Escala cultural :: Série Pan Am

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Aparecia direto no Netflix uma imagem de quatro aeromoças de azul, uniforme retrô e o título “Pan Am” – a mítica companhia aérea dos Estados Unidos. Vi que tinha a Christina Ricci (pra mim, a eterna Vandinha da Família Adams) e me animei a ver, achando que era um filme. Melhor: é uma série!

Exibido entre 2011 e 2012, o programa durou apenas uma temporada de 14 episódios porque não rendeu audiência. De fato, “Pan Am” não teria como se destacar muito frente a tantas séries dinâmicas e com enredos ricos que vêm sendo feitas. Tem outro ritmo e o suspense é pouco. O jornal The Guardian acho que resumiu bem: Mad Men With Wings (Mad Men com asas), por também abusar da nostalgia, já que se passa nos anos 60.

O que não quer dizer que não vale a pena assistir! Vi todos os episódios e fiquei com gostinho de quero mais. Por isso achei bacana contar um pouco do que é a série:

O que é a Pan Am?

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Foi a maior companhia aérea dos Estados Unidos até 1991, quando encerrou as atividades. Começou a operar em 1927, com voo inaugural de Key West para Havana (quem diria!). Em seguida, começou a expandir para todo o continente, dominando o mercado latino americano, com voos para Buenos Aires e Rio de Janeiro.

Nos anos 70, chegou a atender mais de 150 países e estava presente em todos os continentes (exceto a Antártica), mas com a crise do petróleo em 1973 começou a decair. Chegou até a sofrer um ataque terrorista em 1988, quando uma bomba explodiu um de seus aviões. Dali em diante passou a vender rotas e aeronaves às concorrentes Delta e United Arlines até a sua falência.

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Prédio da Pan Am em Nova York. Foto: Acervo Pan Am

Sinopse da série

O seriado se passa em 1963, ou seja, a era de ouro dos Estados Unidos. Nessa época o sonho americano estava no auge e o mundo todo começava a seguir as tendências de moda, música e comportamento do país. A série “Pan Am” acompanha a equipe que faz o primeiro voo Nova York-Londres em um jato, chamado de “Clipper” pela empresa.

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Os protagonistas são as quatro aeromoças, o capitão e o primeiro piloto desse voo. Vamos apresentá-los: Maggie, comissária mais experiente, irreverente e politizada; Colette, francesa que perdeu os pais durante a Segunda Guerra; Kate, que começa a ser espiã do governo americano; e Laura, sua irmã, que abandonou o noivo no altar para viver a aventura de ser uma comissária de bordo. Dean estreia como capitão neste voo e sonha em se casar com uma aeromoça misteriosa que desaparece da empresa, e Ted, o co-piloto, vive frustrado por não ser o capitão.

O enredo mescla bem romance com um pouco de ação, graças a turbulências e outros imprevistos dos voos, mas principalmente graças a Kate, a aeromoça-espiã. A cada episódio ela tem que cumprir uma missão e isso gera uma certa tensão no ar.

O que tem de bom?

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Para quem gosta de viajar, é comum já ter sonhado em ser piloto de avião ou aeromoça. A série foi feita para atiçar ainda mais essa vontade, porque mostra bastante o glamour dessas carreiras na época. O status de ser uma comissária nos anos 60 era altíssimo: elas viajavam o mundo, eram independentes e acabaram se tornando símbolos sexuais dessa geração, pois eram lindas, elegantes e estavam sempre em forma – o que era até um pré-requisito, como mostram algumas cenas da série, quando as mulheres eram obrigadas a se pesar sempre antes de embarcar (!).

“Pan Am” inclui um pouco dos bastidores das aeromoças e dos pilotos na trama – com uma certa dose de romantismo também, é claro. Os episódios trazem à tona os jogos de poder para virar um piloto, as conversas das aeromoças enquanto estão na “copa” do avião, os perrengues com passageiros encrenqueiros, o que acontece quando tem uma turbulência ou emergência, e até situações desagradáveis, como quando uma das aeromoças encontra seu namorado no avião e descobre ali mesmo que ele é casado e tem filhos.

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O contexto histórico é outro ponto interessante da série, que retrata os Estados Unidos em plena Guerra Fria. Há cenas em Cuba, em Berlim e na Rússia e referências ao presidente Kennedy, que governava o país na época. Apesar de o foco não ser esse, os acontecimentos históricos se integram bem à trama.

Para quem curte uma sessão nostalgia, vai adorar se transportar para a série, se imaginar nos anos 60 e observar as diversas mudanças que ocorreram no estilo de viajar nesses anos. Os uniformes das comissárias, a rotina de um voo, as bagagens, o espaço entre os assentos, as refeições e permissões (como fumar à bordo) são diferentes, sim. Mas para quem viaja nada disso importa. O que vale mesmo é a sensação de liberdade ao voar e esperar um mundo novo aparecer na janelinha – e é isso que a série consegue provocar.

Rio de Janeiro :: Parque Lage

Foi amor à primeira vista. A descoberta do Parque Lage foi em 2010, e desde então virou meu xodó do Rio. Toda vez que vou, dou um jeito de passar por lá, comer a torta de maçã, tomar um expresso e fingir que sou rycah a vida é essa maravilha por algumas horas.

Foi bom enquanto durou: minha amiga Larissa me avisou que o D.R.I. Café, onde eu comia a tal tortinha, fechou :-(. No lugar, abriu o bistrô Plage, que segundo o site d’O Globo oferece café da manhã também, mas tem cardápio próprio de almoço, chef e produtos orgânicos. Será que gourmetizou? Na próxima visita vou experimentar e conto por aqui!

Mas vamos ao que interessa: reuni aqui as fotos que fiz de todas essas visitas ao parque – e em cada uma delas, tive uma descoberta nova ou surpresa! ❤

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O parque mistura uma série de coisas bacanas: tem a arquitetura do palácio, a Escola de Artes Visuais, as flores e plantas do jardim e um café * instalado no centro da construção principal para se deliciar em meio ao passeio. Ah sim, e o Cristo Redentor lá no alto do Corcovado compondo o cenário.

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Mas como assim palácio? Pois é, a história começa lá em 1811, quando o terreno de um antigo de engenho de açúcar foi comprado por um senhor chamado Rodrigo de Freitas Mello e Castro (lembrou da Lagoa? É isso mesmo, tem tudo a ver). Ele contrata o paisagista inglês John Tyndale para projetar os jardins no estilo europeu, que hoje servem também para abrigar piqueniques.

