Escala cultural :: Sense8

sense8

Sense8 é uma série nova do Netflix, lançada em junho, escrita e dirigida pelos irmãos Wachowski (que também fizeram nada mais nada menos que a trilogia Matrix). Há quem ame, há quem odeie. Já declaro que sou do primeiro time e que desde Lost não ficava tão empolgada com uma série. Ok, teve Breaking Bad, mas foi diferente.

Assim como Lost, Sense8 me impactou por mexer com muitas sensações diferentes. Tem humor, ação, suspense, romance, reflexões e aborda temas como moral, sexualidade, autoestima, aceitação e medo – para resumir bem. A história é sobre oito pessoas que passam a se conectadar mental e emocionalmente e a sentir as sensações uns dos outros, podendo inclusive intervir, conversar e apoderarem-se das habilidades e conhecimentos uns dos outros, como se os oito passassem a ser um só.

E o que a série tem a ver com viagem? É que cada um dos oito protagonistas vive em um canto do mundo, de forma que quem assiste acaba viajando e conhecendo um pouquinho de cada lugar. Aliás, as filmagens foram feitas nas próprias cidades retratadas. Para embarcar na viagem, dá só uma olhada na abertura linda da série:

Já deu para sentir um pouquinho a sensação de viajar né? A abertura é tão fodástica que uma galera se dedicou a listar os 108 lugares que aparecem nela! Agora que já tivemos a introdução, vamos a uma breve apresentação de cada personagem e o seu destino correspondente:

Will Gorski – Chicago (EUA)

Will e vista aérea de Chicago. Fotos: Divulgação e Choose Chicago

Will e vista aérea de Chicago. Fotos: Divulgação e Choose Chicago

Quem é: O policial é um dos elementos centrais da trama, pois é ele quem começa a ter um pouco mais de noção do que está acontecendo ce diferente e passa a investigar sobre o que é ser um sensate (como são chamados os que desenvolvem essa ultra sensibilidade e conexão).

Ator: Brian J. Smith. Trailer do personagem no youtube.

Conflitos: Além de ter tido uma relação conflituosa com seu pai, também policial, vive assombrado pela a memória de um assassinato que aconteceu durante sua infância.

Destino: O skyline de Chicago aparece em vários momentos, mas há duas cenas mais marcantes: uma é quando Will celebra o dia da Independência dos Estados Unidos (em 4 de julho) e assiste a uma queima de fogos de um barco, ao lado do seu pai, no próprio rio Chicago. Outra é quando se depara com uma visão na Crown Foutain, um espelho d’água com dois painéis gigantes que projetam fotografias no Millennium Park.

Riley Blue – Londres (Inglaterra) + Reykjavík (Islândia)

Riley e vista aérea de Reykjavik do alto da igreja Hallgrímskirkja. Fotos: Divulgação e Christine Zenino/Creative Commons

Riley e vista aérea de Reykjavik do alto da igreja Hallgrímskirkja. Fotos: Divulgação e Christine Zenino/Creative Commons

Quem é: Uma DJ islandesa que vive em Londres. É bem introspectiva e misteriosa, sempre curtindo um som e fumando haxixe. Sua trajetória na primeira temporada é dividida entre Londres e Reykjavik.

Atriz: Tuppence Middleton. Trailer da personagem no youtube.

Conflitos: Ela se mete em umas confusões por conta de drogas e más companhias, mas o buraco é bem mais embaixo. Mais para frente os conflitos mais íntimos ligados ao seu passado e sua família vão sendo revelados.

Destinos: Assim como Chicago, o skyline de Londres também aparece em belas cenas noturnas. Outros pontos conhecidos como a Millennium Bridge também dão as caras. Mas é na Islândia que são feitas as cenas mais bonitas da série, na minha opinião. Não consegui identificar os lugares, mas as paisagens são sensacionais: aparecem montanhas cobertas de neve, praia cercada de pedras, uma caverna e toda a graciosidade da capital Reykjavik e suas casinhas coloridas.

Nomi Marks – San Francisco (EUA)

Nomi e o Dolores Park, em San Fran. Fotos: Divulgação

Nomi e o Dolores Park, em San Fran. Fotos: Divulgação e sfrecpark.org

Quem é: Tanto a personagem quanto a atriz que a interpreta são transexuais. Nomi é uma hacktivista (hacker ativista) e vive com sua namorada e companheira fiel Amanita.

Atriz: Jamie Clayton. Trailer da personagem no youtube.

Conflitos: Sua família não aceita sua mudança de sexo, já começa por aí. Piora quando acaba no hospital por conta de um acidente e é obrigada pelo medico e por sua mãe a fazer uma operação arriscada sem direito a escolha ou mais informações.

Destino: O lado gay de San Francisco aparece com força na série, até para ambientar bem o casal Nomi e Amanita. Uma das cenas mais legais é quando elas vão à Parada do Orgulho Gay da cidade, ou em um dos flashbacks em que aparece o Dolores Park com a galera toda deitada no gramado, bem no clima de liberdade que a cidade parece ter.

Capheus Van Damme – Nairóbi (Quênia)

Capheus e o trânsito caótico de Nairóbi. Fotos: Divulgação

Capheus e o trânsito caótico de Nairóbi. Fotos: Divulgação e rogiro/Creative Commons

Quem é: Motorista de uma van chamada “Van Damme”, é um dos meus personagens favoritos pelo alto astral e extrema bondade, mesmo em meio às dificuldades financeiras, violência e “gente do mal”.

Ator: Aml Ameen. Trailer do personagem no youtube.

Conflitos: Ele vive em busca de ganhar dinheiro para conseguir comprar os remédios para sua mãe, que é soropositiva. E para isso, acaba passando por situações tensas e extremas.

Destino: Acho que é o único da lista que não é explorado turisticamente. A abertura da série mostra mais a parte caótica do trânsito de Nairóbi e imagens de animais e paisagens naturais que nem aparecem nos episódios. É complicado, porque o que tem de mais turístico acaba sendo os safáris. Mas achei legal que tem um destino africano na lista. Adorei uma hora que perguntam onde ele vive e ele responde “Nairóbi”, e a outra pessoa pergunta “na África?” e ele ri e diz “Não, no Quênia”, dando uma zuada nesse esteriótipo de África.

