventuras e viagens. “A gente é muito flexível. Com uma graninha no banco, já nos programamos para cair no mundo e acaba dando certo. Sempre me planejei, mas não precisamos de muito dinheiro. Quando chegamos num país novo conseguimos trabalho fácil”, explica ela.

Casal em estação de esqui em Andorra, país europeu localizado entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França. Foto: Arquivo pessoal

Estação de esqui em Andorra, país localizado entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França. Foto: Arquivo pessoal

A trajetória do casal é inspiradora. Eles moraram 2 anos na Bélgica, depois quase 4 anos na Espanha e mais 3 na Inglaterra, sem contar as viagens para Israel, Jordânia e alguns países da África. A última temporada do casal tem sido no Brasil. Carol não morava aqui desde que saiu de Minas e, junto com o Anthony, tem explorado hostels de diversos cantos do país no esquema Worldpackers. O melhor é que eles conseguem encontrar trabalho para os dois no mesmo estabelecimento. “Assim que entro em contato com o proprietário, já aviso que meu marido é chef e geralmente conseguimos duas vagas”.

É claro que para quem vê de fora, é fácil pensar que esse tipo de vida é encantador e cheio de glamour – afinal, quem é que não sonha em rodar o mundo? Mas só quem vive é que sabe que morar em hostel não é um mar de rosas. “Tem que ter cabeça aberta, ser flexível para dividir o quarto e a vida com outras pessoas. E cada um tem um momento, então eventualmente saem faíscas. Tem que ser maduro o suficiente para pedir desculpas e ser humilde”, alerta Carol.

Desapego

Os viajantes e suas mochilas chegando em Caraíva, na Bahia, em 2016. Foto Arquivo pessoal

Os viajantes e suas mochilas chegando em Caraíva, na Bahia, em 2016. Foto Arquivo pessoal

Estar aberto a mudar de emprego, de cidade e de país mostram um desprendimento em relação a vida, aos lugares e às pessoas. Para passar por tantas transformações radicais é necessário permitir que as mudanças aconteçam e também provocá-las. No caso da Carol e do Anthony, isso também se reflete no estilo de vida deles em relação aos bens materiais. Quando perguntei “onde ficam suas coisas?”, ela falou: “então, não tem coisas“. Oi?

Pois é. Em sua última grande mudança – da Inglaterra para o Brasil – o casal fez uma limpeza pesada e se livrou de tudo – livros, roupas, móveis, acessórios etc. “Com o tempo, fomos acumulando coisas, é claro, mas o que facilita é que na Europa os apartamentos já são mobiliados. É um mundo que faz você ser mais desapegado e a ter flexibilidade”.

O mochilão em que levou suas roupas do Brasil para a Europa em sua primeira viagem é o mesmo que utiliza até hoje – “só que agora está bem mais vazio”, ressalta. “Você aprende, a vida te ensina que você não precisa de muito para viver. Todo o resto ficou pelo caminho. O dia que tiver que recomeçar de novo a gente recomeça, o que vale é o que a gente leva no coração”, conclui.

Carol na janela ao lado de uma estátua "namoradeira" em algum canto do Brasil, em 2007. Foto: Arquivo pessoal

Carol na janela ao lado de uma estátua “namoradeira” em Ouro Preto (MG), em 2007. Foto: Arquivo pessoal

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Hospedagem :: Onde ficar em Amsterdã, Londres e Paris

Assim que combinamos que eu ia acompanhar minha irmã pela Europa, meus pais já agilizaram as passagens e começaram a negociar a hospedagem com uma agência de turismo, a Go Viagens Personalizadas.

Eu já tinha levantado com amigos alguns nomes de hostels, mas os preços que a agência descolou para ficar em hotéis tipo 3 estrelas estavam bem bons, não tinha uma diferença significativa entre as duas opções. Por segurança e conforto, meu pai achou melhor que ficássemos em hotéis e assim foi. Minha mãe pesquisou as melhores regiões e a agência foi atrás de hospedagens em cada uma dessas áreas.

Segue abaixo um breve relato de cada um deles – lembrando que fiquei hospedada em maio de 2014 e justamente por isso não colocarei os preços, pois já estão desatualizados 😉

AMSTERDÃ :: Cordial

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã. Foto: Divulgação

Tínhamos reservado o hotel Rembrandt, mas pouco tempo antes da viagem rolar a agência nos informou que ele estaria em reforma. Trocamos por este, que de forma geral atendeu bem nossas necessidades.