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Em 1859, Antônio Martins Lage adquire a chácara. Depois de um passa-e-repassa nas mãos de vários outros proprietários, seu neto, Henrique Lage, consegue reaver a propriedade da família em 1920. Ufa, 61 anos depois!

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Daí em diante foi só festa. Lage convidou o arquiteto italiano Mario Vodret para projetar o palacete principal, sob grande influência de sua esposa, a cantora lírica Gabriella Besanzoni. O estilo da mansão seria eclético, misturando várias referências. Um dos salões do palácio é assim:

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Reparou no teto todo detalhado? Então chegue mais perto e veja bem:

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Em 1936, Gabriella fundou a Sociedade do Teatro Lírico Brasileiro e mais tarde, em 1948, convidou seus sobrinhos-netos a habitar o palácio. Nesta época, ela promovia festas de arromba, frequentadas pela alta sociedade carioca. Mas os dias de glória não foram eternos e a família acabou se endividando.

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Lage entregou boa parte de seus bens para o banco, mas não vendeu a chácara. Com a ajuda do então governador Carlos Lacerda, conseguiu que a propriedade fosse tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico e cultural da cidade em 1957.

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O local continuou sendo referência para artistas até que em 1975 foi criada a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Além de oferecer cursos, a instituição também promove exposições e apresentações artísticas diversas. Dá uma olhada nos corredores do pátio, cheios de quadros:

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Além dessas obras, há também outras manifestações artísticas , como essas placas:

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Ou ainda, se der sorte, pode encontrar umas intervenções temporárias pelo parque, como essas nuvens aqui:

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Eu não sabia nada disso quando visitei o local, fui descobrindo aos poucos e boa parte agora, para escrever o post. Essas informações servem só para dar mais uma pitada de sabor quando forem passear por lá. Mas sabendo de toda história ou não, o lance é que o lugar por si só tem um encanto e desperta o interesse dos visitantes por ser de tudo um pouco – além, é claro, da beleza de seus jardins e construções.

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O cafezinho no pátio do palácio foi uma das primeiras descobertas – junto com a já citada torta de maçã. Uma das vezes fui lá para tomar um brunch, que vinha com frutas e pãezinhos deliciosos.

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Na época, achei o preço salgado e o atendimento demorado. É que tinham poucos funcionários e muita gente para atender. Como agora o restaurante/café que fica no parque é outro, não sei quais são as comidinhas nem como é o serviço. Se alguém aí já conhece o Plage, conta mais nos comentários 😉

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E essa caverna doida? Achei lá pela terceira ou quarta visita e fiquei encantada! Olha só o que tem por dentro:

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Sim, é o aquário do Parque! Ele foi construído de um jeito super legal, tudo parece ser natural, feito em argamassa imitando pedras. Os vidros dos aquários se fundem à estrutura da “caverna”, que por fora leva troncos de árvores também. Ou seja, você se sente completamente imerso a natureza.

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Falando em natureza, a última surpresa que tive no Parque Lage foi esse macaquinho prego aí da foto. Topamos com ele pulando de uma janela para outra, com um pão na boca, provavelmente roubado da cozinha. Me lembrou o Abu, macaco do Aladdin, que vivia com seu pãozinho a tiracolo.

Mas o impacto que se tem ali, acho que para todos que visitam (e revisitam), é a entrada do pátio. Ali você se depara com um espaço belíssimo, uma piscina refletindo o céu azul e, ao olhar pra cima, ainda vê o Cristo lá na montanha na sua direção. Tipo assim (a foto não tá nada boa, mas o que vale é a intenção rs):

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Vai lá
Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico
Tel: (21) 3257-1800
http://eavparquelage.rj.gov.br – não tem site do parque, só da escola

Fotos: Débora Costa e Silva

Links na bagagem :: leituras da semana #4

Essa semana tá cheia de boas leituras! Tem dois livros novos com tema de viagem, museu reinaugurado em Nova York, perrengues na Venezuela e histórias de gente que cozinha para turistas espalhados pelo mundo (aqui no Brasil também tem!). Bora clicar?

Trip Book, um livro que altera a história de acordo com a localização do leitor – Brainstorm 9

Marcelo Rubens Paiva, no vídeo de lançamento do Trip Book

Marcelo Rubens Paiva, no vídeo de lançamento do Trip Book

“A nova tecnologia com o velho prazer de contar uma história”. É a frase que o escritor Marcelo Rubens Paiva usou para definir esse projeto-campanha do programa de milhagens da Gol, o Smiles. Ele escreveu um romance, disponível para e-books, que de acordo com a localização do leitor poderá ter as informações alteradas.

Por exemplo, se você estiver no Rio de Janeiro lendo o livro e viajar para Paris, o enredo vai se transportar para a cidade francesa. A trama continua a mesma, basicamente só mudam as ruas, parques e atrações turísticas. As cidades em que a brincadeira é possível são Lisboa, Buenos Aires, Roma, Rio de Janeiro, Paris e Nova York. Genial, não? Quero ler – conto por aqui depois 😉

Carioca cozinha feijoada para gringos e faz fama em site para viajantes – UOL Comidas e Bebidas

O título fala de um carioca, mas essa foto é de um cozinheiro francês que serve refeições para turistas em Paris. Foto: Divulgação/Eat With via UOL

O título fala de um carioca, mas essa foto é de um cozinheiro francês que serve refeições para turistas em Paris. Foto: Divulgação/Eat With via UOL

A Estefani Reis, do Malaguetas, fez uma reportagem super interessante sobre os aplicativos que promovem encontros gastronômicos pelo mundo, como o Eat With e o Eat Feastly. Na matéria ela explica como funciona esse esquema e conta histórias dos cozinheiros que vêm se dedicando a receber turistas e reunindo pessoas durante as refeições. É tipo um AirBnb de comida! Tô louca para experimentar isso em uma viagem – ou mesmo aqui em São Paulo.

“Isto não é um museu. É uma ideia” – Publico

Edifício do novo Whitney Museum em Nova York. Foto: Público

Edifício do novo Whitney Museum em Nova York. Foto: Público

Até há pouco tempo instalado no Upper East Side, o Whitney Museum foi reinaugurado no bairro Meatpacking, em Nova York, na boca do High Line. O novo prédio foi projetado pelo arquiteto italiano Renzo Piano (o mesmo que fez o Centro Georges Pompidou, em Paris) e a estrutura é toda geométrica – segundo a reportagem, “concebido para reflectir o carácter industrial do núcleo urbanístico onde se insere”.

O museu tem seis andares dedicados a exposições, restaurante, lojinha e terraço com vista para os símbolos de Nova York. E a reportagem traz um pouco da história do museu e o desafio de se reinventar no espaço novo.

