Nova York :: Patti Smith

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Patti Smith se apresenta na Congregation Beth Elohim, no Brooklyn. Fotos do post: Débora Costa e Silva

 

Essa última quinta-feira tive a sorte e a honra de ir ao evento Brooklyn By The Book, com a cantora e escritora Patti Smith. A noite foi incrível e definitivamente foi um dos pontos altos da minha temporada em Nova York. Até então, estava tendo um dia meio esquisito. Tava com a cabeça cheia e acabei me atrapalhando e me atrasando para ir. Entrei no metrô completamente dispersa e apressada, equilibrando nas mãos um copo de café, a bolsa da câmera, o casaco, o celular e o livro “Linha M”, o único que trouxe para ler aqui em Nova York.

O evento aconteceu no Congregation Beth Elohim, uma congregação judaica próxima a estação Grand Army Plaza. Assim que soube, uma semana atrás, logo entrei no site para garantir meu ingresso, mas já estava esgotado. Não me dei por vencida: entrei em contato com a organização e me informaram que haveria um segundo lote à venda. E deu certo! 🙂

Ao me aproximar do local me assustei com a fila, que literalmente dobrava o quarteirão e ia longe. Mesmo com ingresso garantido, cheguei a ficar preocupada, pois não imaginava tanta gente – muitos inclusive com mais de 60 anos, provavelmente da geração que viu a jovem Patti ler poemas e cantar em Nova York no início da carreira. As luzes amareladas da congregação já estavam acesas e iluminavam a calçada e as árvores, dando um tom romântico para o início da noite.

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Como todos que estavam ali, recebi um exemplar do livro “M Train” assim que entrei. Fui para a parte de cima do salão para tentar garantir uma boa visão do palco e, após alguns minutos, ela apareceu acompanhada pelo guitarrista Lenny Kaye. Os aplausos pareciam não ter fim, Patti foi ovacionada. No maior bom humor, fazendo comentários hilários sobre si mesma, logo se desculpou por estar com um pouco de dor de garganta e explicou que não poderia dar autógrafos pois estava com tendinite (ou algo parecido).

Ela apresentou a nova edição do livro, que agora conta com mais fotos e um posfácio, cujos trechos foram declamados ao longo da noite, com algumas canções intercalando as leituras. Me senti em um culto religioso: ao invés da bíblia, tínhamos em mãos o “M Train” e, ao invés de um pastor, lá estava Patti Smith, que assim como imaginava, tem uma presença muito forte, ao mesmo tempo em que fala de um jeito doce e sereno.

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O público ainda teve a chance de fazer algumas perguntas à cantora. Em resposta a um dos fãs, Patti contou que está trabalhando em dois novos livros, um deles o “Sisters”, que fará um paralelo com “Just Kids” (“Só Garotos”), pois vai relatar histórias da mesma época sob outra perspectiva. Ela também fez várias revelações, algumas banais, como o seu inusitado gosto por crocs, mas outras que provocaram aplausos, como sua preferência política pela candidata Hillary Clinton e críticas ao concorrente Donald Trump. “Política é um assunto complicado, mas ele não é qualificado para ser presidente”.

Além de ser uma artista incrível, Patti ainda por cima foi simpática e bem humorada a noite toda, fazendo piadas, comentando assuntos corriqueiros e até dando spoilers de sua série de TV preferida, “The Killing”, ultra citada no livro. Para finalizar o encontro com chave de ouro, cantou “Because The Night” e, no meio da canção, desceu do palco e caminhou pela plateia, batendo palmas animada no ritmo da música.

Lá fora a noite continuava bastante agradável, agora ainda mais bonita com a lua cheia no céu. Fiquei emocionada, o tal culto surtiu efeito em mim. Apesar de não conhecer a fundo sua obra, admiro demais a Patti e saí desse encontro ainda mais encantada. Quando li “Só Garotos”, sua história em Nova York me inspirou muito, foi mais um dos empurrões que recebi para vir para cá. E agora, lendo o “Linha M”, tenho seguido o exemplo dela, indo de café em café para ler, escrever e observar o fluxo, e sinto que estou curtindo a cidade de forma mais leve.