Sun Bak – Seul (Coreia do Sul)

Sun e o Templo Bongeunsa, em Seul. Fotos: Divulgação e Evan Chu/Creative Commons

Sun e o Templo Bongeunsa, em Seul. Fotos: Divulgação e Evan Chu/Creative Commons

Quem é: Empresária de dia, lutadora de Kickboxing à noite. Brincadeira, mas é mais ou menos assim que eu definiria a Sun, que parece ter duas vidas mesmo: uma em que ela se contém e engole um monte de coisas à contragosto e outra que ela se solta e põe tudo para fora.

Atriz: Doona Bae. Trailer da personagem no youtube.

Conflitos: Ela prometeu à sua mãe, em seu leito de morte, que cuidaria do seu pai e do seu irmão. No entanto, os dois são super machistas e impedem seu crescimento na empresa da família, entre outras coisas mais tensas.

Destino: A série mostra também dois lados de Seul: um mais moderno, com arranha-céus espelhados, e outro mais tradicional, com parques e templos budistas. Mas infelizmente não é um destino muito explorado como os outros nas cenas em que Sun aparece. Senti falta =/

Lito Rodriguez – Cidade do México (México)

Lito, el Caído e o Museo Diego Rivera Anahuacalli. Fotos: Divulgação e Omar Bárcena/Creative Commons

Lito, el Caído e o Museo Diego Rivera Anahuacalli. Fotos: Divulgação e Omar Bárcena/Creative Commons

Quem é: “Lito, El Caído” é o codinome desse ator mexicano de sucesso, galã, estrela de vários filmes de ação e… gay. Leva uma vida dupla: frequenta festas com modelos lindas, mas chega em casa e se entrega para o namorado.

Ator: Miguel Ángel Silvestre. Trailer do personagem no youtube.

Conflitos: Sair do armário e assumir o namorado ou manter as aparências para não prejudicar sua carreira? Imagino que o México não seja lá um país muito gay friendly. É mais conservador e talvez o público das novelas e filmes mexicanos não seja aberto para aceitar a homossexualidade de um de seus principais astros.

Destino: Exceto pela abertura de Sense8, as atrações da Cidade do México não aparecem com tanta frequência. Como Lito é ator, a maioria das cenas é feita nos sets de filmagem ou no próprio apartamento em que vive com seu namorado. Mas há um momento especial, em que Lito está no Museo Diego Rivera Anahuacalli (foto) observando um mural do próprio Rivera e tem um diálogo incrível (o melhor da série para mim) sobre aceitação com a Nomi.

Wolfgang Bogdanow – Berlim (Alemanha)

Wolfgam e o Memorial ao Holocausto, em Berlim. Fotos: Divulgação e Creative Commons

Wolfgang e o Memorial ao Holocausto, em Berlim. Fotos: Divulgação e Márcio Cabral de Moura/Creative Commons

Quem é: Mais um com vida dupla na turma. Oficialmente, Wolfgang é serralheiro, mas também é arrombador de cofres profissional. Ao longo da série vemos que sua infância e adolescência foram bem difíceis e o tornaram mais durão.

Ator: Max Riemelt. Trailer do personagem no youtube.

Conflitos: Tem um passado tensíssimo com seu pai, que o tratava muito mal, e hoje tem que lidar com seu tio e primo, que o perseguem após o roubo do cofre da família. Se contar mais estraga, então fica aí o mistério.

Destino: Apesar de vermos o personagem em muitas cenas de ação, a série mostra também seu lado boêmio. Ele curte bastante a vida noturna de Berlim e aparece relaxando em saunas e piscinas da cidade. O lindo skyline da capital alemã embeleza várias trocas de cenas, mas o Memorial ao Holocausto (foto) é a atração mais marcante de Berlim no seriado, servindo de cenário para um encontro importante.

Kala Dandekar – Mumbai (Índia)

Kala e as ruas de Mumbai tomadas pela festa a Ganesh. Fotos: Divulgação e sandee pachetan/Creative Commons

Kala e as ruas de Mumbai tomadas pela festa a Ganesh. Fotos: Divulgação e sandee pachetan/Creative Commons

Quem é: Kala é uma farmacêutica de Mumbai, orgulhosa de sua profissão, devota de Ganesh e está prestes a se casar.

Atriz: Tina Desai. Trailer da personagem no youtube.

Conflitos: A família e as amigas aprovam o casamento, só que ela não ama o futuro marido. Vive questionando se deve ser casar ou não, afinal, o cara é um bom partido, rico, todo mundo gosta dele e é apaixonado por ela.

Destino: Talvez por ser um destino com uma cultura mais diferente da ocidental, a Índia ganhou bastante espaço na série. Há uma cena de dança no melhor estilo de Bollywood, uma mega produção, outra parte em que mostra Mumbai durante a festa de Ganesh (foto) e o templo hindu frequentado por Kala também é um cenário frequente. Acho que é o lugar em que mais temos a sensação de imersão durante a série.

***

Se interessou? Então para começar a aquecer para a maratona de episódios (são 12 desta primeira temporada), veja uma das cenas mais bonitas da série – e a primeira vez que os oito sensates (como são chamados) se conectam ao mesmo tempo. Não tem spoiler e não estraga a surpresa, fique tranquilo – no meu caso, foi esse vídeo que me fez querer ver a série ❤

Links na bagagem :: Leituras da semana #11

Hoje quase fiz parzinhos de links: alguns têm conexão com outro por conta do tema. Recomendo, por exemplo, dois links sobre janelas e outros dois sobre Nova York. Para dar uma incrementada, coloquei no caldo Indonésia e minha musa Beyoncé (quem diria que ela apareceria por aqui). Divirtam-se!

