Londres :: Primeiras impressões

Londres do alto da London Eye. Foto: Débora Costa e Silva

Londres do alto da London Eye. Foto: Débora Costa e Silva

Há lugares que te conquistam platonicamente, à distância, ao ver uma foto, ouvir uma música, assistir um filme ou ler alguma história. E há lugares que não despertam muito interesse à primeira vista, até que alguma coisa acontece e pá, dá um estalo e te faz ver tudo com outros olhos.

Minha história com Londres foi mais ou menos assim e o “clique” aconteceu de um jeito que jamais iria imaginar. Não foi ao ver o Big Ben, nem os ônibus vermelhos ou o rio Tâmisa: foi quando começou a garoar. Eu jamais imaginei que ia gostar e até chegar a me emocionar com isso, sempre odiei tomar chuva, mas ali, logo na minha primeira noite, sentir aquelas gotinhas finas e ver a cidade iluminada em meio aquela delicada garoa foi especial. Me senti dentro de uma cena clássica.

O clássico dos clássicos: Mind the gap! - Foto: Débora Costa e Silva

O clássico dos clássicos: Mind the gap! – Foto: Débora Costa e Silva

Até conhecer a cidade eu não tinha muito vontade de visitá-la. Penso isso hoje e fico até com vergonha – como pude não me interessar antes? Mas é que achava que os ingleses deviam ser muito arrogantes, não via nenhum glamour na família real e além de tudo, achava que devia ser um lugar frio e cinzento, com um clima meio deprê.

Foi graças à minha amiga Thaíla que fui parar lá. Ia passar as férias na Espanha e acabei incluindo Londres no roteiro para poder visitá-la. Outro empurrão foi a leitura que fazia na época da biografia dos Beatles, o que me fez começar a achar a ideia de ir para a terra deles interessante – apesar de que fora a Abbey Road, não tem muitas outras coisas que remetam ao grupo na cidade.

Vista da estação West Ham, zona leste de Londres. Foto: Débora Costa e Silva

Vista da estação West Ham, zona leste de Londres. Foto: Débora Costa e Silva

Da cena da garoa até o final dos meus 6 dias pela cidade o encanto só cresceu. Visitei as atrações clássicas? Opa, claro: fui ao Tate Modern, vi o Big Ben, passeei na London Eye, fui até a Catedral St. Paul ocupada por manifestantes do Occupy London, tomei café da manhã no Borough Market, conheci a Abbey Road (fiz a foto e vim embora frustrada – “era só isso?”), passei pela Trafagal Square e visitei a National Portrait Gallery.

Folhas típicas do outono tomavam conta da cidade, em outubro de 2011. Foto: Débora Costa e Silva

Folhas típicas do outono tomavam conta da cidade, em outubro de 2011. Foto: Débora Costa e Silva

Mas as coisas que mais me envolveram não estavam nos guias de viagem – como é de se esperar. A atmosfera dos pubs, que recebe desde os bêbados mais loucos até grupos de senhorinhas que se reúnem à tarde; a diversidade de pessoas de todos os cantos do mundo na feirinha da Portobello Road, em Notting Hill – bairro que inspirou o filme com a Julia Roberts e o Hugh Grant, que eu inclusive assisti no avião na ida; a noite que fiquei vagando sem rumo sozinha à beira do rio Tâmisa ouvindo uma cantora que tocava violão na rua; e as belíssimas árvores com folhas alaranjadas, típicas do outono, que deixavam a cidade tão linda – e me emocionaram tal qual a garoa, talvez por ter sido a primeira vez que vivi um outono com a cara da estação.

portobelloroad

Um pedacinho da feirinha da Portobello Road. Foto: Débora Costa e Silva

Uma das surpresas foi o Halloween – não tinha me ligado que estaria lá na data e nem achava que pudesse ser tãaaao legal. Não só pude ver casas e lojas enfeitadas como também me diverti no próprio dia 31 de outubro vendo to-do mun-do (crianças, adultos, idosos) fantasiado no metrô indo ou voltando de alguma festa. Pena não ter me preparado e arrumado uma fantasia, mas ainda bem que isso não me impediu de curtir uma das melhores festas que já fui, na casa de amigos da Thaíla, com gente da Índia, Canadá, África do Sul dançando até altas horas.

halloween

Restaurante em Londres decorados pro Halloween. Foto: Débora Costa e Silva

Acho que não poderia ter escolhido melhor o primeiro lugar da Europa para conhecer. Qualquer destino teria causado um choque, mas o impacto de Londres é ainda maior. Em meio a tantas culturas e em um lugar com símbolos e identidade tão fortes e presentes no nosso imaginário, dá aquela sensação de não só estar viajando, mas de estar no centro do mundo. Eu que amo cidade grande quase não me perdoo por nunca ter tido vontade de ir antes, mas vibro toda vez que penso na sorte que tive ao ir para lá meio sem querer.

A viagem foi tão marcante que acabei contagiando minha irmã Luana com a ideia de ir pra lá. Três anos depois, voltei à terra da rainha na companhia dela durante sua viagem de comemoração de seus 15 anos. Nos próximos posts, contarei um pouco mais sobre os passeios mais bacanas que fiz por lá, da primeira e da segunda vez 😉

Hospedagem :: Onde ficar em Amsterdã, Londres e Paris

Assim que combinamos que eu ia acompanhar minha irmã pela Europa, meus pais já agilizaram as passagens e começaram a negociar a hospedagem com uma agência de turismo, a Go Viagens Personalizadas.