7 motivos para você não visitar a Venezuela – Viagem em Pauta

Vista de Caracas, capital da Venezuela. Foto: Julio César Mesa/Flickr-Creative Commons via Viagem em Pauta

Vista de Caracas, capital da Venezuela. Foto: Julio César Mesa/Flickr-Creative Commons via Viagem em Pauta

O Edu Vessoni, repórter e fotógrafo de viagem, passou maus bocados quando foi para a Venezuela durante seu mochilão pela América Latina em 2009. Já se passaram seis anos desde os ocorridos (não foi uma má experiência, foram algumas) mas o alerta continua válido para quem pretende viajar para lá. Conheço gente que foi e não passou por grandes perrengues também, mas é bom ficar atento e, se for, que vá bem prevenido 😉

Fantastic Cities: um livro de colorir para adultos urbanos – Follow the Colours

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Essa dica é especial para quem entrou na onda de colorir livros e é fã do tema viagem. Imagens de Nova York e San Francisco, tanto aéreas quanto de bairros e construções arquitetônicas, estão nas páginas deste livro esperando pelos lápis de cor. Mas calma que ainda falta um tempinho para lançar: só no dia 7 de julho vai estar à venda pelo site da Chronicle Books.

Memória :: As viagens que fiz com a minha mãe

Hoje é aniversário da minha mãe, dona Ivani, e depois de quebrar a cabeça pensando em algum presente mais original, me veio a ideia: por que não uma retrospectiva das nossas viagens? Sim ou com certeza?

Minha mãe e o Corsa verde que tínhamos em algum canto de Santo Antonio do Pinhal (SP), em 2003. Foto: Débora Costa e Silva

Minha mãe e o Corsa verde que tínhamos em algum canto de Santo Antonio do Pinhal (SP), em 2003. Foto: Débora Costa e Silva

Na verdade, é até meio óbvio pensar nisso. Afinal, ela foi a minha maior incentivadora (e financiadora) para viajar. O resto da família também me levou para passear bastante, mas como sempre fomos só nós duas (eu e minha mãe) na mesma casa e sempre nos demos super bem, foi com ela que viajei mais. Não sei bem qual foi minha primeira viagem. Com certeza foi para alguma praia. Sei que logo aos 3 anos de idade já pisei na Europa – super phyna 😛

Eu e minha mãe nos divertindo em Portugal. Foto: Arquivo pessoal

Eu e minha mãe nos divertindo em Sintra, em Portugal. Foto: Arquivo pessoal

É que meu pai foi trabalhar em Portugal por um tempo e lá fomos nós visitá-lo, em 1989. Uma pena que eu quase não lembro de nada por ter ido tão pequena. A outra grande viagem foi para Maceió, capital de Alagoas, onde vivem alguns parentes da minha mãe. Comemorei meus cinco aninhos lá, em 1991 – aliás, fazer aniversário em janeiro dá nisso, vira e mexe comemorava longe de casa.

Visitando a cabine do avião, na ida para Maceió (AL). Foto: Ivani Pavoski

Visitando a cabine do avião, na ida para Maceió (AL). Foto: Ivani Pavoski

Outra viagem de férias foi para Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, no mesmo ano, em julho. Dessa vez fomos eu, minha mãe, vó Lina, vô e tia Marisa. Foi apenas a primeira de muuuuuitas idas a Águas de Lindóia.

Eu e minha mãe (animadona, como pode-se ver) posando no cavalo. Foto: Arquivo pessoal

Eu e minha mãe (animadona, como pode-se ver) posando no cavalo. Foto: Arquivo pessoal

Não me pergunte porque íamos tanto para lá rs, acho que não tinha nenhum motivo especial, só gostávamos e pronto. Era bem legal, eu sempre fazia amizade com o pessoal do hotel, curtia as brincadeiras dos monitores, andava à cavalo, curtia a piscina, pra mim tava bom demais!

Aula de hidroginástica na piscina do hotel: quem nunca? Essa foto foi no Hotel Fazenda M1, em Águas de Lindóia. Foto: Arquivo pessoal

Aula de hidroginástica na piscina do hotel: quem nunca? Essa foto foi no Hotel Fazenda M1, em Águas de Lindóia. Foto: Arquivo pessoal

Mas a primeira grande viagem que fiz foi para Bariloche, na Argentina, em 1995. Minha mãe era foda: economizou horrores pra me dar essa viagem, só para realizar o sonho de conhecer a neve. Foi fantástico, aprendi a esquiar e tudo! Chegando lá soubemos que havia 10 anos que não nevava tanto – demos muita sorte.

Eu e minha mãe no Parque Nacional Arrayane, em Bariloche. Foto: Arquivo pessoal

Eu e minha mãe no Parque Nacional Arrayane, em Bariloche. Foto: Arquivo pessoal

Era sempre nas férias de julho que dava para viajar por causa da escola, mas vira e mexe íamos para a praia fazer um bate-volta ou conhecer alguns lugares no interior de São Paulo. Uns anos depois de Bariloche, fizemos outra viagem mais tchans, para o Rio Quente, em Goiás. Fomos de ônibus fretado, com direito a guia engraçadinho animando a galera da excursão rs.

Piscinas do Hot Park, no Rio Quente, nos primórdios, em 1997. Foto: Ivani Pavoski

Piscinas do Hot Park, no Rio Quente, nos primórdios, em 1997. Foto: Ivani Pavoski

Em 2001, já adolescente, com 15 anos, fui com minha mãe e sua amiga Cícera para Monte Verde (MG). Foi uma delícia, curtimos muito o hotel, o friozinho, os queijos, os barzinhos, as lojinhas de artesanato etc.

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Fazendo graça com o moço do queijo em Monte Verde (MG). Foto: Arquivo pessoal

Até para Porto Seguro (BA) eu fui com a minha mãe, no mesmo ano! Parece não combinar muito o destino, típico de viagens de formatura, com família. Mas foi bem legal, afinal as praias são lindas e tem bastante coisa histórica para conhecer.

Nós duas no passeio de Catamarã em Porto Seguro (BA). Foto: Arquivo pessoal

Nós duas no passeio de Catamarã em Porto Seguro (BA). Foto: Arquivo pessoal

Dois anos depois, fomos para o clássico dos clássicos: Campos do Jordão (SP). Só que minha mãe armou um esquema: nos hospedamos em Santo Antonio do Pinhal, a 30 km. Ou seja, pagamos mais barato (em julho você imagina os preços…) e de quebra conhecemos um lugar novo (que gostei bem mais, até).

