Nova York :: 9/11 Memorial Museum

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Fotos do post: Débora Costa e Silva

Onde você estava no dia 11 de setembro de 2001? Eu estava voltando da escola mais cedo, porque era dia de prova. Cheguei na casa da minha avó e a TV estava ligada mostrando dois prédios explodindo. Fiquei vendo as imagens em looping por uma meia hora até que resolvi dar um pulo na banca de jornal. Comprei a Folha e o Estadão e comecei a ler tudo, em busca de algum fato do dia anterior que pudesse explicar os ataques terroristas. Àquela altura eu já queria ser jornalista, então, além do choque e da tristeza que senti, confesso que também fiquei imaginando como teria sido emocionante participar de uma cobertura dessas.

O que eu não poderia imaginar é que 15 anos depois eu estaria morando aqui em Nova York e visitaria o local da tragédia. A área recebeu o nome de Ground Zero, onde há um novo arranha-céu, o One Wolrd Trade Center, e o National September 11 Memorial & Museum, dedicado às antigas torres gêmeas e às vítimas do ataque terrorista. Ao lado de tudo isso está o imponente Westfield World Trade Center, shopping de arquitetura impressionante e que integra o complexo WTC.

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A torre One World Trade Center (à esquerda) e parte do shopping Westfield WTC, que é todo branco

À princípio, achei que ir até o memorial seria importante, mas não poderia imaginar o quão interessante e tocante seria. O memorial me surpreendeu com sua arquitetura, organização e qualidade, além do vasto material exposto sobre a história dos prédios, os ataques (incluindo o atentado de 1993) e até sobre terrorismo. É uma história recente, que muitos de nós acompanhamos de perto, transformou drasticamente Nova York, os Estados Unidos e o mundo e tem desdobramentos até hoje, infelizmente.

Por sua importância e em respeito às vítimas, a primeira dica que dou para quem for visitar o local é: evite selfies! Por mais que você esteja emocionado e tenha a melhor das intenções, tente demonstrar isso com as atitudes também, pois pode parecer que quer apenas mostrar que esteve lá e não liga pra o que está ao seu redor. E tudo bem querer um registro, mas dá para fazer fotos de maneira mais discreta e menos ofensiva. Imagine alguém visitando o túmulo de algum parente querido e tirando uma selfie sorridente fazendo um hang loose. Você ia achar legal? Então.

Dito isso, vamos aos destaques da visita:

:: MEMORIAL & MUSEUM ::

Área externa

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No entorno do museu, há um jardim e duas piscinas no lugar das torres gêmeas, cada uma com uma área de um acre e consideradas as maiores cachoeiras artificiais dos EUA. Em suas bordas de bronze, estão inscritos os nomes das vítimas dos atentados.

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Achei interessante terem feito isso ao invés de construir algo que preenchesse o local, pois ao observar os dois vãos enormes sendo tomados por quedas d’água dá uma sensação de vazio que inspira reflexões.

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É assustador ver a quantidade de nomes inscritos nas bordas de bronze, dá para ter uma pequena noção do tamanho da tragédia. Mas apesar de toda a tristeza, senti também um quê de esperança ali por ser tudo tão bonito.

Museu

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Construído no subsolo da área afetada pelos ataques, o museu tem uma arquitetura especial pois aproveita algumas estruturas das antigas torres gêmeas. Para enriquecer a visita, recomendo o download do aplicativo gratuito do Memorial e ouvir o áudio-guia narrado pelo ator Robert De Niro. Você pode escolher qual trecho ouvir de acordo com o local que você está do museu, pois não há uma ordem certa de explorar o espaço.

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Eu fiz a visita “de fora para dentro”, ou seja, vi primeiro as estruturas mais grandiosas e remanescentes dos prédios, como a escadaria dos sobreviventes (que serviu de rota de fuga para os sobreviventes), pedaços de aço, a última coluna (repleta de inscrições e colagens em homenagem às vítimas) e uma parede de contenção, além da antena de uma das torres e um caminhão de bombeiros destroçado.

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Mas o que mais chamou a minha atenção foi o gigantesco mural com a frase do poeta romano Virgílio: “No day shall erase you from the memory of time” (Nenhum dia deverá te apagar da memória do tempo). O mais interessante é que utilizaram aço remanescente do WTC para esculpir cada uma das letras. E instalação azul que circunda a citação se chama “Trying to Remember the Color of The Sky on that September Morning” (Tentando recordar a cor do céu naquela manhã de setembro), do artista Spencer Finch.

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Para mergulhar a fundo na história, é necessário entrar na área chamada Historical Exhibition, que divide os acontecimentos em três partes: Eventos do Dia, Antes do 9/11 e Depois do 9/11. Os visitantes vão poder rever capas de jornais e revistas do dia 11 de setembro para ter uma noção de como era o mundo antes do atentado, assistir aos telejornais matutinos noticiando o ataque, ver objetos das vítimas e sobreviventes, ouvir depoimentos, assistir um vídeo que conta um pouco sobre a história da Al-Qaeda, entre tantas outras coisas. Só atenção: essa área não pode ser fotografada.

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Em um dos corredores do museu, há fotos e vídeos mostrando a reação das pessoas no dia do atentado

O valor da entrada para adultos é US$ 24. Por fim, se você têm uma história interessante relacionada aos ataques às torres gêmeas ou apenas lembra o que fazia no dia e horário em que soube do atentado, você pode contribuir com o acervo e gravar um depoimento no museu! 😉

:: PASSEIOS COMPLEMENTARES ::

St Paul’s Chapel

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A capela é a mais antiga de Manhattan e incrivelmente não sofreu nenhum dano com a queda das torres gêmeas, mas serviu de refúgio e descanso para os profissionais que trabalharam no resgate das vítimas e na restauração do local. Na entrada, está o “Sino da Esperança”,  um presente dado pelo prefeito de Londres em 11 de setembro de 2002 em homenagem ao atentado. No momento, a estrutura passa por uma restauração, mas é possível visitar o espaço externo.

Westfield WTC

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O novíssimo shopping foi inaugurado em agosto de 2016 e substitui o antigo The Mall at the World Trade Center, que acabou destruído após os ataques terroristas. O complexo chama a atenção de longe por sua arquitetura arrojada.

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Projetado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o design foi inspirado na imagem de uma pomba sendo libertada nas mãos de uma criança. Todo branco por fora e por dentro, também permite a entrada de luz externa, o que torna o espaço ainda mais iluminado. Abriga mais de 100 lojas, como a Apple, MAC e Lacoste.

One World Observatory

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Quem visitou Nova York pré 11 de Setembro deve saber que um dos passeios mais imperdíveis era subir até o topo do World Trade Center. Bom, agora a cidade conta com um novo arranha céu que toma conta da skyline e assume o posto de mais alto do país. O One World Trade Center, também conhecido como Freedom Tower, ocupa o local onde ficava o antigo WTC 6, tem 541 metros de altura e 104 andares. O observatório fica no 100º, com vista panorâmica de Manhattan, Brooklyn e New Jersey. A visita custa US$ 34 por pessoa.

:: COMO CHEGAR ::

O Ground Zero fica no extremo sul da ilha, na região chamada de Lower Manhattan. A estação de metrô mais próxima é a World Trade Center, da linha E azul.

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2 comentários sobre “Nova York :: 9/11 Memorial Museum

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