Localização: Nota mil! Fica na Rua Rokin, entre duas grandes praças, a Dam Square e a Rembrandtplein, e basicamente estávamos perto de tudo, mas sem estar no meio da muvuca do centrinho mais turístico. A própria rua do hotel fazia parte da rota do tram (bondinho elétrico da cidade). O único inconveniente é que na época em que fomos a via estava em obras e dependendo do horário, o barulho era bem incômodo.

Quarto: Era meio pequeno, mas era bem confortável, o banheiro era limpinho e é isso que vale. Uma das facilidades era o elevador, mas nos surpreendemos aos chegar no nosso andar e ter que passar por alguns degraus até o nosso quarto. Fica a dica: se estiver com malas pesadas, verifique se o hotel possui elevador. Deixamos de lado várias opções por não oferecerem essa facilidade.

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Rua Rokin estava parcialmente em obras em maio de 2014, mas já estava aberta para a passagem do tram. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã: Era bem honesto e comeríamos lá todos os dias, não fosse o fato de que tínhamos que pagar à parte. Acabamos indo só no primeiro dia e depois exploramos outros cafés pela cidade para dar uma variada.

Serviços gerais: De maneira geral, o wifi funcionou bem durante a nossa estadia. Só dava para ver a diferença quando conectávamos no lobby – ali a conexão era bem mais rápida. Quanto ao atendimento, todos foram atenciosos com a gente, nos ajudaram com tudo o que precisamos. Outro serviço que nos foi útil foi a máquina que vendia bebidas e salgadinhos no lobby – nos salvou de alguns momentos de fome no meio da noite 🙂

LONDRES :: Tune Paddington

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Fachada do Hotel Tune Paddington, em Londres. Foto: Divulgação

Localização: Como quase todo lugar em Londres tem metrô próximo, acho que qualquer hotel que ficássemos teríamos uma boa localização. Neste caso ficamos bem próximas de várias atrações e foi ótimo, mas no começo sofremos um pouquinho.

Saindo do Aeroporto de Heathrow, pegamos um trem direto para a estação Paddington, onde iríamos descer já. Isso foi lindo, mas andar com as malas até o hotel não foi tão tranquilo assim. O que no mapa parecia ser bem próximo, na verdade rendeu uma caminhadinha considerável: eram dois longos quarteirões – que pareciam ser seis.

Achamos que esse seria nosso caminho diário, até que na volta de um passeio resolvemos testar outra estação que parecia estar a mesma distância, só que para o lado oposto. Foi a melhor decisão da viagem: descobrimos que a estação Edgware Road era bem mais próxima do que a Paddington, só a dois quarteirões (do tamanho de dois mesmo rs).

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Barzinho do hotel Tune Paddington vendia bebidas e lanches. Foto: Divulgação

Quarto: Confortável, limpo e compacto, ou seja, perfeito para duas pessoas. E dessa vez nada de barulho!

Café da Manhã: Não servia café, mas tinha um bar que vendia bebidas e salgadinhos. Meio caro, mas em uma emergência salvava.

Serviços gerais: O wifi era nota dez, funcionou no quarto e no lobby numa boa. Ele tem o estilo de um hostel na decoração mais arrojada e colorida.

PARIS :: Verlain

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Variedade de pães, queijos e geleias no café da manhã do Verlain. Foto: Débora Costa e Silva

Localização: O hotel fica a menos de um quarteirão da estação de metrô Rue Saint-Maur, próximo também do Cemitério Père Lachaise. A localização foi tão boa que em dias de chuva, passávamos bastante tempo no bairro, conhecendo as lojinhas e restaurantes e amamos. Aliás, por conta da chuva também é que valorizamos ainda mais o fato de o hotel estar tão próximo do metrô.

Quarto: Assim como os outros, era confortável e limpinho, mas com um plus: uma pequena sacada que dava todo charme ao ambiente. A vista não era da torre Eiffel, mas víamos outros prédios igualmente fofos em frente.

Café da Manhã: O melhor da viagem – e o melhor dentre muitas outras viagens também. Variedade de pães  e queijos (todos deliciosos), geleias mil e até Nutella em sachê, senhoras e senhores! O suco de laranja também era muito bom – algo que sempre tenho dificuldade para encontrar fora do Brasil. Enfim, basicamente a estadia valeu por conta das nossas manhãs.

Serviços gerais: O wifi não funcionava bem no quarto – tanto que minha irmã e eu vira e mexe ficávamos no lobby terminando de mandar fotos e teclando antes de subir para o quarto, na zona quase offline do hotel. A maioria dos funcionários foi bem simpática também, mesmo quando não nos entedíamos por conta do idioma.