Nós duas no Espaço Veja em Campos do Jordão, no auge da temporada de inverno de 2003. Foto: Arquivo pessoal

Daí em diante quase não viajamos mais. Comecei a faculdade e passei a viajar bem mais com os amigos e o namorado – faz parte né? Mas depois de um longo e tenebroso inverno (oito anos para ser exata!), viajamos juntas novamente. Com um pouquinho mais de verba, pois eu já trabalhava, fomos para Buenos Aires.

Jantar + show de tango em Buenos Aires, em 2011. Foto: Arquivo pessoal

Jantar + show de tango em Buenos Aires, em 2011. Foto: Arquivo pessoal

Pegamos o embalo e no ano seguinte fomos viajar juntas novamente e foi uma delícia: o destino era o Rio Grande do Norte e por lá conhecemos São Miguel do Gostoso, praias próximas dali como Tourinhos e Galinhos, a capital Natal e a Praia do Pipa. De lá, partimos para o Rio de Janeiro e depois para Miguel Pereira, no interior do estado.

Nós duas no bugue durante o passeio pelas praias próximas a São Miguel do Gostoso (RN). Foto: Arquivo pessoal

Nós duas no bugue durante o passeio pelas praias próximas a São Miguel do Gostoso (RN). Foto: Arquivo pessoal

O legal é que com o passar do tempo, nosso companheirismo ficou ainda maior e aproveitamos bem mais o tempo juntas. Sem contar o fato de que eu cresci e não sou mais nem uma criança chata, nem uma adolescente mal humorada rs, acho que ajuda né mãe? Rs Tem gente que viaja bem mais com a família quando é pequeno; tem outros que já conheceram a Europa e a Disney logo cedo; uns que só iam para a praia ou para o sítio, enfim, cada um tem sua história. E eu tenho muito orgulho da minha e fico feliz de lembrar de cada lugarzinho que conheci ao lado da minha mãe. Entre as memórias mais queridas que tenho, uma delas é estar no carro com ela dirigindo pela estrada, vento na cara, Madonna cantando “Holiday” no toca fitas e aquela sensação de liberdade batendo forte. Beijos, mãe, brigada! ❤

Glossário portuga :: Expressões e gírias da terrinha

Estive em Portugal em setembro de 2014 a trabalho e foi uma das viagens do ano. Além de ter ficado boquiaberta com a beleza de Lisboa, Porto e Coimbra, tive a sorte de ter viajado com um grupo de jornalistas muito legal e ser guiada por duas lisboetas (ou alfacinhas) incríveis, a Catarina e a Madalena. Foram elas também que nos ensinaram as gírias mais giras da terrinha, que compartilho aqui no blog.

Você conhece alguma outra gíria ou expressão típica de Portugal que não está aqui? Deixa lá nos comentários 😉

Ora pois, que cidade mais gira Lisboa! Mas anda que se desunha nesse Castelo de São Jorge! (Foto: Débora Costa e Silva)

Ora pois, que cidade mais gira Lisboa! Mas anda que se desunha nesse Castelo de São Jorge! Foto: Débora Costa e Silva

Imenso = muito
Viajam imenso pela Europa / Morre-se imenso

Penso-rápido = band-aid                                                            Bicha = fila

Rapariga = menina                                                                          Casa de banho = banheiro

Pequeno almoço = café da manhã                                         Parvalhona = tonta

Pergunta parva = pergunta besta                                          Bocadinho = pouquinho

Gabiru = pegador                                                                             Tramada = ferrada

Alforreca = água-viva                                                                     Mola = pregador de varal

Despassarada = distraída, desastrada                                  Peão = pedestre

Miúda = pequena                                                                               Muito giro = muito legal
Variação: miudeca (mais miúda ainda)                                       Variação: giríssimo

Pinga-amor = manteiga derretida, sentimental ❤

Madalena me chamou de pinga-amor porque chorei no Santuário de Fátima e achei lindo esse nome. Mas pela internet vi que também significava homens românticos e sensíveis tempos atrás. Hoje em dia, no entanto, parece que a expressão é mais designada para galanteadores – será porque a dose de amor desses Don Juans é a conta-gotas?

Anda que se desunha = anda-se muito (que até cai a unha)

Andor violeta = põe-te a andar! Sai da frente!
Mais popular no Porto – tentei achar a origem e nada 😦

Alfacinhas X Tripeiros

“Alfacinhas” no Porto, à venda no Mercado do Bolhão. Foto: Débora Costa e Silva

A rivalidade entre quem é de Lisboa ou do Porto é bem parecida com a relação entre paulistas e cariocas. Mas em Portugal tem um charme extra: os apelidos. Lisboetas também são conhecidos como alfacinhas e portuenses como tripeiros.

O termo alfacinha é cheio de controvérsias e há várias versões que explicam sua origem. Que vem de alface é meio óbvio, mas por quê? Uma das explicações é que foi um dos alimentos mais consumidos na época da invasão moura – alguns dizem até que era o único disponível nesses tempos difíceis. Foram os árabes, aliás, que trouxeram a hortaliça para Lisboa, chamada de “Al-Hassa”. A abundância do ingrediente na região também é outra hipótese que explica o apelido.

Outra história que li é que lá pelos anos 60 e 70 era moda ter grilos de estimação (!) e que muitos penduravam nas janelas gaiolas com bichinhos e uma folha de alface junto, para servir de alimento. Daí, andar por Lisboa era ver alface pendurado por todos os cantos. Mas será?

A Madalena, minha amiga alfacinha, disse que teve alguns grilos na infância dela, sim – contou que vivia a caça deles, mas que o bichinho também era vendido em feiras já nas gaiolas. “O cantar dos grilos é o melhor”, disse. Mas esclareceu que isso nada tem a ver com o termo alfacinha que, segundo ela, é porque a maioria das hortas de Lisboa era repleta de pés de alface. E ponto.

Prato típico do Porto. Foto: Visit Porto via Flickr

Prato típico do Porto. Foto: Visit Porto via Flickr

Já o apelido dos portuenses é mais fácil de entender. Na preparação da conquista de Ceuta, em 1415, o Infante D. Henrique quis dar um incentivo a mais para os trabalhadores que construíam os barcos: ofereceu a eles toda a carne disponível e deixou para o povo da cidade apenas as tripas.

Daí em diante quem é de Porto leva o apelido de tripeiro e com orgulho – afinal, o sacrifício feito valeu a pena na época: conquistaram Ceuta e, dali em diante, Portugal se consolidou à frente das navegações. E as tripas ganharam status de gastronomia típica do Porto, há diversos pratos com o ingrediente, sendo o mais famoso Tripas à moda do Porto.

