Roteiro musical em NY :: Aladdin

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A viagem a Nova York foi a trabalho e a pauta principal era a cena musical da Broadway – o que rendeu essa matéria aqui com um roteiro especial para fãs do gênero.

Aproveitei a ocasião para ficar mais alguns dias e, de quebra, fazer logo uma viagem bastante musical – em todos os sentidos: teve coral no Harlem, museu e até karaokê. Vou escrever sobre cada uma delas, começando pelo espetáculo que mais me marcou: Aladdin

* Este post é totalmente parcial e apaixonado *

É a montagem que aguardei a VIDA para assistir, pois era meu desenho favorito da Disney. Superou as expectativas e me juntei às crianças que choravam de emoção nas cenas fofas ou levaram sustos com os efeitos especiais do gênio. As danças, os cenários, o figurino, as coreografias, enfim, foi tudo perfeito.

Bom, e o gênio é uma atração à parte: o ator James Monroe Iglehart deu um toque mais suingado ao personagem e misturava nas danças e nas músicas um pouco de R&B. Interpretação sensacional que rendeu um prêmio Tony no ano passado. No vídeo abaixo tem o agradecimento dele e uma palhinha do musical:

Apesar de a abertura ser bastante impressionante, os números que realmente me impactaram foram das músicas “Friend Like Me” (quando surge o gênio), “Prince Ali” (que no desenho eu achava até meio chatinha, mas no teatro a apresentação é de embasbacar) e, claro, “A Whole New World”, a baladinha do casal, que é quando o melhor dos efeitos visuais acontece: ***spoiler alert*** eles passeiam no tapete voador. Ok, quem lembra do filme já sabia e acho não tem problema estragar a surpresa, eu juro que ao vivo o encanto continua sendo grande.

Na saída, ainda fiz a tiete e fui lá esperar os atores para tirar uma foto e pedir autógrafo. E valeu a pena, principalmente pelo segurança que fica ali na porta do camarim, o Steve. Ele já tinha trabalhado no Rei Leão, Mary Poppins e no Good Morning America.

Cada vez que a porta abria, os fãs apontavam a câmera e se amontoavam na grade. “Relax! Quando o gênio sair, vocês vão saber!”, dizia ele. “Já sabem o que vão pedir? Vocês só terão direito a um pedido para o gênio!”, brincava.

“Eu amo meu trabalho. E essa é a melhor parte, a hora mais divertida”. Ele acaba sendo responsável por entreter a galera na espera. Ali, ele era o gênio que tinha o poder de abrir uma porta e realizar os desejos dos fãs.

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Adam Jacobs, o Aladdin, posando com as crianças na saída do teatro

Ficar doente em uma viagem – quem nunca?

df69bbdcc3bd1c3d26f27e7a848d47eaEstou de repouso em casa desde ontem, curtindo uma gripe adoidada, e comecei a pensar o quanto ficar doente estraga os planos do dia, do fim de semana… e de uma viagem. Sim, estraga, mas estraga ainda mais se você ficar pensando nisso amargurado (o que  já fiz algumas vezes). Porque sempre é possível adaptar o programa e aproveitar o dia mesmo abatido por uma gripe ou torcicolo.

E sobre isso tenho experiência de sobra. Foram incontáveis gripes, gargantas inflamadas, febres, torcicolos, assaduras, pés e joelhos machucados. Não sei se é olho gordo, se sou eu que me auto-saboto ou se meu organismo é fracote mesmo e dei azar. Anyway, sem conclusões, mas quer saber? Todas elas me trouxeram boas histórias e risadas, me ajudaram a testar a paciência dos companheiros de viagem – e os serviços de primeiros socorros dos hotéis – e conhecer gente fofa que me ajudou a melhorar.

Ah sim, e a cada viagem que passa, a necessaire de primeiros socorros só engorda.

Gripe a la cubana

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Em Cuba, minha primeira viagem de férias remuneradas, fiquei super doente por conta do choque térmico entre o calor da rua e o ar condicionado congelante dos ônibus rodoviários (sério, nunca passei tanto frio numa viagem de ônibus como esta de Havana para Trinidad). Chegando lá, eu e o Daniel, mi compañero de Cuba, nos hospedamos em uma casa particular de uma família bem católica. As anfitriãs eram uma senhorinha fofa e sua filha, Yaqueline (foto, ao lado do rango maravilhoso que ela cozinhava pra gente).

