Desabafo :: Reserva #fail e mau atendimento em pousada

tumblr_inline_norip93Ury1qc22fu_500 No mundo cor-de-rosa do turismo, tudo é divino, maravilhoso: praias paradisíacas, comidas típicas, museus a céu aberto, ahhh viajar é tudo de bom né? É, quase sempre, quando não damos o azar de ter imprevistos, passar perrengues e ser mal atendidos, tá tudo certo. Coisas assim podem estragar uma viagem que tinha tudo para ser incrível e acaba virando inesquecível só que pelos motivos errados. Foi o que (quase) aconteceu neste último fim de semana em que estive em Ubatuba. A organização da corrida que eu e meu namorado fomos fotografar havia reservado duas noites para a gente na Pousada Praia de Itamambuca. Na sexta-feira, antes de sair de São Paulo, ligamos para confirmar e pegar o endereço certinho, mas o dono do estabelecimento alegou que não sabia de reserva nenhuma. Disse que o responsável pelas parcerias com as hospedagens sempre avisava as coisas em cima da hora, que estava cansado disso e não iria nos hospedar naquela noite. Estranhamos e achamos melhor viajar só no dia seguinte. tumblr_m9c5h19rVH1r835q9 No sábado, já no local do evento, o pessoal da organização confirmou que a reserva havia sido feita, sim, para os dois dias nesta pousada em questão. Que estranho. Bom, ok, perdemos uma manhã de praia, mas tá bom. Após o trabalho, chegamos na pousada à noite. Na recepção vazia, havia uma placa pedindo para tocar um sino caso não houvesse ninguém. Tocamos e logo em seguida apareceu o dono. “Vocês que ligaram ontem?”, perguntou. “Sim, sou o fotógrafo da corrida de amanhã”, disse meu namorado. E então ele esbravejou e começou a falar absurdos. Disse que já estava indo dormir, que não estava sabendo de nenhuma reserva em nosso nome. Dissemos então o nome do responsável pela reserva e ele disse que esse cara vira e mexe fazia isso, de não avisar as coisas com antecedência, mas que não ia ligar para ele para confirmar nada, e nem queria que ligássemos, pois ele NÃO ia nos hospedar. tumblr_inline_npqyqcrsUu1qc22fu_500 Disse inclusive que tinha até quarto vago, mas que ele não ia abrir o escritório e mexer no controle das hospedagens aquela hora. Disse que trabalhou o dia inteiro, que dirigiu sei lá quantos quilômetros e que estava cansado. Nos acusou de estar aplicando um golpe de tentar se hospedar de graça, mas mal nos deu chance de explicar nossa história. Ele não queria saber. Inclusive disse: “eu não sei quem são vocês!” E tudo isso gritando! Eu disse que nós estávamos numa situação complicada, pois também estávamos ali a trabalho, também nos foi prometido aquela hospedagem e agora não tínhamos onde ficar. Então pedimos uma indicação a ele, e ele se NEGOU a indicar outra pousada. “A rua tá cheia de pousada, procurem! Eu não vou indicar lugar nenhum!” tumblr_mkqimsIvr61ruw1vso1_500 Disse também que ali não era uma pousada comum, era uma hospedagem para amigos e pessoas de confiança. Ora, não era então o caso de tirar a placa “Pousada”? Pois em QUALQUER hospedagem que se vá pedir um lugar para dormir, as pessoas são tratadas de outro jeito. Ele poderia não saber da reserva por uma falha de comunicação entre a organização do evento? Poderia. Mas se ele fosse minimamente educado, ele nos daria a chance de ligar para a pessoa responsável e pedir uma explicação. Ele não nos permitiu fazer isso. Ele poderia dizer que não aceitaria nos hospedar com cortesia? Claro, e poderia ter nos dito o valor da diária e nós pagaríamos. Ele poderia não querer nos hospedar ou até não ter quartos? Sim, e nós entenderíamos, se ele não tivesse sido grosso e pudesse até nos indicar um outro lugar. giphy Além de ter tratado mal pessoas que, como ele bem falou, “não sabe quem são”, ele ainda perdeu clientes e uma bela chance de ganhar mais recomendações. Ele realmente não sabe quem somos, se somos influentes, se somos sacanas, se somos pessoas do bem…. Enfim, ele descontou toda a raiva dele em mim e no meu namorado! Nós não temos culpa de que um dia, talvez, ele tenha sido sacaneado. Uma pena, a sorte é que estávamos de bom humor, não criamos confusão, saímos de lá e com a ajuda do garçom do restaurante Padang, conseguimos nos hospedar na Pousada Marthi, onde tivemos uma experiência ótima e uma lição de vida: não deixe que o mau humor dos outros e as más atitudes estraguem sua viagem. Nesse mundo há de tudo: pessoas que te expulsam de um lugar à noite, e pessoas que te acolhem. Alguém aí já ficou sem ter onde dormir em uma viagem por ter tido um problema com a reserva, por falha de comunicação ou qualquer outra situação bizarra como esta? Conte aí nos comentários ou me escreva! Vou selecionar as melhores (e/ou piores) e publicar por aqui. Turistas unidos jamais serão vencidos 😛