Links na bagagem :: leituras da semana #3

Essa semana peguei dois flashbacks: uma matéria antiga falando das mudanças da tecnologia nas viagens, outra matéria feita agora sobre as transformações que o estilo “mochilão” passou nas últimas décadas. Falando em estilo de viajar, outra forma bacana que está aqui é a troca de casas. Pra terminar, dois links até que parecidos: intervenções artísticas no asfalto de duas grandes cidades.

Mochilão através dos tempos: três gerações contam o que mudou – UOL Viagem

Foto: Cris Marques/Arquivo pessoal - via UOL

Foto: Cris Marques/Arquivo pessoal – via UOL

A Adriana Terra, amiga e parceira do UOL, fez uma matéria incrível sobre mochileiros para o site, contando como era viajar de mochila nas costas por aí nos anos 70 (ainda na ditadura), nos anos 90 (era pré-internet) e nos dias de hoje. Além das diferenças tecnológicas, tipo de hospedagem e transporte, achei legal reparar que antes diário de viagem era uma coisa essencial e hoje vejo pouca gente fazendo.  No fim da reportagem, tem uma tabela comparando cada época.

Quando se afastar significa ficar em contato – UOL Viagem/Reuters

Graças ao TimeHop venho relembrando o que já postei, li, curti e fiz nas redes sociais. E essa foi uma das redescobertas: um texto de 2010 sobre o quanto a tecnologia estava transformando nossas viagens. E, como diria minha mãe, era apenas o começo! O texto fala que as exigências dos turistas estavam mudando, pois eles começavam a priorizar bom sinal do celular e wi-fi. “No passado isso simplesmente não era opção. Viajar significava estar desconectado” é uma das frases que me fez pensar quão rápida foi essa mudança.

Sites de trocas de residências ajudam a viabilizar viagens – O Globo

Foto: Karin Duarte - via O Globo

Foto: Karin Duarte – via O Globo

Sabe o filme “O Amor Não Tira Férias“, com a Kate Winslet, o Jack Black, a Cameron Dias e o Jude Law? Que as mulheres trocam de casa? Então, dá pra brincar disso também sem nem precisar estar em Hollywood – a não ser que ache uma casa legal por lá, vai saber. Essa matéria conta várias histórias bacanas de troca de casas e conta um pouco de como é o serviço de cada site (não tem um nem dois, tem vários, cada um ao seu estilo). É um outro jeito de viajar, quero muito tentar um dia ❤

Behing the making of Our New York Cover – Nytimes

Foto: JR via NYT

Foto: JR via NYT

O artista francês JR é famoso por fotografar pessoas e estampar suas fotos em tamanho gigante – em São Paulo tem diversas obras dele espalhadas por aí. Em Nova York, o projeto em parceria com o New York Times era fazer fotos de imigrantes e colar as imagens em pontos estratégicos da cidade, para mostrar pessoas que frequentemente são consideradas invisíveis.

A imagem do garçom Elmar Aliyev, de 20 anos, do Azerbaijão, foi escolhida para ser colada na Flatiron Plaza, ponto de encontro da Broadway, a 5th Avenue e a East 23rd Street. Neste link, você pode ver mais detalhes da instalação e a cereja do bolo: um timelapse da colagem, com as pessoas passando por cima da obra, literalmente.

Artista usa drone para fazer desenho de pipa “voar” em SP – Folha de S. Paulo

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Foto: Tec via Folha

Na mesma pegada do link anterior (artistas que fazem coisas legais no chão das ruas das cidades), o projeto Pipa me causou impacto. Eu tava no feed do Instagram quando vi esse vídeo e fiquei assistindo em looping. Quem mora em São Paulo já deve conhecer o trabalho do artista argentino Tec. Nas ruas de Perdizes, ele já desenhou uma lagartixa, um rato e um peixe no asfalto.

Dessa vez, escolheu um bairro menos hype, Americanópolis, na zona sul. O desenho parece simples: uma pipa. Legal, mas e aí? E aí que filmaram o local com um drone e dá o efeito de que a pipa está se movimentando.

Hospedagem em Cuba

Como já expliquei no post Preparativos de Cuba, fechamos uma parte da viagem com uma agência e no pacote já estava incluso cinco dias de hospedagem em Havana – três noites no início do roteiro e duas no final. De resto, não havíamos fechado nada e fomos encontrando lugar para ficar na hora do “vamo vê”.

Uma coisa que decidimos era ficar em pelo menos uma casa particular, que nada mais são do que casas em que vivem cubanos que cobram para hospedar turistas (para buscar uma casa, entre no site: www.casaparticularcuba.org). Começou como uma atividade ilegal, para ganhar uma grana extra, mas depois a prática foi autorizada pelo governo. É o melhor jeito de conhecer de perto a cultura do país, pois participamos do dia-a-dia de uma família. E ainda por cima é mais barato.

Resolvi separar por cada tipo de hospedagem aí embaixo para contar um pouquinho como foi a experiência em cada um deles:

Hotel Occidental Miramar em Havana

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

É um hotel 4 estrelas amplo e requintado. Tem uma piscina enorme, barzinho com área interna e externa (onde os gringos fumavam charuto), recepção espaçosa e um salão para as refeições. O quarto segue o padrão, bem amplo com direito a um sofá com mesinha.

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Só a localização que não é muito privilegiada, mas já sabíamos disso. Fica no bairro Miramar, tomado por casarões e mansões, que antes do regime eram habitados por cubanos mais endinheirados. Depois da revolução, muitas das propriedades passaram a abrigar embaixadas. Os hotéis mais luxuosos também se instalaram por ali. O bairro conta com alguns teatros, como o Miramar e o Karl Marx, e é bem agradável de passear.

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel - bem

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel – bem “pra gringo ver”. Foto: Débora Costa e Silva

A região fica mais afastada do centro histórico de Havana, mas não fica exatamente longe. Para ir a pé sim, mas de táxi dava uns 10 minutos e até que ficava baratinho. E saíam ônibus do hotel diariamente levando os hóspedes para o centro, então dava para se virar bem.

Na segunda vez que nos hospedamos, já perto de ir embora para o Brasil, foi que deu para sentir de verdade a diferença entre o hotel e todos os lugares que ficamos. É um outro mundo: ficamos à parte de tudo o que estava acontecendo, sem contato com o povo, parece que protegidos por uma bolha mesmo. Mas a experiência foi interessante para entender que esse lado de Cuba também existe.