A Beyoncé-inspired building will soon be a real thing in Australia – The Huffington Post

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Que as curvas da Queen Bey ganharam o mundo, isso todos já sabem (who run the world? o/). Mas agora o corpo da musa Beyoncé também serviram de inspiração para o formato de um prédio em Melbourne, na Austrália. A construção terá 68 andares e deve demorar 40 meses para ficar pronta. O escritório de arquitetura responsável pelo edifício, o Elenberg Fraser, declarou que o projeto é uma homenagem a cantora e foi inspirado nas imagens do clip da música “Ghost”. :O

Sobre viajar sozinha – Delícia de blog

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Minha amiga Raíra, viajada, ex-repórter da Viaje Mais e Guia 4 Rodas, tinha dado uma sumida do blog dela e voltou com dois posts ótimos inspirados em sua última viagem por Nova York <3. O que mais gostei foi esse, sobre viajar sozinha, por impulso, e ter sido maravilhoso. Me identifiquei muito com a sua descoberta de ser sua melhor companhia de viagem! E me identifiquei duplamente, porque foi em Nova York também que mais me curti sozinha. Keep posting, Rá!

Nova York quer construir primeiro parque subterrâneo do mundo – Mistura Urbana

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Falando em NY, achei super interessante essa notícia! Vai misturar sustentabilidade com um lado mais underground da cidade. A ideia do projeto é transformar um terminal de trem, abandonado desde 1948, em um parque subterrâneo. Além disso, prevê coletar a luz solar nos telhados circundantes e usar espelhos para refletir a luz para baixo. Se sair mesmo do papel, vai ser uma atração e tanto!

Línguas indonésia e portuguesa: semelhanças e confusões – Brasileiras pelo mundo

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Eu não sei vocês, mas eu jamais imaginaria que seria possível encontrar semelhanças na língua indonésia com a nossa. Se bem que o papiamento, idioma de Aruba, tem umas palavras bem parecidas com as nossas e isso também me surpreendeu. Neste post, a Gisele Altoé, que mora na Indonésia, conta um pouco das surpresas e confusões vividas por lá quando descobriu essas palavrinhas em comum – mas muito diferentes em seus significados.

História das janelas falsas – Conexão Paris

janelas falsas

Já tinha visto em algum lugar, provavelmente em alguma reportagem, essas janelas falsas pintadas de forma tão realística que enganam os passantes. O que não sabia era da história que havia por trás dessa brincadeira artística. Parece que houve um imposto cobrado de acordo com o número de portas e janelas de uma propriedade, que fez surgir essas falsas fachadas. O que parecia ser só uma intervenção artística esconde um retrato de uma época.

Fotógrafo português viaja o mundo e coleciona incríveis imagens de janelas – Follow the Colours

windows

Hoje os assuntos estão quase todos conectados né? Ainda sobre janelas, achei lindo demais o projeto Windows of the World, do fotógrafo português André Vicente Gonçalves que retrata janelas pelo mundo. Ele já fotografou várias em Portugal e de outros países que visitou. Há de todos os tipos, cores e épocas. De acordo com o blog FTC, ele documenta as janelas de acordo com a linha arquitetônica e compara a evolução desde as primeiras, que eram apenas buracos na parede.

Escala Cultural :: Edward Hopper

"Nighthawks", de Edward Hopper

“Nighthawks”, de Edward Hopper

Já parou para pensar quão melancólico pode ser um posto à beira da estrada? Quando fazemos uma pausa durante uma viagem, e acabamos parando em qualquer lugar que tenha banheiros limpos e um lanche honesto, é que podem vir à tona reflexões profundas sobre para onde ir, o que deixamos para trás e por aí vai. Esses intervalos podem causar também uma forte sensação de solidão, afinal, se está no meio do nada e longe de tudo.

No livro “A Arte de Viajar”, de Alain de Botton, há um capítulo inteiro dedicado a esse momento da viagem. Além desses postos de gasolina com lanchonetes, o autor discorre também sobre outros lugares de transição, como aeroportos, estações de trem e até mesmo quartos de hotel.

"Hotel Room" - Edward Hopper

“Hotel Room” – Edward Hopper

“As viagens são parteiras de pensamentos. Poucos lugares são mais propícios a conversas internas do que um avião, um navio ou um trem em movimento”, afirma. E são mesmo – quem nunca teve ideias brilhantes ou fez promessas a si mesmo durante uma viagem?

É por me identificar com essas reflexões que achei tão interessante as obras do pintor e ilustrador americano Edward Hopper (1882-1967), apresentadas neste capítulo do livro de Botton. Muitas de suas pinturas retratam pessoas solitárias – algumas delas em hotéis, estradas, postos, lanchonetes, cafeterias, vagões e paisagens de trens.

"Chair Car" - Edward Hopper

“Chair Car” – Edward Hopper

“As figuras de Hopper parecem distantes de casa; estão sentadas ou de pé, sozinhas, contemplando uma carta à beira da cama de um hotel ou bebendo num bar; observam um trem em movimento pela janela do quarto ou leem um livro no saguão de um hotel. Seus rostos são vulneráveis e introspectivos. Talvez tenham deixado alguém ou tenham sido deixados; estão em busca de trabalho, sexo ou companhia, à deriva em lugares transitórios”, reflete Botton.

"Automat" - Edward Hopper

“Automat” – Edward Hopper

Hopper era um pintor realista e, por conviver com os artistas da Escola Ashcan (movimento que buscava retratar cenas do cotidiano de Nova York) acabou sofrendo algumas influências. Um dos líderes do grupo era Robert Henri, com quem teve aula. Henri era politizado e queria que a arte fosse semelhante ao jornalismo.

Mas só de observar as obras de Hopper dá para ver que elas trazem algo mais do que apenas fatos ou representações de cenas cotidianas. Em uma época que se buscava enaltecer o glamour e os benefícios vida urbana, seus quadros mostram lugares vazios e/ou pessoas solitárias, ou seja, pagava-se um preço pelo progresso.

"Night Windows" - Edward Hopper

“Night Windows” – Edward Hopper

Ele começou ganhando dinheiro com ilustrações para revistas e jornais, chegando a fazer trabalhos para agências publicitárias e tudo. Só passou a ganhar a vida com suas obras após os 40 anos. Mas até chegar lá viajou muito – algo que se reflete bastante em suas pinturas, já que um dos principais temas é viagem.

Foi para Paris três vezes, onde teve contato com as obras de Rembrandt e a poesia de Baudelaire – fato destacado por Botton no livro, onde ele fala da atração de ambos por motéis à beira da estrada e pela vida urbana, por exemplo. Hopper também viajou bastante dentro dos Estados Unidos, tendo atravessado o país de cabo a rabo mais de cinco vezes.