Como

Como eu me sinto quando sou mal atendida e perco minha hospedagem

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Hospedagem em Cuba

Como já expliquei no post Preparativos de Cuba, fechamos uma parte da viagem com uma agência e no pacote já estava incluso cinco dias de hospedagem em Havana – três noites no início do roteiro e duas no final. De resto, não havíamos fechado nada e fomos encontrando lugar para ficar na hora do “vamo vê”.

Uma coisa que decidimos era ficar em pelo menos uma casa particular, que nada mais são do que casas em que vivem cubanos que cobram para hospedar turistas (para buscar uma casa, entre no site: www.casaparticularcuba.org). Começou como uma atividade ilegal, para ganhar uma grana extra, mas depois a prática foi autorizada pelo governo. É o melhor jeito de conhecer de perto a cultura do país, pois participamos do dia-a-dia de uma família. E ainda por cima é mais barato.

Resolvi separar por cada tipo de hospedagem aí embaixo para contar um pouquinho como foi a experiência em cada um deles:

Hotel Occidental Miramar em Havana

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

É um hotel 4 estrelas amplo e requintado. Tem uma piscina enorme, barzinho com área interna e externa (onde os gringos fumavam charuto), recepção espaçosa e um salão para as refeições. O quarto segue o padrão, bem amplo com direito a um sofá com mesinha.

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Só a localização que não é muito privilegiada, mas já sabíamos disso. Fica no bairro Miramar, tomado por casarões e mansões, que antes do regime eram habitados por cubanos mais endinheirados. Depois da revolução, muitas das propriedades passaram a abrigar embaixadas. Os hotéis mais luxuosos também se instalaram por ali. O bairro conta com alguns teatros, como o Miramar e o Karl Marx, e é bem agradável de passear.

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel - bem

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel – bem “pra gringo ver”. Foto: Débora Costa e Silva

A região fica mais afastada do centro histórico de Havana, mas não fica exatamente longe. Para ir a pé sim, mas de táxi dava uns 10 minutos e até que ficava baratinho. E saíam ônibus do hotel diariamente levando os hóspedes para o centro, então dava para se virar bem.

Na segunda vez que nos hospedamos, já perto de ir embora para o Brasil, foi que deu para sentir de verdade a diferença entre o hotel e todos os lugares que ficamos. É um outro mundo: ficamos à parte de tudo o que estava acontecendo, sem contato com o povo, parece que protegidos por uma bolha mesmo. Mas a experiência foi interessante para entender que esse lado de Cuba também existe.

Mais informações: http://www.occidentalhotelscuba.com/Miramar/ENG/home.html

Casa Particular da Yaqueline, em Trinidad

Saímos de Havana de manhã para chegar em Trinidad pela tarde. A viagem foi feita de ônibus e a impressão é de que seria bem pior, mas o veículo estava em bom estado, tudo novo e muito confortável, exceto pelo ar condicionado. Estava ultra gelado e com certeza foi aí que me ferrei e fiquei gripada – mas isso é outra história.

Chegando em Trinidad, descemos em uma pracinha onde havia vários caras em bicitáxis oferecendo hospedagem. Falamos com um deles para saber sobre o preço das hospedagens, que logo nos levou até uma casa particular. Era a casa da Yaqueline, mas quem nos recebeu foi sua mãe, Sonia, uma senhora de 80 anos super fofa.

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Elas moravam em uma casa colonial de pé direito alto e azulejos coloridos no chão. Havia um jardim ao fundo, onde ao lado ficava uma edícula, que seria o nosso quarto. Havia uma cama de casal e uma de solteiro, ventilador e um banheiro só para nós. Tudo muito arrumadinho e aconchegante.

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

No valor estava incluso café da manhã, mas achamos que seria de bom tom almoçarmos ou jantarmos pelo menos um dia com elas. Acho que fizemos os dois, um em cada dia, e foi maravilhoso. Yaqueline cozinhava muito bem, sempre havia salada, arroz, batata ou banana frita, camarão para mim e ovos para o Daniel. Essas refeições pagávamos à parte, mas com gosto, como forma de dar uma “força” e também participar de um momento família.