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Vista da varandinha do quarto do hotel de Paris – com direito a arco-íris após a chuva. Foto: Débora Costa e Silva

Desabafo :: Reserva #fail e mau atendimento em pousada

tumblr_inline_norip93Ury1qc22fu_500 No mundo cor-de-rosa do turismo, tudo é divino, maravilhoso: praias paradisíacas, comidas típicas, museus a céu aberto, ahhh viajar é tudo de bom né? É, quase sempre, quando não damos o azar de ter imprevistos, passar perrengues e ser mal atendidos, tá tudo certo. Coisas assim podem estragar uma viagem que tinha tudo para ser incrível e acaba virando inesquecível só que pelos motivos errados. Foi o que (quase) aconteceu neste último fim de semana em que estive em Ubatuba. A organização da corrida que eu e meu namorado fomos fotografar havia reservado duas noites para a gente na Pousada Praia de Itamambuca. Na sexta-feira, antes de sair de São Paulo, ligamos para confirmar e pegar o endereço certinho, mas o dono do estabelecimento alegou que não sabia de reserva nenhuma. Disse que o responsável pelas parcerias com as hospedagens sempre avisava as coisas em cima da hora, que estava cansado disso e não iria nos hospedar naquela noite. Estranhamos e achamos melhor viajar só no dia seguinte. tumblr_m9c5h19rVH1r835q9 No sábado, já no local do evento, o pessoal da organização confirmou que a reserva havia sido feita, sim, para os dois dias nesta pousada em questão. Que estranho. Bom, ok, perdemos uma manhã de praia, mas tá bom. Após o trabalho, chegamos na pousada à noite. Na recepção vazia, havia uma placa pedindo para tocar um sino caso não houvesse ninguém. Tocamos e logo em seguida apareceu o dono. “Vocês que ligaram ontem?”, perguntou. “Sim, sou o fotógrafo da corrida de amanhã”, disse meu namorado. E então ele esbravejou e começou a falar absurdos. Disse que já estava indo dormir, que não estava sabendo de nenhuma reserva em nosso nome. Dissemos então o nome do responsável pela reserva e ele disse que esse cara vira e mexe fazia isso, de não avisar as coisas com antecedência, mas que não ia ligar para ele para confirmar nada, e nem queria que ligássemos, pois ele NÃO ia nos hospedar. tumblr_inline_npqyqcrsUu1qc22fu_500 Disse inclusive que tinha até quarto vago, mas que ele não ia abrir o escritório e mexer no controle das hospedagens aquela hora. Disse que trabalhou o dia inteiro, que dirigiu sei lá quantos quilômetros e que estava cansado. Nos acusou de estar aplicando um golpe de tentar se hospedar de graça, mas mal nos deu chance de explicar nossa história. Ele não queria saber. Inclusive disse: “eu não sei quem são vocês!” E tudo isso gritando! Eu disse que nós estávamos numa situação complicada, pois também estávamos ali a trabalho, também nos foi prometido aquela hospedagem e agora não tínhamos onde ficar. Então pedimos uma indicação a ele, e ele se NEGOU a indicar outra pousada. “A rua tá cheia de pousada, procurem! Eu não vou indicar lugar nenhum!” tumblr_mkqimsIvr61ruw1vso1_500 Disse também que ali não era uma pousada comum, era uma hospedagem para amigos e pessoas de confiança. Ora, não era então o caso de tirar a placa “Pousada”? Pois em QUALQUER hospedagem que se vá pedir um lugar para dormir, as pessoas são tratadas de outro jeito. Ele poderia não saber da reserva por uma falha de comunicação entre a organização do evento? Poderia. Mas se ele fosse minimamente educado, ele nos daria a chance de ligar para a pessoa responsável e pedir uma explicação. Ele não nos permitiu fazer isso. Ele poderia dizer que não aceitaria nos hospedar com cortesia? Claro, e poderia ter nos dito o valor da diária e nós pagaríamos. Ele poderia não querer nos hospedar ou até não ter quartos? Sim, e nós entenderíamos, se ele não tivesse sido grosso e pudesse até nos indicar um outro lugar. giphy Além de ter tratado mal pessoas que, como ele bem falou, “não sabe quem são”, ele ainda perdeu clientes e uma bela chance de ganhar mais recomendações. Ele realmente não sabe quem somos, se somos influentes, se somos sacanas, se somos pessoas do bem…. Enfim, ele descontou toda a raiva dele em mim e no meu namorado! Nós não temos culpa de que um dia, talvez, ele tenha sido sacaneado. Uma pena, a sorte é que estávamos de bom humor, não criamos confusão, saímos de lá e com a ajuda do garçom do restaurante Padang, conseguimos nos hospedar na Pousada Marthi, onde tivemos uma experiência ótima e uma lição de vida: não deixe que o mau humor dos outros e as más atitudes estraguem sua viagem. Nesse mundo há de tudo: pessoas que te expulsam de um lugar à noite, e pessoas que te acolhem. Alguém aí já ficou sem ter onde dormir em uma viagem por ter tido um problema com a reserva, por falha de comunicação ou qualquer outra situação bizarra como esta? Conte aí nos comentários ou me escreva! Vou selecionar as melhores (e/ou piores) e publicar por aqui. Turistas unidos jamais serão vencidos 😛