"Morning Sun" - Edward Hopper

“Morning Sun” – Edward Hopper

Entre tantas idas e vindas, passou por inúmeros postos de gasolina, quartos de hotéis, botecos e deve ter sentido toda a liberdade e a solidão que a vida na estrada pode oferecer. Mesmo realistas, suas pinturas traduzem tudo isso. Viajar é maravilhoso, sim, o que não significa que não tenha lá uma boa dose de melancolia também – nas partidas, nas chegadas e até nas paradas.

Se Edward Hopper usasse Instagram e outras redes sociais

Se Edward Hopper usasse Instagram e outras redes sociais – Nastya Ptichek

PS: Uma artista fez releituras das obras de Hopper, como se os personagens retratados em seus quadros estivessem deprimidos nos dias de hoje, buscando companhias e consolo  nas redes sociais. Uma delas é essa imagem acima. Veja as outras.

Destinos xarás :: Nova York (EUA) x Nova Iorque (MA)

Começa hoje a série de posts Destinos Xarás, para mostrar as semelhanças e diferenças de lugares do mundo que levam o mesmo nome. Investigando suas origens, vamos descobrir também um pouco da história e da cultura de cada destino.

Aproveito para convidar vocês a participar: conhece alguma cidade que tenha o mesmo nome de outra? Lembra de alguma história curiosa sobre esses lugares? Manda pra cá no e-mail papetespelomundo@gmail.com

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Entrada da cidade de Nova Iorque (MA). Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Localização

Nova York (EUA): Cidade norte-americana e capital do estado de mesmo nome, na costa leste dos Estados Unidos.

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Nova Iorque (MA): Cidade do estado do Maranhão, a beira do Rio Parnaíba, bem próxima a divisa com o Piauí. Já mudou de lugar duas vezes, por conta de duas enchentes.

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Origem do nome

Nova York (EUA): Na época em que a região foi descoberta, em 1524, se chamava Nova Angoulême. Em seguida, se tornou uma colônia holandesa de comércio de peles e foi rebatizada de Nova Amsterdã em 1614.  Foi só em 1664, quando as terras foram repassadas para os ingleses, que o local passou a ser chamado de New York pelo Duque de York e Albany.

Nova Iorque (MA): A região abrigava a Fazenda Sussuapara até a chegada do americano Eduardo Burnet em 1871. O comerciante fundou a vila chamando-a primeiro de Vila Nova, mas anos depois mudou o nome para Nova Iorque em homenagem a sua terra natal.

População

Times Square. Foto: Débora Costa e Silva

Times Square em NY. Foto: Débora Costa e Silva

Nova York (EUA): São mais de 8 milhões de nova-iorquinos só na cidade – na região metropolitana são cerca de 19,7 milhões de habitantes.

Vendedor de frutas em Nova Iorque (MA). Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Vendedor de frutas em Nova Iorque (MA). Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Nova Iorque (MA): São 4.595 nova-iorquinos – quase o número da xará americana dividido por 2.000 (!).

Principais atrações

Estátua da Liberdade. Foto: Débora Costa e Silva

Estátua da Liberdade em NY. Foto: Débora Costa e Silva

Nova York (EUA): A lista não tem fim. Tem ícones, como a Estátua da Liberdade, o Empire State Building, a Brooklyn Bridge, regiões inteiras como a Times Square, as galerias do Soho, mercados como o Chelsea Market, lojas famosas como a FAO Schwarz e a Apple, teatros da Broadway, bares e restaurantes da moda, locações de séries e filmes e inovações como o High Line. São cerca de 50 milhões de visitantes por ano!

Praia do Caju. Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Praia do Caju. Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Nova Iorque (MA): Enquanto a xará americana atrai visitantes pelo agito da selva de concreto, a cidade maranhense atrai pela calmaria de sua única atração turística: a Praia do Caju. Do outro lado do Rio Parnaíba, no Piauí, a construção da barragem de Boa Esperança resultou em uma praia de água doce, que atrai locais e moradores de cidades próximas para curtir o fim de semana – já chegou a reunir 12 mil pessoas em um só dia!

Catástrofes

Ataque terrorista às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001. Foto: Portal Metropole

Ataque terrorista às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001. Foto: Portal Metropole

Nova York (EUA): Entre as catástrofes que a cidade americana viveu, estão o Grande Incêndio de Nova York em 1776, que destruiu um quarto dos edifícios da cidade, e o incêndio na fábrica de Triangule Shirtwaist, em 1911. A pior de todas todo mundo conhece: o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001, quando duas aeronaves destruíram as torres gêmeas do complexo World Trade Center.

Boa Esperança. Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Barragem Boa Esperança. Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Nova Iorque (MA): Enquanto as catástrofes da xará americana foram causadas pelo fogo, as do município maranhense foram pelas águas. Duas enchentes já devastaram a cidade: uma do rio Parnaíba e outra da barragem Boa Esperança, o que fez com que Nova Iorque tivesse que mudar de endereço duas vezes.

Maior construção

Skyline de Nova York (EUA) com o One World ao fundo. Foto: Débora Costa e Silva

Skyline de Nova York (EUA) com o One World Trade Center ao fundo. Foto: Débora Costa e Silva

Nova York (EUA): A torre One World Trade Center, concluída em 2014 na área onde ficavam as torres gêmeas, com 514 metros de altura.

Igreja de Santo Antonio, uma das construções de Nova Iorque (MA). Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Igreja de Santo Antonio, uma das construções de Nova Iorque (MA). Foto: Agamenon Pedrosa Ribeiro da Costa

Nova Iorque (MA): Há controvérsias: uns dizem ser o prédio da padaria, outros a igreja de Santo Antônio. 

Com colaboração de David Santos Jr.

Links na bagagem :: Leituras da semana #10

Eba! Completamos 10 posts só de links legais relacionados ao mundo dos viajantes! \o/

O costume de reunir meus favoritos da semana em posts tem sido muito prazeroso e espero que útil para quem lê também. Vamos à lista da vez?