Sabendo que estava ruim da garganta, gripada e com febre, Yaqueline todo dia de manhã me oferecia uma colher de mel com limão. Lá não tinha remedinho e para ir ao hospital eu teria que enfrentar uma boa dose de burocracia. Fui levando da forma que dava, mas essas doces colheradas, cheias de carinho de mãe, me fizeram melhorar bem.

Perder eu não perdi quase nada, mas passei bem mal em um passeio de barco, porque estava com febre e estava muito calor, e perdi o pique para fazer as coisas – mas graças ao Daniel, eu ia – cambaleando de febre, mas ia. Chegou um momento da viagem que dei um basta: não ia parar tão cedo de assoar o nariz e tossir. A febre já tinha passado. Quer saber? Mojito nela! A bebida tem hortelã, rum e limão – mal não ia fazer, pelo contrário! O humor ficou ótimo e sobrevivi.

Um adendo importante: ficar gripada exige um grande volume de papel higiênico, certo? Agora pense passar por isso em Cuba, lugar em que você leva sabonetes para distribuir entre os cubanos porque o governo não fornece produtos de limpeza e higiene em abundância. Resultado: virei a ninja de estocar papel higiênico, mas também tive que me virar para subornar as faxineiras dos postos rodoviários que não queriam me ceder mais papel, nem me vender porque havia fiscalização. E, em alguns casos, eu simplesmente roubei, porque meu nariz escorria (mal ae Cuba).

Torcicolo no Rio Quente (GO)

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Eu tenho uma certa facilidade de dar mau jeito no pescoço, nos ombros e nas costas. Já tive que usar algumas vezes aquela coleira de contenção no pescoço – inclusive ir para a escola com ela (ah, traumas, traumas). Mas quando fui a trabalho para o Rio Quente Resorts, em Goiás, fiquei dura – não sei se foi de dormir no avião, ou a cama, o que foi que me estragou, mas fiquei bem mal, incomodada o dia inteiro, ainda mais tendo que andar com uma câmera pesada pendurada no pescoço.

A descoberta feliz da viagem? Eu estava no lugar certo para quem sofre com dores musculares! Eu tinha a minha disposição dezenas de piscinas de águas quentes e relaxantes, e ainda por cima, uma delas oferecia uma queda d’água fortíssima, ultra recomendada para o meu caso. E lá fui eu disputar com os velhinhos um lugar debaixo da cachoeira de água quente. E passei o máximo de tempo possível da viagem dentro da piscina para amortecer as dores.

Aprendizado da vez: sempre coloco na mala minha “coleira” curadora de torcicolo, porque nunca se sabe…

Caribe rima com gripe

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Porque não é possível! Fui para a Aruba dois anos depois de Cuba e adivinha? Uma gripe forte me atacou. Quando eu digo gripe, não é um nariz com coriza apenas, é todo o pacote: fico sem voz, mal consigo engolir, minha cabeça e meu corpo doem, tenho febre e não respiro direito.

De novo, acho que foi culpa do choque térmico. Acho que no Caribe o pessoal não tem muita noção da temperatura do ar condicionado e exagera na dose. Eu entrava no hotel e sentia meu cabelo balançar com o vento de tão frio que estava!

A gripe pegou de vez depois de um jantar maravilhoso, em um restaurante com um jardim com piscina no meio, tudo muito chique. Mas o glamour durou 15 minutos, porque começou a chover. Caiu uma tempestade mesmo, os garçons corriam de um lado para o outro tentando improvisar guarda-chuvas. a nossa mesa tinha umas oito pessoas e nos deram só dois. Foi hilário, os pratos transbordavam água da chuva, a turma deu muita risada.

E tava tão quente, tão calor, que nem liguei de tomar chuva. Junte isso aos choque térmicos e violá: gripada. Minha sorte (que ironia) é que nessa semana em Aruba, apenas um dia fez sol de rachar. Nos outros, apesar do calor insuportável, o céu estava nublado – o que facilitou minha vida, já que passei uns dias com febre e o sol acabaria comigo.

