Rio de Janeiro :: Parque Lage

Foi amor à primeira vista. A descoberta do Parque Lage foi em 2010, e desde então virou meu xodó do Rio. Toda vez que vou, dou um jeito de passar por lá, comer a torta de maçã, tomar um expresso e fingir que sou rycah a vida é essa maravilha por algumas horas.

Foi bom enquanto durou: minha amiga Larissa me avisou que o D.R.I. Café, onde eu comia a tal tortinha, fechou :-(. No lugar, abriu o bistrô Plage, que segundo o site d’O Globo oferece café da manhã também, mas tem cardápio próprio de almoço, chef e produtos orgânicos. Será que gourmetizou? Na próxima visita vou experimentar e conto por aqui!

Mas vamos ao que interessa: reuni aqui as fotos que fiz de todas essas visitas ao parque – e em cada uma delas, tive uma descoberta nova ou surpresa! ❤

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O parque mistura uma série de coisas bacanas: tem a arquitetura do palácio, a Escola de Artes Visuais, as flores e plantas do jardim e um café * instalado no centro da construção principal para se deliciar em meio ao passeio. Ah sim, e o Cristo Redentor lá no alto do Corcovado compondo o cenário.

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Mas como assim palácio? Pois é, a história começa lá em 1811, quando o terreno de um antigo de engenho de açúcar foi comprado por um senhor chamado Rodrigo de Freitas Mello e Castro (lembrou da Lagoa? É isso mesmo, tem tudo a ver). Ele contrata o paisagista inglês John Tyndale para projetar os jardins no estilo europeu, que hoje servem também para abrigar piqueniques.

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Em 1859, Antônio Martins Lage adquire a chácara. Depois de um passa-e-repassa nas mãos de vários outros proprietários, seu neto, Henrique Lage, consegue reaver a propriedade da família em 1920. Ufa, 61 anos depois!

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Daí em diante foi só festa. Lage convidou o arquiteto italiano Mario Vodret para projetar o palacete principal, sob grande influência de sua esposa, a cantora lírica Gabriella Besanzoni. O estilo da mansão seria eclético, misturando várias referências. Um dos salões do palácio é assim:

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Reparou no teto todo detalhado? Então chegue mais perto e veja bem:

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Em 1936, Gabriella fundou a Sociedade do Teatro Lírico Brasileiro e mais tarde, em 1948, convidou seus sobrinhos-netos a habitar o palácio. Nesta época, ela promovia festas de arromba, frequentadas pela alta sociedade carioca. Mas os dias de glória não foram eternos e a família acabou se endividando.

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Lage entregou boa parte de seus bens para o banco, mas não vendeu a chácara. Com a ajuda do então governador Carlos Lacerda, conseguiu que a propriedade fosse tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico e cultural da cidade em 1957.

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O local continuou sendo referência para artistas até que em 1975 foi criada a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Além de oferecer cursos, a instituição também promove exposições e apresentações artísticas diversas. Dá uma olhada nos corredores do pátio, cheios de quadros:

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Além dessas obras, há também outras manifestações artísticas , como essas placas:

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Ou ainda, se der sorte, pode encontrar umas intervenções temporárias pelo parque, como essas nuvens aqui:

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Eu não sabia nada disso quando visitei o local, fui descobrindo aos poucos e boa parte agora, para escrever o post. Essas informações servem só para dar mais uma pitada de sabor quando forem passear por lá. Mas sabendo de toda história ou não, o lance é que o lugar por si só tem um encanto e desperta o interesse dos visitantes por ser de tudo um pouco – além, é claro, da beleza de seus jardins e construções.

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O cafezinho no pátio do palácio foi uma das primeiras descobertas – junto com a já citada torta de maçã. Uma das vezes fui lá para tomar um brunch, que vinha com frutas e pãezinhos deliciosos.

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Na época, achei o preço salgado e o atendimento demorado. É que tinham poucos funcionários e muita gente para atender. Como agora o restaurante/café que fica no parque é outro, não sei quais são as comidinhas nem como é o serviço. Se alguém aí já conhece o Plage, conta mais nos comentários 😉

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E essa caverna doida? Achei lá pela terceira ou quarta visita e fiquei encantada! Olha só o que tem por dentro:

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Sim, é o aquário do Parque! Ele foi construído de um jeito super legal, tudo parece ser natural, feito em argamassa imitando pedras. Os vidros dos aquários se fundem à estrutura da “caverna”, que por fora leva troncos de árvores também. Ou seja, você se sente completamente imerso a natureza.

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Falando em natureza, a última surpresa que tive no Parque Lage foi esse macaquinho prego aí da foto. Topamos com ele pulando de uma janela para outra, com um pão na boca, provavelmente roubado da cozinha. Me lembrou o Abu, macaco do Aladdin, que vivia com seu pãozinho a tiracolo.