A ciclovia e um novo tempo na Avenida Paulista – Raquel Rolnik

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No domingo retrasado, dia 28 de junho, foi a estreia da ciclovia da Avenida Paulista, que ficou fechada para a circulação de carros. O dia foi definitivamente um marco histórico para São Paulo e um símbolo da transformação urbana que a cidade vem passando, com mais atividades culturais abertas ao público e maior incentivo a bicicleta como meio de transporte. Neste texto, a urbanista Raquel Rolnik traz um pouco da trajetória da Avenida Paulista (além de tudo, um ponto turístico também) e faz reflexões sobre o que foi este marco e o que pode vir pela frente.

Projeto Andarilha

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A Ana Luiza Gomes, dona de um blog que eu adorava, o A Pattern a Day, criou mais um projeto lindo, o Andarilha. Em suas próprias palavras: “Caminho para registrar, salvaguardar e difundir histórias de pessoas criativas que também buscam, em sua cultura e em suas trajetórias de vida e família, referências para fazer projetos inspiradores”. No site, ela escreve uma história por mês e ainda mantém um blog com outros projetos e descobertas cheias de inspiração. Os textos são deliciosos de ler, vale o clique 😉

Qual câmera comprar? – Dicas de Fotografia

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Um dos sites mais didáticos e interessantes sobre fotografia está chegando ao fim 😦 mas está encerrando em alto estilo, com um ebook gratuito com todo o conteúdo já publicado e esse post maravilhoso, que é para salvar nos favoritos e espalhar para os amigos que estiverem em dúvida sobre qual melhor equipamento. E de cara a autora já adianta: se está no começo, compre qualquer uma.

No texto, ela faz uma analogia entre fotografar e cozinhar e explica: “Se você está começando a fotografar não vai fazer diferença a câmera que está usando. De início, o objetivo será aprender o básico: picar cebola! Ou, voltando pra fotografia, medir a luz, focar e compor. E isso dá para fazer com qualquer câmera que tenha controles manuais”. But don’t panic: depois ela traz detalhes sobre cada tipo de câmera para te ajudar.

10 fotos incríveis de longa exposição – 360 meridianos

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Falando em fotografia, essa seleção de imagens é para inspirar qualquer um a querer sair do sofá e fotografar o mundo agora! A longa exposição acontece quando você diminui a velocidade do obturador e assim permite que entre mais luz na câmera para registrar uma imagem. Para ter um resultado bem legal, é necessário ter um tripé para que a foto não saia tremida. E a seleção feita pelo 360 meridianos traz 10 diferentes situações em que a longa exposição transforma a foto.

Lugares de séries de TV que existem de verdade – Chicken or Pasta

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Seinfeld, Friends, Sen and The City e tantas outras séries têm picos de Nova York como cenário. Aliás, o turismo de séries é algo de sucesso absoluto na cidade. O post acima traz uma relação desses lugares, mas não apenas na Big Apple, mas também em outras cidades norte-americanas. Dos que mais gostei (e me arrependo horrores de não ter ido) é a seleção dos lugares que apareceram em Seinfeld, meu seriado do coração – a lista dessa série especificamente foi feita pelo The New York Times.

Porque “não se preocupe com dinheiro, apenas viaje” é o pior conselho de todos os tempos@crismedias no Medium

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Então, eu tenho uma tendência forte a gostar de textos que vão contra essa coisa de “largue tudo e vá dar a volta ao mundo”. Juro que não é coisa de gente amargurada que não fez isso, mas é que eu acho que esse “conselho” não serve para todo mundo, nem para qualquer momento da sua vida.

Viajar serve para curar muitas coisas e é maravilhoso, é óbvio, mas eu acho que começou a virar uma onda muito forte isso de largar tudo e ser nômade digital – e se você não é, é um looser, não sabe aproveitar a vida, é um idiota que está no sistema etc etc etc. E esse texto, apesar de meio raivoso, acho que explica bem que não dá para todo mundo viver assim e tá tuuuudo bem!

Hospedagem :: Onde ficar em Amsterdã, Londres e Paris

Assim que combinamos que eu ia acompanhar minha irmã pela Europa, meus pais já agilizaram as passagens e começaram a negociar a hospedagem com uma agência de turismo, a Go Viagens Personalizadas.

Eu já tinha levantado com amigos alguns nomes de hostels, mas os preços que a agência descolou para ficar em hotéis tipo 3 estrelas estavam bem bons, não tinha uma diferença significativa entre as duas opções. Por segurança e conforto, meu pai achou melhor que ficássemos em hotéis e assim foi. Minha mãe pesquisou as melhores regiões e a agência foi atrás de hospedagens em cada uma dessas áreas.

Segue abaixo um breve relato de cada um deles – lembrando que fiquei hospedada em maio de 2014 e justamente por isso não colocarei os preços, pois já estão desatualizados 😉

AMSTERDÃ :: Cordial

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã. Foto: Divulgação

Tínhamos reservado o hotel Rembrandt, mas pouco tempo antes da viagem rolar a agência nos informou que ele estaria em reforma. Trocamos por este, que de forma geral atendeu bem nossas necessidades.

Localização: Nota mil! Fica na Rua Rokin, entre duas grandes praças, a Dam Square e a Rembrandtplein, e basicamente estávamos perto de tudo, mas sem estar no meio da muvuca do centrinho mais turístico. A própria rua do hotel fazia parte da rota do tram (bondinho elétrico da cidade). O único inconveniente é que na época em que fomos a via estava em obras e dependendo do horário, o barulho era bem incômodo.

Quarto: Era meio pequeno, mas era bem confortável, o banheiro era limpinho e é isso que vale. Uma das facilidades era o elevador, mas nos surpreendemos aos chegar no nosso andar e ter que passar por alguns degraus até o nosso quarto. Fica a dica: se estiver com malas pesadas, verifique se o hotel possui elevador. Deixamos de lado várias opções por não oferecerem essa facilidade.

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Rua Rokin estava parcialmente em obras em maio de 2014, mas já estava aberta para a passagem do tram. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã: Era bem honesto e comeríamos lá todos os dias, não fosse o fato de que tínhamos que pagar à parte. Acabamos indo só no primeiro dia e depois exploramos outros cafés pela cidade para dar uma variada.