A participação especial ficou por conta da guia Amayra (foto), uma típica arubana bem humorada, espirituosa, gordinha, às vezes meio brava – mas durava pouco, só para no final da bronca ela abrir um sorriso enorme e gargalhar. Basicamente ela parecia a mãe da Lilo, do filme Lilo & Stich. E ela se mostrou uma maezona me dando pastilhas, remedinhos, dicas e até um protetor labial. Tá tudo dando errado e vem uma pessoa dessa… como não amar? ❤

Doidona de altitude

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De uns anos para cá, a frequência de gripes e acidentes até que deu uma diminuída. Claro que aí fui ganhando confiança e me achando imune a tudo – inclusive em relação ao esqui, esporte que descobri ser minha verdadeira vocação. É um pouco perigoso e para ter uma queda daquelas não precisa de muito. E ainda assim volto para casa inteira? Pronto, acabou a ziquizira, né?

Hahaha bobinha! Aí é que fomos surpreendidos novamente! Não, eu não caí (to falando que eu mando bem no esqui! :P), foi quase, mas não por causa de uma manobra errada, mas por efeito da altitude elevada da montanha.

Era coisa de 3.000 metros – eu já tinha experimentado no Atacama algo assim e deu tudo certo. Só que dessa vez, em Lake Tahoe (Nevada/Califórnia), a subida no teleférico da estação Heavenly ia de uma vez só até o topo. Sem ter tomado um café da manhã adequado (com frutas, ovos, pão) nem ter me hidratado o suficiente, cheguei lá em cima cansada como se tivesse apanhado.

Não dei muita trela, era cedo, tinha o jetlag, os equipamentos de esqui são pesados, estava muito frio, enfim, motivos para explicar o meu cansaço não faltavam. Só que eu achei que ia passar e continuei em frente. Sofri muito, tudo o que eu fazia parecia ser três vezes pior do que era: andar até a pista, descer uma escadaria… só na hora de esquiar que foi gostoso, mas cheguei lá embaixo determinada a parar. Eu só queria deitar, podia ser na neve, qualquer coisa. E beber água, estava seca.

Entrei no restaurante e encontrei a Rosalie, representante da estação que nos acompanhava, que viu minha cara branca e me levou lá para o hotel de volta. Eu estava arrasada: ia perder um dia de esqui por… cansaço. Sua fraca! Mas eu não conseguia e obedeci ela. Cheguei lá e mal consegui tirar os esquis do pé e me arrastei até o quarto. Ela me garantiu que era efeito da altitude e que eu precisava descansar.

Acho que dormi das 10h até umas 16h. Acordei melhorzinha, mas quando levantei da cama, wow, tudo girava e eu parecia pior do que nunca. Mandei mensagem para a Rose, assumindo que tinha piorado. Eis que tocam a campainha do meu quarto, eu abro e são dois bombeiros com um tubo de oxigênio em mãos. Eles entraram no quarto como se algo estivesse pegando fogo e eu queria morrer de vergonha.

Logo me deram oxigênio e me perguntavam se eu estava melhorando. Menti – disse que estava, mas confesso que não senti a menor diferença, eu só queria acabar com aquela situação de ter uma galera no meu quarto me olhando com dó e cara de preocupação. Agradeci e eles foram embora, mas de fato, já não estava mais tão zonza quando ficava de pé.

Achei que era uma boa ideia almoçar, pois já estava escurecendo e eu não tinha comido nada. A Rose então me levou em uma lanchonete e eu pedi a clássica Ceasar Salad. Acho que foi a melhor que já comi, acompanhada de uma coca zero ultra gelada. A Rose foi uma fofa, ficou lá comigo, estava sempre à disposição para me ajudar e ainda me orientou na pista de esqui dia seguinte. Confesso que à primeira vista, ela me pareceu uma pessoa bem séria e fria, mas acho que é só uma coisa cultural – e, afinal de contas, ela estava ali com um grupo de jornalistas brasileiros a trabalho.