Mas o impacto que se tem ali, acho que para todos que visitam (e revisitam), é a entrada do pátio. Ali você se depara com um espaço belíssimo, uma piscina refletindo o céu azul e, ao olhar pra cima, ainda vê o Cristo lá na montanha na sua direção. Tipo assim (a foto não tá nada boa, mas o que vale é a intenção rs):

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Vai lá
Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico
Tel: (21) 3257-1800
http://eavparquelage.rj.gov.br – não tem site do parque, só da escola

Fotos: Débora Costa e Silva

Hospedagem em Cuba

Como já expliquei no post Preparativos de Cuba, fechamos uma parte da viagem com uma agência e no pacote já estava incluso cinco dias de hospedagem em Havana – três noites no início do roteiro e duas no final. De resto, não havíamos fechado nada e fomos encontrando lugar para ficar na hora do “vamo vê”.

Uma coisa que decidimos era ficar em pelo menos uma casa particular, que nada mais são do que casas em que vivem cubanos que cobram para hospedar turistas (para buscar uma casa, entre no site: www.casaparticularcuba.org). Começou como uma atividade ilegal, para ganhar uma grana extra, mas depois a prática foi autorizada pelo governo. É o melhor jeito de conhecer de perto a cultura do país, pois participamos do dia-a-dia de uma família. E ainda por cima é mais barato.

Resolvi separar por cada tipo de hospedagem aí embaixo para contar um pouquinho como foi a experiência em cada um deles:

Hotel Occidental Miramar em Havana

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

Piscina do hotel Occidental Miramar, em Havana. Foto: Débora Costa e Silva

É um hotel 4 estrelas amplo e requintado. Tem uma piscina enorme, barzinho com área interna e externa (onde os gringos fumavam charuto), recepção espaçosa e um salão para as refeições. O quarto segue o padrão, bem amplo com direito a um sofá com mesinha.

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Daniel no quarto do Occidental Miramar. Foto: Débora Costa e Silva

Só a localização que não é muito privilegiada, mas já sabíamos disso. Fica no bairro Miramar, tomado por casarões e mansões, que antes do regime eram habitados por cubanos mais endinheirados. Depois da revolução, muitas das propriedades passaram a abrigar embaixadas. Os hotéis mais luxuosos também se instalaram por ali. O bairro conta com alguns teatros, como o Miramar e o Karl Marx, e é bem agradável de passear.

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel - bem

Grupo de salsa se apresentando no bar do hotel – bem “pra gringo ver”. Foto: Débora Costa e Silva

A região fica mais afastada do centro histórico de Havana, mas não fica exatamente longe. Para ir a pé sim, mas de táxi dava uns 10 minutos e até que ficava baratinho. E saíam ônibus do hotel diariamente levando os hóspedes para o centro, então dava para se virar bem.

Na segunda vez que nos hospedamos, já perto de ir embora para o Brasil, foi que deu para sentir de verdade a diferença entre o hotel e todos os lugares que ficamos. É um outro mundo: ficamos à parte de tudo o que estava acontecendo, sem contato com o povo, parece que protegidos por uma bolha mesmo. Mas a experiência foi interessante para entender que esse lado de Cuba também existe.

Mais informações: http://www.occidentalhotelscuba.com/Miramar/ENG/home.html

Casa Particular da Yaqueline, em Trinidad

Saímos de Havana de manhã para chegar em Trinidad pela tarde. A viagem foi feita de ônibus e a impressão é de que seria bem pior, mas o veículo estava em bom estado, tudo novo e muito confortável, exceto pelo ar condicionado. Estava ultra gelado e com certeza foi aí que me ferrei e fiquei gripada – mas isso é outra história.

Chegando em Trinidad, descemos em uma pracinha onde havia vários caras em bicitáxis oferecendo hospedagem. Falamos com um deles para saber sobre o preço das hospedagens, que logo nos levou até uma casa particular. Era a casa da Yaqueline, mas quem nos recebeu foi sua mãe, Sonia, uma senhora de 80 anos super fofa.

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Jardim da casa da Yaque em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Elas moravam em uma casa colonial de pé direito alto e azulejos coloridos no chão. Havia um jardim ao fundo, onde ao lado ficava uma edícula, que seria o nosso quarto. Havia uma cama de casal e uma de solteiro, ventilador e um banheiro só para nós. Tudo muito arrumadinho e aconchegante.

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

Nosso quarto na casa da Yaque. Foto: Débora Costa e Silva

No valor estava incluso café da manhã, mas achamos que seria de bom tom almoçarmos ou jantarmos pelo menos um dia com elas. Acho que fizemos os dois, um em cada dia, e foi maravilhoso. Yaqueline cozinhava muito bem, sempre havia salada, arroz, batata ou banana frita, camarão para mim e ovos para o Daniel. Essas refeições pagávamos à parte, mas com gosto, como forma de dar uma “força” e também participar de um momento família.

Na casa da Yaque e da Sonia participamos de uma conversa deliciosa sobre o Brasil e suas novelas (elas e as vizinhas eram super fãs) e assistimos “A Favorita” na versão cubana, dublada em espanhol. Era engraçado, muita gente nas ruas vinha nos perguntar o que acontecia na novela, buscando um spoiler.