Na casa da Yaque e da Sonia participamos de uma conversa deliciosa sobre o Brasil e suas novelas (elas e as vizinhas eram super fãs) e assistimos “A Favorita” na versão cubana, dublada em espanhol. Era engraçado, muita gente nas ruas vinha nos perguntar o que acontecia na novela, buscando um spoiler.

Como já contei no post das doenças em viagens, a Yaque super cuidou de mim enquanto estive gripada: me dava uma colher com mel e limão toda manhã. Um de seus bordões, que adotamos para sempre, é o “Ay mi vida”, que ela falava quando nos abraçava carinhosamente – ou quando se lamentava de alguma coisa.

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Dona Sonia também nos encantou. Ela ficou toda emocionada quando dissemos que íamos para Santiago, cidade onde está a igreja da padroeira de Cuba, a Virgen de la Caridad. Apesar de ser uma católica fervorosa, ela nunca tinha ido para lá. Esse foi um dos sustos: como não? Mas é isso mesmo: em Cuba, com dinheiro contado, como faz para viajar? É para poucos mesmo. Por isso foi tão especial quando mandamos fotos da igreja para ela através da Luiza e do Pedro <3.

Casa Particular da Sandra e do Paco, em Santiago de Cuba

A própria Yaqueline nos indicou uma casa para ficarmos em Santiago. Eles funcionam quase como uma rede: não se conhecem, mas se indicam um para o outro. Ela nos deu o cartão do casal Sandra e Paco e combinou com eles por telefone de nos buscarem na rodoviária. Doze horas de viagem depois, já havia um taxista nos aguardando com um papelzinho na mão escrito “Devorah e Daniel” – alguns cubanos brincavam que meu nome era Devorah (!), deve ser mais comum rs.

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano :P

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano 😛

A casa deles foi outro choque de realidade: havia televisão com tela de plasma, aparelho de DVD, ar condicionado e… computador! A morada era simples, mas quando nos deparamos com esse aparato tecnológico ficamos boquiabertos. Como? “Temos uma filha que mora em Miami”, disseram. Claro, como no?

Nosso quarto também ficava nos fundos, à parte da casa, com ar condicionado, banheiro privativo e duas camas. Ao lado, fica o quintal onde eles montavam nosso café da manhã cheio de frutas e mimos. Sandra também era uma senhora cozinheira. E a localização da casa é ótima, a pé chegávamos rapidamente à praça central.

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Não ficamos tão próximos da família deles quanto a da Yaque. Acho que eles eram até mais profissionais e devem estar mais acostumados a receber turistas, por isso mantêm uma relação mais distante com seus hóspedes. Eu e o Daniel até puxávamos papo, mas não vingou tanto quanto na casa de Trinidad. Mas adoramos a estadia e eles foram ótimos com a gente, nos ajudando com tudo, desde levar e buscar na rodoviária até com dicas de passeio.

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Pousada em Varadero

Saímos de Santiago e viramos a noite no ônibus a caminho de Varadero. Chegamos de dia, sol a pino e mochilão nas costas. Não tínhamos indicação de ninguém nem a menor ideia de onde nos hospedar.

Varadero é a Cuba “para gringo ver”, foi moldada para turistas mais endinheirados. A orla é tomada por hotéis e resorts e quase não há casas particulares – pelo menos não oficialmente. O jeito era arrumar um hotel baratinho e saímos de porta em porta perguntando os preços.

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Quanto mais à direita caminhávamos, mais os valores subiam. Eu já estava bem cansada, querendo voltar para o primeiro hotel, quando o Daniel avistou uma pousadinha do lado de lá da rodovia (ou seja, que não era pé na areia, portanto podia ser mais barata) e foi lá mesmo que ficamos: Hotel Pullman.

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Era meio que um sobrado adaptado, com diversos quartos, uma sala onde serviam o café da manhã e um jardim bem charmosinho. Lá havia também um bar, que de tarde já estava produzindo mojitos e foi praticamente nossa base durante a estada em Varadero.

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Mais informações: Hotel Pullman no Trip Advisor. Os usuários dão uma destruída no hotel, mas verdade seja dita: pelo preço que era, não dava para exigir também grande coisa. Em 2010 estava mesmo bem caído, a construção estava mal conservada e tal. Mas na medida do possível era limpo, deu para dormir numa boa e tomar um bom café da manhã. Além do preço, a vantagem é que ficava bem perto da orla, dos restaurantes e da feirinha de artesanato.