E sim, dia seguinte estava ótima e consegui esquiar bastante, enfrentei até uma pista intermediária o/. Me explicaram que o ideal era ter feito uma parada em um mirante no meio do caminho do teleférico, para ir se acostumando com a altura aos poucos. Fica a dica 😉

Fotos: Débora Costa e Silva

Perdida no Brooklyn

Da série de vacilos da principiante que vos fala em Nova York, este foi o campeão: fui para o Brooklyn sem saber em qual estação descer. “Ah, qualquer lugar tem um Starbucks com wifi, um McDonalds ou um barzinho legal para passar a noite. Na pior das hipóteses eu ando um pouquinho, pergunto para um ou para outro e beleza, me viro. Afinal, Brooklyn é um bairro né? Só chegar e é isso aí”. Aham…

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O Brooklyn é gigantesco e não se resume a uma ou duas ou três estações de metrô. Não é a Vila Madalena, né? É gigantesco e tem microbairros, que não são tão micro assim, mas claro, para que ler antes? Se informar e planejar alguma coisa? Nããão. Vamos seguindo o feeling, andar sem rumo, vagar pela cidade… Como nos filmes, eu devia achar um oásis de coisas incríveis no meio do nada e ser feliz para sempre.

Óbvio que não! Minha vida pode até ser um filme, mas definitivamente o gênero não é comédia romântica. Eu até tinha dado uma olhada antes de sair do apartamento e anotei o nome de uma estação que parecia próxima a uma feirinha que rola de sábado. À tarde. Mas já eram 19h quando eu entrei no metrô rumo ao Brooklyn. “Mas ah, devo pegar o final da feirinha e o início do agito da noite, no mínimo”. Uma otimista…

Desci na tal estação e saquei que tinha algo de errado, pois apenas pessoas mais velhas, que deviam estar trabalhando até aquela hora, desciam ali. A galera jovem e alternativa ficou no trem e seguiu viagem. Bom, tudo bem, sem preconceitos, vambora. Saí da estação e o choque: tudo escuro. Só prédios residenciais. Logo vi um casal gay super descolado e resolvi seguir eles. Mas a cada quarteirão que passava, o negócio ficava mais e mais sinistro, escuro e silencioso. Não devia ser o caminho para a festa – ou pelo menos não uma festa que eu seria lá muito bem-vinda. Meia volta, volver.

Achei uma lojinha de conveniência e fiquei lá, procurando wifi e pessoas simpáticas para pedir informação. Não encontrei nenhum dos dois. Na verdade não testei a simpatia de ninguém, porque a minha vergonha de estar lá perdida era tanta, mas tanta, que preferi voltar quietinha pro metrô. Algo de muito errado eu tinha feito nesse rolê.

Peguei o trem e resolvi descer umas três estações para frente. E lá estava o vagão, cheio de jovens descolados de novo. Agora vai! Mas aí uns desceram em uma estação, outros em outra, outros na próxima e aí desci também. Mas acho que eles deviam estar voltando do “lugar legal”, porque estavam todos dispersos, cada um ia para um lado. Ou talvez todos andem montados por lá mesmo, vai saber. Continuei envergonhada demais para perguntar qualquer coisa para alguém. Afinal, o que eu estava procurando? Nem eu sabia. A ideia era chegar e descobrir um “lugar legal”, que definitivamente não era sinônimo de uma rua escura e vazia.

Me enchi de ânimo novamente e saí do metrô. Mas foi pior ainda: a única coisa iluminada era um posto de gasolina vazio em uma avenida enorme sem nenhum estabelecimento comercial, um bêbado e um mendigo. Estava decretado o insucesso da missão. Chega, era hora de voltar para Manhattan, para a confusão de luzes dos letreiros, para a muvuca e tentar encontrar algum programa legal para salvar meu sábado à noite. Ah, não tinha mencionado: era sábado à noite AND minha última noite na cidade. Dá para imaginar o tamanho da frustração, né?