Como

Como eu me sinto quando sou mal atendida e perco minha hospedagem

Hospedagem em Cuba

Como já expliquei no post Preparativos de Cuba, fechamos uma parte da viagem com uma agência e no pacote já estava incluso cinco dias de hospedagem em Havana – três noites no início do roteiro e duas no final. De resto, não havíamos fechado nada e fomos encontrando lugar para ficar na hora do “vamo vê”.

Uma coisa que decidimos era ficar em pelo menos uma casa particular, que nada mais são do que casas em que vivem cubanos que cobram para hospedar turistas (para buscar uma casa, entre no site: www.casaparticularcuba.org). Começou como uma atividade ilegal, para ganhar uma grana extra, mas depois a prática foi autorizada pelo governo. É o melhor jeito de conhecer de perto a cultura do país, pois participamos do dia-a-dia de uma família. E ainda por cima é mais barato.

Resolvi separar por cada tipo de hospedagem aí embaixo para contar um pouquinho como foi a experiência em cada um deles:

Hotel Occidental Miramar em Havana

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

É um hotel 4 estrelas amplo e requintado. Tem uma piscina enorme, barzinho com área interna e externa (onde os gringos fumavam charuto), recepção espaçosa e um salão para as refeições. O quarto segue o padrão, bem amplo com direito a um sofá com mesinha.

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Só a localização que não é muito privilegiada, mas já sabíamos disso. Fica no bairro Miramar, tomado por casarões e mansões, que antes do regime eram habitados por cubanos mais endinheirados. Depois da revolução, muitas das propriedades passaram a abrigar embaixadas. Os hotéis mais luxuosos também se instalaram por ali. O bairro conta com alguns teatros, como o Miramar e o Karl Marx, e é bem agradável de passear.

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel - bem

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel – bem “pra gringo ver”. Foto: Débora Costa e Silva

A região fica mais afastada do centro histórico de Havana, mas não fica exatamente longe. Para ir a pé sim, mas de táxi dava uns 10 minutos e até que ficava baratinho. E saíam ônibus do hotel diariamente levando os hóspedes para o centro, então dava para se virar bem.

Na segunda vez que nos hospedamos, já perto de ir embora para o Brasil, foi que deu para sentir de verdade a diferença entre o hotel e todos os lugares que ficamos. É um outro mundo: ficamos à parte de tudo o que estava acontecendo, sem contato com o povo, parece que protegidos por uma bolha mesmo. Mas a experiência foi interessante para entender que esse lado de Cuba também existe.

Mais informações: http://www.occidentalhotelscuba.com/Miramar/ENG/home.html

Casa Particular da Yaqueline, em Trinidad

Saímos de Havana de manhã para chegar em Trinidad pela tarde. A viagem foi feita de ônibus e a impressão é de que seria bem pior, mas o veículo estava em bom estado, tudo novo e muito confortável, exceto pelo ar condicionado. Estava ultra gelado e com certeza foi aí que me ferrei e fiquei gripada – mas isso é outra história.

Chegando em Trinidad, descemos em uma pracinha onde havia vários caras em bicitáxis oferecendo hospedagem. Falamos com um deles para saber sobre o preço das hospedagens, que logo nos levou até uma casa particular. Era a casa da Yaqueline, mas quem nos recebeu foi sua mãe, Sonia, uma senhora de 80 anos super fofa.

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Elas moravam em uma casa colonial de pé direito alto e azulejos coloridos no chão. Havia um jardim ao fundo, onde ao lado ficava uma edícula, que seria o nosso quarto. Havia uma cama de casal e uma de solteiro, ventilador e um banheiro só para nós. Tudo muito arrumadinho e aconchegante.

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

No valor estava incluso café da manhã, mas achamos que seria de bom tom almoçarmos ou jantarmos pelo menos um dia com elas. Acho que fizemos os dois, um em cada dia, e foi maravilhoso. Yaqueline cozinhava muito bem, sempre havia salada, arroz, batata ou banana frita, camarão para mim e ovos para o Daniel. Essas refeições pagávamos à parte, mas com gosto, como forma de dar uma “força” e também participar de um momento família.

