Nova York :: Fim da temporada – ou sobre jet lag emocional

Vista de Manhattan a partir de Long Island City, no Queens. Foto: Débora Costa e Silva

Vista de Manhattan a partir de Long Island City, no Queens. Foto: Débora Costa e Silva

Os três meses em Nova York chegaram ao fim e eu ainda não consegui digerir tudo. A começar pela percepção do tempo: tem hora que parece ter durado uma semana, em outros momentos parece ter sido um ano. Isso porque quando cheguei em São Paulo, mesmo com algumas coisas diferentes em casa, senti como se nada tivesse mudado. Foi como ter dado um pause e soltado o play novamente, mas aos poucos estou percebendo que perdi alguns episódios daqui enquanto vivi outros lá.

Costumo dizer que, quando viajamos, demora uns dias para se desligar de São Paulo e abstrair toda a loucura, o stress e seu ritmo acelerado. Mas para voltar e ser engolido pela cidade o processo é bem rápido. Só que neste caso fui para um lugar ainda mais caótico e intenso e fiquei bem mais tempo do que estou acostumada. Então tanto na ida quanto na volta me senti absorvida pelas duas ao mesmo tempo.

Acho que é uma espécie de jet lag emocional, quando não só nosso corpo sente o baque da mudança de horário e local, mas nossa cabeça também fica confusa. Facilita não ter uma diferença grande de fuso horário (eram só 2 horas a menos), mas ainda assim não me sinto nem lá nem cá. Estou meio perdida num limbo de tempo e espaço tentando entender o que vivi e como será daqui pra frente após essa experiência.

Balanço prévio

Central Park começam a ficar colorido no outono. Foto: Débora Costa e Silva

Central Park começam a ficar colorido no outono. Foto: Débora Costa e Silva

É bem difícil sintetizar tudo o que conheci e aprendi nessa temporada em Nova York, mas acho que o ponto principal é que voltei em paz e satisfeita com tudo, inclusive com as coisas que não saíram do jeito que eu queria ou imaginava. Aprendi a aceitar os imprevistos e limitações sem mágoas rs, afinal o saldo final continua sendo positivo por um simples motivo: eu fui. Já é uma conquista e tanto ter enfrentado alguns receios – desde financeiros até emocionais – para realizar um sonho. O resto é lucro 😛

Curti muito as coisas que planejei, como o curso de inglês que fiz no mês de agosto (em breve farei um post só sobre isso) e a viagem a Montreal, no Canadá, em outubro, mas foi uma delícia também ser surpreendida por amigos improváveis, festas inimagináveis, cursos e festivais que encontrei por acaso, encontros com pessoas queridas que passaram por lá, lugares e atrações que nem cogitava ir, descobertas gastronômicas e até ter feito um job de cat sitter para uma amiga :-).

Outro fator que fez toda a diferença foi ter viajado sozinha. É importantíssimo pra se conhecer e descobrir o seu jeito de curtir as coisas, respeitar seu próprio ritmo e o básico “apreciar a própria companhia”. É maravilhoso e libertador, mas se isolar demais também pode ser prejudicial, pois tem sempre uma hora que as reflexões dão espaço pra pensamentos deprês. Durante a viagem, variei muito nesses dois extremos e acho que aos poucos fui encontrando um equilíbrio legal entre os dois.

Por fim, compreendi que Nova York é praticamente infinita e é impossível devorá-la por completo, mesmo ficando um mês, três meses e até anos, como percebi conversando com gente que está lá há mais tempo. Conforme o tempo vai passando, a lista de lugares para visitar só aumenta porque sempre tem algum evento novo, um restaurante que inaugurou, uma festa que só acontece em determinado mês.

Parei de me censurar por repetir lugares, como a Brooklyn Bridge, que tanto adoro. Foto: Débora Costa e Silva

Parei de me censurar por repetir lugares, como a Brooklyn Bridge, que tanto adoro. Foto: Débora Costa e Silva

Além disso, tem as experiências que não entram na categoria “atração”, tipo caminhar pela ilha de Manhattan de ponta a ponta, entrar em alguma rua que você cruzou por acaso para dar uma olhada em livrarias e lojas, andar de bicicleta no Hudson River Park, conhecer as igrejas do Harlem com os locais, pingar de balada em balada no East Village ou mesmo passar uma tarde lendo e ouvindo música em algum café.

No começo eu estava um pouco aflita para dar conta de tudo e me sentia culpada por passar uma tarde meio à toa. “Perdi um dia”, eu pensava. Minha amiga Mirella me visitou bem nessa época e cantou a bola: “fazer nada” também faz parte do pacote de quem mora em NY. É diferente de ir como turista, é vivenciar a cidade de outro jeito. Mais um item pra lista de aprendizados sobre equilíbrio – até porque tinham dias que não parava quieta, então nada mais natural do que ter um dia seguinte de folga 😉

O resto é só com o tempo que vou assimilar. A cidade continua sendo meu cantinho preferido no mundo porque me permite conhecer tantos outros mundos de uma só vez. É barulhenta e caótica, mas tem espaço pra parques e bairros que são quase vilarejos. O clima é louco e extremo, não tem meia estação (pelo menos pra quem vem do Brasil, o frio do outono é o nosso inverno). Tem gente apressada, mas que não nega ajuda quando tem alguém perdido – afinal, quase todos ali um dia já foram recém-chegados de algum lugar.

Em breve farei mais posts sobre outros detalhes da temporada em NYC, agora já com a cabeça no Brasil e com calma para caprichar ainda mais. Se tiverem dicas, dúvidas e sugestões mandem também que serão muito bem-vindas 🙂

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4 comentários sobre “Nova York :: Fim da temporada – ou sobre jet lag emocional

  1. Que amor de texto! Adorei a definição do jet lag emocional e que bom que a temporada lá te trouxe tanta coisa legal e tantas boas reflexões . Agora vem cá me dar um abraço, que estou com saudades!

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