Eis que voltei para o metrô, cabisbaixa e completamente derrotada, sem achar que tinha a menor condição sequer de achar o caminho de volta. E aí tive essa ideia genial de ir pedir ajuda à funcionária do metrô que estava dentro da cabine de vendas de bilhetes. O metrô (e seus funcionários simpáticos) era o meu porto-seguro. Fui perguntar como ia para o Soho. Ela não ouviu. Falei mais alto e vi uns gatos pingados da estação olharem para mim. Ela perguntou aonde exatamente do Soho eu queria ir e mais uma vez eu não sabia. Já não sabia de nada, só queria wifi de novo para refrescar minha memória, resgatar os lugares que eu havia lido sobre…

Ela parecia brava e irritada. Me perguntava se a estação X ficava perto de onde eu queria ir, falava que o trem correto não era aquele, que eu estava no lugar errado (sim, disso eu já sabia!). E ela falava cada vez mais alto, sua voz ecoava na estação quase vazia – não suficientemente vazia para eu não passar vergonha, claro. Até que uma hora eu tomei coragem e desisti, falei: deixa, eu vou indo e encontro no caminho um lugar legal.

E aí ela sorriu e falou: “você não faz a menor ideia do que quer fazer, não é? Faz o seguinte: passa ali na primeira catraca, volta para casa e vai descansar. Não precisa pagar”. O quê? Quase entrei na cabine pra abraçar a mulher. Eu já estava exausta e me sentindo a pior das turistas e isso me derreteu. Passei, voltei e acabei descendo na estação mais certa possível: dei de cara logo com três bares que havia anotado e deixado para pesquisar assim que tivesse wifi. Foi a recompensa e o que salvou minha noite – além, claro, da funcionária invocada, porém querida, do metrô do Brooklyn.

Em tempo: Se você leu até aqui e só queria saber WTF eu queria fazer no Brooklyn, não vou te deixar na mão. A ideia era ter ido no Fort Greene Flea, que rola das 10h às 17h – e eu, como boa brasileira, vi esse horário e pensei: ah, deve estar tão animado que devem prolongar até mais tarde. Não. Caia. Nessa. Outro adendo: durante o inverno não rola, deve voltar a funcionar só em abril.

Humans of New York :: Galera do metrô

O que era para ser um texto com um resuminho de cada pessoa que conheci em NY, virou um post solo do Hedilberto. É, me empolguei rs. Como os outros não têm assim taaaanto detalhe para contar, vou tentar agrupar. Por isso mesmo o post deve ficar longo, pre-para!

Após péssimas experiências no metrô de Paris – muito por vacilo meu de não saber que precisava guardar os passes para não levar uma multa de 50 euros, mas também muito por conta da extrema má vontade e antipatia dos parisienses (mesmo eu dando Bon Jour e falando em francês que só sabia falar inglês) – não esperava, nem espero mais, grande receptividade em qualquer outro lugar. O que vier é lucro e em Nova York o saldo foi bem alto.

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Assim que venci a máquina de compra de bilhetes e adquiri meu Metrocard, tinha que desvendar o cabuloso mapa de linhas do metrô da cidade para descobrir como ir para a estação 50th. Tava lá tentando encontrar um sentido no emaranhado colorido do mapa, eis que apareceu o faxineiro do metrô e perguntou para onde eu ia, me indicou qual sentido eu deveria ir e falou: essa não é a sua plataforma. Desce, vire à direita, depois à esquerda, sobe a escada e vire à direita. Ok, obrigada, fui. No meio do caminho, encontrei ele de novo que falou sorrindo: “agora é à direita, hein? Não vai se perder!”. Eu não pedi nada e o cara já veio me ajudar e fazer graça. Nova York 1 x Paris 0.

Brazilian fan

Voltando do Queens, estava com o mapa do metrô aberto estudando o meu trajeto quando sentou um cara do meu lado e me perguntou se eu sabia se aquele trem ia para uma estação X. Disse que, como ele poderia ver, eu era turista e tampouco sabia se havia pegado o trem certo para mim. Daí começamos a conversar e pasmem: ele falava português.

Namorou por três anos uma alagoana que foi tentar a vida em Nova York, mas como ele não assumia nada mais sério, a garota trocou ele por outro e guess what? Agora ele quer voltar e pretende visitá-la em Maceió. Esses enredos só mudam de endereço, né?

O papo ia muito bem até percebermos que o trem não ia nem para o meu lado, nem para o dele. Tivemos que sair da estação e procurar outra entrada do metrô na rua. De repente parecíamos velhos amigos andando pela rua, um zuando com a cara do outro. Apesar de ter nascido em Nova York, ele mora cada hora em um lugar e disse que toda vez que vai a cidade tem que reaprender a andar por ali. Até agora não sei se isso foi papo dele e ele não é de lá, ou se realmente é tão fácil de se perder em NY, porque mesmo não dominando o idioma e o metrô, eu é que acabei achando o trajeto que ele devia fazer para voltar para casa.