Na casa da Yaque e da Sonia participamos de uma conversa deliciosa sobre o Brasil e suas novelas (elas e as vizinhas eram super fãs) e assistimos “A Favorita” na versão cubana, dublada em espanhol. Era engraçado, muita gente nas ruas vinha nos perguntar o que acontecia na novela, buscando um spoiler.

Como já contei no post das doenças em viagens, a Yaque super cuidou de mim enquanto estive gripada: me dava uma colher com mel e limão toda manhã. Um de seus bordões, que adotamos para sempre, é o “Ay mi vida”, que ela falava quando nos abraçava carinhosamente – ou quando se lamentava de alguma coisa.

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Dona Sonia também nos encantou. Ela ficou toda emocionada quando dissemos que íamos para Santiago, cidade onde está a igreja da padroeira de Cuba, a Virgen de la Caridad. Apesar de ser uma católica fervorosa, ela nunca tinha ido para lá. Esse foi um dos sustos: como não? Mas é isso mesmo: em Cuba, com dinheiro contado, como faz para viajar? É para poucos mesmo. Por isso foi tão especial quando mandamos fotos da igreja para ela através da Luiza e do Pedro <3.

Casa Particular da Sandra e do Paco, em Santiago de Cuba

A própria Yaqueline nos indicou uma casa para ficarmos em Santiago. Eles funcionam quase como uma rede: não se conhecem, mas se indicam um para o outro. Ela nos deu o cartão do casal Sandra e Paco e combinou com eles por telefone de nos buscarem na rodoviária. Doze horas de viagem depois, já havia um taxista nos aguardando com um papelzinho na mão escrito “Devorah e Daniel” – alguns cubanos brincavam que meu nome era Devorah (!), deve ser mais comum rs.

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano :P

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano 😛

A casa deles foi outro choque de realidade: havia televisão com tela de plasma, aparelho de DVD, ar condicionado e… computador! A morada era simples, mas quando nos deparamos com esse aparato tecnológico ficamos boquiabertos. Como? “Temos uma filha que mora em Miami”, disseram. Claro, como no?

Nosso quarto também ficava nos fundos, à parte da casa, com ar condicionado, banheiro privativo e duas camas. Ao lado, fica o quintal onde eles montavam nosso café da manhã cheio de frutas e mimos. Sandra também era uma senhora cozinheira. E a localização da casa é ótima, a pé chegávamos rapidamente à praça central.

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Não ficamos tão próximos da família deles quanto a da Yaque. Acho que eles eram até mais profissionais e devem estar mais acostumados a receber turistas, por isso mantêm uma relação mais distante com seus hóspedes. Eu e o Daniel até puxávamos papo, mas não vingou tanto quanto na casa de Trinidad. Mas adoramos a estadia e eles foram ótimos com a gente, nos ajudando com tudo, desde levar e buscar na rodoviária até com dicas de passeio.

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Pousada em Varadero

Saímos de Santiago e viramos a noite no ônibus a caminho de Varadero. Chegamos de dia, sol a pino e mochilão nas costas. Não tínhamos indicação de ninguém nem a menor ideia de onde nos hospedar.

Varadero é a Cuba “para gringo ver”, foi moldada para turistas mais endinheirados. A orla é tomada por hotéis e resorts e quase não há casas particulares – pelo menos não oficialmente. O jeito era arrumar um hotel baratinho e saímos de porta em porta perguntando os preços.

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Quanto mais à direita caminhávamos, mais os valores subiam. Eu já estava bem cansada, querendo voltar para o primeiro hotel, quando o Daniel avistou uma pousadinha do lado de lá da rodovia (ou seja, que não era pé na areia, portanto podia ser mais barata) e foi lá mesmo que ficamos: Hotel Pullman.

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Era meio que um sobrado adaptado, com diversos quartos, uma sala onde serviam o café da manhã e um jardim bem charmosinho. Lá havia também um bar, que de tarde já estava produzindo mojitos e foi praticamente nossa base durante a estada em Varadero.

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Mais informações: Hotel Pullman no Trip Advisor. Os usuários dão uma destruída no hotel, mas verdade seja dita: pelo preço que era, não dava para exigir também grande coisa. Em 2010 estava mesmo bem caído, a construção estava mal conservada e tal. Mas na medida do possível era limpo, deu para dormir numa boa e tomar um bom café da manhã. Além do preço, a vantagem é que ficava bem perto da orla, dos restaurantes e da feirinha de artesanato.