Como já contei no post das doenças em viagens, a Yaque super cuidou de mim enquanto estive gripada: me dava uma colher com mel e limão toda manhã. Um de seus bordões, que adotamos para sempre, é o “Ay mi vida”, que ela falava quando nos abraçava carinhosamente – ou quando se lamentava de alguma coisa.

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Sala de estar da casa da Yaqueline em Trinidad. Foto: Débora Costa e Silva

Dona Sonia também nos encantou. Ela ficou toda emocionada quando dissemos que íamos para Santiago, cidade onde está a igreja da padroeira de Cuba, a Virgen de la Caridad. Apesar de ser uma católica fervorosa, ela nunca tinha ido para lá. Esse foi um dos sustos: como não? Mas é isso mesmo: em Cuba, com dinheiro contado, como faz para viajar? É para poucos mesmo. Por isso foi tão especial quando mandamos fotos da igreja para ela através da Luiza e do Pedro <3.

Casa Particular da Sandra e do Paco, em Santiago de Cuba

A própria Yaqueline nos indicou uma casa para ficarmos em Santiago. Eles funcionam quase como uma rede: não se conhecem, mas se indicam um para o outro. Ela nos deu o cartão do casal Sandra e Paco e combinou com eles por telefone de nos buscarem na rodoviária. Doze horas de viagem depois, já havia um taxista nos aguardando com um papelzinho na mão escrito “Devorah e Daniel” – alguns cubanos brincavam que meu nome era Devorah (!), deve ser mais comum rs.

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano :P

Guardei o papel pra lembrar do meu codinome cubano 😛

A casa deles foi outro choque de realidade: havia televisão com tela de plasma, aparelho de DVD, ar condicionado e… computador! A morada era simples, mas quando nos deparamos com esse aparato tecnológico ficamos boquiabertos. Como? “Temos uma filha que mora em Miami”, disseram. Claro, como no?

Nosso quarto também ficava nos fundos, à parte da casa, com ar condicionado, banheiro privativo e duas camas. Ao lado, fica o quintal onde eles montavam nosso café da manhã cheio de frutas e mimos. Sandra também era uma senhora cozinheira. E a localização da casa é ótima, a pé chegávamos rapidamente à praça central.

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Café da manhã caprichado na casa da Sandra e do Paco em Santiago de Cuba. Foto: Débora Costa e Silva

Não ficamos tão próximos da família deles quanto a da Yaque. Acho que eles eram até mais profissionais e devem estar mais acostumados a receber turistas, por isso mantêm uma relação mais distante com seus hóspedes. Eu e o Daniel até puxávamos papo, mas não vingou tanto quanto na casa de Trinidad. Mas adoramos a estadia e eles foram ótimos com a gente, nos ajudando com tudo, desde levar e buscar na rodoviária até com dicas de passeio.

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Eu e o Daniel com Paco (com medo de abraçar), Sandra e um de seus filhos

Pousada em Varadero

Saímos de Santiago e viramos a noite no ônibus a caminho de Varadero. Chegamos de dia, sol a pino e mochilão nas costas. Não tínhamos indicação de ninguém nem a menor ideia de onde nos hospedar.

Varadero é a Cuba “para gringo ver”, foi moldada para turistas mais endinheirados. A orla é tomada por hotéis e resorts e quase não há casas particulares – pelo menos não oficialmente. O jeito era arrumar um hotel baratinho e saímos de porta em porta perguntando os preços.

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Hotel Pullman em Varadero tem essa aparência de castelinho (e nosso quarto era nessa varanda do segundo andar). Foto: Trip Advisor

Quanto mais à direita caminhávamos, mais os valores subiam. Eu já estava bem cansada, querendo voltar para o primeiro hotel, quando o Daniel avistou uma pousadinha do lado de lá da rodovia (ou seja, que não era pé na areia, portanto podia ser mais barata) e foi lá mesmo que ficamos: Hotel Pullman.

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Varanda do nosso quarto na pousada de Varadero. Foto: Débora Costa e Silva

Era meio que um sobrado adaptado, com diversos quartos, uma sala onde serviam o café da manhã e um jardim bem charmosinho. Lá havia também um bar, que de tarde já estava produzindo mojitos e foi praticamente nossa base durante a estada em Varadero.

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Vista da varanda da pousada. Dava pra ver o mar, mesmo atrás de toda essa fiação. Foto: Débora Costa e Silva

Mais informações: Hotel Pullman no Trip Advisor. Os usuários dão uma destruída no hotel, mas verdade seja dita: pelo preço que era, não dava para exigir também grande coisa. Em 2010 estava mesmo bem caído, a construção estava mal conservada e tal. Mas na medida do possível era limpo, deu para dormir numa boa e tomar um bom café da manhã. Além do preço, a vantagem é que ficava bem perto da orla, dos restaurantes e da feirinha de artesanato.