Em uma viagem sozinha, encontrar um figura desses, perdido e engraçadão, é um prato cheio. Até me esqueci que estava all-by-my-self!

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Daí que mesmo não estando em Paris, minha relação com o metrô continuou desfavorável e eu fiz o favor de perder o meu bilhete no final do primeiro dia que o comprei. Só que isso já era o final da viagem, ou seja, só teria dois dias para usufruir do passe de 7 dias, que custava cerca de 30 dólares. Parabéns para mim. Cogitei só andar a pé, mas poxa, logo agora que já tinha sacado como funcionava o negócio…

Bom, lá fui eu comprar novamente o bilhete mas aí vi uma funcionária toda engraçadona na catraca e resolvi perguntar para ela se havia algum outro esquema mais favorável. Olha, só faltou me pegar no colo! Ela explicou que eu não precisava comprar outro daqueles, era só comprar um e carregar com quantas passagens eu fosse usar, foi comigo até a maquininha, me mostrou todas as opções, me arrumou um macete de não ter que colocar o Zip Code, me mostrou como eu devia carregar nas próximas vezes e ainda deu a dica do trajeto do dia.

Foi nessa hora que lembrei de Paris e, uau, quanta diferença! Lá eles só respondiam o que a gente perguntava, se muito! Em NY era o contrário: eles falavam tudo, o que a gente queria saber e o que a gente nem fazia ideia, mas precisaria saber! E ainda faziam piada, sorriam… comovente! Tudo bem que eu me senti uma criança boba e ingênua depois de tanta explicação óbvia, mas tá valendo, ela foi fofa.

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Apesar de não ter sido fofinha nem meiga, essa foi a mais generosa de todas da galera do metrô: me deixou passar de graça pela catraca após perceber que eu estava completamente perdida no Brooklyn. Mas isso é uma longa história que fica para o próximo post.

Humans of New York :: Hedilberto

Se tem uma coisa que determina uma viagem ser boa ou não, são as pessoas que fazem parte dela. Não me refiro apenas a companhia que você escolheu para viajar junto, mas principalmente às pessoas que você interage no lugar, sejam elas moradores ou turistas.

Pode ter certeza: se for para um destino onde os locais são simpáticos, receptivos e amáveis, é garantia de uma viagem inesquecível e marcante. E aí não interessa se viu o pôr-do-sol em um mirante, se choveu e perdeu o guarda-chuva ou se ficou gripada. Com o passar do tempo, fui percebendo que minhas experiências de viagem foram registradas na memória como boas ou ruins muito de acordo com as pessoas que cruzei por aí.

É por essas e outras que Nova York foi ainda mais incrível do que poderia ter sido graças às pessoas que conheci por lá. Com medo de esquecer de cada uma delas, resolvi escrever aqui. O título é uma referência ao incrível projeto Humans of New York, que mostra um pouquinho da história de cada novaiorquino. Vale o clique! 😉moto

Hedilberto – El Salvador

Após 12 horas de voo, que me renderam um belo torcicolo, e ter passado por uma inspeção de mala tensa de meia hora, saí à procura do motorista do transfer, que já devia estar cansado de me esperar no aeroporto. Ele se apresentou como Robert, mas é só porque os americanos nunca acertam Hedilberto. No começo, ele me pareceu ser quieto e discreto, mas eu estava ansiosa para conversar com alguém da cidade – ou com qualquer pessoa que não tivesse interesse em me prender. Queria contar minha experiência com a polícia e saber o que ele achava da cidade. Logo entendi porque falava tão pouco: seu inglês não era lá essas coisas e ele preferia hablar in español. Bueno, apesar de o idioma não combinar em nada com o visual que eu via da janela rs.