Serviços gerais: De maneira geral, o wifi funcionou bem durante a nossa estadia. Só dava para ver a diferença quando conectávamos no lobby – ali a conexão era bem mais rápida. Quanto ao atendimento, todos foram atenciosos com a gente, nos ajudaram com tudo o que precisamos. Outro serviço que nos foi útil foi a máquina que vendia bebidas e salgadinhos no lobby – nos salvou de alguns momentos de fome no meio da noite 🙂

LONDRES :: Tune Paddington

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Fachada do Hotel Tune Paddington, em Londres. Foto: Divulgação

Localização: Como quase todo lugar em Londres tem metrô próximo, acho que qualquer hotel que ficássemos teríamos uma boa localização. Neste caso ficamos bem próximas de várias atrações e foi ótimo, mas no começo sofremos um pouquinho.

Saindo do Aeroporto de Heathrow, pegamos um trem direto para a estação Paddington, onde iríamos descer já. Isso foi lindo, mas andar com as malas até o hotel não foi tão tranquilo assim. O que no mapa parecia ser bem próximo, na verdade rendeu uma caminhadinha considerável: eram dois longos quarteirões – que pareciam ser seis.

Achamos que esse seria nosso caminho diário, até que na volta de um passeio resolvemos testar outra estação que parecia estar a mesma distância, só que para o lado oposto. Foi a melhor decisão da viagem: descobrimos que a estação Edgware Road era bem mais próxima do que a Paddington, só a dois quarteirões (do tamanho de dois mesmo rs).

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Barzinho do hotel Tune Paddington vendia bebidas e lanches. Foto: Divulgação

Quarto: Confortável, limpo e compacto, ou seja, perfeito para duas pessoas. E dessa vez nada de barulho!

Café da Manhã: Não servia café, mas tinha um bar que vendia bebidas e salgadinhos. Meio caro, mas em uma emergência salvava.

Serviços gerais: O wifi era nota dez, funcionou no quarto e no lobby numa boa. Ele tem o estilo de um hostel na decoração mais arrojada e colorida.

PARIS :: Verlain

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Variedade de pães, queijos e geleias no café da manhã do Verlain. Foto: Débora Costa e Silva

Localização: O hotel fica a menos de um quarteirão da estação de metrô Rue Saint-Maur, próximo também do Cemitério Père Lachaise. A localização foi tão boa que em dias de chuva, passávamos bastante tempo no bairro, conhecendo as lojinhas e restaurantes e amamos. Aliás, por conta da chuva também é que valorizamos ainda mais o fato de o hotel estar tão próximo do metrô.

Quarto: Assim como os outros, era confortável e limpinho, mas com um plus: uma pequena sacada que dava todo charme ao ambiente. A vista não era da torre Eiffel, mas víamos outros prédios igualmente fofos em frente.

Café da Manhã: O melhor da viagem – e o melhor dentre muitas outras viagens também. Variedade de pães  e queijos (todos deliciosos), geleias mil e até Nutella em sachê, senhoras e senhores! O suco de laranja também era muito bom – algo que sempre tenho dificuldade para encontrar fora do Brasil. Enfim, basicamente a estadia valeu por conta das nossas manhãs.

Serviços gerais: O wifi não funcionava bem no quarto – tanto que minha irmã e eu vira e mexe ficávamos no lobby terminando de mandar fotos e teclando antes de subir para o quarto, na zona quase offline do hotel. A maioria dos funcionários foi bem simpática também, mesmo quando não nos entedíamos por conta do idioma.

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Vista da varandinha do quarto do hotel de Paris – com direito a arco-íris após a chuva. Foto: Débora Costa e Silva

Gente que viaja :: Marito de Bariloche

Marito no balcão, na visita que fiz a Bariloche em 2012

Marito no balcão, na visita que fiz a Bariloche em 2012

Bariloche tem todo um significado para mim. Foi onde vi a neve e esquiei pela primeira vez, aos nove anos. Tive a oportunidade de voltar mais duas vezes. Na segunda visita, em 2012, procurei lugares que talvez eu pudesse lembrar da primeira vez em que estive lá. Foi uma missão difícil, pois eu era criança e a memória não me ajudou, sem contar que a cidade mudou muito. Mas dentre os lugares que pudessem ser familiares, uma lojinha me chamou a atenção.

Não posso afirmar se já estive lá quando era pequena, mas é bem provável, já que ela é uma das mais antigas em funcionamento, desde 1924. O tipo de suvenir vendido ali me lembrou os que eu e minha mãe trouxemos para casa na época – entre eles, um ímã com pedaço de madeira esculpida em formato oval com pinturas de bonecos de neve, montanhas e outros símbolos da região.

Outra coisa que me chamou a atenção foi o simpático senhor atrás do balcão. Sorridente, ele não deixa de cumprimentar ninguém que entra na loja. Mesmo enquanto está atendendo um cliente, ele olha em direção à porta e fala: “buenas tardes, aqui se encuentra lo mejor precio de Bariloche!”

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Nessa última visita, agora em junho de 2015, quando entrei na loja tive a sensação de já conhecer o lugar. Mas foi quando ele apareceu no balcão e me cumprimentou é que as memórias voltaram.

Mario – “para as mulheres Marito” – tem 84 anos, sendo que 42 deles viveu sem o cigarro. “É por isso que ainda estou vivo e saudável”, disse todo orgulhoso. “Trabalho de 10 a 12 horas por dia sem problema algum”. Outro motivo de orgulho é sua vida amorosa: casou-se cinco vezes! É muita saúde mesmo! “Pero… Agora vivo de recuerdos”, lamentou rs.

Nasceu, cresceu e viveu a vida toda em Bariloche e quando perguntei se já havia viajado bastante, ele foi enfático: “nem a palo, no me gusta!’ Mas por quê? “Tenho pavor de avião! Eu gosto é daqui, Bariloche é linda!”.

Mas já foi melhor. Ele se lembra da época em que a cidade era vazia e menos desenvolvida. “Agora tem muita gente, dos anos 70 em diante começou a lotar e hoje em dia tem muito pobreza, gente passando fome. Não tem trabalho para tanta gente assim”, comenta.

A loja foi fundada pelo seu pai e ele deu sequência ao trabalho, mas antes de assumir o balcão, curtiu muito as belezas de Bariloche atuando como fotógrafo. Ele acompanhava grupos e registrava as viagens desses turistas. Foi assim que conheceu a região de cabo a rabo. “Eu mesmo revelava, fazia tudo – e conheci muitas mulheres também”, conta aos risos.