Links na bagagem :: leituras da semana #4

Essa semana tá cheia de boas leituras! Tem dois livros novos com tema de viagem, museu reinaugurado em Nova York, perrengues na Venezuela e histórias de gente que cozinha para turistas espalhados pelo mundo (aqui no Brasil também tem!). Bora clicar?

Trip Book, um livro que altera a história de acordo com a localização do leitor – Brainstorm 9

Marcelo Rubens Paiva, no vídeo de lançamento do Trip Book

Marcelo Rubens Paiva, no vídeo de lançamento do Trip Book

“A nova tecnologia com o velho prazer de contar uma história”. É a frase que o escritor Marcelo Rubens Paiva usou para definir esse projeto-campanha do programa de milhagens da Gol, o Smiles. Ele escreveu um romance, disponível para e-books, que de acordo com a localização do leitor poderá ter as informações alteradas.

Por exemplo, se você estiver no Rio de Janeiro lendo o livro e viajar para Paris, o enredo vai se transportar para a cidade francesa. A trama continua a mesma, basicamente só mudam as ruas, parques e atrações turísticas. As cidades em que a brincadeira é possível são Lisboa, Buenos Aires, Roma, Rio de Janeiro, Paris e Nova York. Genial, não? Quero ler – conto por aqui depois 😉

Carioca cozinha feijoada para gringos e faz fama em site para viajantes – UOL Comidas e Bebidas

O título fala de um carioca, mas essa foto é de um cozinheiro francês que serve refeições para turistas em Paris. Foto: Divulgação/Eat With via UOL

O título fala de um carioca, mas essa foto é de um cozinheiro francês que serve refeições para turistas em Paris. Foto: Divulgação/Eat With via UOL

A Estefani Reis, do Malaguetas, fez uma reportagem super interessante sobre os aplicativos que promovem encontros gastronômicos pelo mundo, como o Eat With e o Eat Feastly. Na matéria ela explica como funciona esse esquema e conta histórias dos cozinheiros que vêm se dedicando a receber turistas e reunindo pessoas durante as refeições. É tipo um AirBnb de comida! Tô louca para experimentar isso em uma viagem – ou mesmo aqui em São Paulo.

“Isto não é um museu. É uma ideia” – Publico

Edifício do novo Whitney Museum em Nova York. Foto: Público

Edifício do novo Whitney Museum em Nova York. Foto: Público

Até há pouco tempo instalado no Upper East Side, o Whitney Museum foi reinaugurado no bairro Meatpacking, em Nova York, na boca do High Line. O novo prédio foi projetado pelo arquiteto italiano Renzo Piano (o mesmo que fez o Centro Georges Pompidou, em Paris) e a estrutura é toda geométrica – segundo a reportagem, “concebido para reflectir o carácter industrial do núcleo urbanístico onde se insere”.

O museu tem seis andares dedicados a exposições, restaurante, lojinha e terraço com vista para os símbolos de Nova York. E a reportagem traz um pouco da história do museu e o desafio de se reinventar no espaço novo.

7 motivos para você não visitar a Venezuela – Viagem em Pauta

Vista de Caracas, capital da Venezuela. Foto: Julio César Mesa/Flickr-Creative Commons via Viagem em Pauta

Vista de Caracas, capital da Venezuela. Foto: Julio César Mesa/Flickr-Creative Commons via Viagem em Pauta

O Edu Vessoni, repórter e fotógrafo de viagem, passou maus bocados quando foi para a Venezuela durante seu mochilão pela América Latina em 2009. Já se passaram seis anos desde os ocorridos (não foi uma má experiência, foram algumas) mas o alerta continua válido para quem pretende viajar para lá. Conheço gente que foi e não passou por grandes perrengues também, mas é bom ficar atento e, se for, que vá bem prevenido 😉

Fantastic Cities: um livro de colorir para adultos urbanos – Follow the Colours

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Essa dica é especial para quem entrou na onda de colorir livros e é fã do tema viagem. Imagens de Nova York e San Francisco, tanto aéreas quanto de bairros e construções arquitetônicas, estão nas páginas deste livro esperando pelos lápis de cor. Mas calma que ainda falta um tempinho para lançar: só no dia 7 de julho vai estar à venda pelo site da Chronicle Books.