Mais informações: http://www.occidentalhotelscuba.com/Miramar/ENG/home.html

Casa Particular da Yaqueline, em Trinidad

Saímos de Havana de manhã para chegar em Trinidad pela tarde. A viagem foi feita de ônibus e a impressão é de que seria bem pior, mas o veículo estava em bom estado, tudo novo e muito confortável, exceto pelo ar condicionado. Estava ultra gelado e com certeza foi aí que me ferrei e fiquei gripada – mas isso é outra história.

Chegando em Trinidad, descemos em uma pracinha onde havia vários caras em bicitáxis oferecendo hospedagem. Falamos com um deles para saber sobre o preço das hospedagens, que logo nos levou até uma casa particular. Era a casa da Yaqueline, mas quem nos recebeu foi sua mãe, Sonia, uma senhora de 80 anos super fofa.

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Elas moravam em uma casa colonial de pé direito alto e azulejos coloridos no chão. Havia um jardim ao fundo, onde ao lado ficava uma edícula, que seria o nosso quarto. Havia uma cama de casal e uma de solteiro, ventilador e um banheiro só para nós. Tudo muito arrumadinho e aconchegante.

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

No valor estava incluso café da manhã, mas achamos que seria de bom tom almoçarmos ou jantarmos pelo menos um dia com elas. Acho que fizemos os dois, um em cada dia, e foi maravilhoso. Yaqueline cozinhava muito bem, sempre havia salada, arroz, batata ou banana frita, camarão para mim e ovos para o Daniel. Essas refeições pagávamos à parte, mas com gosto, como forma de dar uma “força” e também participar de um momento família.

Na casa da Yaque e da Sonia participamos de uma conversa deliciosa sobre o Brasil e suas novelas (elas e as vizinhas eram super fãs) e assistimos “A Favorita” na versão cubana, dublada em espanhol. Era engraçado, muita gente nas ruas vinha nos perguntar o que acontecia na novela, buscando um spoiler.

Como já contei no post das doenças em viagens, a Yaque super cuidou de mim enquanto estive gripada: me dava uma colher com mel e limão toda manhã. Um de seus bordões, que adotamos para sempre, é o “Ay mi vida”, que ela falava quando nos abraçava carinhosamente – ou quando se lamentava de alguma coisa.

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Dona Sonia também nos encantou. Ela ficou toda emocionada quando dissemos que íamos para Santiago, cidade onde está a igreja da padroeira de Cuba, a Virgen de la Caridad. Apesar de ser uma católica fervorosa, ela nunca tinha ido para lá. Esse foi um dos sustos: como não? Mas é isso mesmo: em Cuba, com dinheiro contado, como faz para viajar? É para poucos mesmo. Por isso foi tão especial quando mandamos fotos da igreja para ela através da Luiza e do Pedro <3.

Casa Particular da Sandra e do Paco, em Santiago de Cuba

A própria Yaqueline nos indicou uma casa para ficarmos em Santiago. Eles funcionam quase como uma rede: não se conhecem, mas se indicam um para o outro. Ela nos deu o cartão do casal Sandra e Paco e combinou com eles por telefone de nos buscarem na rodoviária. Doze horas de viagem depois, já havia um taxista nos aguardando com um papelzinho na mão escrito “Devorah e Daniel” – alguns cubanos brincavam que meu nome era Devorah (!), deve ser mais comum rs.

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano :P

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano 😛

A casa deles foi outro choque de realidade: havia televisão com tela de plasma, aparelho de DVD, ar condicionado e… computador! A morada era simples, mas quando nos deparamos com esse aparato tecnológico ficamos boquiabertos. Como? “Temos uma filha que mora em Miami”, disseram. Claro, como no?

Nosso quarto também ficava nos fundos, à parte da casa, com ar condicionado, banheiro privativo e duas camas. Ao lado, fica o quintal onde eles montavam nosso café da manhã cheio de frutas e mimos. Sandra também era uma senhora cozinheira. E a localização da casa é ótima, a pé chegávamos rapidamente à praça central.

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Não ficamos tão próximos da família deles quanto a da Yaque. Acho que eles eram até mais profissionais e devem estar mais acostumados a receber turistas, por isso mantêm uma relação mais distante com seus hóspedes. Eu e o Daniel até puxávamos papo, mas não vingou tanto quanto na casa de Trinidad. Mas adoramos a estadia e eles foram ótimos com a gente, nos ajudando com tudo, desde levar e buscar na rodoviária até com dicas de passeio.

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Pousada em Varadero

Saímos de Santiago e viramos a noite no ônibus a caminho de Varadero. Chegamos de dia, sol a pino e mochilão nas costas. Não tínhamos indicação de ninguém nem a menor ideia de onde nos hospedar.

Varadero é a Cuba “para gringo ver”, foi moldada para turistas mais endinheirados. A orla é tomada por hotéis e resorts e quase não há casas particulares – pelo menos não oficialmente. O jeito era arrumar um hotel baratinho e saímos de porta em porta perguntando os preços.

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Quanto mais à direita caminhávamos, mais os valores subiam. Eu já estava bem cansada, querendo voltar para o primeiro hotel, quando o Daniel avistou uma pousadinha do lado de lá da rodovia (ou seja, que não era pé na areia, portanto podia ser mais barata) e foi lá mesmo que ficamos: Hotel Pullman.

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Era meio que um sobrado adaptado, com diversos quartos, uma sala onde serviam o café da manhã e um jardim bem charmosinho. Lá havia também um bar, que de tarde já estava produzindo mojitos e foi praticamente nossa base durante a estada em Varadero.

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Mais informações: Hotel Pullman no Trip Advisor. Os usuários dão uma destruída no hotel, mas verdade seja dita: pelo preço que era, não dava para exigir também grande coisa. Em 2010 estava mesmo bem caído, a construção estava mal conservada e tal. Mas na medida do possível era limpo, deu para dormir numa boa e tomar um bom café da manhã. Além do preço, a vantagem é que ficava bem perto da orla, dos restaurantes e da feirinha de artesanato.

Links na bagagem :: leituras da semana #2

Essa semana tem mais Cuba e Nova York, mas tem também curiosidades sobre as cores, dicas úteis para viajantes sobre sites de hospedagem e amenities de hotéis e imagens de satélite pelo mundo.