Ele vive em Nova York há 12 anos, casou pela segunda vez por lá com uma colombiana, que também estava em seu segundo casamento. Quando pedi indicações do que fazer, ele foi enfático (e clássico): Central Park e Met. E no caminho já me mostrava: essa é a 5ª Avenida, aquela é a Broadway…

Já perto do hotel, me lembrei que tinha lido que os taxistas de NY não são lá muito simpáticos e pedi para ele um cartão. Combinamos que até sexta-feira eu ligaria para ele para combinar e confirmar a corrida até o aeroporto, que seria no próximo domingo. Explico: parte da viagem era a trabalho, portanto havia um carro para me buscar. Na volta, eu já estaria na cidade por conta própria, portanto teria que me virar.

Acabei não ligando para ele, pensando em arrumar uma indicação no prédio em que eu estava hospedada via AirBnb, ou mesmo com a minha roomate. Chegou domingo e nem o porteiro, nem ela, tinham indicações. E também confesso que não me afeiçoei pelo Hedilberto de início. Nada contra, só o papo que não engrenou tanto. Por isso não fiz lá muito esforço para confirmar com ele a minha volta.

Mas a afeição veio rapidinho, assim que liguei para ele no domingo. Ele me atendeu e falou: “Estava mesmo esperando sua ligação! Que horas eu te pego?”. Ufa, meu coração se acalmou. Combinei com ele e o valor me parecia bom demais para ser verdade: 60 dólares + o pedágio. Sério, por um carro particular? Eu devia ter entendido errado o sotaque salvadorenho…

Na hora combinada, ele apareceu e estava todo sorridente. Dessa vez o papo rolou solto – talvez também por eu ter ficado comovida dele ter lembrado de mim e ter feito mais perguntas. Mas nem precisou de muito empenho, ele mesmo já embalou um assunto no outro: me contou o que cada filho dele faz, o que cada filho da esposa faz, que ele visita mais a Colômbia que El Salvador e que os clientes dele são todos empresários ricos, donos de helicóptero e iate (foi quando eu fiz a piada que eu era a cliente mais pobre dele – e deixei ele super constrangido).

Eu confessei a ele que não conheço nada de El Salvador e que minha única lembrança do país foi um fato curioso da Copa do Mundo: a notícia de que um casal que ia para Salvador, Bahia, para ver os jogos, acabou comprando passagem para El Salvador e só descobriu o erro chegando lá. Ele se matou de rir e pediu para eu mandar o link com a notícia depois.

Chegando no aeroporto, não sei se por dó da cliente mais pobre que ele já teve, ou por pura simpatia mesmo, ele não aceitou minhas gorjetas! Com o pedágio, deu 68, arredondei para 70, mas o certo seria ter dado quase 80. Ele não quis, insistiu que não, me desejou boa viagem e pediu para eu lembrar dele quando voltasse pra lá. Como não? ❤

O primeiro post – ou essa coisa difícil que as pessoas chamam de “começo”

Há tempos estou querendo começar este blog e fiquei emperrada por não achar um nome ideal. Besteira, né? Nome acho que é o de menos quando se tem vontade de fazer uma coisa. Às vezes ele acaba aparecendo no meio do caminho, mas sem começar a botar a mão na massa, fica difícil uma super inspiração bater a sua porta.

Trabalho como jornalista com o tema “turismo” há três anos e todo o universo relacionado a viagens me encanta, mas confesso que escrevo menos do que gostaria – daí veio o desejo de criar um blog para escrever o que eu quero, com maior frequência e do meu jeito (leia-se: mais descontraído, despretencioso e pessoal).

Até porque, em relatos de viagem, acredito que seja muito difícil não misturar as observações práticas e objetivas com as parciais e emocionais sobre os lugares visitados, as pessoas que marcaram o passeio, os sabores experimentados, as dores de cabeça que atrapalharam e os momentos emocionantes -que podem ser desde ver um pôr-do-sol excepcional no Atacama até se encantar por um cachorrinho vira-lata de alguma praça no interior de São Paulo.

O blog também vai servir como uma forma de reunir, junto às minhas lembranças de lugares e vivências, histórias e projetos interessantes relacionados ao mundo das viagens que eu encontrar por aí.

Espero que gostem! Ah, e fiquem a vontade para opinar e compartilhar suas histórias – afinal, o olhar de cada um é bem particular e a graça de querer viajar é justamente essa, conhecer e agregar novas sensações.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. (Fernando Pessoa)