Bate-volta :: Paraty (RJ)

PARATY

O plano era ir para Ubatuba fotografar uma corrida com meu namorado. Só que com ele é assim: uma vez na estrada, sempre na estrada. Parece que tem um ímã que vai puxando a gente para outros caminhos.

Uma hora ele falou: estamos bem pertinho de Paraty, vamos lá comer alguma coisa e voltar? E assim fomos, com todas as malas e equipamentos no carro, aproveitar o fim do dia por lá.

Admito, com vergonha, que nunca tinha ido. E até então tinha uma “coisa” por Paraty, era tipo um sonho que nunca dava certo de realizar. Flips e Paratys em Foco passaram, idas e idas até o Rio também e nada. Como diz minha mãe, “de pensar morreu um burro”, e nada fiz. A primeira vez teve que ser assim, de supetão mesmo – e foi muito mais legal!

Achei tudo tão bonito quanto imaginava e via nas fotos mesmo. Mas só estando lá para saber como o charmoso chão de pedras dificulta a caminhada, te obrigando a entrar no ritmo da cidade e andar devagar.

As poças d’água refletindo o casario eram outra expectativa. Tava louca para brincar de fotografar isso. E mais uma surpresa boa: a maré estava alta e a rua mais próxima ao mar virou um rio. Vejam aí as fotos (nem tudo saiu lindo como eu vi, as imagens foram feitas só com o celular).

Carrinhos que vendem bolos são super tradicionais, tem um em cada esquina do centro histórico

Pátio da Casa da Cultura de Paraty, onde tem café, auditório e várias exposições

Fusquinha dos noivos que casavam na igreja ❤

O legal de ir à noite é que o centro histórico e seus casarões ficam todos iluminados

No início do passeio, toda e qualquer poça pareciam já dar um super efeito

Mas aí encontramos essa igreja e a rua parecia um rio!

Mas aí encontramos essa igreja e a rua parecia um rio!

E a rua ao lado estava ainda mais impressionante, por conta das cores das casas e lojas

No fim andamos muito, conhecemos a Casa da Cultura da cidade que é linda, tomamos um mate e fomos embora. Foi como ter dado uma espiada rapidinho, só para sentir o gostinho, e pronto. Bate-volta tem dessas, parece que entramos em uma cápsula do tempo e vem até uma sensação de que estávamos sonhando.

Rio de Janeiro :: Parque Lage

Foi amor à primeira vista. A descoberta do Parque Lage foi em 2010, e desde então virou meu xodó do Rio. Toda vez que vou, dou um jeito de passar por lá, comer a torta de maçã, tomar um expresso e fingir que sou rycah a vida é essa maravilha por algumas horas.

Foi bom enquanto durou: minha amiga Larissa me avisou que o D.R.I. Café, onde eu comia a tal tortinha, fechou :-(. No lugar, abriu o bistrô Plage, que segundo o site d’O Globo oferece café da manhã também, mas tem cardápio próprio de almoço, chef e produtos orgânicos. Será que gourmetizou? Na próxima visita vou experimentar e conto por aqui!

Mas vamos ao que interessa: reuni aqui as fotos que fiz de todas essas visitas ao parque – e em cada uma delas, tive uma descoberta nova ou surpresa! ❤

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O parque mistura uma série de coisas bacanas: tem a arquitetura do palácio, a Escola de Artes Visuais, as flores e plantas do jardim e um café * instalado no centro da construção principal para se deliciar em meio ao passeio. Ah sim, e o Cristo Redentor lá no alto do Corcovado compondo o cenário.

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Mas como assim palácio? Pois é, a história começa lá em 1811, quando o terreno de um antigo de engenho de açúcar foi comprado por um senhor chamado Rodrigo de Freitas Mello e Castro (lembrou da Lagoa? É isso mesmo, tem tudo a ver). Ele contrata o paisagista inglês John Tyndale para projetar os jardins no estilo europeu, que hoje servem também para abrigar piqueniques.

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Em 1859, Antônio Martins Lage adquire a chácara. Depois de um passa-e-repassa nas mãos de vários outros proprietários, seu neto, Henrique Lage, consegue reaver a propriedade da família em 1920. Ufa, 61 anos depois!

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Daí em diante foi só festa. Lage convidou o arquiteto italiano Mario Vodret para projetar o palacete principal, sob grande influência de sua esposa, a cantora lírica Gabriella Besanzoni. O estilo da mansão seria eclético, misturando várias referências. Um dos salões do palácio é assim:

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Reparou no teto todo detalhado? Então chegue mais perto e veja bem:

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Em 1936, Gabriella fundou a Sociedade do Teatro Lírico Brasileiro e mais tarde, em 1948, convidou seus sobrinhos-netos a habitar o palácio. Nesta época, ela promovia festas de arromba, frequentadas pela alta sociedade carioca. Mas os dias de glória não foram eternos e a família acabou se endividando.

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Lage entregou boa parte de seus bens para o banco, mas não vendeu a chácara. Com a ajuda do então governador Carlos Lacerda, conseguiu que a propriedade fosse tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico e cultural da cidade em 1957.

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O local continuou sendo referência para artistas até que em 1975 foi criada a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Além de oferecer cursos, a instituição também promove exposições e apresentações artísticas diversas. Dá uma olhada nos corredores do pátio, cheios de quadros:

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Além dessas obras, há também outras manifestações artísticas , como essas placas:

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Ou ainda, se der sorte, pode encontrar umas intervenções temporárias pelo parque, como essas nuvens aqui:

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Eu não sabia nada disso quando visitei o local, fui descobrindo aos poucos e boa parte agora, para escrever o post. Essas informações servem só para dar mais uma pitada de sabor quando forem passear por lá. Mas sabendo de toda história ou não, o lance é que o lugar por si só tem um encanto e desperta o interesse dos visitantes por ser de tudo um pouco – além, é claro, da beleza de seus jardins e construções.

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O cafezinho no pátio do palácio foi uma das primeiras descobertas – junto com a já citada torta de maçã. Uma das vezes fui lá para tomar um brunch, que vinha com frutas e pãezinhos deliciosos.

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Na época, achei o preço salgado e o atendimento demorado. É que tinham poucos funcionários e muita gente para atender. Como agora o restaurante/café que fica no parque é outro, não sei quais são as comidinhas nem como é o serviço. Se alguém aí já conhece o Plage, conta mais nos comentários 😉

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E essa caverna doida? Achei lá pela terceira ou quarta visita e fiquei encantada! Olha só o que tem por dentro:

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Sim, é o aquário do Parque! Ele foi construído de um jeito super legal, tudo parece ser natural, feito em argamassa imitando pedras. Os vidros dos aquários se fundem à estrutura da “caverna”, que por fora leva troncos de árvores também. Ou seja, você se sente completamente imerso a natureza.

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Falando em natureza, a última surpresa que tive no Parque Lage foi esse macaquinho prego aí da foto. Topamos com ele pulando de uma janela para outra, com um pão na boca, provavelmente roubado da cozinha. Me lembrou o Abu, macaco do Aladdin, que vivia com seu pãozinho a tiracolo.

Mas o impacto que se tem ali, acho que para todos que visitam (e revisitam), é a entrada do pátio. Ali você se depara com um espaço belíssimo, uma piscina refletindo o céu azul e, ao olhar pra cima, ainda vê o Cristo lá na montanha na sua direção. Tipo assim (a foto não tá nada boa, mas o que vale é a intenção rs):

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Vai lá
Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico
Tel: (21) 3257-1800
http://eavparquelage.rj.gov.br – não tem site do parque, só da escola

Fotos: Débora Costa e Silva