O significado das cores ao redor do mundo – Follow the Colours

Foto: Shutterstock, via Follow the Colours

Foto: Shutterstock, via Follow the Colours

O FTC, meu blog do coração, vem fazendo um especial muito bacana com curiosidades sobre cada uma das cores, o Gotas de Cor. Mas o post da vez é bem para quem gosta de viajar: a Carol, autora do site, mostra o significado de cada cor para diferentes países e culturas. Quem diria que o branco é cor de luto em alguns lugares? E o amarelo, que pode representar inveja, você sabia? O mais legal é que as imagens que ilustram o post são lindas de morrer.

Entrevista: Luiza Voll – IdeaFixa

Foto: Luiza Voll, via IdeaFixa

Foto: Luiza Voll, via IdeaFixa

A Luiza é uma das criadoras do Instamission, junto com a Dani Arrais, do Don’t Touch My Moleskine. Tem muita coisa por aí na rede sobre o lado empreendedor da dupla, mas dessa vez fizeram uma entrevista diferente com a Luiza: sobre viagens. E entre as várias coisas bacanas e inspiradoras que ela conta, a mais bonita é a história de um cubano que ela e o namorado conheceram na viagem pela ilha. Acabaram ficando na sua casa e criaram uma relação forte com ele e sua família. Coisa linda!

Obs: Quando a Luiza foi viajar, o Micky, nosso amigo em comum, nos apresentou (eu e o Daniel) pra trocarmos dicas com o casal. E no final eles nos fizeram um lindo favor: levaram para a Yaqueline e a Sonia, que nos hospedaram em Trinidad, fotos da Igreja Virgen de la Caridad, que elas não conheciam pessoalmente. Valeu Luiza e Pedro ❤

Como avaliar as opiniões do TripAdvisor e outros sites de review? – Sundaycooks

Foto do Hotel B, em Lima, via Sundaycooks

Foto do Hotel B, em Lima, via Sundaycooks

Quer pesquisar mais sobre um hotel ou atração turística e fica perdido no meio de tantos comentários de usuários? Então dê uma olhada nesse guia que o Fred Marvilla fez para ajudar a achar a informação que você procura, por onde começar e saber o que vale ou não a pena dar importância.

Fotos da Times Square feitas por um bartender nos anos 70 – Daily Mail

Foto: Sheldon Nadelman, via Daily Mail

Foto: Sheldon Nadelman, via Daily Mail

Semana passada já tinha me encantado com um ensaio parecido feito na mesma época e na mesma cidade, só que no Harlem. Agora olhe essas fotos e imagine o tanto de glamour que tinha a Times Square naquela época. Quase zero perto de hoje né? O mais bacana é que os registros foram feitos por um cara que trabalha em um bar por ali, o Terminal. Sheldon Nadelman, o fotógrafo-bartender, tem hoje 80 anos. As fotos feitas entre 1973 a 1982 retratam em sua maioria prostitutas e moradores de rua.

Timelapse com imagens de satélite de vários lugares do mundo

Print da página do World Time

Print da página do World Time

O site world.time.com/timelapse mostra a evolução de diversas regiões e cidades do planeta em vídeos no esquema timelapse. Gravadas no início da década de 80 até hoje, as imagens mais impactantes são as já destacadas na página, como Dubai e a Floresta Amazônica. Mas você pode ficar brincando de ver a sua cidade ou qualquer outro lugar clicando em “Explore the World” – dá para sentir mais o impacto quando é uma região menos urbana. Coloquei El Calafate e teve mais movimento que São Paulo ou Nova York. Mas é bem legal! Via Raphael Prado.

As coisas que você pode (e as que não pode) “surrupiar” de um quarto de hotel – Blog Achados

Foto via blog Achados

Foto via blog Achados

A Adriana Setti vira e mexe posta umas reflexões que eu adoro no seu blog da Viagem e Turismo. Dessa vez, o texto é mais uma utilidade pública. Afinal, o que é mesmo permitido levar de um hotel? Uma aula de bom senso às vezes é necessária para ninguém pagar mico tipo o Ross naquele episódio de Friends. Recordar é viver (veja inteiro, vale a pena!):

Cuba :: O primeiro impacto e os clichês

Toda vez que falo sobre a sensação de “voltar no tempo” que Cuba traz para os visitantes, me sinto um pouco mentirosa. É porque eu mesma esperava sentir isso assim que chegasse lá, mas demorou um pouco para isso acontecer.

Um dos carros

Um dos carros “novos” que vimos circular por Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Assim que chegamos ao Aeropuerto Internacional José Martí, em Havana, fomos dar uma olhada na rua para ver Cuba pela primeira vez e então veio o choque: carros novos. Nem um, nem dois: todos os carros eram novos. Onde estavam os Cadillacs, os Bel-Air e tantos outros (que eu nem sei os nomes)? A única coisa que eu conseguia pensar era: cheguei tarde demais.

E a sensação só se confirmou quando passamos na casa de câmbio do aeroporto. Na fila, à nossa frente, havia um cubano. Eis que o celular dele (!) toca e o ringtone era a música que tocava em todas as baladas do momento (!!!). Como assim um cubano tem um celular que toca música atual? Era muito pra minha cabeça.

Ok, eu era bem ingênua e muito do que eu lia sobre Cuba era referente ao passado (revolução) ou à cultura. E também sabia que a ilha já havia mudado bastante desde a abertura turística. Mas ainda assim! Essas duas cenas já me passaram de cara o recado de que ali nada seria tão previsível ou de acordo com os clichês que tanto ouvia sobre a ilha.

O velho e o novo:  tem carro de tudo quanto é idade em Cuba. Foto: Daniel Ribeiro

O velho e o novo: tem carro de tudo quanto é idade em Cuba. Foto: Daniel Ribeiro

Depois encontrei, sim, os carros antigos e apesar de não ser vidrada em automóveis, era sempre emocionante entrar num carro e descobrir sua história – ou pelo menos de que ano era. Em Cuba, os carros são como imóveis, são patrimônio familiar, passados de geração para geração. Se quebrou, tem que arrumar, se vira.

Já os mais novos são destinados aos turistas que querem alugar um carro para circular pela ilha, ou ainda para quem trabalha de alguma forma na indústria do turismo. Nosso transfer mesmo não tinha nada de velho, era um veículo que podia ter visto em qualquer lugar do mundo.

Carros antigos estacionados perto do Capitólio, em Havana Velha. Foto: Débora Costa e Silva

Carros antigos estacionados perto do Capitólio, em Havana Velha. Foto: Débora Costa e Silva

Os antigos mais bonitões, conversíveis, coloridos e brilhantes, ficam nas áreas mais turísticas de Havana, como na Praça da Revolução e perto do Capitólio, ou ainda desfilando pelo Malecón. Mas viajando pelo interior do país pudemos ver os carros velhos-velhos mesmo, sem lá muito charme vintage e glamour. Em Santiago, do outro lado da ilha, as ruas chegam a ser esfumaçadas tamanha a poluição dos veículos.