Pedi para que escolhesse seu lugar preferido de Bariloche. Ele saiu e voltou com um papel enrolado na mão. Era uma foto ampliada do cerro El Tronador. Disse que é a montanha mais bonita que conhece e me deu a foto de presente para que um dia eu pudesse visitar.

Links na bagagem :: Leituras da semana #9

Essa semana o assunto tá bem variado por aqui. Eu diria até que está numa fase hard news, com assuntos meio incomuns de aparecerem nos noticiários de turismo, tipo Haiti, o museu de armas da Rússia (!?!) e um iraniano dando uma daquelas volta ao mundo muito loucas.

Mas tem também duas dicas mais relacionadas à tecnologia, como o mapa mostra livros para cada destino e o infográfico que revela os lugares mais buscados em banco de imagens. Divirta-se!

O que eu aprendi com o Haiti – 360 Meridianos

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O Gustavo Azeredo conta neste texto suas impressões do país quando esteve por lá turistando. Isso mesmo, ele foi para o Haiti a passeio. Acabou se hospedando em um lugar que era “meio Ong meio hostel” e logo no primeiro dia já presenciou uma manifestação com pedras e pneus queimados. Mas também visitou museu, montanhas, cachoeira e praia com mar caribenho. Inusitado é pouco, vale a pena ler o relato!

Erros que a gente pensa que é muito esperto para cometer em viagens – Go to Gate

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O blog da Bruna Caricati é demais e eu adoro quando ela faz essas listas com dicas mega práticas para viajantes. É o caso desta daqui, que reúne umas coisas que às vezes esquecemos, e outras que nem sabemos. Eu mesma uso super pouco as vantagens do meu cartão de crédito por pura preguiça falta de costume. Outro toque legal é a de verificar bem o carro que vai alugar e fotografar para não pagar por danos que você não causou.

Infográfico traz imagens dos países mais procurados do mundo – Follow the Collors

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Genial este infográfico do banco de imagens Shutterstock, que mostra quais países têm sido mais procurados no sistema. O resultado? Eu jamais acertaria: Madagascar. Outra informação interessante é a palavra-chave mais buscada. A que teve mais crescimento foi “aventura”. É legal para ter uma ideia das tendências de viagens 😉

Putin abre parque temático com armas ao invés de brinquedos – Marcelo Rubens Paiva

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Daquelas coisas surreais que a gente encontra por aí: a Rússia está inaugurando a Disneylândia Militar. O presidente Vladimir Putin criou este parque para celebrar os grandes feitos da URSS, mostrar armas antes secretas e, pior, deixar crianças brincarem com  lançadores de granadas, tanques e afins. No final, a lojinha vende camisetas com o rosto de Putin e banners com dizeres patrióticos da Segunda Guerra. Tem gosto para tudo…

Iraniano para volta ao mundo em barco-bicicleta por multa da receita – Folha de S. Paulo

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Imagine topar no meio do trânsito com essa máquina? Minha amiga Andrezza teve a honra de encontrar esse barco-bicicleta estacionado na garagem do seu prédio e divulgou essa notícia bizarra. Apesar de o cara ter levado uma multa (e ser essa a notícia), eu já fiquei chocada com a aventura inusitada que esse cara se propôs.

Ebrahim Hemmatnia começou sua viagem em Dacar, no Senegal, com destino a Fortaleza. Depois de atravessar o Atlântico, ele veio pedalando até São Paulo. Após resolver as burocracias causadas pela Receita, ele pretende seguir até a Argentina, depois passar pelo Chile e pelo Peru e de lá atravessar o Pacífico até a Austrália! 😮

Google Maps dos livros mostra onde cada história se passa – Catraca Livre

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Minha amiga Maíra que postou esse projeto sensacional, o Lovereading. Uma organização britânica marcou em um mapa as localizações de diversas obras literárias – já são mais de 200! Por enquanto ainda não inclui o Brasil, mas a boa notícia é que qualquer um pode adicionar itens ao mapa. A ideia resultou em uma ferramenta ótima que pode te ajudar a escolher o livro de acordo com o destino ❤

I was going through followers other day – Oh I see Red!

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Pra fechar, um texto que nada tem a ver com viagem, mas com blogs. A artista Red Hong Yi, que faz retratos incríveis de tudo quanto é tipo de material, compartilhou esse manifesto que diz basicamente: não desista do seu blog. O autor conta que vários sites que acompanha dão intervalos longos e às vezes nunca mais voltam a ser atualizados.

Ele pede que insistam em seus relatos, mesmo tendo poucos leitores, pois o objetivo não pode ser só audiência. A ideia é ver o seu blog como uma contribuição sua para o mundo, que cada um tem sua voz e sua visão e nenhuma merece ser descartada. Ler isso me deu ainda mais gás para manter o Papetes atualizado, aconteça o que acontecer 🙂

