Estive em Portugal em setembro de 2014 a trabalho e foi uma das viagens do ano. Além de ter ficado boquiaberta com a beleza de Lisboa, Porto e Coimbra, tive a sorte de ter viajado com um grupo de jornalistas muito legal e ser guiada por duas lisboetas (ou alfacinhas) incríveis, a Catarina e a Madalena. Foram elas também que nos ensinaram as gírias mais giras da terrinha, que compartilho aqui no blog.
Você conhece alguma outra gíria ou expressão típica de Portugal que não está aqui? Deixa lá nos comentários 😉

Ora pois, que cidade mais gira Lisboa! Mas anda que se desunha nesse Castelo de São Jorge! Foto: Débora Costa e Silva
Imenso = muito
Viajam imenso pela Europa / Morre-se imenso
Penso-rápido = band-aid Bicha = fila
Rapariga = menina Casa de banho = banheiro
Pequeno almoço = café da manhã Parvalhona = tonta
Pergunta parva = pergunta besta Bocadinho = pouquinho
Gabiru = pegador Tramada = ferrada
Alforreca = água-viva Mola = pregador de varal
Despassarada = distraída, desastrada Peão = pedestre
Miúda = pequena Muito giro = muito legal
Variação: miudeca (mais miúda ainda) Variação: giríssimo
Pinga-amor = manteiga derretida, sentimental ❤
Madalena me chamou de pinga-amor porque chorei no Santuário de Fátima e achei lindo esse nome. Mas pela internet vi que também significava homens românticos e sensíveis tempos atrás. Hoje em dia, no entanto, parece que a expressão é mais designada para galanteadores – será porque a dose de amor desses Don Juans é a conta-gotas?
Anda que se desunha = anda-se muito (que até cai a unha)
Andor violeta = põe-te a andar! Sai da frente!
Mais popular no Porto – tentei achar a origem e nada 😦
Alfacinhas X Tripeiros
A rivalidade entre quem é de Lisboa ou do Porto é bem parecida com a relação entre paulistas e cariocas. Mas em Portugal tem um charme extra: os apelidos. Lisboetas também são conhecidos como alfacinhas e portuenses como tripeiros.
O termo alfacinha é cheio de controvérsias e há várias versões que explicam sua origem. Que vem de alface é meio óbvio, mas por quê? Uma das explicações é que foi um dos alimentos mais consumidos na época da invasão moura – alguns dizem até que era o único disponível nesses tempos difíceis. Foram os árabes, aliás, que trouxeram a hortaliça para Lisboa, chamada de “Al-Hassa”. A abundância do ingrediente na região também é outra hipótese que explica o apelido.
Outra história que li é que lá pelos anos 60 e 70 era moda ter grilos de estimação (!) e que muitos penduravam nas janelas gaiolas com bichinhos e uma folha de alface junto, para servir de alimento. Daí, andar por Lisboa era ver alface pendurado por todos os cantos. Mas será?
A Madalena, minha amiga alfacinha, disse que teve alguns grilos na infância dela, sim – contou que vivia a caça deles, mas que o bichinho também era vendido em feiras já nas gaiolas. “O cantar dos grilos é o melhor”, disse. Mas esclareceu que isso nada tem a ver com o termo alfacinha que, segundo ela, é porque a maioria das hortas de Lisboa era repleta de pés de alface. E ponto.

Prato típico do Porto. Foto: Visit Porto via Flickr
Já o apelido dos portuenses é mais fácil de entender. Na preparação da conquista de Ceuta, em 1415, o Infante D. Henrique quis dar um incentivo a mais para os trabalhadores que construíam os barcos: ofereceu a eles toda a carne disponível e deixou para o povo da cidade apenas as tripas.
Daí em diante quem é de Porto leva o apelido de tripeiro e com orgulho – afinal, o sacrifício feito valeu a pena na época: conquistaram Ceuta e, dali em diante, Portugal se consolidou à frente das navegações. E as tripas ganharam status de gastronomia típica do Porto, há diversos pratos com o ingrediente, sendo o mais famoso Tripas à moda do Porto.