Lojas da Adidas e da Puma no centro de Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Lojas da Adidas e da Puma no centro de Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Quanto à globalização (ou americanização) do povo, tivemos outros exemplos além da musiquinha do celular. Vimos vários cubanos usando camisetas e bonés de times de basquete e beisebol norte-americanos – provavelmente presentes de turistas ou de parentes que vivem em Miami. Encontramos lojas da Addidas e da Puma (que são alemãs, mas ainda assim me surpreendi) e achamos Coca-Cola em Santiago – depois em Varadero e em outros restaurantes mais caros também.

De qualquer forma, acredito que nada disso tenha comprometido a identidade cubana – pelo menos não até 2010, ano em que estive por lá. Hoje a influência dos EUA e da Europa deve ser ainda maior. Com a abertura política a caminho, então, a tendência é só aumentar. Provavelmente Cuba não trará mais a sensação de volta ao passado. Mas se vai melhorar, ou piorar, não dá pra saber. Vai ser só mais um capítulo da história que eu quero continuar acompanhando.

Vista a partir do Capitólio de Cuba, em Havana - uma das cenas que me fizeram

Vista a partir do Capitólio de Cuba, em Havana – uma das cenas que me fizeram “voltar no tempo”. Foto: Débora Costa e Silva

Preparativos para Cuba

Mapa antigo de Cuba, exposto em um forte de Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Mapa antigo de Cuba, exposto em um forte de Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Por não ser um destino muito convencional, Cuba pode parecer um lugar meio difícil de fazer o planejamento, mas não é. Existem agências especializadas e alguns macetes para reservar hospedagem. Vou compartilhar aqui como montei minha viagem, lembrando que fui em 2010 – já faz um tempinho.

Melhor época

Cuba fica no Caribe, ou seja, na rota dos furacões. Os meses que não são recomendáveis para ir para essa região são julho, agosto, setembro e outubro (às vezes pode chegar a novembro). É raro acontecer, mas é bom evitar, né? Eu fui no meio do mês de novembro e peguei tempo bom, todos os dias de sol, mas não estava um calor insuportável também. Escolheu o mês errado ou está inseguro? Leia mais sobre os furacões no Caribe aqui.

Companhia

Eu, Daniel e nossas papetes (quase) centralizadas no salão do Museu de la Revolución. Foto: Débora Costa e Silva

Eu, Daniel e nossas papetes (quase) centralizadas no Museu de la Revolución. Foto: Débora Costa e Silva

A ideia era ir sozinha, mas ainda bem que não fui. Deu certo do meu amigo Daniel ir junto e foi ótimo por mil motivos – me sentir mais segura por lá é um deles, mas o principal é que ele me animava muito para fazer as coisas diferentes. Ele é meu amigo da faculdade de Jornalismo, mas é multi-uso: fala 7 línguas, fez Gastronomia e Antropologia, escreveu e atuou em peças de teatro e é dos amigos mais ponta firme que eu conheço (sorry Dani, seu currículo de vida é muito extenso, não cabe aqui haha). Ah sim, foi ele que me deu a dica de comprar papetes, que eu estreei nesta viagem e não larguei mais <3.

Duração

Meu sonho era ficar um mês rodando o país, mas o dinheiro não ia dar – e há males que vem para o bem, porque acho que seria tempo demais. Fechamos em duas semanas e foi ótimo, deu pra conhecer bastante coisa diferente. Mas acho que depende do que você quer da sua viagem – acho que 10 dias em Cuba é o ideal para conhecer Havana e pelo menos outras duas cidades e numa boa, sem correria.

Moeda

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Nota de 3 pesos cubanos (Flickr: James Malone / Creative Commons)

Cuba tem duas moedas: o peso cubano, utilizado apenas por locais, e o CUC (Peso Cubano Convertível), que é utilizado pelos turistas. Recomendaram que a gente levasse dinheiro em Euro para trocar pela moeda local. O dólar até era aceito, mas no câmbio eles descontavam uma taxa que desvalorizava a moeda graças a medidas protecionistas criadas pelo estado para evitar a circulação do dólar. Agora que as relações entre os EUA e Cuba melhoraram, talvez isso esteja perto de acabar, mas por ora, melhor levar Euro.

Agência

A primeira coisa que fiz foi procurar uma agência especializada em Cuba para ver qual era o esquema. À princípio não era bem o que eu queria, mas eu não sabia direito por onde começar e minha mãe, dona Ivani, que monta viagens no trabalho dela há 25 anos e tem as manhas, insistiu: comece com uma agência.

Na verdade queria fazer uma coisa super independente, tinha um preconceito com agências, achava que as viagens eram sempre iguais, mas não é bem assim né? Agências podem facilitar muito, conseguir bons descontos e oferecer a possibilidade de personalizar sua viagem – e foi o que fizemos e foi ótimo.

Começamos a negociar com a Sanchat Tour e a agente era uma cubana que vivia aqui, então ela dava dicas bem úteis sobre como as coisas funcionam por lá. Fechamos com a agência o seguinte:

  • Passagens de ida e volta com a Copa Airlines, com conexão no Panamá
  • Translado para o aeroporto em Havana, na ida e na volta
  • Hospedagem de cinco noites em um hotel em Havana (era a condição para fechar o aéreo). Dividimos em três noites na ida e duas noites na volta (ideia da dona Ivani)
  • Seguro viagem

À parte do pacote, também providenciamos:

  • Visto para Cuba (na época era R$ 50) – a agência fazia, mas cobrava à parte
  • Taxa de embarque no Brasil e em Cuba
  • Vacina de febre amarela – não é exigido em Cuba, mas no Panamá
Céu durante o voo de Cuba de volta para o Panamá. Foto: Débora Costa e Silva

Céu durante o voo de Cuba de volta para o Panamá. Foto: Débora Costa e Silva

Resultado

O único problema que tivemos foi com o transfer da volta, que não apareceu no hotel no horário combinado e tivemos que gastar com táxi na última hora.

De resto, o esquema de fechar a maior parte dos serviços com uma agência foi perfeito, nos facilitou muito. Foi ótimo ter garantido a hospedagem antes de sair do Brasil para os primeiros dias, nos deu mais segurança e conforto.

E conseguimos também deixar o resto da viagem mais livre e ir fechando o roteiro e a hospedagem conforme a gente decidia o que ia fazer – isso também deu certo (contarei mais sobre hospedagem em Cuba em outro post).