Desabafo :: Reserva #fail e mau atendimento em pousada

tumblr_inline_norip93Ury1qc22fu_500 No mundo cor-de-rosa do turismo, tudo é divino, maravilhoso: praias paradisíacas, comidas típicas, museus a céu aberto, ahhh viajar é tudo de bom né? É, quase sempre, quando não damos o azar de ter imprevistos, passar perrengues e ser mal atendidos, tá tudo certo. Coisas assim podem estragar uma viagem que tinha tudo para ser incrível e acaba virando inesquecível só que pelos motivos errados. Foi o que (quase) aconteceu neste último fim de semana em que estive em Ubatuba. A organização da corrida que eu e meu namorado fomos fotografar havia reservado duas noites para a gente na Pousada Praia de Itamambuca. Na sexta-feira, antes de sair de São Paulo, ligamos para confirmar e pegar o endereço certinho, mas o dono do estabelecimento alegou que não sabia de reserva nenhuma. Disse que o responsável pelas parcerias com as hospedagens sempre avisava as coisas em cima da hora, que estava cansado disso e não iria nos hospedar naquela noite. Estranhamos e achamos melhor viajar só no dia seguinte. tumblr_m9c5h19rVH1r835q9 No sábado, já no local do evento, o pessoal da organização confirmou que a reserva havia sido feita, sim, para os dois dias nesta pousada em questão. Que estranho. Bom, ok, perdemos uma manhã de praia, mas tá bom. Após o trabalho, chegamos na pousada à noite. Na recepção vazia, havia uma placa pedindo para tocar um sino caso não houvesse ninguém. Tocamos e logo em seguida apareceu o dono. “Vocês que ligaram ontem?”, perguntou. “Sim, sou o fotógrafo da corrida de amanhã”, disse meu namorado. E então ele esbravejou e começou a falar absurdos. Disse que já estava indo dormir, que não estava sabendo de nenhuma reserva em nosso nome. Dissemos então o nome do responsável pela reserva e ele disse que esse cara vira e mexe fazia isso, de não avisar as coisas com antecedência, mas que não ia ligar para ele para confirmar nada, e nem queria que ligássemos, pois ele NÃO ia nos hospedar. tumblr_inline_npqyqcrsUu1qc22fu_500 Disse inclusive que tinha até quarto vago, mas que ele não ia abrir o escritório e mexer no controle das hospedagens aquela hora. Disse que trabalhou o dia inteiro, que dirigiu sei lá quantos quilômetros e que estava cansado. Nos acusou de estar aplicando um golpe de tentar se hospedar de graça, mas mal nos deu chance de explicar nossa história. Ele não queria saber. Inclusive disse: “eu não sei quem são vocês!” E tudo isso gritando! Eu disse que nós estávamos numa situação complicada, pois também estávamos ali a trabalho, também nos foi prometido aquela hospedagem e agora não tínhamos onde ficar. Então pedimos uma indicação a ele, e ele se NEGOU a indicar outra pousada. “A rua tá cheia de pousada, procurem! Eu não vou indicar lugar nenhum!” tumblr_mkqimsIvr61ruw1vso1_500 Disse também que ali não era uma pousada comum, era uma hospedagem para amigos e pessoas de confiança. Ora, não era então o caso de tirar a placa “Pousada”? Pois em QUALQUER hospedagem que se vá pedir um lugar para dormir, as pessoas são tratadas de outro jeito. Ele poderia não saber da reserva por uma falha de comunicação entre a organização do evento? Poderia. Mas se ele fosse minimamente educado, ele nos daria a chance de ligar para a pessoa responsável e pedir uma explicação. Ele não nos permitiu fazer isso. Ele poderia dizer que não aceitaria nos hospedar com cortesia? Claro, e poderia ter nos dito o valor da diária e nós pagaríamos. Ele poderia não querer nos hospedar ou até não ter quartos? Sim, e nós entenderíamos, se ele não tivesse sido grosso e pudesse até nos indicar um outro lugar. giphy Além de ter tratado mal pessoas que, como ele bem falou, “não sabe quem são”, ele ainda perdeu clientes e uma bela chance de ganhar mais recomendações. Ele realmente não sabe quem somos, se somos influentes, se somos sacanas, se somos pessoas do bem…. Enfim, ele descontou toda a raiva dele em mim e no meu namorado! Nós não temos culpa de que um dia, talvez, ele tenha sido sacaneado. Uma pena, a sorte é que estávamos de bom humor, não criamos confusão, saímos de lá e com a ajuda do garçom do restaurante Padang, conseguimos nos hospedar na Pousada Marthi, onde tivemos uma experiência ótima e uma lição de vida: não deixe que o mau humor dos outros e as más atitudes estraguem sua viagem. Nesse mundo há de tudo: pessoas que te expulsam de um lugar à noite, e pessoas que te acolhem. Alguém aí já ficou sem ter onde dormir em uma viagem por ter tido um problema com a reserva, por falha de comunicação ou qualquer outra situação bizarra como esta? Conte aí nos comentários ou me escreva! Vou selecionar as melhores (e/ou piores) e publicar por aqui. Turistas unidos jamais serão vencidos 😛

Como

Como eu me sinto quando sou mal atendida e perco minha hospedagem

Bate-volta :: Paraty (RJ)

PARATY

O plano era ir para Ubatuba fotografar uma corrida com meu namorado. Só que com ele é assim: uma vez na estrada, sempre na estrada. Parece que tem um ímã que vai puxando a gente para outros caminhos.

Uma hora ele falou: estamos bem pertinho de Paraty, vamos lá comer alguma coisa e voltar? E assim fomos, com todas as malas e equipamentos no carro, aproveitar o fim do dia por lá.

Admito, com vergonha, que nunca tinha ido. E até então tinha uma “coisa” por Paraty, era tipo um sonho que nunca dava certo de realizar. Flips e Paratys em Foco passaram, idas e idas até o Rio também e nada. Como diz minha mãe, “de pensar morreu um burro”, e nada fiz. A primeira vez teve que ser assim, de supetão mesmo – e foi muito mais legal!

Achei tudo tão bonito quanto imaginava e via nas fotos mesmo. Mas só estando lá para saber como o charmoso chão de pedras dificulta a caminhada, te obrigando a entrar no ritmo da cidade e andar devagar.

As poças d’água refletindo o casario eram outra expectativa. Tava louca para brincar de fotografar isso. E mais uma surpresa boa: a maré estava alta e a rua mais próxima ao mar virou um rio. Vejam aí as fotos (nem tudo saiu lindo como eu vi, as imagens foram feitas só com o celular).

Carrinhos que vendem bolos são super tradicionais, tem um em cada esquina do centro histórico

Pátio da Casa da Cultura de Paraty, onde tem café, auditório e várias exposições

Fusquinha dos noivos que casavam na igreja ❤

O legal de ir à noite é que o centro histórico e seus casarões ficam todos iluminados

No início do passeio, toda e qualquer poça pareciam já dar um super efeito

Mas aí encontramos essa igreja e a rua parecia um rio!

Mas aí encontramos essa igreja e a rua parecia um rio!

E a rua ao lado estava ainda mais impressionante, por conta das cores das casas e lojas

No fim andamos muito, conhecemos a Casa da Cultura da cidade que é linda, tomamos um mate e fomos embora. Foi como ter dado uma espiada rapidinho, só para sentir o gostinho, e pronto. Bate-volta tem dessas, parece que entramos em uma cápsula do tempo e vem até uma sensação de que estávamos sonhando.