Eu já tinha levantado com amigos alguns nomes de hostels, mas os preços que a agência descolou para ficar em hotéis tipo 3 estrelas estavam bem bons, não tinha uma diferença significativa entre as duas opções. Por segurança e conforto, meu pai achou melhor que ficássemos em hotéis e assim foi. Minha mãe pesquisou as melhores regiões e a agência foi atrás de hospedagens em cada uma dessas áreas.

Segue abaixo um breve relato de cada um deles – lembrando que fiquei hospedada em maio de 2014 e justamente por isso não colocarei os preços, pois já estão desatualizados 😉

AMSTERDÃ :: Cordial

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã

Quarto do Hotel Cordial, em Amsterdã. Foto: Divulgação

Tínhamos reservado o hotel Rembrandt, mas pouco tempo antes da viagem rolar a agência nos informou que ele estaria em reforma. Trocamos por este, que de forma geral atendeu bem nossas necessidades.

Localização: Nota mil! Fica na Rua Rokin, entre duas grandes praças, a Dam Square e a Rembrandtplein, e basicamente estávamos perto de tudo, mas sem estar no meio da muvuca do centrinho mais turístico. A própria rua do hotel fazia parte da rota do tram (bondinho elétrico da cidade). O único inconveniente é que na época em que fomos a via estava em obras e dependendo do horário, o barulho era bem incômodo.

Quarto: Era meio pequeno, mas era bem confortável, o banheiro era limpinho e é isso que vale. Uma das facilidades era o elevador, mas nos surpreendemos aos chegar no nosso andar e ter que passar por alguns degraus até o nosso quarto. Fica a dica: se estiver com malas pesadas, verifique se o hotel possui elevador. Deixamos de lado várias opções por não oferecerem essa facilidade.

amster

Rua Rokin estava parcialmente em obras em maio de 2014, mas já estava aberta para a passagem do tram. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã: Era bem honesto e comeríamos lá todos os dias, não fosse o fato de que tínhamos que pagar à parte. Acabamos indo só no primeiro dia e depois exploramos outros cafés pela cidade para dar uma variada.

Serviços gerais: De maneira geral, o wifi funcionou bem durante a nossa estadia. Só dava para ver a diferença quando conectávamos no lobby – ali a conexão era bem mais rápida. Quanto ao atendimento, todos foram atenciosos com a gente, nos ajudaram com tudo o que precisamos. Outro serviço que nos foi útil foi a máquina que vendia bebidas e salgadinhos no lobby – nos salvou de alguns momentos de fome no meio da noite 🙂

LONDRES :: Tune Paddington

tune

Fachada do Hotel Tune Paddington, em Londres. Foto: Divulgação

Localização: Como quase todo lugar em Londres tem metrô próximo, acho que qualquer hotel que ficássemos teríamos uma boa localização. Neste caso ficamos bem próximas de várias atrações e foi ótimo, mas no começo sofremos um pouquinho.

Saindo do Aeroporto de Heathrow, pegamos um trem direto para a estação Paddington, onde iríamos descer já. Isso foi lindo, mas andar com as malas até o hotel não foi tão tranquilo assim. O que no mapa parecia ser bem próximo, na verdade rendeu uma caminhadinha considerável: eram dois longos quarteirões – que pareciam ser seis.

Achamos que esse seria nosso caminho diário, até que na volta de um passeio resolvemos testar outra estação que parecia estar a mesma distância, só que para o lado oposto. Foi a melhor decisão da viagem: descobrimos que a estação Edgware Road era bem mais próxima do que a Paddington, só a dois quarteirões (do tamanho de dois mesmo rs).

balcao

Barzinho do hotel Tune Paddington vendia bebidas e lanches. Foto: Divulgação

Quarto: Confortável, limpo e compacto, ou seja, perfeito para duas pessoas. E dessa vez nada de barulho!

Café da Manhã: Não servia café, mas tinha um bar que vendia bebidas e salgadinhos. Meio caro, mas em uma emergência salvava.

Serviços gerais: O wifi era nota dez, funcionou no quarto e no lobby numa boa. Ele tem o estilo de um hostel na decoração mais arrojada e colorida.

PARIS :: Verlain

cafeparis

Variedade de pães, queijos e geleias no café da manhã do Verlain. Foto: Débora Costa e Silva

Localização: O hotel fica a menos de um quarteirão da estação de metrô Rue Saint-Maur, próximo também do Cemitério Père Lachaise. A localização foi tão boa que em dias de chuva, passávamos bastante tempo no bairro, conhecendo as lojinhas e restaurantes e amamos. Aliás, por conta da chuva também é que valorizamos ainda mais o fato de o hotel estar tão próximo do metrô.

Quarto: Assim como os outros, era confortável e limpinho, mas com um plus: uma pequena sacada que dava todo charme ao ambiente. A vista não era da torre Eiffel, mas víamos outros prédios igualmente fofos em frente.

Café da Manhã: O melhor da viagem – e o melhor dentre muitas outras viagens também. Variedade de pães  e queijos (todos deliciosos), geleias mil e até Nutella em sachê, senhoras e senhores! O suco de laranja também era muito bom – algo que sempre tenho dificuldade para encontrar fora do Brasil. Enfim, basicamente a estadia valeu por conta das nossas manhãs.

Serviços gerais: O wifi não funcionava bem no quarto – tanto que minha irmã e eu vira e mexe ficávamos no lobby terminando de mandar fotos e teclando antes de subir para o quarto, na zona quase offline do hotel. A maioria dos funcionários foi bem simpática também, mesmo quando não nos entedíamos por conta do idioma.

hotelparis

Vista da varandinha do quarto do hotel de Paris – com direito a arco-íris após a chuva. Foto: Débora Costa e Silva